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Reflexões e Desabafos - By Katia Steelman Walker: Render-se ou Resistir à compulsão para se travestir?



Render-se ou Resistir à compulsão para se travestir?


Do Crossdresser Brasil

Este é um alerta da maior seriedade.
Sua saúde física e mental pode estar em risco!

Quanto mais lutamos contra os nossos impulsos de nos travestir, quando mais escondemos de nós e de todo mundo esse desejo irrestível que toma conta de nós transgêneros, mais nos sentimos miseravelmente infelizes, deprimidos, angustiados e ansiosos.

Lutei duramente durante décadas para afastar de mim esse desejo absurdo e inexplicável e tudo que consegui foi me sentir ainda pior: - mais culpada, mais envergonhada e mais entristecida comigo mesma. Culpada por achar que estava querendo algo que um macho não pode querer de maneira nenhuma. Envergonhada, por não dar conta de reprimir em mim esse impulso e de fazê-lo desaparecer da minha vida. Entristecida, por não atender a um desejo tão genuíno, marcante e permanente na minha jornada existencial, desde a minha mais tenra idade.

Lembro-me bem: - quanto mais eu reprimia o meu desejo, mais desesperada eu ficava para satisfazê-lo. A única providência que funcionou foi quando finalmente eu assumi querer o que eu sempre quis. Nesse dia, abri a porta do meu armário e fui à luta. Confesso que levei muito tempo para aprender a gostar de mim como eu sou. E ainda hoje é realizo um esforço permanente e muito grande para substituir o medo de me expor pelo orgulho de mostrar ao mundo quem eu realmente sou.

Se você está vivendo nesse estado de auto-abandono, em permanente reclusão, permita-me sugerir-lhe consultar o seu coração e responder para si mesmo quem você é e como deseja que o resto do mundo o veja.

Talvez você não seja exatamente uma pessoa transgênera mas apenas alguém que gosta de uma prática fetichista. É muito fácil de saber se esse é o seu caso, pois um fetichista nunca sente necessidade de continuar travestido, uma vez terminada a sua atividade sexual. O fetichista se traveste por necessidades de ordem exclusivamente sexual. E não há nenhum problema nisso; aliás, há pouquíssimo conflito envolvido, quando comparamos a vida de um fetichista com as dificuldades existenciais que rondam a vida de qualquer pessoa transgênera.

Talvez você seja apenas um homossexual ou bissexual, tentando afirmar para si mesmo e para o mundo a sua própria orientação sexual. Nesse caso, é muito provável que você esteja se travestindo apenas como uma forma de reduzir sua ansiedade com relação à sua própria orientação sexual. Uma vez satisfeito o seu apetite sexual, o desejo de se travestir desaparece inteiramente.

Talvez você seja apenas um “surfista” da internet, buscando experiências novas e excitantes para aliviar as pressões que recebe no dia-a-dia. O travestismo tem sido apontado como uma excelente atividade redutora de stress, um passatempo capaz de trazer um pouco mais de animação à vida monótona e sem graça do homem moderno. Quando o travestismo é somente uma forma de descompressão ou divertimento, acabará se extinguindo da mesma maneira fortuita que começou. A pessoa simplesmente encontra um outro modo de se divertir e conclui por si mesma que esta não é mais sua praia.

Crossdressers, travestis e transexuais se travestem com propósitos muito diferentes, muito mais complexos e muito menos casuísticos. Em tais categorias, o que produz a necessidade de se travestir tem uma origem muito mais atávica e visceral na estrutura psíquica de uma pessoa. Para essas pessoas, o ato em si de se travestir é apenas uma manifestação de um fenômeno socio-bio-psiquico muito mais amplo e complexo, conhecido como transgeneridade.

Ainda que a expressão da sexualidade esteja presente – e está – na vida das pessoas transgêneras, as pesquisas demonstram que ela se manifesta nas mesmas proporções e das mesmas formas que acontece na população não-transgênera (cisgênera). Ou seja, uma pessoa transgênera não se traveste exclusivamente com a finalidade de fazer sexo (como é o caso do fetichista ou do homossexual em busca de atividade sexual). E embora possa produzir situações extremamente prazerosas, a transgeneridade em si acarreta um altíssimo grau de ansiedade, capaz de caracterizá-la como um distúrbio de personalidade, conhecido como Transtorno de Identidade de Gênero. Em diversas gradações desse transtorno encontram-se precisamente os chamados crossdressers (mais ameno), travestis (mais acentuado e contínuo) e as transexuais (contínuo e muito profundo).

Ao contrário do fetichista, basicamente um apaixonado pela roupa que veste ou admira para fazer sexo, ou de alguns homossexuais, que se travestem com a finalidade precípua de encontrar ou favorecer suas relações sexuais, o transgênero é alguém movido pelo desejo de pertencer, ainda que temporariamente (como é o caso do crossdresser) ao “outro gênero” diferente do seu.

Ainda não existem conclusões científicas definitivas a respeito da origem e da dinâmica desse desejo que move a pessoa transgênera, em caráter permanente e compulsivo. Mas as suas conseqüências são por demais conhecidas dos profissionais de saúde física e mental.

O Transtorno de Identidade de Gênero atormenta, angustia, alimenta fantasias e produz quadros agudos de ansiedade e depressão em seus portadores quando tais fantasias não encontram canais adequados de expressão. E muito ao contrário do que reza o senso comum, não se trata de “falta de vergonha na cara” ou de um mero capricho pessoal. A necessidade compulsiva de identificar-se com o outro gênero acarreta situações existenciais extremamente dolorosas e angustiantes na vida de uma pessoa transgênera.

Qualquer transgênero, privado de expressar o seu próprio grau de transgeneridade, é candidato a sérias patologias. Pressão alta, acidentes coronários, quadros agudos de stress e até suicídios, dentre outros, têm sido relatados como muito freqüentes.

Faça um exame íntimo, converse com você mesmo e conclua para si mesmo se o seu comportamento diário tem apresentado algum(uns) dos seguinte desejos abaixo:

GRUPO 1
1 – Desejo persistente de se vestir e se produzir com roupas e adereços próprios do gênero oposto
2 – Persistente identificação com papéis e atividades próprias do gênero oposto
3 – Desejo freqüente e episódico de se passar por alguém do sexo posto
4 – Desejo de viver ou ser tratado como alguém do sexo oposto
5 – Desejo de desenvolver atitudes e comportamentos, ou a convicção de já possuir sentimentos e reações típicos do sexo oposto.
6 – Desejo intenso, permanente ou episódico de se apresentar socialmente como pessoa do gênero oposto

A sua condição de transgeneridade necessitará de cuidados imediatos da sua parte se algum(uns) dos desejos acima no grupo 1 estiverem sendo acompanhados de algum(as) das características apresentadas abaixo no grupo 2.

GRUPO 2
1 – Sentimento de profundo desgosto (luto) por não poder se vestir e/ou se comportar como pessoa do gênero oposto
2 – Intenso sentimento de culpa provocado pela percepção de inadequação ao gênero atribuído ao nascer
3 – Pavor extremo de ser descoberto em atividades tais como vestir-se, enfeitar-se ou portar-se como pessoa do gênero oposto.
4 – Emprego exagerado de energia (alta catexia) para reprimir e recalcar o desejo de se travestir.
5 – Medo intenso de se abrir com qualquer pessoa a respeito do desejo de se travestir
6 – Tendência a negar e/ou reprimir o desejo de se travestir
7 – Esforço descomunal para comportar-se de modo a não levantar nenhuma suspeita nas pessoas próximas, por medo de abandono, exclusão e outras represálias.

É muito importante saber como é que você se sente a respeito da sua transgeneridade e o que é que tem feito para lidar com ela de modo confortável e seguro. Explore cada aspecto que cerca a sua condição fazendo para si mesmo importantes perguntas.

Por exemplo, você foi levado a acreditar que pessoas transgêneras são más, perversas, decadentes ou pecadoras? Você está lutando com quem você realmente é? Você acha que o mundo virá abaixo se a sua condição for conhecida pelas pessoas mais próximas? Você tem medo até mesmo de se aproximar de outras pessoas transgêneras? E lembre-se, essas perguntas são para você responder, não para qualquer outra pessoa.

Se o desejo de se travestir está lhe conduzindo a sentir culpa, ansiedade, vergonha, depressão ou quaisquer outros desconfortos em relação a si próprio, procure ajuda especializada o quanto antes. Novamente é bom lembrar-se de que não se trata de nenhum capricho bobo, desprezível ou “indecente” da sua parte, como você pode eventualmente acreditar em virtude da avaliação irresponsável dos outros a respeito do travestismo. A transgeneridade é uma séria condição psicológica que, se mal-administrada, poderá lhe causar graves problemas físicos e emocionais, além daqueles que já está lhe causando. Contudo, se bem administrada, será uma gostosa fonte de prazer e realização pessoal. Um privilégio para muito poucos, abençoados pela Natureza com a dádiva da dualidade.

Reflexão by Kátia: Eu passo por estes turbilhões de sensações a todas as horas e a todos os dias. Atualmente (este ano) tenho tido poucas chances de me montar e isso me doi muito. As vezes tento aliviar indo trabalhar de calcinhas e meias mas isso não tem sido realmente o suficiente...

Não há um só dia em que eu não fique "peruando" na net em busca de roupas que caiam bem em mim e sapatos que me tragam o conforto e a feminilidade que mereço. Não é sempre que compro, mas procurar e escolher cada uma das roupas é uma da coisas que não deixo de fazer sempre e que me causa uma alegria muito grande...

Outra das coisas que me alivia e me da uma profunda alegria é quando me aparo os pelos do corpo ou mesmo me depilo completa. Por ser "peludo" e ter pelos pelo corpo todo e isso associado ao fato que tenho tido poucos momentos para me montar como Kátia, quando me depilo parece que estou colocando para fora um pouco de mim. Revelo mais minhas belas pernas e me sinto super bem comigo mesma...

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