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Cotidiano, Fetiche e Homossexualidade

Cotidiano, Fetiche e Homossexualidade


Chovia muito, aliás, pra cacete!
Já é uma merda ter que comprar remédio, gastar grana com drogas, coisas do gênero, mas pior era a fila e a má vontade da funcionária que atendia o público. Se eu pudesse a mandaria direto pra masmorra dos meus amigos dominadores, essa turma que embebe o chicote e desce a lenha.
Com uma sacola na mão e ares de sobrevivente, apertei o passo desviando das poças tentando caminhar debaixo das marquises, onde camelôs e pedestres munidos de guarda-chuvas dividem o espaço.
Deu pra ter uma noção do estresse.
Final de expediente, ninguém mais para encher a paciência, sentei para escrever a matéria de ontem aqui do blog, meu exercício diário anti-monotonia e combustível para uma vida melhor.
Como sempre faço, abro minha caixa de emails e deparo com a seguinte mensagem:
“Olá ACM, meu nome é Felipe. Claro que este é um nome fantasia como, aliás, tem sido minha vida até aqui. Tenho vinte e quatro anos, moro com uma irmã e meus pais. Trabalho numa loja de marcas conhecida em um Shopping Center, enfim, minha vida em família e profissional está bem esquematizada.
Desde a adolescência descobri meu lado homossexual, e quando conheci o fetiche minha vida sexual ficou muito mais interessante e ativa. Assumi por tendência a submissão, naveguei pela Internet onde encontrei diversas dominadoras a quem servi como escravo, experimentando a feminização e a inversão. Meu rosto feminino atraía essas rainhas já no primeiro contato, mas os alvos de minhas investidas na Net, os homens, nunca tocaram no assunto ou me deram a mínima chance. [...]
Poderia buscar esses encontros em lugares comuns ao homossexualismo, mas preferi te mandar esse email pela forma como você encara tudo e todos da mesma maneira. Sua matéria de um ano atrás (o lado B) me serviu de estimulo para alcançar meus objetivos.
Talvez não existam homens dominadores em seu ciclo de amizades com desejos de ter uma pessoa do mesmo sexo debaixo de seu domínio, mas se puder divulgar a minha mensagem, ficarei com uma gratidão guardada maior que a minha vontade de seguir fetichista. Meu email: felipe-2424@hotmail.com
Nessas horas dá até pra sentir certa importância, afinal se alguém confia nas tuas idéias e vê num espaço público a chance de alcançar um objetivo, acho que fiz a coisa como tinha de ser.
Na matéria citada pelo Felipe, que hoje completa um ano exato, procurei falar da relação entre travestis e fetiche, de pessoas heterossexuais que têm relação com transexuais sem o menor preconceito. É mesmo uma questão de preferência. Confira: http://tinyurl.com/ydeomyz
Fico feliz que esse artigo tenha atingido o objetivo nas palavras do leitor.
Já era tarde e o estomago reclamava por um alimento qualquer pra aplacar a sua rouquidão insistente. Era o cotidiano que voltava com toda a força.
Mas antes de desligar tudo e trancar a porta pra ir embora, pensei nessa gente toda que aguarda o fetiche como um Moisés no alto de uma colina.

Nada é fácil e muito menos encontrar a pessoa certa que possa preencher tudo que se espera para o encaixe perfeito.
Por isso, a fila é extensa e abriga heterossexuais e homossexuais sem distinção, exatamente como deveria ser em qualquer segmento social. Mudam os gostos, os desejos, o tesão, mas a vontade de ser fetichista é idêntica e única.
Assim eu vou tocando esse barco, postando todos os dias úteis como se cumprisse uma promessa que fiz há um ano e meio atrás, esperando que outros Felipes, Joanas ou quem quer que seja, encontrem aquilo que procuram, desde uma leitura satisfatória até o par perfeito.
Para que escrever um blog fetichista se não houvesse este objetivo?
Amanhã tem mais...
See you!

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