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A estudante transexual Amanda Marangão obteve na Justiça o direito de mudar o nome na carteira de identidade








A estudante transexual Amanda Marangão Galdino de Carvalho, de 19 anos, moradora de Marília, no interior de São Paulo, obteve na Justiça o direito de mudar o nome na carteira de identidade e de obter um novo registro de nascimento. Ela conseguiu o aval para trocar todos os documentos e ter, oficialmente, o nome e o sexo que escolheu.

“Foi uma realização pessoal muito grande. Agora, eu posso usar o banheiro feminino que pra mim sempre foi um problema. Já sofri agressão por causa de banheiro. Eu posso frequentar lugares, posso mostrar o meu documento na entrada de uma balada sem ninguém me dizer nada. Posso ir na casa de um namorado e se a mãe dele suspeitar de alguma coisa, não está aqui meu documento. Eu posso pedir um emprego sem sofrer preconceito. É muito bom”, conta Amanda.

Um projeto de lei que tramita no Senado desde 2007 prevê a troca de nome e de sexo no registro civil antes mesmo de cirurgia. Bastaria que a pessoa fosse reconhecida como transexual, mas a proposta ainda deve ser votada no colegiado.

Por enquanto, o caminho é longo até a Justiça aceitar as mudanças no registro civil. Depois da cirurgia, a pessoa tem que passar por uma perícia médica. Mesmo assim, não são todos os juízes que não atendem ao pedido.

Na decisão, a juíza Paula de Oliveira alegou que apesar de Amanda ter nascido homem, sempre foi “a outra”, com atitudes femininas e que a cirurgia a transformou com “perfeição” em mulher.

Para o advogado responsável pela ação, Cristiano Mazeto, trata-se de uma vitória contra o preconceito porque, até então, apenas a mudança de nome costumava ser autorizada pela Justiça.



“Abre-se um precedente muito importante para a pessoa quebrar totalmente o preconceito e obter essa modificação de documentos na Justiça, o que antes a pessoa não conseguia”, afirma.

Do Clica Piaui

Depois de uma cirurgia para mudar o sexo, a estudante Amanda Marangão Galdino de Carvalho, 19 anos, de Garça, conseguiu também um novo registro de nascimento. Em uma decisão inédita, a justiça concedeu a transsexual um novo nome na carteira de identidade.

A VIDA
Amanda contou ao Garça Online que desde criança já sabia que seria uma mulher. "Eu brincava de boneca, não gostava de carrinho, com 3 ou 4 anos, colocava salto, vestido, tudo que eu encontrava no guarda roupa", conta Amanda. "Quando criança, me falavam que para conseguir algo, precisava ter fé e pedir para Deus, aí eu entrava no banheiro todo dia e pedia para Deus me transformar em uma mulher", completou.


A decisão de fazer a cirurgia para retirada do órgão masculino, surgiu quando Amanda tinha entre 7 e 8 anos. A novela "As Filhas da Mãe", da rede Globo, foi a inspiração, onde a atriz Cláudia Raia, fazia a cirurgia. "Foi aí que fiquei sabendo que existia essa possibilidade e já coloquei na cabeça que iria fazer a cirurgia", disse.



VIAGEM
Em um momento da vida, Amanda resolveu morar nos Estados Unidos. Sua cabeça estava confusa, foi quando ela decidiu se afastar de todos para se entender como pessoa. "Fui morar no Estados Unidos para poder usar as roupas que eu queria, a maquiagem que eu gostava, para sentir se era isso mesmo que eu queria para minha vida, sem causar constrangimento para meus familiares", já certa do que queria anunciou sua decisão aos familiares. Amanda fez tratamento psicológico durante 1 ano nos EUA. "Tive total apoio da minha vó e de minha bisavó, que são duas pessoas que amo de paixão, isso me deu muita força", concluiu Amanda.



CIRURGIA
A sorridente e meiga Amanda nos conta que muitas pessoas apoiaram e acompanharam todo o processo até a cirurgia. Ela ainda aproveita para agradecer aos médicos Dr. Ulisses Tedde, Dr. Marcos Tácito e Dra. Renata Montemor.
Para a realização da cirurgia, é preciso o laudo psicológico e o endocrinológico, no qual não foi fácil conseguir, já que a cirurgia é algo ainda novo e muitos médicos ficam com receio de atestar o laudo e algo de errado acontecer e prejudicar seu nome.
Enfim, depois de tudo pronto, Amanda seguiu para a cidade de Jundiaí-SP, onde fez a cirurgia, no dia 28 de setembro, na clínica do Dr. Jalma Jurado. Um excelente profissional que inclusive fez uma correção cirúrgica na famosa Roberta Close.
"Preferimos fazer a cirurgia na clínica mesmo, como me explicou o médico, é um fato novo e ir para qualquer hospital, seria uma exposição desnecessária, pois todos iriam querer ver. A cirurgia foi um sucesso, ficou perfeita, até acho que ficou mais bonita do que algumas que já vi", contou orgulhosa, "de todas as cirurgias que já fiz, essa é a mais dolorida, a recuperação é muito dolorida devido aos pontos que são dados e os grandes lábios que ficam amarrados ao osso lateral", disse Amanda. O custo fica entre R$ 25 a 50 mil reais.



O QUE MUDOU
Amanda conta que sempre teve medo de sair de casa e apanhar pela rua, de pessoas intolerantes e ignorantes. Um fato marcante foi quando estava acompanhada de seus amigos e ao chegar em um point da cidade, várias pessoas saíram correndo atrás deles, como se o local só pudesse ser freqüentando por heterossexuais.
Apesar de todo esse receio, Amanda só foi agredida depois que fez a cirurgia. "Fui usar o banheiro feminino, um boate aqui na cidade de Garça, quando uma moça da vizinha cidade de Marília, se sentiu ofendida e disse que eu teria que usar o outro banheiro. Aí disse que iria fazer um barraco, achei que chamaria a polícia, mas chamou o namorado e eu acabei sendo agredida", contou. "Mas meus amigos sempre me respeitaram, o que mudou foi que agora além de me respeitarem eu sinto que alguns tem um certo interesse, é como se o órgão fizesse toda a diferença, eu sou a mesma, na cabeça e no coração".
Ela conta que sempre se sentiu mulher, mas que era difícil ver o órgão masculino na hora do banho. "A gente cria uma certa repulsa ao órgão, e aquilo faz mal para a gente".
Com seus 1,82 metros, Amanda disse ainda que no comércio garcense, sempre foi muito bem atendida e que todos a respeitam muito e que nunca passou nenhum tipo de constrangimento.



O SONHO
"O maior sonho era conseguir me tornar uma mulher de verdade e completa, mas penso em casar, e adotar dois filhos homens", disse Amanda, que ainda tem um pensamento muito aberto sobre o relacionamento, ela sabe que os filhos são para sempre, já o marido, é uma conseqüência, pois ela não acredita em amor eterno. "Estou feliz em um relacionando novo, estou bem com a família e com os amigos, agora é curtir essa nova fase da vida", completou.



RECADO
"Eu diria para quem quer realizar esse sonho, que tem que ter muita paciência e infelizmente dinheiro, mas que o mais importante é correr atrás do sonho, porque infelizmente nessa sociedade não tem muito emprego, por isso que muitos se prostituem, e um sonho vale a pena ser realizado", finalizou Amanda.



DOCUMENTOS
Uma decisão judicial rápida. Em apenas 20 dias, Amanda conseguiu o aval da justiça de Marília para trocar todos os documentos e ter, oficialmente, o nome e o sexo que escolheu.
"Para mim foi uma realização pessoal muito grande. Agora, eu posso usar o banheiro feminino que pra mim sempre foi um problema. Já sofri agressão por causa de banheiro. Eu posso freqüentar lugares, posso mostrar o meu documento na entrada de uma balada sem ninguém me dizer nada. Posso ir na casa de um namorado, e se a mãe dele suspeitar de alguma coisa, está aqui meu documento. Eu posso pedir um emprego sem sofrer preconceito. É muito bom", conta Amanda.

Um projeto de lei que tramita no senado desde 2007, prevê a troca de nome e de sexo no registro civil antes mesmo de cirurgia. Bastaria que a pessoa fosse reconhecida como transsexual mas a proposta ainda deve ser votada no colegiado.


Por enquanto, o caminho é longo até a justiça aceitar as mudanças no registro civil. Depois da cirurgia, a pessoa tem que passar por uma perícia médica. Mesmo assim, não são todos os juízes que atendem ao pedido.
Para o advogado responsável pela ação, Cristiano Mazeto trata-se de uma vitória contra o preconceito porque, até então, apenas a mudança de nome costuma ser autorizada pela justiça.
"Com essa sentença inédita na região, em Marília não há histórico dessa decisão, abre-se um precedente, muito importante para a pessoa quebrar totalmente o preconceito e obter essa modificação de documentos na justiça, o que antes a pessoa não conseguia. Apenas na medicina isso era permitido", afirma.

Do Garça Online

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