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O menor dos pecados


O menor dos pecados

Ela é homossexual, e daí? É melhor do que ser ladra, assassina, drogada ou algo do tipo.”

Não é incomum escutar afirmações como esta nas famílias de homossexuais, defendendo uma tese de que, dos pecados, ser homossexual é o menor. Famílias mais radicais e preconceituosas costumam achar o contrário, que é preferível ter um filho ladrão do que gay.

Que a orientação sexual de um ser humano não define o seu caráter não é novidade para a grande maioria das pessoas mais esclarecidas, mas tirar a homossexualidade do grupo de anormalidades, ou de algo que é duvidoso, estranho ou que não deveria acontecer, já é uma tarefa mais árdua. Só sentindo na pele para saber. Heterossexuais podem até aceitar, mas entender de fato o que se passa na cabeça e no coração de um homossexual é algo tão complicado que muitos preferem deixar pra lá e manter uma certa distância, por considerar estranho demais.

Será que as pessoas têm o hábito de questionar por quê uma roupa que é considerada linda hoje, amanhã será brega? Por que uma mulher trabalhar fora já foi considerado um absurdo um dia? Será que alguém já parou para pensar que muitas sociedades acreditavam que os índios não tinham alma e se permitiram aniquilar tribos inteiras, sem remorso algum? E os negros que eram (e em alguns casos ainda são) considerados inferiores pelos brancos, que os vendiam e os usavam como mercadorias, na época da escravidão?

Criamos modas, ditamos o que é certo ou errado, tiramos de textos sagrados interpretações de acordo com nossos interesses e então saímos por aí dizendo o que é de Deus e o que é do diabo. A história da humanidade está recheada de exemplos de erros e acertos, tudo comprovado e muito bem dilacerado, a ponto de criar em nós uma vergonha generalizada dos massacres, do sangue negro e índio derramado, dos milhares de judeus mortos em campos de concentração, das guerras em nome do poder, da fome e de povos inteiros que ainda pagam por idéias sem sentido algum.

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A homossexualidade feminina é um dos temas principais do romance Em Busca do Tempo Perdido.

Por que, então, ainda criamos muros e odiamos tanto as diferenças?

Incrível como o sexo é algo velado, proibido, vergonhoso para muitos ainda. E por ser assim que essas pessoas bloqueadas acham imoral qualquer tipo de manifestação diferente daquilo que lhes foi ensinado. Um gay bem resolvido superou todas essas barreiras pessoais e sociais e assim naturalmente perdeu seus recalques, seus pudores para falar de algo que é natural, bonito e muito saudável, que é a sexualidade humana. E isso geralmente incomoda muito quem ainda não está livre e resolvido.

O que poucos sabem é que para ser um heterossexual bem resolvido é preciso libertar-se da idéia de que só o que ele sente é o certo. O mundo está mostrando que não somos todos iguais, sexualmente falando. É preciso refinar o olhar, questionar se o que aprendemos está em dia com o que acontece com as pessoas ao nosso redor, se é batendo e matando quem não nos agrada que vamos nos livrar do nosso ódio ao diferente.
Se algo nos incomoda, não é para fora que devemos direcionar o olhar. É lá dentro que dói, então é no lado de dentro que devemos trabalhar. Será que devemos mudar o que há de “errado” no outro, ou nós é que temos muito o que aprender com o jeito “estranho” de outras pessoas?

Heterossexuais que dizem respeitar a diversidade sexual apenas porque não saem por aí agredindo fisicamente os gays e lésbicas estão atrasados e não estão fazendo nada além do básico. Depois de tanto tempo com tantos acontecimentos e uma evolução intelectual, tecnológica e científica digna de aplausos, não dá para tolerar que uma agressão como a não legalização da união civil de pessoas do mesmo sexo ainda faça parte dessa sociedade. Há tantas formas de se agredir uma pessoa, além da física, e só de perceber que todas ainda ocorrem com pessoas lindas e que só querem lutar pela própria felicidade, sem prejudicar a ninguém, é algo importante para se refletir.

Quantos homossexuais ainda precisam sofrer e morrer até que este tipo de fobia também seja incluída na extensa lista de vergonhas históricas da humanidade?

Do Parada Lesbica - por Silvia Kiss em Universo Butch

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