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Parada Gay poderá sair da Avenida Paulista


Kassab pode tirar Parada Gay da Paulista

SPTV, Wagner Gomes, O Globo


A prefeitura de São Paulo pode trocar a Parada Gay de endereço. O prefeito Gilberto Kassab disse que a Avenida Paulista se mostra cada vez mais inadequada para a realização de grandes eventos como esse, que reuniu este ano mais de 3 milhões de pessoas. Segundo ele, a avaliação será feita "com muita serenidade pelos órgãos responsáveis". A 13ª Parada do Orgulho GLBT , neste domingo, foi pacífica, mas várias agressões foram registradas depois da manifestação. Uma bomba explodiu por volta das 21 horas na Rua Vieira de Carvalho e deixou 21 feridos pelos estilhaços. (Leia também: Cinco travestis são mortos em Curitiba em menos de dois meses)

A polícia ainda não conseguiu identificar os agressores. Pelo menos 44 pessoas que participaram da passeata foram atendidas na Santa Casa, na zona central da cidade. Dois rapazes espancados depois da Parada Gay continuam internados, um deles em estado grave. Marcelo Campos Barros, de 35 anos, teve traumatismo craniano. Ele passou por uma cirurgia na madrugada desta segunda-feira e não há previsão de alta. Segundo testemunhas, ele foi espancado próximo à Praça da República, onde a passeata se dispersou.

Um adolescente de 17 anos foi agredido por cinco rapazes na esquina da Rua Dona Antônia de Queiroz com a Frei Caneca. Um dos homens teria chegado a pular sobre Mauricio Pereira Silva quando ele já estava desacordado. O rapaz teve politraumatismo na face e está em observação. O caso foi registrado no 4º Distrito Policial como lesão corporal dolosa. De acordo com a Santa Casa, um outro homem, Daniel Oliveira, de 35 anos, também foi agredido, passou pela Santa Casa, mas recebeu alta nesta segunda-feira.

As pessoas atingidas pela bomba estão fora de perigo. O artefato explodiu próximo ao Largo do Arouche, um tradicional reduto de bares gays na cidade, duas horas depois de a festa terminar. O artefato teria sido jogado de um prédio, em um saco plástico. Segundo testemunhas, houve um clarão e um barulho ensurdecedor. Os fragmentos atingiram pernas, braços, costas e rostos das vítimas. Houve correria e algumas pessoas caíram no chão. Todos foram socorridos por ambulâncias do Samu. De acordo com a polícia, algumas pessoas feridas superficialmente foram socorridas pelos próprios amigos e foram embora sem prestar queixa.

- A bomba foi ensurdecedora, veio do nada. Quando olhei meu amigo tinha se machucado - disse Luciano Cavalcanti, que participava da festa.

- Não eram só gays que estavam no local. Todos trabalham, alguns têm filhos, são pais de família. Quem fez isso não pensou que eram seres humanos. Esta pessoa não pensou - afirmou Márcio Santos.

Nádia Santana afirmou que três de seus amigos sofreram ferimentos. Segundo ela, um teve as pernas cortadas por estilhaços, um foi atingido por cacos de vidro no olho e uma mulher teve ferimentos por todo o corpo. A bomba com estilhaços de vidro, de cano plástico e pólvora teria sido arremessada de um edifício na esquina da Rua Vitória com a Vieira de Carvalho, segundo testemunhas, mas não foi identificado de que andar.

- Saber quem foi mesmo, a pessoa que fez isso, ninguém sabe - afirmou o tenente da PM Fábio de Nóbrega.

Outra vítima recebeu golpes de faca na Praça da República, duas horas antes do atentado a bomba que feriu dezenas de pessoas perto do Largo do Arouche. Na Praça Roosevelt, um rapaz foi agredido e roubado por um grupo de skatista. A vítima foi golpeada no rosto com skates e ainda teve objetos pessoais roubados pelos agressores. O preconceito é uma das hipóteses para o ataque. Estilhaços recolhidos dos ferimentos das vítimas vão ajudar a esclarecer se a bomba era caseira e de onde ela partiu.

Apesar das agressões, o delegado Aldo Galeano disse que a manifestação foi mais pacífica este ano. Segundo ele, foram registradas menos que a metade das ocorrências de 2008. Houve ocorrências de furto e dois flagrantes.

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