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Fobias e paranóias

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Em "Os Pássaros", o cineasta Alfred Hitchcock atinge o cerne do medo

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"Tubarão", de Spielberg, fez cair a freqüência em praias turísticas



Fobias e paranóias

Filmes como ´Os Estranhos´, ´Morte Súbita´, ´Jogos Mortais´ e ´O Quarto do Pânico´ são classificados entre os que podem alimentar fobias entre os espectadores

Diário do Nordeste - JOSÉ AUGUSTO LOPES

Psicólogos e psiquiatras são quase unânimes na afirmação de que alguns filmes, geralmente com grande aceitação por parte do público, seriam capazes de gerar fobias e paranóias entre espectadores mentalmente mais vulneráveis. A exemplo de ´Tubarão´ (´Jaws´), primeiro êxito avassalador do cineasta Steven Spielberg, que fez muita gente trocar a praia pelas montanhas no período de férias, conforme comprovaram pesquisas realizadas na época.

Spielberg foi acusado, no verão após o lançamento do filme, de causar sérios danos ao turismo nos litorais dos países onde ´Jaws´ foi exibido. Só quem lucrou com a história foi o pequeno balneário de Martha´s Vineyard, onde se realizou a produção, que viu seus visitantes aumentarem em proporção geométrica, na expectativa de poderem vislumbrar o mítico cetáceo.

Antes disso, Spielberg já havia dado origem a outra fobia entre motoristas usuários de estradas desertas e com longo percurso, logo em seu primeiro filme, ´Encurralado´, onde um misterioso caminhão empreende perseguição vertiginosa a outro veículo, fazendo da sua imagem no retrovisor um cinematográfico efeito de pânico.

Incêndios e pássaros

´Inferno na Torre´, de John Guillermin, coincidiu com uma época na qual foram registrados pavorosos incêndios em arranha-céus de São Paulo, como o Joelma e o Andraus. Em pleno ´boom´ do cinema-catástrofe, o filme provou que mesmo um edifício dotado dos mais aperfeiçoados requisitos de segurança poderia ser o cenário perfeito para sinistras fogueiras de imensas proporções, numa espécie de aterrorizante presságio para futuras tragédias.

Os medos interiores dos espectadores também foram desencadeados pelo clássico ´Os Pássaros´, do mestre do suspense Alfred Hitchcock, gerador de inúmeras fantasias, fobias e paranóias, quase todas derivadas, segundo alguns psicólogos, de impulsos sexuais inconscientemente ligados ao sadomasoquismo. Também foi Hitchcock o causador da falência de muitos pequenos hotéis em estradas desertas, onde o público ficou com medo de se deparar, de repente, com o sanguinário psicopata Norman Bates, interpretado na tela pelo ator Anthony Perkins, num desempenho que o estigmatizou pelo resto da sua carreira. As esposas de todo o mundo vibraram com o êxito de ´Atração Fatal´, filme que por muito tempo deixou os ´maridões´ ressabiados contra aventuras extraconjugais. Glenn Close interpretava, com furiosa convicção, uma mulher engendrando diabólicas vinganças após ser abandonada por seu amante casado. Puritanos consideraram ´Atração Fatal´, um exemplo do cinema ´a serviço dos bons costumes´.

Naufrágios

Cruzeiros marítimos já vinham sido afetados desde o lançamento de ´O Destino do Poseidon´, onde um maremoto deixava de casco para o ar um cruzeiro de luxo, mas a paranóia atingiu seu ápice com ´Titanic´, de James Cameron, o maior sucesso de bilheteria do cinema em todos os tempos. Além da perícia tecnológica, Cameron recriou, com toques melodramáticos, a literalmente titânica agonia dos afogados. Já o medo de aviões esteve profundamente acentuado com a série de filmes ´Aeroporto´, embora, no final, sempre houvesse um herói capaz de resgatar a aeronave e provar que ela poderia ser salva, mesmo quando severamente danificada.

Hoje, a ficção se aproxima cada vez mais dos verdadeiros perigos cotidianos e alguns filmes causadores de fobias são tirados da própria realidade atual, como ´Vôo United 93´, sobre o atentado às torres gêmeas de Nova York, e ´Munique´ (olha aí de novo o Steven Spielberg), onde atentados terroristas de um mundo ensandecido deixam as pessoas presas de um permanente pânico -e até saudosistas do tempo em que os ditos agentes do terror eram pessoas ternas e afáveis como Fernando Gabeira.

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