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Ser homem é uma vantagem no trabalho.

Pesquisa com transexuais mostra preconceito contra mulheres no trabalho

A socióloga americana Kristen Schilt concluiu que homens que se submetem à cirurgia de mudança de sexo perdem salário e poder na carreira. Já as mulheres que assumem sua identidade masculina experimentam uma ascensão profissional

Thiago Cid - Revista Época

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Cansada de tentar detectar o preconceito de gênero no ambiente de trabalho, a socióloga Kristen Schilt, da Universidade de Chicago, teve uma idéia para demonstrar como o sexo influencia a evolução da carreira e a folha de pagamento dos funcionários. Em parceria com o economista Matthew Wiswall, da Universidade de Nova York, ela usou as experiências de transexuais em seus ambientes de trabalho antes e depois da mudança de sexo. Com esse método ousado, ela tentou diminuir um dos principais problemas para estudar as discriminações relacionadas ao sexo: o fato de que elas, geralmente, são encobertas por outras justificativas, como formação ou critérios de desempenho e comprometimento. Segundo a pesquisadora, seu estudo permitiu comparar a situação de pessoas com exatamente o mesmo capital humano, porém de sexos diferentes.

Dentro de sua pesquisa, Kristen esbarrou em outro assunto mais polêmico e desconhecido do que a discriminação em relação às mulheres e que passou a ser seu foco principal: como é o ambiente de trabalho para os transexuais? Segundo a Organização Mundial de Saúde, a transexualidade um transtorno de identidade e se manifesta pelo desejo de viver e ser aceito como uma pessoa do sexo oposto àquele do nascimento. As pessoas transexuais, no entanto, acham ofensiva essa designação e contestam o uso do termo transtorno. Esse conflito entre o cérebro e o corpo tem início na gestação, quando a programação sexual do cérebro - que ocorre antes da formação dos órgãos sexuais - não corresponde ao sexo biológico. As estimativas são que um em cada 30 mil homens e uma em cada 100 mil mulheres têm esse conflito de identidade.

As conclusões da pesquisa de Kristen Schilt evidenciam, em parte, o óbvio. Segundo seu estudo, o ambiente de trabalho, assim como qualquer outro meio social, é um ambiente hostil. Mas outras percepções desafiam o senso comum e mostram o privilégio que o gênero masculino pode ter no mercado de trabalho.

Com base no relato de mulheres transexuais - que nasceram com o sexo biológico masculino, mas têm identidade feminina - e dos homens transexuais - que nasceram com o sexo feminino, mas têm identidade masculina -, a socióloga americana descobriu que, em média, as "novas" mulheres, homens que submeteram a uma cirurgia de troca de sexo, tiveram perdas de salário e de autoridade. Já os "novos" homens relataram um pequeno acréscimo nos rendimentos e mais autoridade entre os colegas.

Kristen exemplifica a situação com o caso do neurobiologista Ben Barres, da Universidade de Stanford. Ben nasceu Barbara e já tinha uma carreira acadêmica de sucesso quando decidiu fazer a transição de gênero. Ele relatou que certas pessoas que não souberam de sua mudança afirmaram que ele era muito melhor que sua irmã, Barbara. Para Kristen, o depoimento do neurobiologista é sintomático da visão machista no mercado de trabalho e ilustra os benefícios que os homens transexuais eventualmente podem ter.

A conclusão vai ao encontro da percepção da socióloga Berenice Bento, da UnB, autora dos livros A (re)invenção do corpo: sexualidade e gênero na experiência transexual e O que é transexualidade. Berenice afirma que, baseada nas pesquisas brasileiras, não é possível constatar os ganhos materiais dos homens transexuais, mas quase todos relatam um ganho subjetivo: liberdade. Segundo a socióloga brasileira, essa liberdade seria traduzida em aspectos do comportamento masculino. “É uma obrigação menor com a aparência, poder ter um certo desleixo para se vestir, poder andar sozinho à noite”, diz.

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Por outro lado, as mulheres transexuais freqüentemente não agüentam o preconceito e as agressões que sofrem durante o processo de transição de sexo. É o caso da militante transexual Carla Machado. Formada pela USP e com MBA em marketing, Carla largou o emprego de nove anos em uma multinacional por não agüentar a hostilidade no trabalho. Ela conta que, desde criança, sentia-se uma mulher e só se deu conta de que era um menino ao chegar à puberdade. Daí viveu um período que chamou de fase andrógina. Ela se vestia com roupas neutras e escondia a identidade feminina para conseguir terminar a faculdade e encontrar um emprego. Aos poucos, foi sentindo a necessidade de se libertar e começou a tomar hormônios. As mudanças, porém, não passaram despercebidas na empresa.

“Primeiro deixaram de me chamar para as reuniões semanais com a diretoria. Depois algumas colegas para quem eu contei minha situação espalharam a notícia. Eu sabia que o diretor de recursos humanos não queria que eu permanecesse na empresa. Fiz um acordo que me deu vantagens e fui embora. Eu não podia ficar lá”, afirma.

A hora de mudar de sexo

Um outro ponto detectado pelo estudo de Kristen Schilt foi que os homens transexuais fazem a transição de gênero em média 10 anos antes de as mulheres transexuais. As meninas geralmente vislumbram os privilégios de pertencer ao sexo masculino e mudam a aparência física ainda no final da adolescência ou durante a faixa dos vinte anos. Já os homens receiam perder o emprego, a independência financeira ou até mesmo magoar a família se assumirem sua identidade feminina. Muitos, por imposição da sociedade, chegam a se casar e ter filhos.

Helena, uma transexual que não prefere não revelar sua identidade, relatou que a decisão de assumir a transexualidade só veio aos 43 anos. Ela teve uma breve carreira militar, era casada e tem uma filha. A auto-repressão quase a enlouqueceu. Helena tinha medo de perder o emprego de artista plástica em uma grande produtora cultural. “Mas chegou um momento em que eu não pude mais agüentar. Ao mesmo tempo que ainda tenho um pouco de dificuldade em me aceitar, era uma violência comigo mesma negar que eu era uma mulher. As pessoas tomam um choque, mas tive a felicidade de minha família entender e de os colegas de trabalho aceitar”.

O desfecho de aceitação da história de Helena, no entanto, não reflete a maioria dos casos, apesar de não ser possível determinar o que é maioria, já que não há estatísticas sobre a população transexual. Nem estimativas. De acordo com a professora Berenice Bento, não há políticas públicas de proteção e inserção dos transexuais na sociedade. No site do Ministério do Trabalho há um programa chamado Brasil Raça e Gênero que afirma, em termos vagos, possuir ações para a inclusão dos transexuais no mercado de trabalho. Ao ser solicitada, a assessoria do Ministério informou que, apesar de tais medidas constarem no programa, nenhuma ação ou política foi estabelecida. A Secretaria Especial de Direitos Humanos também não tem programas específicos para transexuais. O Ministério Público do Trabalho não tem números sobre os processos por preconceitos contra transexuais no mercado de trabalho.

O preconceito contra transexuais

A escassez de dados ajuda a deixar ainda mais distante das vistas da sociedade a situação dos transexuais, que, segundo Berenice, é “absolutamente trágica”. A inserção no mercado formal é baixíssima. Em sua tese de doutorado, a professora analisou um grupo de 20 transexuais de diferentes classes sociais escolhidas aleatoriamente. Das 20, apenas uma havia entrado na faculdade e, mesmo assim, não tinha conseguido concluir os estudos por conta do preconceito.

O cenário para as transexuais, no entanto, é de ligeira melhora, afirma a militante Carla. A principal razão é a recente decisão do Ministério da Saúde de incluir a cirurgia de mudança de sexo na lista de procedimentos pagos pelo SUS. A transferência das ações do Ministério para a área da saúde da mulher agradou as transexuais, que querem ter o reconhecimento de que não são homens que se vestem de mulher, mas mulheres de fato. Mas a evolução ainda é insuficiente na opinião da socióloga Berenice Bento, que vê no Estado o principal agressor das transexuais por causa da ausência de políticas públicas e da ação violenta da polícia. “Se faltam diretrizes básicas para a proteção física das transexuais, pensar em inserção no mercado de trabalho é algo muito distante”, diz.

"Os homens que mudam de sexo ficam em desvantagem"
Em entrevista a ÉPOCA, a pesquisadora Kristen Schilt, da Universidade de Chicago, afirma que o preconceito contra as mulheres transexuais no ambiente de trabalho reflete a discriminação contra o sexo feminino
Thiago Cid
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Kristen Schilt
Ser homem é uma vantagem no trabalho

A professora Kristen Schilt, da Universidade de Chicago, tinha como objetivo desmascarar o preconceito contra as mulheres, ainda latente mesmo no século 21. Para deixar evidente a discriminação no mercado de trabalho, ela usou a experiência de transexuais: o que aconteceria com um homem no mercado de trabalho se ele mudasse de sexo? O exemplo é útil porque representa apenas uma mudança - a de gênero - em meio a fatores fixos, como formação e competência profissional. Por um método inovador, a pesquisadora chegou a uma conclusão já esperada: a de que as mulheres levam desvantagem na carreira. Confira, abaixo, a entrevista que a pesquisadora concedeu a ÉPOCA.

ÉPOCA – A senhora utilizou os transexuais como uma ferramenta para analisar as relações de gênero no ambiente de trabalho. Acha que essa estratégia foi eficiente ou acabou esbarrando no preconceito apenas contra os transexuais?

Kristen Schilt -
É difícil separar essas duas coisas. As reações sobre transexualidade são reações sobre o gênero. Uma das mulheres transexuais com quem conversei me disse que, ao contar sua intenção no trabalho, um colega perguntou por que ela gostaria de ser uma cidadã de segunda classe. Ele disse isso tanto pelo fato de ela ser uma transexual, mas também pelo fato de se assumir mulher.

ÉPOCA – A conclusão de seu estudo é de que os homens transexuais têm ganhos de salário e autoridade, e as mulheres transexuais têm perdas financeiras e de autoridade.
Kristen -
Primeiro é preciso deixar claro que os homens transexuais nem sempre tiveram experiências positivas. Mas, comparados com as mulheres transexuais, eles geralmente se saem melhor. Aparentemente há menos resistência e mais abertura para os transexuais no ambiente de trabalho. Em meu estudo, pelo menos, eles não tiveram grandes perdas. Não é que eles passaram a ganhar mais, mas não ficaram em desvantagem da forma que as transexuais femininas ficaram.

ÉPOCA – Vocês detectaram que, na média, os transexuais femininos fazem a transição de gênero 10 anos mais tarde que os transexuais masculinos. O que isso quer dizer?
Kristen -
Há várias razões, mas a principal é que na sociedade americana há um pouco mais de espaço para mulheres que querem adotar uma conduta masculina. Se já é chocante a mudança de sexo em uma sociedade com preconceitos velados, um homem querer ser mulher é algo mais chocante ainda. Por isso, penso que as mulheres transexuais encontram mais oposição, elas têm perdas maior e, por isso, costumam esperar mais. Especialmente em empregos especializados, existe uma idéia geral de que talvez eles não serão capazes de mantê-los após a transição para o sexo feminino. Eles esperam ou adiam por causa das possibilidades de perda de salário, de autoridade e até do próprio emprego. No entanto, cedo ou tarde fazem a transição.

ÉPOCA – Eles relataram alguma mudança nas habilidades para realizar o trabalho após a mudança de sexo?
Kristen -
Eu não acredito que as habilidades mudam. As pessoas acreditam que as habilidades tenham mudado. Uma transexual feminina que escreve programas de computador me contou que um colega pergunto se ela ainda sabia programar. As pessoas pensam que as capacidades mudam porque o sexo muda. Mas o capital humano não é algo que se perde.

ÉPOCA – Que tipos de experiências negativas os transexuais relataram ter vivido no ambiente de trabalho?
Kristen -
As transexuais femininas muitas vezes perdem o emprego de anos por causa da transição. Não perdem por causa da mudança de sexo, mas por pequenas questões que nunca haviam sido um problema. As pessoas passam a julgá-las mais. Apesar de velado, sabemos que o problema não é o desempenho no trabalho, mas a transexualidade. Algumas vezes os colegas são abertos e dizem que o transexual não é mais bem-vindo no ambiente de trabalho.

ÉPOCA – E o que os homens transexuais relatam?
Kristen -
Eles disseram que alguns colegas demonstram incômodo, mas a resistência é menor. Nós últimos tempos, conversei pessoalmente com 65 transexuais masculinos no Texas e na Califórnia. As experiências contadas foram relativamente positivas. Aqui nos EUA ser homem é uma vantagem no trabalho.

ÉPOCA – Quais outras conclusões você pode tirar de seu estudo?
Kristen -
Uma coisa que percebi com meus estudos é que, se você quer melhorar o ambiente de trabalho para os transexuais, os empregadores realmente têm um papel-chave. Se um funcionário diz que pretende mudar de sexo, o chefe deve reunir os empregados, afirmar as políticas de boas relações na empresa, ter um amparo psicológico se for preciso e deixar claro que o assédio não vai ser permitido. Quando o empregador diz que não sabe como ajudar, não sabe o que dizer, os colegas que não estão satisfeitos se sentirão livres para expressar isso.

ÉPOCA – Existem políticas nos EUA para transexuais no ambiente de trabalho?
Kristen -
Não há lei nacional, mas há uma proposta em tramitação no Congresso. Há 11 estados e algumas cidades com leis locais para a proteção de transexuais no trabalho. Coisas em nível local, como é comum aqui nos EUA por causa do federalismo.

ÉPOCA – O que os americanos pensam dos transexuais?
Kristen -
Infelizmente não há discussão a respeito. Não temos muitos dados sobre o assunto. As pesquisas sobre transexuais geralmente só focam os próprios transexuais. Não sabemos muito a respeito da percepção sobre eles.

ÉPOCA – Você conhece algo sobre os transexuais brasileiros?
Kristen -
Eu li um livro sobre travestis escrito pelo sociólogo Don Kulick, da Universidade de Chicago. Pelo que li, há muitos transexuais envolvidos com prostituição. Aqui nos EUA certamente a comunidade transexual no mercado de trabalho formal é muito maior. Mas a minha impressão é que, no Brasil, as pessoas sabem mais sobre os transexuais, mesmo que seja sobre os marginalizados. Aqui eu creio que é algo mais velado. É impressionante, mas há americanos que não sabem nada sobre transexuais, apesar de um ativismo político crescente da classe. Creio que o fato de haver mais transexuais no mercado formal de trabalho se dê porque há toda uma mentalidade e uma indústria legal para apoiar o trabalho. Mesmo quando as pessoas acham que é ruim ser gay ou transexual, eles pensam que todos devem trabalhar. A mentalidade americana diz que o trabalho é fundamental.

ÉPOCA – Você afirmou que, nos anos de 1970 e 1980, os transexuais americanos costumavam trabalhar em profissões menos qualificadas e típicas do outro sexo. Por exemplo, transexuais femininos podiam somente ser cabeleireiros ou secretárias e os transexuais masculinos trabalhavam como operários. Isso ainda é uma realidade?
Kristen -
Naquela época, a comunidade médica que trabalhava com transexuais dizia que, se uma pessoa quer ser uma mulher, ela deveria ter um emprego de mulher. Apesar de ser uma percepção sectária, eram nichos em que os transexuais encontravam menos preconceitos e mais pessoas em situação semelhante. O que realmente aconteceu aqui foi o crescimento da visibilidade do ativismo transexual no meio dos anos de 1990, com a afirmação de que os transexuais deveriam ter qualquer tipo de trabalho que eles quisessem. Se eu era um advogado quando homem, eu não deveria me tornar uma secretária quando me transformar em uma mulher. Esse ativismo criou um espaço social para os transgêneros nos EUA.

ÉPOCA – Com a ajuda do governo?
Kristen -
Eu diria que eles fizeram tudo por eles mesmos. Temos percebido muita resistência do governo para mudar as leis do trabalho e as leis contra intolerância. Transexuais não estão incluídos nestas leis. O que eu percebo é que o apoio maior aos transexuais está vindo do setor de negócios ou corporativo. As empresas estão adotando regras de proteção para os empregados transexuais em seu ambiente de trabalho. Se o governo não os protege, ao menos a sua empresa, sim.

ÉPOCA – E onde eles geralmente trabalham?
Kristen -
Eu diria que atualmente está muito diversificado. Entre as transexuais femininas de nosso estudo, eu diria que cerca de metade delas está em trabalhos especializados, que exigem formação acadêmica. A outra metade está em trabalhos braçais ou sociais, como assistentes sociais e líderes comunitários. Para os transexuais masculinos, por eles serem mais jovens, boa parte está na faculdade e trabalha em empregos temporários para ter renda para os estudos. Os que não estão neste grupo estão divididos em empregos que exigem qualificação e em trabalhos manuais. O que eu certamente não diria é que existem trabalhos específicos para os transexuais.

ÉPOCA – E por que as empresas estão fazendo isso?
Kristen -
As empresas adotaram uma mentalidade que diz que a diversidade da força de trabalho é muito benéfica ao rendimento e à eficiência na produção. E os transexuais fazem parte dessa diversidade. Eles têm uma visão de mundo e uma experiência por conta do que já passaram e podem acrescentar muito ao grupo. As empresas pensam que, se elas querem os melhores empregados, não podem excluir as pessoas por causa do gênero. E os transexuais também são consumidores.

ÉPOCA – Há uma estimativa de quantos transexuais existem nos EUA?
Kristen - É a pergunta que mais ouço. Não é uma população grande como a dos gays e lésbicas e infelizmente não sabemos a resposta para esta pergunta. Eu costumo responder que há mais do que as pessoas pensam.

ÉPOCA – Existe uma explicação para o fato de você ter notado que os transexuais possuem uma formação acadêmica melhor do que a população em geral?
Kristen -
Eu diria que porque eles são pessoas insistentes, porque até mesmo aqui nos EUA há uma idéia de que são tão marginalizadas que não podem viver como as outras pessoas. Mas esse dado é explicado pelo fato de onde colhemos nossas informações. Fomos a convenções de transexuais, eventos cuja participação custa dinheiro, como inscrição, viagem, hospedagem. Então posso dizer que nossa amostragem se baseou em transexuais da classe média. Também para participar de uma conferencia transexual você tem de saber sobre o movimento ativista transexual, e essa politização geralmente acontece com pessoas que possuem certa formação intelectual. Com certeza, há muitos transexuais nos EUA em profissões marginalizadas, que têm índices de educação mais baixos do que os da população média.

ÉPOCA – Qual é a importância do seu estudo?
Kristen - Ele é importante por duas razões. A primeira é que sabemos muito pouco sobre as experiências dos transexuais, seu modo de viver, de pensar, de relacionar com o mundo. Ele traz um pouco de luz para o que eles passam no dia-a-dia. A maior parte dos estudos leva em conta o porquê da transexualidade, o que os faz tomar essa decisão. É ainda uma forma de resistência ao fato de que eles existem. O meu estudo os aceita como uma realidade e não quer saber por que eles existem, mas pretende de alguma forma melhorar sua condição de vida. É importante saber as razões da transexualidade, mas existe muito mais e quero saber o que acontece com a vida deles. Em um segundo nível, quero mostrar que a discriminação por gênero no ambiente de trabalho é algo que realmente acontece. A pesquisa nos mostra a desvalorização do feminino e das mulheres no ambiente de trabalho, sejam transexuais ou não. É uma forma de olhar o quanto o gênero influencia na carreira.

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