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Grupo denuncia dezenas de mortes de travestis e transexuais em Curitiba

Grupo denuncia dezenas de mortes de travestis e transexuais em Curitiba


Segundo dados do paranaense Grupo Dignidade divulgados em fevereiro, somente entre o fim de 2007 e o fim de 2008 pelo menos 30 travestis e transexuais foram mortas em Curitiba e região metropolitana. Além disso, a ONG denuncia ainda o descaso em apurar esses crimes argumentando que nenhum deles foi resolvido e nenhum acusado foi preso. O grande número de assassinatos é o reflexo da velha história de que elas precisam ir fazer programas nas ruas porque não encontram nenhuma colocação no mercado de trabalho formal.

Hoje em dia em Curitiba, cerca de 90% das travestis e transexuais da cidade trabalham como profissionais do sexo, sendo que 50 delas atuam na Avenida Getúlio Vargas. Apenas 10% das fofas não se prostituem, atuando como cabeleireiras, donas de pensão e donas de casa. Somente uma delas é professora de História da rede pública, com pós-graduação. De acordo com dados da ONG, a cada três dias uma travesti sofre agressão na cidade.

Presidente do grupo paranaense e primeira transexual a ocupar o cargo, Rafaelly Wiest reforça que nem sempre as travestis e transexuais querem estar na rua à mercê de assassinos. “O mercado de trabalho formal está cada vez mais competitivo para todo mundo. Hoje é necessário sempre estudar e correr atrás de informações para manter o emprego. Agora imagina uma travesti concluir os estudos. É muito complicado. Existe preconceito dos alunos e também de alguns professores”, apontou em matéria do jornal Folha de Londrina.

Para dar um pouco mais de segurança às fofas, o Grupo Dignidade está cadastrando as travestis e transexuais de Curitiba e região metropolitana com dados como nome, idade e pelo menos um contato da família. A ONG considera esse último dado necessário porque já aconteceu antes de uma travesti ser assassinada e ninguém saber se ela tem família, sendo enterrada ao léu.

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) tomou conhecimento dos dados da ONG e disse em nota oficial "que sempre tratou com extremo respeito e atenção as questões de violência cometida contra qualquer ser humano. Todos os casos encaminhados à polícia do Paraná são investigados com a mesma dedicação sem qualquer tipo de discriminação".

A nota coloca ainda a Delegacia de Homicídios de Curitiba à disposição do Dignidade para apresentar os resultados de cada investigação feita. Não existe uma estatística oficial sobre crimes contra travestis porque a Secretaria considera que isso seria uma forma de preconceito.

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