Header Ads

Vaticano liga homossexualidade à pedofilia

Vaticano liga homossexualidade à pedofilia

O número 2 do Vaticano foi ao Chile dizer que é a homossexualidade, e não o celibato, que os estudiosos associam à pedofilia. A impunidade dos abusos sexuais do clero está agora a chocar a Bélgica e uma carta de Ratzinger em 1985 envolve o actual Papa no encobrimento do escândalo.


As declarações da polémica surgiram em resposta às críticas sobre a manutenção do celibato dos padres. "Muitos psicólogos e psiquiatras já demonstraram que não há relação entre celibato e pedofilia, mas disseram-me recentemente que muitos outros demonstraram que há relação entre homossexulidade e pedofilia", afirmou Tarcisio Bertone na abertura da 99ª assembleia plenária do episcopado chileno.

Bertone disse ainda que "o Papa não deixará de surpreender-nos com novas iniciativas sobre este tama específico", prevendo para breve uma nova reacção do líder máximo da hierarquia católica ao avolumar de escândalos e encobrimento de responsabilidades.

O movimento LGBT chileno Movilh reagiu de imediato às paravras de Bertone, acusando-o de "mentir de forma descarada e desumana", uma vez que "pretende responsabilizar pessoas com uma orientação sexual diferente pelos brutais casos de pedofilia cometidos por sacerdotes, utilizando de forma imoral os homossexuais como bodes expiatórios". A associação já tinha recordado na semana passada que Bertone é "uma das figuras mais homofóbicas do mundo, que difunde o ódio contra a diversidade social em cada lugar onde esteja".

Na Bélgica, o padre fundador do grupo "direitos humanos na Igreja" denunciou que as 300 queixas reunidas junto de vítimas de abusos sexuais contra padres católicos resultaram em apenas 15 admissões de culpa. "Um padre acusado era transferido na maior parte das vezes, mas nunca punido", afirmou Rick Devillé aos jornais "De Standaard" e "Het Nieuwsblad".

"Tivemos um caso dum padre acusado de três abusos e que era sempre transferido para uma área onde não o conheciam e aí continuava a abusar". acrescentou o padre Devillé, que antes da reforma era responsável por uma paróquia num subúrbio de Bruxelas. "Muito poucos bispos nos ajudaram", recorda Devillé.

Entretanto, em Inglaterra os meios jurídicos agitam-se com a possibilidade de abertura dum processo judicial contra Bento XVI por encobrimento dos casos de abuso sexual de crianças por padres católicos. A imunidade de Bento XVI enquanto "chefe de Estado" será posta em causa nos tribunais britânicos e no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Uma acusação a Ratzinger poderá ir até ao Tribunal Penal Internacional, onde os chefes de Estado não têm imunidade.

A notícia surge na semana em que a Associated Press divulgou uma carta, assinada por Ratzinger em 1985, que mostra a resistência do Vaticano em afastar o padre norte-americano Stephen Kiesle, já na altura suspenso por abusar sexualmente de duas crianças. Enquanto o bispo de Oakland defendia que afastar Kiesle traria menos escândalo do que fazê-lo regressar às funções de padre, o futuro Papa respondeu-lhe que a decisão devia ter em conta "o transtorno que a dispensa pode provocar na comunidade de fiéis a Cristo, considerando em particular a idade jovem" do padre, então com 38 anos.

Kiesle acabou por ser afastado dois anos depois e foi preso em 2002. Dos treze crimes de que era acusado, cometidos nos anos 70, quase todos prescreveram. Acabou por ser condenado a seis anos de cadeia em 2004 por ter abusado de uma menina em 1995.

Do Esquerda.Net








Nenhum comentário