Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

Transexual 'Christopher Timbrell' se aposenta com idade mínima para mulheres

Transexual se aposenta com idade mínima para mulheres

O transexual britânico Christopher Timbrell, de 68 anos, ganhou na Justiça o direito de receber aposentadoria a partir dos 60 anos, idade mínima para as mulheres se aposentarem. Ele receberá os pagamentos retroativos relativos aos últimos oito anos. As informações são do portal Terra.

Timbrell mudou de sexo aos 58 anos e passou a se chamar Christine. A mudança foi feita com o consentimento da mulher, Joy, com quem Timbrell se casou há 42 anos e com quem tem dois filhos. Eles continuam vivendo juntos.

Transsexual fights for early pension: Christine Timbrell, formerly  known as Christopher
Christine Timbrell, formerly known as Christopher, outside the High Court Photo: WILLIAM WINTERCROSS


Negado, o primeiro pedido de aposentadoria foi feito dois anos após a cirurgia de troca de sexo, com base em uma lei que estabelece que os transsexuais casados só têm a mudança de gênero reconhecida oficialmente se tiverem o casamento dissolvido ou anulado. O Departamento de Trabalho e Pensões do governo britânico alegou que Timbrell deveria esperar até os 65 anos, idade mínima para aposentadoria dos homens.

A advogada de Timbrell, Marie-Eleni Demetriou, argumentou que a obrigatoriedade de que ela terminasse seu casamento era uma violação aos seus direitos humanos. O juiz que analisou o caso disse que a lei britânica não é capaz de lidar de maneira adequada com casos como o de Timbrell, ao estabelecer friamente que as pessoas que são "uma vez homens, são sempre homens".

Segundo o juiz, "a incapacidade da lei de lidar com pessoas que mudam de sexo representa uma discriminação, e por isso o Estado não tem o direito de negar a Timbrell o pedido de aposentadoria aos 60 de idade".

Do Conjur
Share:

Transexual diz que foi vítima de preconceito em festa na Bahia


Cantora afirma que foi agredida e expulsa do local.
Estabelecimento nega agressão e diz que festa era particular.


Boletim de ocorrência
Boletim de ocorrência registrado pela transexual
em Porto Seguro (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma cantora transexual diz que foi agredida e expulsa de uma festa realizada no boliche de um shopping em Porto Seguro (BA), por preconceito. Jéssica Lacerda diz que fez exames de corpo de delito e que registrou dois boletins de ocorrência. O primeiro na delegacia civil, no dia 14 de junho, e o outro, nesta terça-feira (22), na Delegacia da Mulher. Procurada pelo G1, a Delegacia da Mulher diz que não fornece informações sobre os casos registrados.

O evento ocorreu no dia 3 de junho. Jéssica diz que, pouco depois de entrar no local, foi escoltada para fora e empurrada de uma escada por funcionários do estabelecimento.

“Assim que eu sentei no balcão e pedi um drinque, uma moça veio, segurou meu braço e pediu para eu sair. Ela falou que eu não era bem-vinda lá e que a festa era particular”, diz Jéssica.

vítima de preconceito
Jéssica disse ao G1 que foi expulsa de festa
em Porto Seguro (Foto: Arquivo Pessoal)

A cantora afirma ter chegado à festa acompanhada por vizinhos, que entraram primeiro. Por isso, ela sabia que o evento não era fechado. “Tanto que mulher não pagava. Eu entrei sem pagar. O rapaz da portaria disse que a festa era normal, não precisava de convites e que eu podia ficar à vontade.”

Segundo Jéssica, diante da resistência em sair do local, funcionários a agarraram pelo braço e a arrastaram para fora. “A escada é de granito, são três degraus, e eu me machuquei quando caí no chão. Eles não prestaram socorro e ficaram zombando da minha cara. Passei a noite inteira ali na escadaria, esperando amanhecer. Só saí quando a delegacia da mulher abriu”, diz.

Ela afirma que só conseguiu registrar o boletim de ocorrência na semana passada, porque a polícia estaria em greve. “Na delegacia da mulher, viram que eu estava machucada, então fiz o corpo de delito no Instituto Médico Legal. Quando a greve acabou, na semana passada, eu registrei a queixa na delegacia civil. Hoje, eu fiz outro boletim de ocorrência na delegacia da mulher, onde tinham me mandado fazer os exames.”

A cantora espera que o caso dela ajude outras pessoas a denunciarem atitudes preconceituosas. “Mas estou tão decepcionada que, às vezes, penso em vender minha casa e voltar para a Suíça”, diz.

O presidente do Instituto Adé Diversidade, Ícaro Ceita, informou ao G1 que a entidade vai acompanhar o caso e orientar os procedimentos de Jéssica.

“Vamos tomar providências firmes e denunciar o caso ao Ministério Público. É um fato lamentável, porque a gente vê que uma cidade turística, que recebe tanta gente, ainda não está preparada para receber a diversidade como deveria estar. Temos um lado tão moderno e outro tão atrasado”, diz.

Outro lado

A gerente do estabelecimento, Priscila Pinheiro, nega qualquer agressão ou atitude preconceituosa e ressalta que o lugar pode ser frequentado por qualquer pessoa. Porém, naquele dia, uma festa particular era realizada no local e Jéssica não tinha convite.

“Como tinha muita gente saindo, os seguranças não perceberam [quando ela entrou]. O dono da festa chamou uma de nossas funcionárias e avisou que aquela pessoa não tinha sido convidada, se poderíamos convidá-la a se retirar. E foi o que nossa funcionária fez”, afirma.

A gerente confirma que Jéssica permaneceu na escadaria do lado de fora do shopping até o amanhecer e, nesse período, teria dito palavrões a clientes. Ainda de acordo com a gerente, o departamento jurídico do shopping foi informado sobre o caso e vai tomar as providências cabíveis.

Por: Luciana Rossetto Do G1, em São Paulo

Share:

Miss Gay Universe diz que Roberta Close é sua inspiração

Kaio saiu de Barretos, terra do rodeio. 'É uma cidade pequena e machista.'
Estudante de 18 anos venceu concurso com o nome Shayene Kathryn.

Kleber Tomaz Do G1


Quem vê o estudante Kaio Henrique Alvim caminhar de manhã com seus tênis surrados pelas ruas de São Paulo, barba por fazer, cabelos curtos, camisa e calça jeans não faz ideia de que aquele jovem franzino e delicado de 18 anos e 1,90m esconde a sensual Shayene Kathryn, que só se revela à noite. A morena de cabelos longos surge sempre de salto alto, desfilando seu corpo esguio em vestidos longos nas mais descoladas baladas do público GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes) em São Paulo. Foi assim, confundindo a cabeça dos homens, que o transformista conseguiu arrebatar o primeiro lugar num concurso de beleza classificatório para o tradicional Miss Brasil Gay em Juiz de Fora (MG).

Shayene foi descoberta pela estilista Michelly X pelo Orkut por causa do rosto que lembra a da transexual mais famosa do Brasil, Roberta Close, de quem é fã e de onde tira sua fonte de inspiração. Para o G1, posou com um vestido amarelo em homenagem à seleção brasileira que talvez use na disputa em Minas Gerais.

“Quero conhecer a Roberta um dia. Mas sou diferente dela [que fez cirurgia de mudança de sexo]. Hoje sou homem de dia e ‘mulher’ à noite”, afirmou Shayene, explicando que não fez plásticas, nem colocou implantes de silicone no peito ou toma hormônios femininos. Para se tornar ‘desejada’, usa cremes para a pele, coloca peruca e espuma para simular seios e capricha na maquiagem. “O meu rosto nasceu feminino. Tenho narizinho pequeninho, boquinha, mas sou homem.”

Apesar de não se incomodar de ser chamado de Kaio, o estudante também se refere a si mesmo no feminino. Há dez meses, Shayene deixou Barretos, a terra do Peão de Boiadeiro no interior de São Paulo, onde morava com mãe, irmão e irmã, para concluir os estudos no ensino médio na capital paulista, onde pretende fazer faculdade de moda. “Sempre fui muito independente. Quero ser conhecido como Kaio, o estilista, o maquiador. E não Kaio, aquele gayzinho.”

Vítima de bullying na escola por despertar a desconfiança dos colegas, Shayene decidiu assumir a homossexualidade aos 15 anos para escapar das gozações e piadinhas de mau gosto. “Barretos é uma cidade pequena e machista onde a cabeça das pessoas é fechada. Sempre fui prejudicado porque era gay não assumido. Me chamavam de gay e isso chegava aos ouvidos de minha família. Quando me assumi foi difícil no começo. Minha mãe não aceitou, mas hoje todos me apoiam”, disse.

O nome Shayene Kathryn surgiu em homenagem a uma parente. “Veio de minha prima. Procuro inteligência nas pessoas. Enfim, ela é lindíssima, resolvi colocar o nome dela”, contou.

Em São Paulo, Shayene está dividida. Afinal de contas, o namorado, um empresário não assumido, continua em Barretos. Da infância, ela se lembra de preferir brincar com as bonecas da irmã a se arriscar a montar um touro, cavalo ou jogar bola. “Sempre gostei mais de ficar brincando com as meninas”, lembra.

Depois de vencer o Miss Gay Universe em Salvador, no dia 12 de junho, e quebrar o tabu de nunca ter conquistado a coroa em concursos, Kaio quer agora ser escolhido o mais belo transformista do país. "Falo para todas que querem seguir um sonho para não desistirem. É preciso batalhar. No final sempre dá certo. Antes só ficava em segundo lugar nos desfiles, agora fui vencedora", disse.

Forte concorrente ao Miss Brasil Gay, onde só podem participar homossexuais que se vestem de mulher, ele busca patrocínio. "Para o Miss Gay Universe gastei R$ 1 mil, entre vestido, cremes, peruca etc. Mas para o Miss Gay Brasil será preciso um investimento de R$ 50 mil", disse Kaio, que irá representar o estado da Bahia no concurso.

Veja abaixo a sua ficha e preferências:

NOME: Kaio Henrique Alvim
IDADE: 18 anos (31 de agosto de 1991)
SIGNO: Virgem
BALADA: The Week, Mega, Lyons, Blue Space (em São Paulo)
MEDIDAS: Manequim 40
ALTURA: 1,90m
PESO: 80 kg
OLHOS: Castanhos claros
HOMEM BONITO: Brad Pitt
MULHER BONITA: Angelina Jolie e Roberta Close
LIVRO: ‘O Manual Do Estilista’
MÚSICA: 'Brand New Day', de Lorena Simpson
COMIDA: Strognoff, arroz, feijão e ovo
ESCOLARIDADE: Ensino médio incompleto (quer fazer faculdade de moda)
PEÃO DE BOIADEIRO: Não foi e nem tem ninguém assim na família
INFÂNCIA: Brincava de boneca
NAMORADO: Empresário em Barretos


Share:

Travesti quase foi reprovado em banca de pós-graduação


A concepção das instituições de ensino como espaços de reflexão do conhecimento e partilha de culturas, etnias e experiências deveria fazer das universidades o local ideal para combater preconceitos. Mas certos acontecimentos no universo acadêmico insistem em provar o contrário: o preconceito ainda existe entre estudantes, professores e funcionários.

E a travesti Leilane Assunção, 29, sabe muito bem disso. Quando foi defender o seu projeto de mestrado, em 2006, um dos professores da banca deu nota 2 para a estudante, que por pouco não foi reprovada. “Sem nenhum motivo pedagógico, a professora me deu nota 2. O que ela não esperava era que eu tivesse recebido boas notas 9 e 10 dos outros dois componentes da banca. Passei na média, com nota 7 e não consegui a bolsa. O pior é que soube que ela ainda tentou diminuir ainda mais minha nota quando descobriu que tive média para passar. Mas ela não conseguiu”, conta Leilane.

A transformação de Leandro - nome de batismo - para Leilane aconteceu aos 24 anos e não mudou apenas a parte física. Segundo ela, o ‘nascimento’ de Leilane é um marco na sua vida acadêmica. “Desde que me assumi travesti venho mantendo uma estabilidade no meu currículo, não fui mais reprovada e sempre tenho boas notas. Ser Leilane trouxe equilíbrio para minha vida”, disse ela

Diferente do que aconteceu no mestrado, agora Leilane está focada no doutorado. Boa parte do seu tempo é dedicado às pesquisas, que têm como tema a cantora Clara Nunes.

De família evangélica e com mais cinco irmãs, a vontade de Leando de se assumir mulher existia, o que faltava era coragem. Ela sabia dos preconceitos que enfrentaria.

A rejeição da família e da escola e a falta de políticas públicas é para Leilane a mola-mestra para impulsionar as travestis às ruas. Para ele, hoje há uma banalização do corpo e cada dia a prostituição acontece mais cedo. A crítica do travesti atinge, inclusive, os grupos que apoiam os gays. “É a política do oba-oba. O mundo gay está esvaziado de discurso intelectual”, declarou. Apesar disso, Leilane acredita que a força de vontade de cada um pode ultrapassar barreiras.

Do Tribuna do Norte

"Travesti também tem sonho de cinderela"



A natalense Leilane Assunção cursa doutorado em ciências sociais, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Aos 28 anos, dos quais 18 foram vividos num corpo de homem, é a segunda transexual doutoranda no Brasil, também foi a primeira do RN a ingressar numa instituição de ensino superior.

Você é a segunda transexual brasileira a cursar doutorado. Quando você descobriu isso?
Eu não tinha nem acesso a essas informações sabe? Confesso que sempre fui muito desengajada dos movimentos sociais de cunho gay. Eu tenho uma crítica muito forte em cima desses movimentos, em termos de Natal pelo menos que é a minha experiência. Então, conseqüência inclusive desse desengajamento, eu acabei ficando alheia em relação a como isso estava acontecendo. Pra mim isso também foi uma surpresa, eu não sabia de nada. Resta saber quem vai ser a primeira a defender a tese né? Eu acho que uma corrida saudável acaba de se iniciar entre eu e ela. (risos)

Agora que você conhece as estatísticas, e a partir do momento em que isso se torna público, você se torna um exemplo. Como você lida com a responsabilidade de ser referência?
Há algum tempo eu comecei a ter clareza de que eu poderia em algum momento vir a desempenhar esse papel, principalmente quando eu me encaminhei pra terminar a graduação. A partir do momento em que eu terminei a graduação e entrei no mestrado, eu comecei a perceber o assédio moral de outros gays já me buscando como essa referência. E, confesso, é muito complicado porque as pessoas às vezes perdem um pouco a distinção entre a admiração e a imitação. Hoje, já no doutorado, com os amadurecimentos intelectuais que vêm se processando em mim, eu já começo a ter outra clareza dessa idéia de referência. Então, hoje eu compreendo um pouco melhor e acho que estou mais preparada para responder a essas solicitações, no entanto, essa coisa de “Leilane referência” eu quero que se manifeste como uma coisa intelectual, não como um modelo de transexual perfeita.

Você já tinha amigos gays e transexuais antes? Como foi a aceitação desses amigos quando você resolveu virar transexual?
Já... Mudou radicalmente. Quando eu era gay eu tinha uma relação melhor com os outros gays, quando eu passei a ser transex, eu passei a ter uma relação melhor com os outros transex. Por que dentro do meio existe muita rivalidade, muita intriga, disputa entre gays e travestis. Muitos amigos meus gays passaram a me discriminar, pararam de freqüentar a minha casa, não mais me convidar à casa deles...

Então existe preconceito dentro do próprio meio...
Às vezes ele é até mais violento do que fora do meio. Não que isso vá servir para justificar o preconceito hétero em relação à homossexualidade, já que existe preconceito contra a homossexualidade dentro da própria. É outra dimensão do preconceito que precisa ser igualmente combatida.

Como foi esse processo de inserção na universidade? Você já era transexual antes de entrar na UFRN ou foi um processo que aconteceu durante a vida acadêmica?
Aconteceu durante. Antes de entrar na universidade eu via em filmes, em novelas, onde muitas vezes se mostrava a experiência universitária como um divisor de águas, e eu almejava isso. Para mim foi nesse sentido mesmo, eu entrei uma pessoa e hoje sou outra. Quanto ao processo de inserção, eu posso lhe dizer que não foi nada fácil e continua a não ser. Eu vou usar uma frase do velho lobo Zagalo que diz: “Vocês vão ter que me engolir”. E eu acho que é mais ou menos isso que eu estou fazendo com a UFRN, a universidade tem que me engolir. Tem que me engolir porque simplesmente eu tenho os méritos para isso. Eu venho, desde a graduação, construindo uma trajetória intelectual, sócio-cidadã de respeito, digna, abrindo esse espaço cada vez mais. E eu sei que quando eu abro esses espaços eles não são só para mim, em longo prazo, eles são para o gênero.

Você sofreu preconceito dos funcionários da universidade também?
De toda sorte de criaturas. Passando por funcionários, seguranças, estudantes, professores, visitantes... Em todos os meios sociais nós encontramos pessoas preconceituosas. Eu não sei quando é pior: se é quando elas são instruídas ou quando elas são ignorantes. Por que quando elas são ignorantes o preconceito é vulgar e quando elas são instruídas o preconceito é cínico. Eu não sei qual é o pior, mas prefiro o cínico porque me permite responder à altura.

Geralmente existe um preconceito familiar enorme quando se é gay, e muito maior quando se é transexual. Como a sua família encara a sua situação?
Hoje em dia está mais tranqüilo, exatamente por causa dessas conquistas que me deram legitimidade dentro de casa. Então, por exemplo, eu sou de uma família de professores, tenho três irmãs professoras, uma inclusive mestre em ciências sóciais pela UFRN, ela foi até o mestrado e parou, ou seja, eu vou ser a primeira doutora da família e eu sou a filha mais nova.

E na época? Como sua família encarou?
Foi o seguinte: eu venho de uma família protestante, puritana, passei a minha adolescência incólume sexualmente, eu perdi minha virgindade aos 19 anos. Mas, por quê? Porque eu estava envolvida dentro de um conflito moral muito pesado dentro da formação que eu tive, o conflito da descoberta da homossexualidade aos 12, dos 12 aos 15 eu passei por um processo de depressão profunda, de negação. Dos 16 aos 18 eu passei por um processo de aceitação, uma fatalidade da vida: eu sou assim, não vou poder mudar. Não adianta nada pedir a Deus para dormir e amanhecer menina que isso não vai acontecer, porque eu, na minha ingenuidade, aos 12 anos, criada em igreja evangélica, tive coragem de pedir isso a Deus. E aí aos 18 chegou aquele período da aceitação que eu não me contentava mais em representar um papel social pra agradar a minha família. Cadê as namoradas que nunca apareciam? Eu era delicado, franzino... Sai de casa e me assumi. Mas dos 18 aos 21 eu passei por outra depressão profunda. Eu me assumi e não conseguia ser feliz ainda. Pensei “não adianta, um homem nunca vai me ver como mulher e me satisfazer sexualmente como eu desejo na condição física masculinha em que estou”. Nessa fase eu já cogitava virar travesti, mas eu pensava “E a carreira acadêmica? E os amigos? E a família? E os empregos?”. Mas um dia eu chutei o pau da barraca e pensei que nada iria valer a pena se eu não fosse feliz. Sumi da vida familiar por seis meses e comecei o meu processo... Só que a vida me fez ter que voltar pra a casa da minha mãe sem nada, depois de 4 anos morando só, acima de tudo nessa condição nova que ela ainda não conhecia.

Como ela reagiu a isso?
Quando eu cheguei em casa ela quase caiu pra trás. E começou a combater de todas as formas, ela tinha vergonha quando o pessoal da igreja chegava. Eu entendo o lado dela... Na época foi muito dolorido ver isso, mas serviu pra mostrar que a vida não é como a gente quer, a vida é como ela é! O tempo foi passando, eu virei bolsista CNPQ na graduação, minha orientadora foi lá em casa e me elogiou, eu terminei o curso, entrei no mestrado, mamãe fez uma festa de aniversário pra mim e vários professores meus foram, me elogiaram também. E o tempo todo naquele diálogo dentro de casa: “mamãe, o fato de eu ser travesti não significa que eu não tenha valores, que eu não tenha moral, dignidade”. Então, de tanto bater nessa tecla, de tanta conversa, de tanta conquista, eles cansaram de lutar contra. Eu sei que não é uma satisfação, acho que, com a idade que eu tenho, minha mãe queria que eu tivesse uns três filhos e fosse pastor de uma igreja evangélica.

Você luta pela cirurgia de mudança de sexo pelo SUS. Como anda o processo?
Acho que não vai sair tão cedo... O ministério da saúde baixou uma portaria que os hospitais universitários têm que adaptar, tem um prazo, mas me parece que aqui em natal esses encaminhamentos estão muito lentos, muita desinformação. Já fui no (hospital) Onofre Lopes e disseram que não tem ainda nenhuma previsão. Está sendo muito combatido na justiça pelas bancadas católica e evangélica que consideram que o dinheiro que está sendo gasto nas cirurgias de transexuais é dinheiro publico, desviado de obras prioritárias. Eles entendem como um esforço absolutamente supérfluo de um indivíduo que nasceu num corpo com o qual não se identifica, de transformá-lo. Se eu morasse num grande centro, como São Paulo, certamente eu estaria bem mais próxima de conseguir isso. Eu estou indo no meu ritmo, o doutorado é uma prioridade acima dessa, hoje. Então, é muito nesse sentido, mas se eu morrer antes de fazer minha cirurgia não terei ido em paz.

Quais são seus planos para o futuro?
De imediato, é um doutorado brilhante, com intercâmbio na Alemanha, levar minha formulação às últimas conseqüências, se é que eu posso dizer assim... Eu quero ampliar meus horizontes intelectuais de trabalho, de epistemologia da ciência. Logo imediatamente depois, eu pretendo prestar concurso para alguma universidade federal brasileira. Não sei se da UFRN, mas, eu me vejo sendo professora da universidade publica brasileira. Me vejo com a cirurgia feita, o nome mudado, às vezes me vejo bem carola, conservadora, numa clássica família burguesa, travesti também tem sonho de cinderela. E às vezes me vejo também como uma mulher pós-moderna, independente, morando sozinha... A vida é quem vai me mostrar.

-------------------------------------------------------------------------------------------
http://www.bookofjesus.org/images/tvzzb6mmmrtuejj0n.jpg Por Tahiane - Do Caió Subterrâneo.

Essa entrevista foi meu trabalho da 3º unidade da disciplina Oficina de Texto III, gostei muito do resultado e resolvi publicar aqui. Eu não fiz foto, então essa foto foi retirada na cara-de-pau do DN online. Espero que gostem.
Share:

Mais Patricia Araujo... Lindissima!
























Já se foi o tempo que o grande destaque do último dia de Fashion Rio era Gisele Bündchen. A grande estrela do evento nesta sexta-feira (16) atende pelo nome de Patrícia Araújo, mede 1,80m e pesa 68 kg.

Morena, linda e magra, ela seria só mais uma na lista de beldades nas passarelas se não fosse um detalhe, no mínimo, inusitado: Patrícia é um travesti e fecha a semana de moda desfilando pela masculina Complexo B. “Ela é linda, delicada, feminina, mas com 19 cm a mais”, brinca o estilista Beto Neves, que resolveu colocar um travesti no desfile para contextualizar a coleção que fala da Lapa, bairro boêmio do Rio. (texto retirado daqui)

Ela é na essência ela é tudo o que eu queria ser...
Share:

Cyndi Lauper lançará novo CD


De personalidade irreverente, cabelos coloridos, maquiagem exuberante, figurino espalhafatoso, protótipo da estranheza e mensageira da diversão é um espetáculo de causar espanto nos espíritos mais recônditos.


Cynthia Ann Stephanie Lauper Thornton começou sua carreira como vocalista da banda BLUE ANGEL, que teve vida curta, em 1980, pulou fora e lançou o álbum “She’s So Unusual” em 83. Nunca mais foi a mesma e o sucesso estrondoso só lhe rendeu prêmios, capas das mais importantes revistas do mundo, outros álbuns de sucesso e um lugar especialmente reservado no coração dos jovens do mundo inteiro e ela agora está de volta com seu novo album MEMPHIS BLUES que chega às lojas em 22 de junho e em Breve às paradas de sucesso do mundo inteiro. Dá-lhe Cyndi…


Vocês podem encontrar este texto num dos vários perfis feitos em homenagem à DIVA CYNDI LAUPER: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=mp&uid=14455019126568898592


O fato que muita gente indaga é por que ela não continuou a fazer tanto sucesso no mundo inteiro como Madonna, já que eram consideradas rivais pela mídia especializada norte-americana. Minha resposta, mais do que uma “entertainer” Cyndi é uma artista. A sua arte é mais importante do que o dinheiro o que não é o caso da minha também adorada material girl.


Isso é o que eu mais admiro nela, vencedora de vários prêmios em diversas formas de arte, Cyndi é ídolo nos Estados Unidos até hoje, mesmo sem vender milhões de CDs. Venerada pela galera LGBT, sua irmã mais velha é lésbica assumida, é hiper engajada no tocante as causas em prol da comunidade. Seu hino “True Colors” é título de um espetáculo para arrecadar verbas as vítimas do HIV. Mulher, mãe, esposa, dona de casa, artista, celebridade, feminista etc. She is gr8 and also unusual, as always… lol


Neste mês Cyndi estará lançando seu mais ressente trabalho Memphis Blues em CD 22/06, esta é a data do seu níver, e em vinil em 06/07.

Fonte: Blog da Tatiana Hilux

Share:

Adorei!!! GG Sexy Lingeries apresenta nova coleção

A nova coleção outono/inverno traz peças com acabamento e caimento perfeitos. A nossa gordinha do mês de janeiro de 2009, Livia Carolina, demonstrando toda a sensualidade de uma mulher plus size.

Nós, do Gordinhas Lindas, estamos orgulhosos de participar dessa história de sucesso, que além de iniciar nossa leitora e amiga Lívia Carolina Gonçalves, como modelo Plus Size, que é um mundo totalmente diverso do que ela esperava quando começou a ler nosso site, colaborou com a GG Sexy Lingeries a encontrar a modelo que hoje demonstra com sensualidade, graça e perfeição as lingeries fabricadas com todo carinho e dedicação para vocês leitoras.

Para conhecer mais, acesse: GG Sexy Lingeries.

Do Gordinhas Lindas

Share:

-

BANNER 728X90

Video Recomendado

-

AD BANNER

Visualizações

About & Social

Sobre este blog

Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

Me proponho aqui a falar um pouco de tudo, em especial das Crossdressers, dos transexuais, dos Travestis e da enorme comunidade
LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

Entre em contato comigo!

Nome

E-mail *

Mensagem *

busque no blog

Arquivo do blog

TROCA DE LINKS

Apoio ao Crossdresser
Universo Crossdress
Márcia Tirésias
Club Cross
Fórum Crossdressing Place
Jornalismo Trans - Neto Lucon
Kannel Art
Noite Rainha Cross
Diário de uma Crossdresser

Gospel LGBT
Dom Monteiro - Contos do Dom
La nueva chica del bairro
Ravens Ladies
Travestismo Heterosexual

CROSSDRESSER
Nathasha b'Fly
Veronica Mendes
Camilinha Lafert
Kamila Cross BH
Sophia Mel Cdzinha

DANYELA CROSSDRESSER
Duda CD
Bruninha Loira sapeka
Cross Gatas
Klesia cd
Renata Loren
Coroa CD
Suzan Crossdresser
Érika Diniz
CDZINHA EXIBICIONISTA
Aninha CDzinha
Camila Praz
CD VALDETTY
CD Paty
Cdzinha Moranguinho
Jaqueline CD
Paty Cdzinha

Contos Eróticos da Casa da Maitê
Elite Transex

Mais

Mais vistos na ultima semana

Tags

Postagens mais visitadas há um ano

Postagem em destaque

Renata Montezine arrasando como sempre

Renata Albuquerque Montezine é atualmente uma das mulheres trans, de maior sucesso no país. Já foi modelo plus size, sendo a primeira...

Pages