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Travestis vivem rotina de violência e humilhação

Travestis vivem rotina de violência e humilhação

Série mostra vida de violência e humilhação dos travestis atrás das grades (veja mais imagens)
Série mostra vida de violência e humilhação dos travestis atrás das grades (veja mais imagens)
Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

Homossexuais de todo o mundo celebram neste domingo o Dia do Orgulho Gay. Comemoram as quebras de paradigmas e pedem para que o preconceito, com o chamado terceiro sexo, acabe. Não existem estatísticas de quantos são, mas travestis, gays e lésbicas que se encontram no sistema penitenciário do Estado não têm nada para festejar. O Jornal do Commercio visitou, no Grande Recife, três unidades prisionais masculinas e uma feminina e mostra neste domingo e segunda que a intolerância está ainda mais arraigada atrás das grades. Revela também a vaidade dos detentos gays e as histórias de amor dentro da cadeia. Os textos são de Carlos Eduardo Santos e as fotos de Hélia Scheppa.


A cabeleireira Daisy, 27 anos, gosta de se maquiar, pintar o cabelo e usar roupas bem curtinhas. Mas nem sempre ela consegue ser vaidosa. Ameaçada de morte várias vezes, já sofreu três tentativas de estupro. Para ter relações sexuais, ela precisa se esconder. Caso seja flagrada em encontro íntimo, será humilhada na frente de centenas de homens. O dia a dia de medo na vida de Daisy – travesti que está no sistema penitenciário pernambucano há três anos – é um resumo da rotina de dezenas de homossexuais presos nas cadeias do Estado: preconceito, sexo proibido e vaidade reprimida.

Batizado David Tavares Firmino, Daisy é atualmente o único homossexual da Penitenciária Agroindustrial São João (PAISJ), em Itamaracá, no Grande Recife, que tem “permissão” para morar dentro da cadeia. Os outros cinco gays que cumprem pena na unidade foram expulsos dos pavilhões e vivem em galpão na entrada da penitenciária. A vida de travesti não é fácil em um universo superlotado e extremamente masculinizado.

Com pequenos seios – fruto da ingestão de hormônios – Daisy, presa por tráfico de drogas, corta o cabelo de agentes penitenciários e detentos. “Meu trabalho me fez ganhar um trocadinho e mais respeito aqui dentro. Cobro R$ 3 por corte. Mas quando estou cortando cabelo ou me chamam lá na direção, tenho que usar roupas mais comportadas”, destaca ela, que no dia a dia usa blusas de alcinha e shorts curtos.

Mesmo coibida por outros presos e pela direção da unidade, Daisy sempre arranja um jeito de dar um toque feminino no visual. “Gosto mesmo é de estar linda. É difícil, mas a gente consegue tintura de cabelo e maquiagem”, afirma o travesti, que por estar no regime semiaberto, passa os fins de semana fora da cadeia. “Quando saio me produzo mesmo, volto como uma rainha. Mas logo depois tenho que usar roupa de homem, é uma pena.”

Para Tyanne Barros, ou Thiago José Alves da Silva, 19, a vida é um pouco mais fácil quando o assunto é vaidade. No Presídio Aníbal Bruno, Zona Oeste do Recife, onde está detida por assalto, cuidar da beleza não é problema. Além de afinar a sobrancelha e usar maquiagem, Tyanne precisa raspar a barba todos os dias, cena flagrada pela reportagem do JC. “Como não consigo hormônio para evitar que os pelos cresçam, o jeito é fazer a barba todo dia. O engraçado é uma mulher como eu fazendo barba”, brinca.

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