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Acusado de matar travesti é condenado a 6 anos


Homem acusado de matar travesti é condenado a 6 anos
A sentença foi considerada branda por familiares e representantes de entidade que cuida da melhoria de vida de gays e lésbicas. O Ministério Público recorreu da sentença

Flávio Pinto da Redação Jornal O Povo

O gerente comercial Tiago da Silva Ricarte, 21, foi condenado ontem a seis anos de prisão em regime semiaberto pela morte do travesti Rafael Freitas Guedes, que era conhecido por Sthefanny Pazzini, 21. O crime ocorreu no dia 28 de agosto de 2007, no Conjunto Ceará. O julgamento de ontem foi realizado no 2º Tribunal do Júri do Fórum Clóvis Beviláqua. Representantes do Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), revoltados, consideraram o resultado como absolvição para o réu. O Ministério Público recorreu da sentença.

Sthefanny Pazzini foi esfaqueada dentro de um salão de beleza de uma amiga dela. O motivo alegado para o crime, segundo investigações da Polícia e do Ministério Público, teria sido uma revelação do relacionamento amoroso entre o criminoso, na época com 18 anos, e Sthefanny para a namorada do assassino. Tiago Ricarte, de acordo com os autos, chegou a enviar mensagens ameaçadoras para a vítima, por meio do site de relacionamento Orkut.

O júri teve início às 13 horas. Os advogados de defesa Francisco José Colares Filho e Lêudo Cavalcante alegaram que o réu havia agido em legítima defesa da honra. Uma vez que Tiago Ricarte sempre negou ter se relacionado com Sthefanny.

De acordo com dados fornecidos pelo Grab, no período de 1996 a 2008, foram assassinados 56 gays, lésbicas e travestis no Ceará. Desses, 39 mortes ocorreram em Fortaleza, três em Juazeiro do Norte, três em Caucaia, além de outros 11 municípios.

Os dados têm como fonte a coleta e sistematização de dados sobre violência homofóbica e homicídios cometidos contra homossexuais, por meio dos registros dos jornais locais e de informes de delegacias, de familiares e de amigos das vítimas.

As principais formas dos assassinatos são por lesão por material cortante (faca, punhal, etc.), contusão (espancamento, paulada, pedrada), e estrangulamento (esganadura e asfixia). Fundado em 1989, o Grab é uma organização da sociedade civil, que contribui para a melhoria da qualidade de vida da população LGBTT - lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

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Travesti Rafael Freitas Guedes = Sthefanny Pazziny


CRIME PASSIONAL - Travesti é morto por estudante

Um estudante matou um travesti com uma faca no Conjunto Ceará. Segundo a Polícia, o rapaz teria um relacionamento com a vítima, mas teria ficado com raiva quando ela revelou o caso. Testemunhas prestarão depoimentos a partir de hoje

Landry Pedrosa e Nicolau Araújo da Redação Jornal O Povo

Paixão, ciúmes, preconceito, vergonha e morte. Segundo a Polícia, essas seriam as peças do quebra-cabeça que levou à morte o travesti Rafael Freitas Guedes, conhecido como Sthefanny Pazziny, 21 anos, na última terça-feira, na principal avenida do Conjunto Ceará.

De acordo com a investigação inicial, a vítima foi morta por um estudante de 18 anos, com quem mantinha um relacionamento amoroso. Sthefanny teria revelado o caso à namorada do rapaz através de uma mensagem no site de relacionamento Orkut. A exposição fez com que a garota terminasse o namoro.

Segundo a Polícia, o rapaz passou então a ameaçar a vítima exigindo que ela negasse a relação entre os dois. No perfil em nome do rapaz no Orkut, ainda existe uma mensagem endereçada a Sthefanny em que ele dá o perfil da namorada no site de relacionamento para Sthefanny mandar uma mensagem desmentindo o caso. Como o travesti ironizou o pedido, o estudante então enviou uma última mensagem, na qual fez uma ameaça.

O crime ocorreu por volta das 18h30min, quando o estudante abordou o travesti no salão de beleza Bella. De acordo com testemunhas, após uma breve discussão, ele sacou de uma faca e desferiu um golpe à altura do pescoço de Sthefanny. Em seguida, correu pelas ruas secundárias da avenida Central.

Pessoas na calçada ainda ouviram os gritos do travesti. Sthefanny morreu quando recebia os primeiros atendimentos no Instituto Doutor José Frota (IJF), no Centro.

Policiais do 12º Distrito (Conjunto Ceará) estão à procura do rapaz de 18 anos desde o dia do crime. O delegado Francisco de Assis Bernardo de Souza chegou a receber uma informação ontem que o assassino se apresentaria com um advogado em uma outra delegacia. Mas até o fim do plantão (18 horas), não houve registro em nenhuma das 30 unidades em Fortaleza.

Testemunhas do caso passarão a prestar depoimentos a partir de hoje. A namorada do estudante também deverá ser intimada a depor. Em duas semanas, a Polícia estará recebendo o laudo do exame cadavérico feito no corpo de Sthefanny. Segundo declarações de amigos do travesti, ele chegou a morar na Itália e somente havia retornado a Fortaleza para reunir documentação para a mudança de nome, depois da cirurgia de mudança de sexo. O sepultamento ocorreu na tarde de ontem, no cemitério Parque da Saudade, em Caucaia, na Região Metropolitana.

E-MAIS

Delegados dos distritos policiais e das delegacias metropolitanas se reuniram na manhã de ontem, na Superintendência da Polícia Civil, como forma de avaliar a onda de homicídios em Fortaleza e Região Metropolitana. Segundo o superintendente Luís Carlos Dantas, o objetivo do encontro foi provocar uma "tempestade de idéias" para a prevenção do crime. "É uma exigência do próprio governador Cid Gomes e do secretário Roberto Monteiro", disse. Este ano, cerca de 900 pessoas foram assassinadas em todo o Estado.

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Travesti Rafael Freitas Guedes = Sthefanny Pazziny

Amigos para sempre

Déborah Vanessa - especial para O POVO

Cheguei ao velório, às 15h30min, junto com mais quatro amigas do colégio. A cerimônia estava ocorrendo no Cemitério Parque da Saudade. Lá, encontrei mais oito amigas que já estavam no local rezando por Rafael Freitas Guedes. Algumas eu não via há mais de três anos, mas o momento não era propício para colocar as conversas em dia. O reencontro das doze amigas foi marcado pelo silêncio e este só foi interrompido pelo choro. Choro que aumentou quando começou a tocar a música 'Amigos para Sempre'. A mesma canção que tocou na missa de formatura do nosso 3° ano.

Rafael Freitas estudou comigo da 5ª série ao 3° ano no Colégio 7 de Setembro, Centro. Era um menino sorridente, estudioso e muito amigo. A última vez que o vi foi no fim do ano de 2003. Por meio de amigos, fiquei sabendo que ele estava estudando Enfermagem na Universidade de Fortaleza e também, através destes, soube que tinha trancado a faculdade.

Há um tempo atrás, conversei com ele através do Orkut. Trocamos recados do tipo "Oi, tudo bom? Como está? O que está fazendo da vida?". Neste dia, estava tudo bem com ele. Também foi por meio do site relacionamento que vi fotos atuais dele. Eu quase não o reconheci. Estava com a aparência diferente e tinha mudado o nome. Agora, não era mais Rafael e sim, Sthefanny Pazziny.

Antes de cobrirem o caixão, tive a oportunidade de vê-lo mais uma vez. Mas, infelizmente, não tive chance de dizer adeus. Nem eu e, provavelmente, nenhuma daquelas 150 pessoas que acompanharam o caixão de Rafael até o seu sepultamento. Familiares e amigos o homenagearam com frases de saudades escritas em coroas de flores que enfeitavam o seu caixão.

Rafael ia completar 21 anos no dia 12 de setembro. No velório, alguns amigos disseram que ele estava com viagem marcada para a Itália. A comemoração do aniversário e a viagem foram impedidas por duas facadas. Elas foram dadas por uma pessoa que já o beijou. Esta história me lembrou Judas. Aquele que beijou Jesus para depois apunhalá-lo pelas costas.

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