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Uma visão cristã: O sexo não resolve as insatisfações da sexualidade humana


O sexo não resolve as insatisfações da sexualidade humana

Do Portal Canção Nova - Por Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues

Vida, para o ser humano, é a experiência de ser alguém em comunhão com o outro, reflexo do mistério trinitário. Sendo o ser humano um ser corporal e sexuado, essa experiência tem uma dimensão corporal, se dá e se manifesta no corpo. O núcleo dessa experiência, entretanto, é espiritual no sentido de que ela acontece pela presença de si a si mesmo e ao outro. Poderíamos chamar essa experiência de autoconsciência vital. Ao se experimentar assim o ser humano colhe também o outro, o mundo e as pessoas. É uma experiência de harmonia. Nela é suprimido todo conflito. Ela se traduz em sentimentos e emoções e se mostra no corpo. Não é necessário dizer que, no tempo da história, essa experiência é processo. Daí ser possuída na esperança, que já é uma forma de possuir o que virá. Mas, por isso mesmo, é uma experiência em que estamos sujeitos a enganos ao buscá-la. E nós a buscamos sempre, às vezes, desesperadamente.

Sendo o encontro sexual, quer pela intensidade do prazer físico, quer pelas emoções do envolvimento erótico, um momento corporal de forte experiência de si e de intensa comunicação com o outro, ele parece responder ao desejo profundo de sentir-se a si mesmo e de experimentar comunhão com o outro. E, naqueles instantes, a pessoa pode assim se sentir.

Se a pessoa, no conjunto de sua vida, cultiva uma experiência profunda de si e de comunicação com os outros, o momento do encontro sexual - no matrimônio - será expressão e fonte de uma vida a dois positiva. O sexo, entretanto, por si mesmo, não é fonte de vida para a pessoa. Não é solução para problemas de solidão e para carências afetivas. Quando para esse fim se busca a experiência sexual, a relação entre os parceiros acaba por se desgastar e se torna doentia, lugar de manifestação das mais variadas formas de imaturidade, tais como: possessividade, ciúme, dominação, sadomasoquismo e outras.

Mas é verdade que situações estressantes podem levar a buscar no sexo o desafogo, como recomendou certa vez uma ministra: “relaxa e goza”. Da mera curiosidade adolescente pode se passar para a prática masturbatória como válvula de escape para tensões emocionais. E quando se aprende a ter o (a) parceiro (a) acrescenta-se à experiência física do prazer a sensação de companhia, o envolvimento erótico. Assim o cérebro aprende - instala-se um mecanismo – a mobilizar a área do prazer sexual como forma de superar o desconforto. A força desse mecanismo é poderosa porque, na verdade, a experiência sexual parece responder à necessidade profunda de comunicação do ser humano. Mas uma coisa é certa: o sexo não resolve a insatisfação profunda, doentia ou não, que costuma acompanhar o ser humano desde a infância.

Há ainda outros fatores que levam a pessoa a buscar a experiência sexual como resposta. Nos adolescentes pode ser simplesmente o desejo de experimentar. Mas, em uma cultura que leva o sexo à condição de sentido de vida, o desejo de fazer a experiência acaba se transformando em necessidade.

É nesse contexto humano e cultural que os cristãos devem testemunhar a dignidade maior da pessoa humana através da vivência da castidade. A impossibilidade de experimentar-se positivamente em comunhão com os outros - experimentar amor - é a morte. Como se trata de um processo, nenhum de nós chegou à plenitude dessa experiência. Vivemo-la como caminho. Isso é suficiente para sermos felizes no tempo da história. Os vazios dessa experiência são assumidos como apelos a nela crescer. Donde a importância da esperança como certeza do acerto do caminho. É dentro desse horizonte que podemos entender a sexualidade humana enquanto impulso na direção do outro.

Eros é, em sua raiz, impulso para a comunhão, busca de plenitude, desejo de envolvimento. Eros pode ser fonte de crescimento, força que impele para os envolvimentos místicos. Mas pode perder-se nas emoções vindas de fora, da estimulação dos sentidos e da excitação produzida pela química do prazer. Sem dúvida, o instinto sexual objetiva garantir a continuidade da espécie. No ser humano o instinto sexual é parte de um todo, na qual razão e liberdade constituem nossa identidade específica. Assim, ao mesmo tempo em que a sexualidade humana objetiva garantir a continuidade da espécie, ela se torna lugar privilegiado de comunicação.

O encontro sexual entre homem e mulher deveria, pois, inclusive em razão da intimidade do abraço, ser um momento de profunda e real comunhão. Mais que a intensidade do prazer físico a relação sexual deveria ser a celebração do amor vivido na comunhão cotidiana da vida. No ser humano, portanto, o sexo, enquanto relação, exprime e comunica o que a pessoa vive. Deveria ser expressão de amor, manifestação da riqueza interior que se comunica ao parceiro e que tem a força de gerar outra vida. Matrimônio é união que gera vida. O que foge disso é perda de dignidade. (continua em Por uma sexualidade integrada)



Por uma sexualidade integrada
O sexo, quando é simples busca de prazer não gera verdadeira comunhão

Do Portal Canção Nova - Por Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues

A comunicação humana se faz pelo corpo. Nosso corpo fala, é “sacramento” do que nos vai por dentro. Sentimo-nos felizes quando temos de nós mesmos uma experiência positiva de unidade interior que inclui necessariamente uma relação harmoniosa com o outro - mundo e pessoas. Sentir-se profundamente ligado ao outro é, no ser humano, uma experiência espiritual, que se exprime na palavra e nos gestos. Os sinais corporais de comunhão - o olhar, o aperto de mão, o abraço - são importantes: exprimem e alimentam o amor. O adulto sabe receber amor, mas não depende do outro para experimentar amor. É assim que Jesus se tornou para nós modelo supremo de humanidade.

Como dizíamos no artigo anterior: “A impossibilidade de experimentar-se positivamente em comunhão com os outros - experimentar amor - é a morte. Como se trata de um processo, nenhum de nós chegou à plenitude dessa experiência. Vivemo-la como caminho. Isto é suficiente para sermos felizes no tempo da história. Os vazios dessa experiência são assumidos como apelos a nela crescer. Donde a importância da esperança como certeza do acerto do caminho”.

No ser humano sexo, enquanto relação, exprime e comunica o que a pessoa vive. Deveria ser expressão de amor, manifestação da riqueza interior que se comunica ao parceiro e que tem a força de gerar outra vida. O que foge disso é perda de dignidade...”



A relação sexual perde sua dimensão de grandeza quando se torna gesto de dominação: o macho subjuga a fêmea. A mulher se torna simples objeto de prazer, a serviço do homem no conjunto da vida. “Se é essa a condição do homem em relação à mulher, não vale a pena se casar” (Mt 19,10), exclamaram os discípulos diante da palavra de Jesus sobre a dignidade do matrimônio.

O sexo, quando é simples busca de prazer, ainda que acordada entre as partes, sem nenhum projeto de vida a dois, não gera verdadeira comunhão, antes se torna expressão de um vazio interior jamais resolvido. Em nossa cultura, fortemente marcada pelo hedonismo, o sexo é proposto como resposta ao desejo de vida que pulsa forte no coração humano. Mas a verdade é que nos momentos em que a boa experiência de ser alguém - pessoa - entra em crise, emerge forte o apelo ao sexo como resposta ao desconforto do momento. Crises prolongadas de identidade, ausência da satisfação no trabalho e na missão levam inevitavelmente a buscar no sexo a compensação. Donde a importância de educar para a castidade desde a infância, oferecendo, sobretudo aos adolescentes, uma reta compreensão do sentido da sexualidade e proporcionando-lhes um ambiente sadio, feito de compreensão e de sincera amizade.

Se a família e a escola não oferecerem uma sólida formação para a virtude, não teremos cidadãos capazes de sacrifício pelo bem comum. Mas, será possível apresentar aos jovens a castidade como parte integrante de um projeto de vida? É claro que é possível, desde que os educadores, eles mesmos, estejam convencidos da beleza da virtude. A castidade é parte da virtude cardeal da temperança “que tem em vista impregnar de razão as paixões e os apetites da sensibilidade humana”, conforme nos ensina o Catecismo da Igreja Católica (n.2341). Nenhum educador, em sã consciência, julga que se deixar levar pelos impulsos instintivos ou se dominar por paixões desordenadas possa ser fonte de felicidade para a pessoa.

Entretanto, há, em nosso país, uma campanha sistemática, com o intuito de prevenir AIDS e gravidez precoce, que passa a seguinte mensagem: “Pratique sexo à vontade, mas se cuide, use camisinha”. Aristóteles propôs, já antes de Cristo, a virtude como o caminho necessário para a construção da felicidade. E como a felicidade é aspiração de todos, o filósofo considerava ser tarefa da política procurá-la. Por isso atribuía ao Estado a missão de promover a educação para a virtude das crianças e dos jovens.

A sexualidade só é verdadeiramente humana quando inserida no horizonte da razão, da liberdade e do amor. Ela “comporta uma aprendizagem do domínio de si, que é uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa é clara: ou o ser humano comanda suas paixões e obtém a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz” (CIC 2339). A castidade é virtude necessária para casados e para celibatários. Ela dá grandeza à intimidade própria dos casais fazendo de suas relações íntimas verdadeira doação de amor e dá dignidade à continência sexual, tantas vezes exigida na vida do casal. É ainda o empenho por uma vida casta que prepara os jovens para o matrimônio, garantindo-lhes que a força que os une é maior do que a mera paixão que os atrai. Conter-se no tempo de namoro é abrir espaço para a emergência de um amor maior capaz de sustentar a futura união “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença” até o fim. Quando é a mera paixão o motivo do casamento, este tem duração fugaz: morre quando morre o “amor-paixão”.

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