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Moda revê padrão de beleza e aceita 'gordurinhas'

Moda revê padrão de beleza e aceita 'gordurinhas'

O mundo da moda está sofrendo uma reviravolta nos padrões estéticos. Em fevereiro, por exemplo, a marca italiana Elena Miró abriu a Semana de Moda de Milão com um desfile de modelos gordinhas. No Brasil, não foi diferente. Este ano, São Paulo sediou pela primeira vez a Fashion Weekend Plus Size (termo em inglês que significa tamanhos grandes).

Hoje, a realidade nas passarelas é outra, como explica a diretora comercial da agência Duets Models, Patrícia Hilário. “Cerca de 60% da população mundial está acima do peso, por isso o mercado teve que se adaptar, fazendo com que as plus size ganhassem seu espaço.

Pesar 96 quilos e usar manequim 48 é motivo de orgulho para Fabiana Silva, conhecida como Fabiana Penélope no mundo da moda. Modelo há 2 anos e meio, ela não imaginava que pudesse um dia ingressar na carreira. “Já enfrentei muito preconceito, mas com o apoio da minha família resolvi seguir adiante”, lembra.

A alteração do padrão de beleza não é somente nas passarelas. Ela reflete uma mudança de mentalidade das mulheres brasileiras que, inspiradas pelas americanas, agora sentem orgulho de ser gordinhas, conhecido como Fat Pride (termo inglês que significa orgulho de estar acima do peso).

“Fiz de tudo para emagrecer, de dietas da moda a vigilantes do peso. Mas descobri que as gordinhas também podem ser bonitas e desejadas depois que passei a assistir o programa More to Love (termo em inglês que significa Mais para Amar. No programa americano, homens escolhem pretendentes gordinhas)”, diz a vendedora Vera Helena da Silva, 54.

Existem ainda outros exemplos na TV que exaltam os padrões GG. É o caso do Dance Your Ass Off, reality show parecido com a Dança dos Famosos, mas com dançarinos que estão acima do peso. Há também a apresentadora Oprah Winfrey, que se tornou referência do Fat Pride, pois é rechunchuda e considerada uma das celebridades mais bonitas dos Estados Unidos.

Apesar de ser uma tendência americana, as brasileiras estão começando a valorizar mais o excesso de curvas. A ditadura da magreza já não é mais vista como única referência de beleza e lucro no mercado. Grifes renomadas no mundo da moda, como a italiana Armani e a americana Tommy Hilfiger, decidiram apostar em novos tamanhos. Atualmente, elas oferecem modelos até o número 48.

No Brasil, não é diferente. A italiana Marina Rinaldi percebeu a dificuldade das mulheres em encontrar roupas com uma numeração grande e inaugurou sua primeira loja, em São Paulo. A grife para gordinhas, que leva o nome da estilista, foi a pioneira na América do Sul. Lá, as clientes se sentem a vontade. São mais de 1.500 itens em tamanhos do 46 ao 56.

A médica Elaine Rodrigues, 51, usa tamanho 48 e só compra suas roupas em lojas especializadas em tamanhos grandes. “Antes era super difícil encontrar modelos variados com a minha numeração. Agora não tenho mais esse tipo de problema. As lojas estão se adaptando a nova moda e já é possível encontrar roupas GG com mais facilidade”.

O drama na hora de ir às compras não era vivido só por Elaine. A jornalista Renata Poskus Vaz, 28, usa manequim 46 e abriu um blog (www.mulherao.wordpress.com) para ajudar mulheres gordinhas e encontrar roupas bonitas em tamanhos maiores. “Já deixei de ir a festas porque não encontrava roupa. Eu me frustrava. Hoje, conhecendo lojas de tamanhos maiores fica muito mais fácil. E é isso que eu divido com as leitoras”, desabafa.

A blogueira também usa a internet para protestar contra o preconceito. “No começo, eu falava muito de tentativas fracassadas de emagrecimento, coisas erradas que eu fiz, remédios que tomei. Hoje, o Mulherão não é um blog só para a gordinha que quer ser ajudada, é para as meninas que já se aceitaram e dividem informações sobre moda, beleza e comportamento”, conta. Em seu primeiro ano de existência, o site já chegou a 300 mil visitas mensais.

* Esta reportagem foi produzida por Daniele Caldeira, Débora Alfano, Júlia Rodrigues e Paula Ramos, alunas do curso de jornalismo da Universidade Metodista de SP para o portal RROnline - Via: BOL

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