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Reflexões e Desabafos - By Katia Steelman Walker: Eu, Crossdresser, Complicada e imperfeita.

Para muitos “Crossdresser” é um termo que serve para descrever pessoas que vestem roupas usualmente próprias do sexo oposto, sem que tal atitude interfira necessariamente em sua orientação sexual. Ou seja, ele pode ser heterossexual, homossexual ou bissexual, pois sua aparência não necessariamente pautará sua orientação sexual. Para outros é um fetiche respeitado por uns e odiado por outros.

O cerne da questão é perceber que o fato de existirem rapazes que se transformam em "belas garotas" sexys e femininas, mas não são travestis. Se vestir de mulher na intimidade não significa homossexualismo (apesar da sociedade grosso modo entenda assim), mas sim a liberação de um lado feminina que fica escondido sob o manto da masculinidade, que tem se tem que exibir socialmente.
Não é a toa que o cidadão pode ser como eu pai, marido e homem de negócios. Debaixo do paletó pode estar de meias de seda 7/8, cinta liga e calcinha de renda preta. Dependendo do ponto de vista é uma situação humilhante e ao mesmo tempo extremamente erótica e por que não dizer excitante. Sem dúvida é complicado entender a dualidade do universo de um crossdresser. 

Esta inversão de papéis esta ligada à própria cultura machista do mundo em que vivemos. É uma inversão que ajuda a se liberar dos preconceitos ligados à homossexualidade. Estar montado, ou feminizado, não faz do crossdresser menos homem ou mesmo mais “puta” por isso.

Bem, o que é um crossdresser - CD? De cara assim, vejo como mais um rótulo uma forma de definir uma pessoa que se veste com roupas de outro sexo que não é o que ela nasceu. Longe de mim aqui dar uma definição terminativa e definitiva sobre o que é CD.
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Já vi gente dizendo (escrevendo) que é um travesti, um gay, um enrustido, um viado frustrado e por ai vai... A Betinha (Elisabeth Bardotti) define de cara no site dela (e muito bem a meu ver o que é um crossdresser):

“Crossdresser (CD): Todo homem, que por alguma razão, gosta, deseja, ama, adora e tem verdadeira loucura na prática da arte de se vestir como mulher, sem necessariamente ser homossexual, podendo até ser casado, levando uma vida normal masculina e tendo, geralmente, uma vida clandestina como mulher.”


Quando leio a definição acima sinto que isso se encaixa de cara com aquilo que faço secretamente na minha intimidade entre 4 paredes. A gente sente uma fascinação, um desejo tão grande pela figura feminina que descamba pelo desejo de querer ser ela. Quando me monto e vejo no espelho o resultado da montagem percebo que dou uma melhoradinha a cada oportunidade de me transformar em mulher.
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No meu caso específico eu nunca tive a pretensão de “virar mulher” em definitivo ou de tomar a decisão muitas vezes irreversível de me tomar hormônios femininos. Já tive esse desejo sim, eu particularmente tenho pêlos pelo corpo e sou bem forte (fruto do meu tempo de esportista). Mas pensei bem, pesquisei e conversei com algumas colegas que enveredaram por este caminho e vi que isso não seria legal para mim.

Alguma me disseram que tomaram hormônios para “criar um peitinho” e que quando perceberam já estavam tão alteradas fisicamente, se depilando, tirando a sobrancelha, mudando inclusive o perfume, querendo tanto ser uma mulher que já suscitavam comentários... E quem é de armário como eu, sabe o quanto pode ser cruel esse tipo de “brincadeira”...

Eu me vejo como uma CD em estágio bem inicial, já que me “monto”, tenho minhas próprias roupas, sandálias e peruca. Procuro me vestir pelo menos uma vez por semana. Não me depilo nem tomo hormônios, mas procuro manter meus pêlos bem ralos e aparados. Ninguém sabe realmente que sou crossdresser.

 
A princípio eu punha apenas uma calcinha para poder ter uma ereção mais poderosa e me masturbar e satisfazer a minha libido. Nessa época eu sequer tinha roupas, eu apenas as surrupiava da minha mãe e irmãs, mas com o tempo isso vai evoluindo... A gente vai comprando as roupas, as sandálias, a peruca (para não ficar uma cópia (muito!) mal acabada da Elis Regina, kkkkkkkkkk).

Mas o que mais tem me chamado à atenção nos últimos tempos é o desejo de me vestir e ficar com alguém. Isso tem realmente me incomodado. Essa de desejar se vestir e querer ter uma contraparte masculina que me apóie e com quem eventualmente eu possa fazer sexo, isso tem me feito pensar...

Quando me olho no espelho e me vejo montado de mulher, mas percebo os pêlos e o quanto estou gorda isso me faz e pensar em abandonar a pratica do crossdressing (principalmente quando meu filho nasceu, cheguei ate a sair do BCC), mas reflito um pouco mais e percebo que o que me move em direção a prática do crossdressing é o desejo da figura feminina, mas mantendo-me com minha vida normal masculina.
Creio que isso é que realmente importa. Manter-me homem e separar o masculino do feminino. Quando me “monto” procuro falar, andar, sentar, pensar mais serenamente em fim tento copiar os trejeitos femininos. Entretanto jamais trago isso para minha vida masculina. Não desejo me constranger nem constranger quem me rodeia fazendo diferente.

Docilidade e sensibilidade são características comuns tanto ao masculino quanto ao feminino, entretanto a intensidade destes sentimentos é o que procuro dosar para não deixar aflorar em demasia a menina que muitas vezes insiste em sair...

By Kátia Steelman Walker
*A foto que abre este 'post' é da autora. 

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