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Professor ensina autoestima para travestis com lições práticas

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Dia Internacional de Luta Contra Homofobia
Professor ensina autoestima para travestis com lições práticas

Valéria Polizzi - Agenciaaids

Em homenagem ao Dia Internacional Contra a Homofobia, a Agência de Notícias da Aids preparou uma série de reportagens sobre o Centro Referência da Diversidade (CRD), que há um ano trabalha para a inserção e a cidadania do público LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais) de São Paulo. A data de 17 de maio foi escolhida para lembrar que nesse dia, em 1990, a Organização Mundial da Saúde deixou de considerar a homossexualidade como doença.

“A gente não sabe, mas tem bastante direitos. Não somos pessoas jogadas ao léu. Pagamos impostos, somos cidadãs e aprendi isso aqui no curso Projeto de Vida”, afirma Sônia*, de 33 anos, travesti que frequenta o CDR. O agente de desenvolvimento local e econômico, Fauze Felipe, professor do curso, explica que o intuito é trabalhar a desesperança e falta de perspectiva comum nessa população, fazer com que as travestis repensem suas vidas, aumentem a autoestima e se tornem cidadãs mais críticas.

“As travestis são altamente excluídas da sociedade, não têm respeitados os seus direitos básicos, como alimentação, moradia, saúde. A maioria é jogada fora de seu núcleo familiar”, continua Fauzi, que também é estudante de sociologia e usa a Pedagogia do Oprimido”, método de Paulo Freire, educador brasileiro morto em 1997, juntamente com o construtivismo, para ministrar suas aulas.

O professor explica que é legítimo elas terem uma justa indignação, mas que esta muitas vezes acaba sendo mal direcionada. “Muitas delas são expulsas de casa e se revoltam contra a família. Mostramos, então, que a revolta não deveria ser contra os familiares em si, mas sim contra a educação que eles tiveram.”

Fauzi ainda observa que as travestis vivem em constante estado de alerta e têm “fama de barraqueiras” e que isso é devido ao preconceito que sofrem. “Para você ter uma idéia, a maioria delas nunca foi a um cinema, um teatro, um museu. Elas só frequentam um gueto muito fechado na noite e durante o dia têm até medo de sair na rua.” Por isso, visitas a lugares públicos é uma das atividades do curso.

“Quando disse que iríamos visitar o Centro Cultural do Banco do Brasil a pergunta delas foi: `Não vai dar problema?´”. Fauzi diz que o passeio, com 15 travestis, foi um sucesso e elas pretendem fazer outros. “Temos que mostrar a elas que esses espaços públicos também lhes pertencem.”

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