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Para os gays: nem Piquet, nem Briatore.

Para os gays: nem Piquet, nem Briatore.

Por Lourenço Cavalcante - blog23b

Meus caros, quando dois homens perdem a razão e partem para a briga, podem crer que, rápido, atacarão a sexualidade um do outro. Vale para a maior parte da humanidade, para ricos e pobres, em qualquer país. Acabaram os argumentos e a compostura? Acusa o outro de gay. Para quem é fraco, a sexualidade é o grande medo, e, portanto, o primeiro alvo.

Nelsinho Piquet confessou que encenou um acidente por motivos torpes, e isso o torna, no mínimo, um péssimo esportista. Briatore, que teria sido o mentor, idem. Quem sai perdendo? O automobilismo, lógico. A insinuação de que Nelsinho é gay, feita por Flavio Briatore na tarde de sexta-feira, foi o capítulo mais recente, e o mais baixo, desse dramalhão. Ele não tem mais argumentos, não deve ter lá muito caráter, e realmente deve ter aprontado a presepada com Nelsinho. O que fazer agora? Mirar na linha da cintura, e atacar a sexualidade do outro.

Briatore, com anos de experiência no trato com a mídia, e com o universo de equipes e patrocinadores, que investem milhões na Fórmula 1, agiu da maneira mais peçonhenta que existe: lançou uma insinuação, dizendo-se conhecedor deste “segredo” sobre a vida do outro.

A única questão que não merece nenhum comentário ou crítica de ninguém, que sequer poderia estar em pauta, é a sexualidade de Nelsinho Piquet. Não sei se ele é gay ou não, e isso não vem ao caso. O que eu sei é que ele exercia, até recentemente, uma das mais arriscadas profissões do mundo, pilotava um carro a mais de 300 km/por hora, e, se não era o melhor do campeonato, pelo menos era um dos pouquíssimos no mundo inteiro habilitados a disputá-lo. Ele é, inquestionavelmente, capaz e corajoso. Se realmente encenou o acidente, como reconheceu ter feito, foi até muito hábil para isso. Não é de sexualidade que se deveria falar, mas de ética.

Nelson Piquet, o pai, passou a vida envenenando a imprensa contra Ayrton Senna, acusando-o de ser gay, não sei se por ciúme ou inveja. Senna sempre enfrentou isso com a maior elegância e discrição. E Senna não era gay, isso já se sabe. Quando Senna morreu, Piquet foi o único campeão da Fórmula 1 que não foi ao enterro, embora estivesse aqui mesmo, no Brasil.

Grandes pilotos, como Jackie Stewart, Jim Clark, Fangio, Lauda, Moss, Brabham, Fittipaldi, Schumacher, o próprio pai de Nelsinho, e o meu ídolo, Ayrton Senna, mostraram nas pistas o mais elevado espírito esportivo, e fizeram da Fórmula 1 o que ela é hoje. Ou, pelo menos, era.

Hoje em dia, alguns pilotos e dirigentes dão o pior de si. Belo exemplo para milhões de espectadores. Perde o automobilismo, perdemos todos nós. Depois somos nós, gays, que damos maus exemplos. E podem ver, pelos comentários a várias colunas e blogs por aí, que já tem muita gente baixando o nível mais ainda, trazendo preconceito e homofobia em palavras sórdidas.



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