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COMO TERMINAR BEM O ANO E COMEÇAR MELHOR AINDA

OPINIÃO

COMO TERMINAR BEM O ANO E COMEÇAR MELHOR AINDA

Final de ano, chega um dos momentos mais aguardados pela maioria das pessoas. Esperamos muito por esta época, não somente devido às festanças e comemorações, como também por ela representar um fechamento de ciclos e realizações (ou para algumas pessoas frustrações).

Para muitos gays, lésbicas, travestis e transgêneros o final de ano, ainda tem mais um peso importante, o encontro com a família. Neste período, damos de cara, com tios, tias, primos, primas, parentes distantes, irmãos afastados, enfim, toda a gama de “vínculos sanguíneos obrigatórios” que aparecem nestas festas e que muitas vezes falam mal da gente durante o ano que se passou. O que fazer se este é seu caso? Que caminho seguir?

Algumas pessoas acham melhor deixar a família somente no porta-retratose não trazê-la para a vida real. Na fotografia, todos sempre estão sorrindo e podemos fingir que tudo está bem. Mas você pode trazer este clima também para além da fotografia. Trazer esta alegria para sua vida real, neste momento tão especial em que parece que tudo ficará bem. O mais importante para que tudo fique verdadeiramente bem com todos à sua volta é que, primeiramente, você esteja bem consigo mesmo, OK?

Aproveite para fazer uma análise. Não pense neste momento em coisas ruins que você fez ou passou. Olhe-se no espelho e veja o tanto de qualidades ótimas que você possui. Lembre-se das amizades que conquistou e dos bons momentos que teve com elas. Vale até mesmo lembrar dos bons momentos que teve consigo próprio. Tire sua roupa toda, fique sem ela, em frente a um espelho e olhe que ser perfeito você é. Até mesmo com seus muitos defeitos. Olhe quantas coisas únicas existem somente em você. Viu só como você é especial? Te falei... Feito isto e com esta super injeção de ânimo, dê um visual em você. Cabelo, pele e até mesmo uma visita numa loja para comprar uma roupa nova. Nem que seja uma peça somente. Vale de tudo, mas é preciso ter em mente, que você é o principal neste momento. Escolha algo que você queira muito e se dê de presente. Agora que você fez isto, está quase pronto, para o encontro familiar que te aguarda por estes dias.

Só falta uma coisinha: você lembrar que por ser gay, lésbica, travesti ou transgênero, você se enquadra numa população estimada em somente 10% do seu total. Destes 10%, poucos tem sua cor de cabelo, sua altura, seu porte, sua inteligência (ou ignorância), jeito de pensar, seus princípios e seus valores. Ou seja, por todos estes motivos, você é verdadeiramente especial e isto tudo não é somente um discurso para o fazer acreditar neste fato, concorda? Você é único, somente você pode ser você e isto é realmente ímpar e divino. Agora que você já está bem e sorrindo, vá encontrar com quem te espera. Se alguém vier com “agulhadas” para cima de você, aproveite-as e costure as arestas entre vocês. Se alguém vier tentando “te tombar”, caia sem medo. Deslize, escorregue e aproveite o vento na cara. Dê risadas. Faça rir. Não fique bravo ou chateado. Não é o momento. E não precisa usar seu humor negro neste dia. Você não está numa disputa de quem é mais poderoso na acidez dos comentários. Aprenda a rir de você também. É um ótimo ensinamento. E finalmente, ainda antes de acabar as festas, abrace todo mundo, até mesmo quem não queira. O toque é importante para que percebam sua humanidade, se é que ainda não notaram. E não esqueça de tirar aquela foto em conjunto, sorrindo muito, bem no centro da foto e em destaque. Nada de ficar escondido, OK? Sorria muito, tire a foto e depois mande ampliar para colocar na sua sala. Agora não será somente uma foto “fingida de alegria”, mas uma foto, em que talvez, pela primeira vez, você tenha sido mais feliz, por ter sido você mesmo. No seu primeiro final de ano, fazer tudo isto pode parecer difícil. E é! Mas faça, assim mesmo. No ano seguinte, você já estará tirando isto de letra. Fácil, fácil!!! E se algo der errado, nas festas de final de ano e qualquer coisa ou pessoa te incomodar de alguma maneira, pense assim: “Tudo sempre acaba bem no final, e se ainda não estão bem, é porque ainda não chegou ao fim” e ainda temos 2007 para mudar tudo isto, pode ser? Que seu final de ano seja realmente especial como você, e não esqueça de nunca baixar a cabeça. Tem sempre alguém que precisa de algo único que somente você pode dar.


PÂNICO NO SCALA GAY?
Um dos momentos mais esperados do mundo trans é, sem dúvida, o carnaval. Toda exuberância é permitida e deixamos de ser meros alvos de espingardas de chumbinho, de ser o objeto de humilhação e descaso do poder público e da grande maioria da sociedade, para nos tornarmos “a sensação do PODER”. Travestis e transexuais transformam-se quase em deusas. Seres mitológicos, quase sem explicação, e que brincam com as maiores curiosidades dos seres humanos. Brincam de masculino e feminino.
É no Carnaval que as fantasias são permitidas e os sonhos podem tornar-se realidade. O Carnaval permite este tipo de “modernismo”. No Carnaval, muitas travestis, transexuais, crossdressers, transformistas, gays e tudo mais, deixam de ser vistos como bichos, e passam a ser “Donas Bichas”. Isto mesmo, fingem que nos elevam na hierarquia zoológica que a sociedade adora ver, quer seja na avenida, nos clubes, nas mídias e principalmente na televisão.
Para quem nos vê, são meninos que se parecem meninas. Quanto maior for a mudança alcançada, no sentido de atingir o oposto do sexo anatômico que a natureza deu, quer seja através de maquiagem, cirurgias e apliques, maior é o posto dentro desta escala de PODER que nos é dada, como título, dentro dos 4 dias de carnaval. Já ouvi alguns dizendo: - “Se for bicha e feia, é melhor ser caricata, quem sabe assim, faz pelo menos alguém dar risada”. Como se mesmo da mais linda, não acontecessem risinhos pelas costas. Quem já não sentiu ou passou por este constrangimento?
A grande novidade de 2006 fica por conta de que a produção do programa de TV Pânico comprou os direitos de transmissão do tradicional baile de carnaval Gala Gay, que acontecerá no Scala, Rio de Janeiro, no dia 28 de fevereiro. O que será que veremos este ano, passando na Rede TV!, no tal tapete vermelho onde filmam a entrada das meninas trans? Veremos gente mostrando a beleza destas meninas? Veremos alguém perguntando sobre o que elas fazem e como pensam? Ou será que veremos novamente chacotas, escrachos, humilhações e trans sendo pisoteadas com piadinhas de mal-gosto e brincadeiras cruéis?
Façam suas apostas, meus leitores. O que veremos no dia 28 de fevereiro?
Sei que muitas meninas já estão preparando a fantasia e fazem de tudo para aparecer nesta grande vitrine que se tornou este dia. Mas até que ponto vale a pena continuarmos dando audiência a quem nos trata como “bichas e bichos” de zoológico? Até que ponto vale a pena nos produzirmos, ficarmos belas para nos divertirmos num dos raros momentos que nos é permitido e não somos tidas como pecadoras e doentes? O carnaval é para nos maquiarmos, colocarmos perfume, mostramos toda a beleza e alegria que temos (quer seja interna ou externa) e não para, de repente, ficar diante de uma TV, repórter ou mídia e transformar este tapete vermelho e de glamour em um caminho de picadeiro, onde nós, nos achando poderosas, acabamos sendo o prato principal deste evento, que deixou de ser o Carnaval, mas tornou-se o CIRCO de horrores que nos colocaram.
Até quando continuaremos usando esta roupa de palhaço que nos obrigam a usar nos carnavais da vida?
Será que estou errada e este ano será diferente? Será que um mundo melhor começará com esta cobertura da Rede TV?
O que você acha? Eu tenho PÂNICO de saber...

P.S. => E não se esqueça de tirar a fantasia na quarta de cinzas, pois só é permitido seu direito à vida nestes dias de Carnaval. Na quarta, já depois do meio-dia, volta a acontecer a temporada de CAÇA, e que dura o resto do ano... E você já sabe do que estou falando, não é?
Maitê Schneider
Coordenadora Geral da União Brasileira de Transexuais.


A VIDA DEVERIA SER UM DARK ROOM

No quarto escuro que muitas boates e estabelecimentos possuem em um cantinho reservado muitos atrevimentos acontecem. Para quem ainda não sabe e nunca ouviu falar, dark-room é um local totalmente sem luz, onde rolam amassos, sexos variados, passadas de mãos e tudo o que sua imaginação e curiosidade ousar experimentar.
Muitas casas já foram fadadas ao fracasso por não possuírem em seu espaço um cantinho privê como este. Sinal de que o dark room é muito freqüentado, mesmo que a grande maioria dos seus freqüentadores ainda negue que o visite. Vergonha do que? Vergonha para que?
Conversando com vári@s amig@s que sempre estão no dark room, percebo que o que mais encanta nolocal é o anonimato. O sabor de não ser reconhecido e poder soltar todas suas fantasias e desejos, sem medo de sofrer reprimendas por seus gostos e de ser crucificado com olhares de reprovação. Ali, no escurinho do dark é pos-sível experimentar, ousar e principalmente SER. O dark não te pede RG, identificação e nem diz que você está errado.
Outro grande atrativo do famoso “cantinho escuro” é a possibilidade de um sexo fácil e sem cobranças. Ou até mesmo afeto. Já vi no dark room, pessoas que queriam somente beijar e serem tocadas. Pessoas extremamente carentes, que pelos mais diversos motivos, não conseguem experimentar o afeto à luz do dia, nem embaixo da luz negra das boates. Sem dúvida, o dark room serve para muitos homossexuais ainda como válvula de escape de sua sexualidade. Talvez se não existisse este espaço, muitas destas pessoas nem mais estariam entre nós, pois energia que não é canalizada e extravazada, explode e várias vezes de forma fatal e mortífera.
O que quero fazer pensar aqui é saber do porquê não pode ser feito todo este carinho e libertação de desejos e vontades fora deste espaço? Por que as pessoas ainda não têm coragem de serem elas mesmas, fora da escuridão?
Talvez tenhamos a resposta no capítulo final da novela América, que não teve coragem de expor ao público brasileiro um simples beijo entre dois homens (nem que fosse um selinho):- Tudo que rola entre dois homens ou mulheres é vergonhoso, sujo e não deve ser mostrado. Esta é a mensagem que sempre é imputada e mostrada na cara, sem entrelinhas e sem se preocupar com uma grande porcentagem de pessoas que quer simplesmente amar e ser amada. Afinal, quem não quer?
Quem sabe se a vida fosse um dark room, e cada qual se preocupasse com seu rabinho (ou pinto ou periquita), as máscaras caíssem e pudéssemos ser mais inteiros e principalmente mais felizes e plenos.
Confesso que ainda tenho medo de uma sociedade que quer que vivamos em guetos, escondidos e com vergonha do que somos. Confesso que tenho medo de uma sociedade que nos trata como não-cidadãos, mesmo com os impostos que pagamos. Confesso que tenho medo dos gays que continuam achando que é bonito gozar a noite inteira no dark room e não tem coragem de denunciar as atrocidades que passam em seu dia-a-dia.
E quando visito os dark rooms, percebo que também é muito baixo o número de preservativos que vejo no chão. Sei que houveram muito mais prazeres e gozos, do que os que conto no chão quando fecha a boate. Talvez na liberação de seus êxtases, perca-se a noção de perigo e esqueça-se que o prazer pode ser maldito algumas vezes. Quando não temos consciência dos nossos atos, podemos pagar com a vida ou sofrimento. Pode ser que este esquecimento não seja proposital e sim fruto de uma incontida repressão sofrida e que na hora do gozo explode como um paraíso onde tudo é possível. Inclusive o sexo sem camisinha com um desconhecido, o beijo na boca entre dois homens e duas mulheres, e até o amor que muitos só irão sentir na vida, dentro destes cubículos criados e que continuamos tratando como ninhos de nosso afeto marginal.
E nas muitas idas e vindas, nas muitas gozadas que uma pessoa dá no dark room numa só noite, resta muitas vezes a solidão. Como pode alguém gozar até mais de uma vez por noite e continuar sentindo-se vazio e não-satisfeito. Eu conto para você, amig@, lá no dark room, procura-se por algo que não temos e encontramos algo que sempre nos acompanhará a solidão de não termos coragem de viver sem máscaras e enganações, sendo o que somos. Isto é o pior que temos. Isto é o pior que somos. Fracos, fragilizados e sem vida, afinal a vida só é permitida para quem é branco, de olhos claros, bem sucedido financeiramente, de boa família e lógico, heterossexual.

Maitê Schneider - www.casadamaite.com


O amor verdadeiro deveria ser sempre um sentimento incondicional. Um sentimento que não colocasse condições e poréns. Entretanto, assim não funciona sempre. O ser humano tem mania de somente fazer as coisas se receber algo em troca ou se completar uma exigência. Temos que aceitar que são poucos os felizardos que sabem amar e tem amor para isto.
Amar a si mesmo já é uma dificuldade. Somos eternamente insatisfeitos. Não gostamos de nosso cabelo, da cor dos olhos, do corpo, de nossas manias. Enfim, vivemos em busca de nossos defeitos, quem dirá o quanto cruéis seremos com os defeitos alheios. Sai de perto! Mas esquecemos que o conseguimos perceber no nosso próximo são reflexos de nossa essência. Somente observamos nos outros aquilo que somos e temos. E raras são as pessoas que entendem isto.
E amar o nosso semelhante, respeitando a diversidade que existe no mundo em que vivemos, quem consegue esta proeza? Pense, reflita e conte comigo. Isto mesmo conte agora. Quantas pessoas você conhece que se amem e consigam amar INCONDICIONALMENTE seu semelhante? Sem querer mudá-lo e adaptá-lo aos seus desejos?
Pensou?
Contou?
E a que quantidade chegou?
Tenho certeza, que quase nenhum ou somente alguns raros mortais existentes, estou certa?
Triste realidade, dura crueldade...
É muito triste mesmo perceber e constatar que não sabemos amar e não estamos pront@s para amar. Nem para sermos amados estamos preparados ainda. Estamos preparados para exigir coisas dos outros e para mandar que saciem as nossas vontades e necessidades. Mas a amar e entregar-se poucos são ainda os felizardos.
E vai crescendo o número de órfãos de pais vivos. Crianças, adolescentes e até mesmo adultos, que continuam abandonados, largados e sem laços familiares. Quantas crianças jogadas em lixeiras? Quantos homossexuais odiad@s e repelidos de seus lares por conta de sua orientação sexual? Quantos deficientes e negros, ainda sendo tratados como doentes e aberrações?
Eu, que já fui órfã de mãe viva e fiquei mais de 10 anos sem ter o convívio de minha mãe, te digo: - Dói demais a dor da ausência de um amor presente e não morto. Um amor que deveria ser sempre amor e que não consegue estar pulsando e vivo. Não deixe esta dor em sua vida.
Hoje tenho minha mãe novamente e seu amor pleno e inteiro. E até mais forte, pois conseguimos fazê-lo prevalecer. Peço a ti, seja forte, nem que para isto tenha que pedir desculpas. Isto não é fraqueza, e sim força. Isto não é vergonha, e sim motivo de orgulho. Se você AMA de verdade, não fique esperando e nem colocando condições. Vá atrás de seu amor e de quem você ama, pois somente assim estaremos indo à certeza do caminho correto o caminho de nossa felicidade.

Maitê Schneider
Presidente da União Brasileira de Transexuais
Www.casadamaite.com

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