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Organização mapeia casos de violência contra transexuais no País

A luta por ser reconhecida pelo gênero ao qual se identifica vai além da vida de uma pessoa transexual. Mesmo após a morte, as informações se misturam e muitos crimes cometidos contra transexuais são registrados de forma errada, fazendo com que as estatísticas sobre a violência contra as pessoas trans não reflitam a realidade.
O assassinato de travestis, por exemplo, pode ser registrado como a morte de um homem tido como gay, excluindo a possibilidade de que a morte possa ter sido causada por transfobia,desvirtuando os números da violência contra a pessoa trans.
Para registrar e divulgar assassinato, suicídio, tentativa de homicídio e violação de direitos humanos de transexuais, foi criada, em 2015, a Rede Trans Brasil, uma organização não governamental que se empenha em registrar e mapear esses casos pelo Brasil.
A professora Sayonara Nogueira é uma das responsáveis pelo projeto e conta que a ideia surgiu a partir de um trabalho acadêmico, que tomou corpo e passou a ser uma ferramenta de luta e visibilidade da causa trans.
— A ideia foi construir um site com notificação de violência somente contra pessoas travestis e transexuais, para expor casos dessa parcela da população que sofre constantemente com a violação dos seus Direitos Humanos. Centenas de travestis morrem por ano vítimas do uso de silicone industrial ou por problemas causados pelo uso indiscriminado de hormônios, inúmeras tentativas de homicídio, além do suicídio.
A professora conta que as informações repassadas pelo site são encontradas em ferramentas de buscas, usando termos como: travesti, transexual, morte, assassinato e agressão. Porém, Sayonara conta a dificuldade de encontrar registros nos quais as travestis e transexuais são tratadas conforme o gênero em que se apresentam.
— No início, percebi que se colocasse a busca no gênero feminino, não encontrava notícias. Mas, quando eu buscava pelo artigo masculino “o” as notícias apareciam, além de termos como "traveco" e "homem encontrado com vestimentas de mulher", o que demonstra o total desrespeito da mídia com esse segmento. Percebi ainda que, quando digitava o termo transexual, sempre surgia notícias relacionadas às pessoas transexuais que terminaram algum curso acadêmico, constituíram família ou assuntos relacionados à cirurgias e moda. Mas, quando se digita o termo travesti, as notícias estão sempre relacionadas a prostituição, vídeos pornográficos, agressões e morte.
A rede ainda é composta por mais dois pesquisadores,que ajudam a selecionar notícias e denúncias que chegam de todo o País. Os dados coletados são enviados mensalmente para o Transgender Europe, entidade com a qual a Rede Trans Brasil firmou, em junho deste ano, uma parceria na cidade de Bologna, na Itália, para que os números de violência contra a pessoa trans no Brasil ganhem visibilidade mundial.
— Sempre expomos fotos das vítimas para chamar a atenção da sociedade em relação à crueldade a que somos submetidas. Nenhum grupo social no Brasil sofre mais discriminação do que o das travestis. Os assassinatos costumam ser muito cruéis. É um nível de violência elevadíssimo. A expectativa de vida dessa população não ultrapassa os 37 anos de idade, são excluídas da escola, da família, do trabalho.

Do R7

Transerviços: Novo site conecta transexuais e travestis a empresas

 Vítimas do preconceito e da exclusão, transexuais e travestis vivem à margem do mercado de trabalho formal, situação que coloca este grupo em situação ainda mais vulnerável. Para amenizar esse quadro de falta de oportunidades, foi lançada, no início deste mês, a plataforma online Transerviços (http://www.transervicos.com.br/), que funciona como uma espécie de catálogo, onde travestis e transgêneros podem oferecer trabalhos autônomos em diversas áreas.

— É muito difícil conscientizar empresas inteiras, especialmente as maiores, sobre a necessidade de inclusão desse público. Por isso, a plataforma foi pensada como uma maneira de dar publicidade à força de trabalhos de travestis e transexuais. Assim, no site, eles conseguem oferecer seu trabalho e, quem precisa do serviço, pode contratá-los — explica Daniela Andrade, cocriadora do site.
Para ter acesso ao serviço, basta que a pessoa se cadastre no site com informações pessoais e o detalhamento do serviço que deseja oferecer.
Atualmente, segundo estimativa da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 90% das mulheres transexuais conseguem trabalhar apenas com a prostituição, e os homens estão sujeitos ao subemprego. Dessa maneira, de acordo com a entidade, quase a totalidade das pessoas sob essas condições, no Brasil, nunca consegue acessar o mercado de trabalho formal, com carteira assinada.
— Não é uma questão de formação ou qualificação profissional que, na maioria das vezes, nós temos. É questão de inclusão e falta de políticas públicas específicas — destacou a travesti e presidente da Antra, Keila Simpson.
Nascida no Rio Grande do Norte e moradora do Rio há oito anos, a transexual Biancka Fernandes, de 28 anos, é exceção à regra de exclusão no mercado de trabalho. Após passar por dificuldades, como a maioria das pessoas trans, hoje ela faz parte do setor administrativo do Instituto Nacional de Infectologia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
— Estou há mais de um ano no emprego e fui muito bem recebida. Passei por muito preconceito para chegar até aqui, mas poder trabalhar é uma questão de cidadania — contou Biancka que, nas horas vagas, é atriz no Instituto do Ator.
Diversidade no Teatro Rival
Tradicional casa de espetáculos do Rio, o Teatro Rival, no Centro, se orgulha de ter em seus quadros funcionários transexuais. Três dos postos mais importantes para o funcionamento da casa, segundo a administração, são comandados por pessoas trans. Da recepção ao bar, o espaço cultural optou pela inclusão.
— O Rival é precursor da inclusão há 70 anos, e fazemos questão de continuar assim. Então, quando reinauguramos a casa, resolvemos buscar mão de obra na diversidade, e deu muito certo — disse Bianca Barbosa, sócia do teatro.
A contratação de pessoas trans, porém, ainda passa pela burocracia. Segundo Bianca, questões como o nome social, aquele que é usado pela travesti ou transexual, diferente daquele da identidade, ainda não é respeitado, o que causa constrangimento.
— Todos eles trabalham com carteira assinada e, no momento da contratação, enfrentamos dificuldades burocráticas em relação a isso. É preciso mudar, para que o processo de inclusão seja mais efetivo — ressaltou.



Entre as funcionárias estão a caixa Danny Santos, de 29 anos, e a recepcionista Selena dos Santos Benício, de 21. Ambas se orgulham de poder, hoje, usufruir dos benefícios trabalhistas, como qualquer profissional.
— É ótimo poder trabalhar com carteira assinada, especialmente num lugar onde nos respeitam — afirmou Danny.
Selena disse não sentir saudade da prostituição:
— Sempre estive na informalidade, e esta tem sido a melhor chance da minha vida.
Projeto Prepara Nem investe na formação de travestis e transexuais
Para além das cores rosa, azul e branco, da bandeira que representa o orgulho trans, a Casa Nem, que funciona na Lapa, na região central do Rio, trabalha para dar formação profissional e tentar ampliar o horizonte de travestis e transexuais. No local, a população marginalizada tem acesso a cursos de modelagem, corte e costura e até a um pré-vestibular, o Prepara Nem.
— Aqui é um lugar de passagem. Recebemos travestis e transexuais, abrigamos todo mundo, mas queremos emponderar e dar educação para que as pessoas consigam se incluir na sociedade — disse a idealizadora e coordenadora da Casa Nem, Indianara Siqueira.
Além do pré-vestibular no Rio, que oferece 20 vagas, o projeto também tem curso preparatório na Maré, em Niterói e na Zona Oeste do Rio.




“O mercado não está preparado para nós”, diz Halux Maranhão
— A questão central em torno do debate sobre nossa exclusão do mercado de trabalho passa, antes de tudo, pelo preconceito. Tiram nossas oportunidades sem que analisem nossas qualificações para o trabalho. Eu, como homem trans e indígena, enfrento mais dificuldade. Sou técnico de enfermagem por formação, mas nunca consegui emprego. O motivo? Preconceito. O mercado não está preparado para nós.

Do Extra
 
 

Umuarama Paraná terá primeira transexual candidata à vereadora

A Estudante Nicole Vieira Fernandes, de 20 anos, conseguiu oficializar candidatura pelo PRP. Movimentação, segundo ela, representa a ruptura de paradigma preconceituoso.
A estudante Nicole Vieira Fernandes, 20, é a primeira transexual a conseguir oficializar sua candidatura à Câmara Municipal de Umuarama dentro da cota de 30% de candidaturas femininas estabelecida pela legislação eleitoral.
A candidatura da transexual pelo Partido Republicano Progressista (PRP) é a ruptura de um paradigma preconceituoso. “Participei das últimas reuniões decisivas do partido, gostei, e resolvi aceitar o convite”, disse.
Para a candidata houve um grande avanço na militância de travestis e transexuais que antes eram “vítimas” das pautas relacionadas à saúde em consequência da padronização do gênero apenas com relação ao sexo.
Na concepção de Nicole, a sua comunidade está ocupando espaços importantes na sociedade e em outras produtoras e difusoras de conhecimento, e se fazendo presentes em movimentos defensores das minorias negra, lésbica, gay, bissexual, travesti e transgênera.
“Ainda está muito recente a ideia do desafio que teve total apoio da minha mãe, que de início até achou estranho, imaginando que os amigos iriam debochar, mas agora, ela viu que a responsabilidade é real e importante”, revelou a estudante.
Com base na coligação que seu partido está incluído, a transexual imagina que será preciso a obtenção de aproximadamente 1,5 mil votos para a sua eleição à Câmara Municipal de Umuarama.
Informações do portal OBemdito.

Texto: Eu poderia... By Isa


Eu poderia beijar outras bocas que o prazer não seria o mesmo.

Eu poderia sentir outros abraços que o prazer não seria o mesmo.
Eu poderia olhar em outros olhos e não seria o seu.

Eu poderia buscar outros sons de voz para sentir o seu e ao ouvir sentiria a dor da saudade, pois nenhum outro conseguiria fazer comigo o que faz com o som da sua voz.

Eu poderia buscar outro corpo para dominar e sentiria que a textura da pele não era a mesma.

Eu me sentiria perdida em outra mulher, pois você que me trás felicidade plena.

Eu não poderia  desejar outra boca, não poderia desejar outros abraços, não poderia desejar outros olhos, não poderia desejar outra voz e outro corpo e o mais importante não poderia desejar outro amor, eu quero somente o dela e se eu tenho dela já me basta. 

By Isa Costa

Nota da Kátia: Recebi essa linda mensagem agora pela manhã da pessoa que tem me feito muito bem por existir. Isa... depois que você me tocou e me teve saiba que desde aquele dia em cada pedaço de mim, sempre haverá um pedaço de você. A dois, fazemos uma tempestade maravilhosa!

Violencia sem noção: Professora é agredida e assaltada em Recife depois de ignorar cantada

Depois de não responder a uma cantada num endereço movimentado do centro de Recife, a professora Brunna Dias Ribeiro foi agredida e assaltada. Enquanto voltava da Universidade Federal do Pernambuco, em Recife, para casa, ouviu um rapaz dizer “Morena gostosa! Morena linda!”. Sem resposta, ele voltaria, sem sucesso, a tentar chamar sua atenção: “Não vai me responder?”. Ela descreve o caso num post do Facebook (leia na íntegra abaixo), que já tem mais de 8 000 compartilhamentos.


Na foto acima a professora Brunna Dias Ribeiro: 
post no Facebook já tem mais de 8 000 compartilhamentos
(Foto: Reprodução/Facebook).
Este conteúdo foi produzido pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Para compartilhar, use o link http://radiojornal.ne10.uol.com.br/noticia/2016/09/12/no-recife-professora-espancada-apos-ignorar-cantada-exige-justica-49135
 

Brunna disse que preferiu não responder ao assédio, e que dois outros rapazes que acompanhavam o agressor começaram a rir da rejeição ao amigo. Conta, ainda, que o agressor se aproximou e que, antes que pudesse perceber, acertou a lateral de seu olho, perto do rosto. Caída no chão, teria levado novo golpe, perto da boca. Irado, Brunna diz que o agressor pegou sua bolsa, jogou tudo o que tinha dentro dela no chão e levou 70 reais. A jovem, que registrou ocorrência pela internet, neste sábado (10), diz que seu grande choque foi a falta de ação das pessoas que presenciaram a cena.

Do MSN

 Eu me espantei com a repercussão do meu post, muito porque as pessoas dizem que, além de roubada, fui agredida. Não foi isso que aconteceu. Eu fui cantada e, como não correspondi, fui agredida e depois roubada. É por causa dessa cultura que acha normal esse tipo de coisa que essas violências continuam acontecendo — protesta Brunna.

Ninguém fez nada. Cheguei a ver um homem passar bem do lado e não fazer nada. Como ver uma covardia como essa e não fazer nada? É muito triste, mas a verdade é que eu não me sinto mais segura perto de homem nenhum, nem na rua, nem na faculdade, em lugar algum. Não quer continuar vivendo numa sociedade em que dizer “psiu” para uma mulher é normal ou mesmo toca-la, por qualquer desculpa que seja. Não existe justificativa até porque, no meu caso, eu estava completamente vestida, de calça jeans e blusa alta. O machismo venceu — completa.

Leia desabafo da jovem:
Aconteceu de novo. Mais uma mulher foi agredida e dessa vez fui eu. Atacada e assaltada. Estava nas imediações da praça do derby na tarde de hoje, caminhando, quando meu caminho se cruza com o de três rapazes e um deles resolve soltar "gracinhas" para mim. Aquelas "gracinhas" normais, coisa de homem, sabe? Só que não! Coisa de macho escroto e machista, que acha que a mulher tem que responder e gostar dessas nojeiras. O deixei falando sozinho e segui em frente, não respondendo às gracinhas. Ele não se contentou e me abordou, se aproximou de mim e me deu um soco muito forte no rosto. Caí no chão. Ele achou pouco e me bateu novamente. Sacudiu todo o conteúdo da minha bolsa no chão, roubou todo o dinheiro que estava na minha carteira e depois saiu correndo com os outros dois rapazes. Ninguém fez nada. Ninguém me ajudou. Estava sozinha e atônita. Absolutamente sozinha, no chão e juntando todas as minhas coisas. Só lembro de ter ouvido um dos rapazes gritar: "ei, meu irmão, tas doido, é?". A sensação de impotência é absoluta. Já estamos "acostumadas" a receber esse tipo de gracinha, não imaginava que ele iria tão longe, mas isso acontece todos os dias. Todo santo dia algum homem passa dos limites e agride ou mata uma mulher. Todo santo dia a gente assiste calado ao vizinho que bate na mulher, ao sobrinho que grita com a namorada, ao pai que bate na esposa. Todo santo dia. E eu to cansada dessa merda toda! E essa foi a minha vez. Não me sinto mais segura em nenhum lugar dessa cidade. Não me sinto segura com homem nenhum.

Do Extra

A história de Kamila Barros: A voluntária transexual que celebra respeito no Rio 2016

"Quando não tinha mais barreiras, eu resolvi encarar. Falei para a minha mãe que ia ao salão colocar cabelo. Coloquei a roupa que levei e o mega hair também. Demorou umas seis horas. Entrei no salão menino e sai menina. Tirei um peso. Hoje em dia, me identifico. Sou o que sou, o que sempre quis ser. Não tem mais espaço para mentiras."
Sem mentiras, hoje ela é Kamila Barros. E contou assim ao ESPN.com.br sobre o dia em que tomou a decisão de realizar seu sonho de ser mulher. A transexual vive seus novos dias há cinco anos e, a partir deste sábado, vai comemorar mais uma conquista: seu nome de mulher está estampado no crachá que carregará no pescoço para trabalhar como uma das 50 mil voluntárias dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
Atrás do cartão de identificação estará seu nome de batismo, Jair, mas quem se importa? "Sempre gostei de esporte. Então pensei, por que não? Me inscrevi e deu certo. Na inscrição tinha um espaço em que eu podia colocar o nome que queria ser chamada. Coloquei Kamila. O Comitê Organizador está de parabéns. Me respeitaram muito. Atrás do crachá, terá meu nome do RG. Mas não importa porque ninguém vai ver."
Por trás do rosto sereno, que transparece alegria, bondade e, agora, paz de espirito, há marcas que o preconceito e o medo deixaram. Ela e a mãe vieram para o Rio de Janeiro há cinco anos, quando seu pai, também chamado Jair, faleceu por um câncer. Antes disse, ela se ‘escondia'. Pelo estilo ‘durão' que via no pai, nunca teve coragem de assumir quem era - ou queria ser.
"Com meu pai nunca tive... nunca foi afeto de pai e filho. Ele era alcoólatra, tinha muitas brigas com a minha mãe. Isso foi me dando um amargo dele. Não quis me assumir para não gerar conflito. Cheguei a levar uma suposta namorada em casa para enganar. Era lésbica. Teatro dos dois (risos). Não tive coragem. Mas hoje eu contaria, sem medo. Fiquei mais forte."
Os preconceitos deixaram Kamila mais forte. Quando ainda morava em Natal, começou a trabalhar como técnica de enfermagem logo depois que começou a tomar hormônios. E então, sem mais nem menos, foi demitida.
"Todo mundo sabe (o motivo). Eu já estava com feições femininas. Foi o primeiro preconceito forte que sofri. Eu fazia o que eu gostava, que era a ajudar o próximo. Como doeu, não penso em voltar para a enfermagem. Só quero um trabalho digno. Mando currículo e está Jair. Aí quando chego veem que é outra pessoa. Falam que vão ligar, e não ligam."
A dificuldade em conseguir um trabalho forma levou Kamila à prostituição. Nesse momento da conversa, ela avisa que não gosta muito de falar sobre isso. Mas fala. "Não gosto. Faço porque tenho que pagar minhas contas e a sociedade não me dá chance de mostrar que tenho valor. Já tive cliente que saiu comigo e depois, quando me viu na rua, virou a cara."
O sonho de Kamila, além de ser mulher, sempre foi ser atleta. Praticante de muitos esportes na infância e jogadora assídua de vôlei aos fins de semana no Rio, era goleiro no futsal. Mas abriu mão do projeto para ser transexual porque tem silicone nos seios, no bumbum e no quadril e acha que acabaria se machucando com as quedas nos jogos.
Ser mulher também ainda não é um sonho totalmente realizado. "Só serei feliz por completo quando eu fizer a operação. Mas no SUS tem muita fila. Conheço gente que está esperando já nove anos. E no particular é muito caro. Uns R$ 30 mil. Mas estou juntando o dinheiro em um cofrinho e se deus quiser vou conseguir. Também falta mudar o RG. Vai facilitar para conseguir um emprego."
Enquanto isso, ao menos pode comemorar a conquista de ter sido aceita como é no time de voluntários dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio de Janeiro. Uma entre os mais de 50 mil que vão trabalhar de 5 a 21 de agosto e de 7 a 18 de setembro. Kamila começa a jornada neste sábado, das 8h30 às 15h. Vai coordenar uma equipe de atendimento ao público nos eventos de ciclismo, maratona aquática e triatlo.

Do ESPN

Modelo transexual Gigi Lazzarato é detida no aeroporto de Dubai: "Assustador"


Gigi Lazzarato, 23 anos, é uma celebridade transgênero da internet conhecida como Gigi Gorgeous e uma porta-voz para as marcas tradicionais, como Too Faced Cosmetics, Pantene e Crest. Ela começou seu canal no YouTube, em 2008, de sua casa em Mississauga, subúrbio de Toronto, quando era conhecida como Gregory Gorgeous; hoje tem mais de 2 milhões de fãs. 
A modelo transexual Gigi Gorgeous, de 24 anos, melhor amiga de Kylie Jenner, a caçula do clã Kardashian/Jenner, ficou detida no aeroporto de Dubai por mais de cinco horas. Segundo o TMZ, ela foi parada pela imigração e um oficial teria dito que ela não poderia entrar no país por ser transgênera.
Gigi nasceu Gregory Lazzarato, mas seu passaporte teria sido atualizado para o nome "Gigi Loren" após a oficialização da transição de gênero. Policiais do aeroporto dizem outra história. Segundo eles, o passaporte a descreve como homem e a foto também mostra Gigi como homem.
"Depois de ser presa e mantida no aeroporto de Dubai por mais de cinco horas, este foi o momento em que meu bebê veio para me resgatar. Ontem foi um dos momentos mais assustadores da minha vida e não desejaria isso a ninguém. Como você pode ser proibida de entrar em algum lugar apenas por causa de quem você é. É nojento e também muito assustador. Isso prova ainda mais a necessidade de mudança. Agora estou a caminho de um lugar mais tolerante. Seguro, sadio e feliz", escreveu ela, no Instagram, onde postou foto abraçada no amigo, o vlogger Nats Getty.
De acordo com o TMZ, em Dubai a "imitação de mulher por homem" é ilegal e a violação pode dar um ano de prisão.

Do Quem

A Calcinha lilás – Um conto de submissão crossdresser.

É fim de tarde de sexta-feira e foi uma semana de trabalho “obscena”... Um dia de trabalho exaustivo. Confiro o celular e me deparo com uma mensagem no whatsapp de minha esposa: 
- SEU HAPPY HOUR É COMIGO! HOJE TE QUERO “LINDA”!!!

Ela sabe mesmo me deixar feliz, quando me quer Cdzinha então vou do trabalho pra casa pensando no que ela me pediu... Também sei que isso me vai relaxar muito.

Ao chegar em casa, como de costume, confiro a geladeira. Percebo que ela antes de sair já deixou varias guloseimas na agulha... Aproveito e ponho pra gelar as duas garrafas de vinho que acabei de comprar no mercadinho antes de chegar em casa. Sei que ela vai amar... 


Nessa hora confiro o celular dentre as varias mensagens no whatsapp a dela perguntado se cheguei e dizendo que chega as 20hs. Nada respondo apenas confiro à hora 18:37. Sei que ela vai ver a confirmação de leitura...

Sigo para o banheiro pra começar a minha transformação com banho revigorante... Breve a Kátia vai entrar em ação.
Ao entrar me deparo sobre a pia com uma bela calcinha lias e ao lado uma cestinha com xampu, sabonete, perfume, e cremes... 

Tudo de “menina” e escolhido por ela mesma para mim. E ela sabe o quanto adoro quando ela faz isso!

Findo o banho, passo o hidratante que me deixa com a pele suave, geladinha e cheirosa... Coloco meias finas pretas, uma calcinha lilás combinando com o corpete lilás e um robe de seda. Nessa hora confiro a hora já são 19:11. Me demoro no espelho onde “tento” fazer a minha maquiagem que delineia os olhos e onde pinto a boca de baton vermelho marcante que ela tanto gosta de tirar. Por fim a última peça a peruca preta. Prontinho... estou pronta! Agora é esperar por ela...

Vou a cozinha, arrumo algumas coisas na bandeja, abro o vinho e vou ate a varando do apartamento protegida pela cortina da vidro opaca que no escuro fica indevassável... 
Olho para os prédios e tomo um ou dois goles de vinho. Depois de alguns minutos, a maçaneta da porta da frente abre... E por instantes o brilho do corredor ilumina a escuridão da sala... Meu coração acelera...

Ela me olha na penumbra depois de fechar a porta e diz: - minha menina, minha bonequinha... Mulher de salto é poderosa. Mas de joelhos é invencível!

Ouvindo isso deixo de andar em sua direção e me ponho imediatamente de joelhos e de cabeça baixa.
Ela diz:

- Agora sim... Que linda imagem!

Sinto-me submissa e estas palavras soam como música... Eu amo quando ela fala dessa forma. Ela passa a mão sobre minha cabeça sinto arrepio no corpo e disparo:
 - Sou inteiramente sua, minha dona. Use e abuse...

- O que mais? Ela me indaga...

- Senhora...  Sou inteiramente sua...

Ela pega e levanta meu queixo e me manda repetir...

- Senhora. Sou inteiramente sua, minha dona. Use e abuse...

Percebo minha senhora “vidrada” em minha boca marcada belo batom vermelho que coloquei... Ela me pega pela mão e beija, vamos primeiro a cozinha onde pega a bandeja onde eu já tinha arumado as taças, o balde de gelo, o chocolate, o queijo e o vinho. Altiva ela então me conduz ate o quarto e o meu coração dispara...

Chamando-me de bonequinha me conduz ate o quarto onde me põe prostrada na parede onde tem um armador de rede. Ali me prende as mãos e antes de por um gag na minha boca para abafar meus gemidos. Beija-me cheia de desejo. Ela sabe que quero muito brincar... Põe em mim uma coleira e sussurra:

- Já trouxe os nossos brinquedinhos... Chicote, velas e o cane...


Pega seu chicote e me alisa as pernas, o rego, a bunda e as costas. Depois começa a me açoitar, enquanto de me chama de menina má, bonequinha e putinha... Não chego a contar, mas faz isso ate deixar as polpas da minha bundinha rubras... 

Minha cabeça gira nessas sensações. Ela para, toma uns goles de vinho enquanto respira. Me venda e daí vem no meu ouvido e sussurra: - Volto já! Vou tomar banho.

Então me alisa e “testa o meu sexo” sentindo minha excitação... Poe pra tocar "Hazy Shade of Winter do The Bangles e me deixa para se banhar, percebendo que estou entregue. E que sou dela da forma que ela bem desejar...

Cinco musicas depois e ao som de "Africa" do Toto, sinto o cheiro do seu perfume... Ela se aproxima, tira a venda, a gag e diz: - Eu adoro seus olhos brilhando...

Poe pra tocar "Waiting for a Girl Like You" do Foreigner, uma musica bem clássica dos anos 80 e já sei o que me espera... Me solta, me conduz ate a cama onde mais uma vez me beija. 


Então me venda e amarra um braço e uma perna depois outro braço e a outra perna... Tudo lentamente... E me deixando imóvel. Senta sobre mim e me beija com sofreguidão.

Suga minha língua de uma forma que se fosse um canudo eu sairia por ali... Entrego-me, gemendo. Agora serei o que ela quiser... Ela me atiça dizendo: Agora vamos ao prato principal da noite! Então ela pega o copo gelado e passa sobre o bico do meu peito sim ela fica me excitando... Joga um pouco de vinho e lambe. Apenas sinto o gelado do vinho e o sabor da boca dela nos meus seios... Ela brinca com um e depois com outro por bom tempo e entre um e outro ela mela a mão no vinho e me dá na boca pra chupar...
 
Ela brinca um pouco mais e vai descendo... Lambe minha barriga, passa a língua no meu umbigo dali desce, afastando a calcinha e colocando o meu grelinho na boca...

Que delícia! Sinto-a gulosa! Que sensação deliciosa... O Tempo não passa mesmo parecendo uma eternidade... Ela não parava de brincar com meu grelo na boca... Tento me controlar para brincadeira não acabar... Mas naquela condição eu só conseguia esticar as pernas de prazer...

No entanto ela logo percebe minha excitação e procura dar um tempo... E me provoca de outra forma... Ela me lambuza a boca com chocolate depois limpa com a língua... Novamente suga minha língua e furtiva segura firme meu grelinho em meio a um beijo que me deixa sem fôlego. Respiro forte... Peço que me deixe gozar e ela me nega mais uma vez... E eu adoro mesmo querendo muito...
Ela me libera uma das mãos e uma das pernas. Vira-me bruços e me prende as mãos novamente... Já manjo seu alvo... Meu botãozinho! Ela abre minha bunda com as mãos e sinto o calor de seu hálito o que me arrepia. Quando dou por mim sua língua me invade com maestria. Mais uma vez eu me entrego me arreganhando como posso e permitindo que sua língua me invada ainda mais... Então ela me chupava o cuzinho cada vez mais gostoso. E eu gemia feito uma menininha no cio... Como tem poder aquela língua! Ela então para e me deixa inerte. Sinto ela jogando algo em mim... É vinho! Enquanto o liquido escorre pela minha bunda ela lambe e se esfrega contra ela...

Num dado momento, de súbito ela me liberta as mãos e me vira de frente. Arreganha-me as pernas e me põe na posição de frango assado. Pronto... Estou dominada.
Ela ‘unta’ o pau da cinta peniana com KY e vai metendo lentamente... Sinto a cabecinha entrando... Maldosa, faz bem lentamente... Ate encaixar. Logo começa uma vai e vem... Neste ínterim pega meu grelinho e aperta na palma de sua mão me levando a loucura. Estou a sua mercê. Sendo “judiada” me sentindo entregue e gemendo... Levando-me quase ao meu limite... Sinto-me exausta, mas feliz... Mas ainda percebo sua fome... é o seu desejo...

Depois de me usar, me beija... Sinto-me exausta mas ainda muito exitada.... Ela finalmente me solta e me manda ficar de joelhos... Levanta a perna na cama e coloca e guia meu rosto em direção a sua boceta úmida, me fazendo a concedê-la um oral ate ela gozar em minha boca...

Por fim, deitamos exaustos e adormecemos em meio a beijos e gemidos... E ela me chamando de “minha bonequinha”.

A Calcinha lilás – Um conto de submissão crossdresser. - By Isa Costa

Modelo Transexual Gigi Gorgeous conquista os Estados Unidos

Em uma noite de terça-feira, não muito tempo atrás, a estrela do YouTube conhecida como Gigi Gorgeous entrou no Nice Guy, o tipo de restaurante que se orgulha de ser frequentado por Justin Bieber e pela família Kardashian.
Após uma breve conversa no bar com seu assessor e um amigo - um sujeito chamado Nick que usava um boné branco da Chanel - ela foi para a cozinha onde, em meio a latas de tomate e o barulho das panelas, havia uma mesa à luz de velas para seis.
"Tenho que ter minha mesa de mafiosos", afirmou ela, jogando seus longos cabelos loiros para trás.
O nome Gigi Lazzarato pode não ser muito familiar, mas ela recebe o tratamento "It Girl" no Nice Guy e em muitos outros lugares nesta cidade. No ano passado, chamou a atenção de James Goldstein, um colecionador de arte e fã de basquete, em uma festa que ele ofereceu para o estilista Jeremy Scott e a Longchamp, a marca francesa de bolsas.
"Ele gosta das loiras. Foi o que me disse", disse Gigi, de 23 anos, sobre Goldstein.
Algumas semanas depois, ela chamou a atenção quando surgiu de braços dados com August Getty, outro estilista, em um desfile de sua última coleção nos estúdios da Universal.
Destacando-se da multidão em um vestido branco justíssimo com recortes estratégicos - ela tem mais de 1,70 m de altura e prefere saltos de, no mínimo, 10 centímetros - Gigi parecia uma Bond Girl.
"Você nem imagina quantas pessoas eu vi naquele dia. Foi um turbilhão. Centenas de rostos", disse ela.
O rosto de Gigi, ainda não tão conhecido, lhe garante uma vida bem tranquila graças a parcerias com empresas, incluindo Too Faced Cosmetics, Pantene e Crest, para avaliar seus produtos de beleza online. Isso não seria nada de mais, exceto pelo fato de que Gigi é transgênero.
Ela começou seu canal no YouTube, em 2008, de sua casa em Mississauga, subúrbio de Toronto, quando era conhecida como Gregory Gorgeous. Hoje tem mais de 2 milhões de fãs.
Gigi fala não só sobre maquiagem, mas também sobre sua transição de homem para mulher e as consequentes alegrias e desafios.
"Trabalhei duro para chegar onde estou para não me divertir com minha vida. Então, se alguma coisa não está dando certo, mude, garota!"

Gigi teve uma educação católica e tem um irmão mais velho e um mais novo. Ela se recorda de que, na infância, sempre se sentiu mais como menina que como o garoto chamado Gregory. Contou que usava a maquiagem da mãe desde bem pequena e prendia um pano de prato na cabeça com uma faixa para simular o cabelo longo.
Inspirada por uma amiga que lhe mostrou a novidade de vídeos ensinando maquiagem no YouTube, começou a criar alguns sozinha. Também disse aos pais que era gay. Seu pai, David Lazzarato, executivo de uma empresa de mídia que está agora aposentado, foi solidário, disse ela, e sua mãe, Judy, dona de casa, foi ainda mais.
"Minha mãe, quando comecei a usar maquiagem, se mostrou muito protetora. Eu postava um vídeo, obviamente não anunciava o que estava postando e, quando a encontrava, meia hora depois, ela dizia: 'Adorei o vídeo que acabou de fazer'. Ela era sempre a primeira. Não se envergonhava."
Quando Gigi tinha 19 anos, a mãe morreu de leucemia. Ela havia se matriculado em um curso de moda, mas largou para continuar sua carreira no YouTube e já estava morando sozinha em Toronto, atuando, conhecendo gente e explorando sua sexualidade.
Segundo ela, um encontro em Nova York com a artista performática transexual Amanda Lepore ajudou a convencê-la a aceitar seu desejo de ser mulher, o que a fez começar uma terapia hormonal. Estava preocupada em perder seu batalhão de seguidores, que não parava de crescer e, na época, girava em torno de 500 mil.
"Minha audiência naquela época me dizia: 'Você é incrível. Você é meu ídolo'. Não queria decepcionar ninguém. Queria continuar a ser a pessoa que amavam", disse Gigi.

Ela se revelou transgênero na internet em 2013, em um vídeo que incluiu um pedido de desculpas por não postar nada muito pessoal online no ano anterior. Seguiu-se uma manifestação de apoio.
E então, surpreendentemente, vieram alguns patrocínios de produtos populares, incluindo a campanha publicitária da Crest do Canadá: "Por causa do sorriso lindo, branco, e porque ela atinge os consumidores que buscam novas soluções de beleza", escreveu por e-mail um porta-voz da empresa.
Em 2014, Gigi se mudou para Los Angeles, em parte tentando ser atriz, e fez amizade com Miley Cyrus, depois de uma noite louca no Bootsy Bellows, um clube noturno de West Hollywood. ("Não sabemos sobre o que falamos, mas temos uma vaga lembrança de termos nos conhecido", disse Gigi.)
Gigi colabora com Getty por causa de sua coleção, servindo como musa, modelo e apoio moral.
"Era como um irmão e uma irmã; me lembrei de Gianni e Donatella na passarela", disse Getty, referindo-se aos Versace, sobre a companhia de Gigi no desfile no estúdio da Universal.
"Eu valorizo muito suas ideias quando se trata da altura das bainhas. Para mim, ela é a mulher ideal. Tem uma alma muito feminina", disse Getty.
Gigi permanece fiel à internet, postando novos vídeos quase toda semana. Ela edita tudo sozinha, no típico estilo Gigi Gorgeous: cortes e discurso rápidos, rosto impecável, bem maquiado, e sempre finaliza com o logotipo de uma impressão labial, que serve de selo de aprovação.
Em uma manhã de segunda em seu apartamento, em West Hollywood, usando um roupão de seda magenta e ignorando o telefone que não parava de tocar, ela se maquiou com a mesma facilidade com que Bob Ross pinta arvorezinhas felizes.
Gigi não esconde nada sobre sua aparência - em um vídeo de 2014, listou cinco procedimentos cirúrgicos que havia feito -, mas é mais cautelosa sobre tratamentos médicos. Quando perguntada se planeja fazer mais cirurgias plásticas, disse: "Acho que agora estou totalmente bem".
Para cada post com confissões sobre como se tornar uma mulher, há uma meia dúzia de vídeos sobre sua dieta, namorados recentes ou o conteúdo de sua bolsa. Ela está tendo aulas de atuação e disse que espera ansiosamente o dia em que um diretor escale um ator transgênero para um filme sem que o fato seja algo do outro mundo.
Enquanto isso, a equipe de um documentário a segue, produzindo material para um filme sobre Gigi que talvez vá para o Festival de Cinema de Sundance de 2017.
Há alguma coisa que não se saiba sobre alguém que narrou seus últimos oito anos de vida online?
"Ainda não revelei um monte de coisas. Coisas pessoais. Todos vão ter que esperar para ver."
O canal do YouTube vai continuar, para felicidade dela e dos fãs.
"Sempre acontece alguma coisa diferente no dia e, se eu não filmar e não gravar, acabo esquecendo. Olho para trás e digo: 'Meu Deus, isso aconteceu'".



Advogada transexual de SP motivou aprovação de nome social na OAB

Em 2013, a advogada Márcia Rocha palestrava no interior de São Paulo sobre direitos humanos e diversidade sexual, como representante da Ordem dos Advogados do Brasil. Ao final da conferência, foi questionada por uma das pessoas da plateia, por qual razão seu nome não constava nos quadros da OAB.
Membro da Comissão de Diversidade e Combate à Homofobia da Ordem desde 2011, ela sempre se apresentou ao público respeitando sua identidade de gênero. No sistema da entidade, porém, constava apenas seu nome de registro.
“Foi até uma coisa meio humorística. Realmente não tem Márcia Rocha mesmo. Poxa vida, parece que sou uma fraude, porque a pessoa procura e não me acha. Isso aconteceu duas vezes. Era uma contradição muito grande. Dava a impressão que a OAB estava sendo conivente com uma falsidade ideológica", recorda.

O fato vivido, ao ser narrado para outro colega da entidade, gerou o pedido para que advogados travestis e transexuais de São Paulo tivessem o direito ao uso do nome social. Feita em 2013, a demanda acabou sendo aprovada nacionalmente em maio deste ano. A OAB tem o prazo de 180 dias para adaptar o sistema – o que deve ocorrer a partir de janeiro de 2017.  “Pode ter certeza que logo no comecinho do ano eu vou pedir”, garante.
Formada em direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Márcia diz ter consciência de sua identidade feminina desde criança. Aos 14 anos começou a tomar hormônios, mas foi convencida pelo pai, que notou a alteração física, a interromper o processo.
“Eu sou trans desde pequena, mas fiquei escondida no armário a vida inteira. Aos 14 anos meu pai percebeu, eu comecei a tomar hormônio, ele viu, me levou no médico, e eu tive que contar. Eles me convenceram a ficar no armário muito tempo.”
Tal permanência, entretanto, não era absoluta. Márcia atendeu à determinação dos pais, mas nunca escondeu de suas parceiras a transexualidade. Aos 45 anos, com a carreira estabelecida, após dois casamentos e com uma filha, diz que abandonou o “terno e gravata” que lhe foram impostos, e decidiu assumir publicamente sua identidade de gênero.
“Coloquei próteses, já tinha os seios desenvolvidos, mas fiz mais umas mudanças, e aí não tinha mais como esconder. A OAB me convidou para fazer uma palestra, eles gostaram e me chamaram para fazer parte da Comissão de Diversidade e Combate à Homofobia.”
Garantias
Embora não se recorde de ter vivido situações de preconceito no meio profissional, ela defende o nome social como uma segurança.
“Eu tenho tido uma experiência muito boa em cartórios, delegacias, um respeito muito grande. Não tive problema em nenhum desses ambientes. Eu posso dizer, olha, me chame de Marcia, mas é uma coisa informal. Você ter um amparo legal do uso desse nome é bastante importante.“
Márcia acredita que a regulamentação da Ordem é um marco no cenário nacional e tende a ser um caminho na garantia de direitos à população transgênero.
“Pela OAB ser uma entidade extremamente técnica do direito, o fato de ter aceito o uso do nome social, torna-se impossível para qualquer outra entidade de classe argumentar contra. Acho que foi extremamente importante. Cada passo que se dá na direção da igualdade, liberdade, do direito, da saúde, são passos importantes para uma população que sempre foi tão discriminada, tão marginalizada. E ainda é", pondera.

Transfobia
Dentro desse contexto, a advogada avalia com benevolência a postura de seus pais, que a impediram de viver conforme sua identidade de gênero por mais de três décadas.
“Se aos 14 anos eu tivesse batido o pé enfrentado meu pai, falando que eu ia continuar, provavelmente não seria nada. Não seria advogada, não seria empresária, não falaria línguas porque a sociedade não permitiria. Talvez eu não estivesse nem viva. Está mudando, faz parte da nossa luta conscientizar as pessoas de que somos seres humanos com direitos iguais aos de qualquer outra pessoa. Temos direito à dignidade, ao respeito, a estudar, trabalhar.”
À frente de quatro empresas, e terminando uma pós-graduação em diversidade sexual, ela vive feliz ao lado da atual mulher e da filha, e sonha com uma sociedade livre de preconceitos.
“Eu nunca me apaixonei por um homem. Isso é uma coisa que inclusive gera uma confusão muito grande entre orientação sexual e identidade de gênero. Eu sempre brinco que eu sou uma travesti lésbica. Saí com homens, tentei namorar até, mas não conseguia, não era, não adianta. A gente fica confusa, até. Mas eu posso ser eu, eu posso gostar do que eu gosto, não tenho que fingir nada. O ser humano é diverso, múltiplo, não tem que ter caixinhas, regras, rótulos. (...) Ninguém é obrigado a gostar da minha existência. Mas respeite.”

Do G1

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