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O Transsexual e a Transsexualidade

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A transsexualidade está na moda?

Diante de tanto buxixo sobre o assunto é natural que você já tenha feito essa pergunta, mas… A resposta é não! Não há como ter modismo quando o assunto são pessoas, sentimentos, vidas… No entanto é inegável que o tema anda mais do que em evidência por N motivos e acho que debatê-lo de maneira clara e informativa é a melhor resposta.

A melhor maneira de desmistificar um tabu é informando, portanto este é o primeiro de uma série de textos relacionados à transsexualidade onde eu e nossa colaboradora italiana falaremos um pouco mais do assunto. O texto tem vários links contidos em palavras-chave, aconselho ler com atenção e clicar neles para conferir.

Tema esse que em terras Brazucas, há anos atrás a modelo Roberta Close já trouxe o assunto à tona com sua beleza e delicadeza que seduziu a todos, e que recentemente Ariadna – ex-BBB que assumiu a transsexualidade em rede nacional – voltou a dar o que falar (e olhar, a moça será capa da Playboy em março), chegando a levar o tema a debate em pleno domingo no Faustão de maneira séria e não caricata (pasmei não pelo tema, mas pelo apresentador não ter feito gracinhas).

Enquanto isso, a modelo internacional Lea T, também brasileira, mandou muito bem no recente SPFW e, principalmente, trouxe o tema ao debate sendo entrevistada por Oprah nos EUA e Renata Ceribelli aqui no Brasil. Sobretudo as dificuldades encontradas em viver uma vida plena, emocional e profissional. Afinal, a prostituição não tem que ser a única opção.

Graças a elas, nunca se falou tanto do transtorno de identidade de gênero por aqui de uma maneira tão clara e acessível, mas… E você? Sabe o que é um transsexual, ou o que é a transsexualidade?

O que é Transsexualidade?

Clique na imagem para ver o trecho do filme e o diálogo em português.

Para começar ilustrando de maneira bem leve e simples a transsexualidade, o transtorno de identidade de gênero, acho que a cena onde Ludovic – o menino personagem principal do filme Ma vie en Rose, que acreditava ser menina – pergunta à irmã se era menino ou menina é perfeita! Clique na imagem para assistir e ter acesso ao diálogo em português.

De uma forma teórica, o CID-10, F64.0 explica a Transsexualidade dessa forma:

Trata-se de um desejo de viver e ser aceito enquanto pessoa do sexo oposto. Este desejo se acompanha em geral de um sentimento de mal estar ou de inadaptação por referência a seu próprio sexo anatômico e do desejo de submeter-se a uma intervenção cirúrgica ou a um tratamento hormonal a fim de tornar seu corpo tão conforme quanto possível ao sexo desejado.

Transsexualidade – Aspectos Teóricos, por Adriana Gentile

Como ficou bem explicado no texto de Adriana Gentile, não há só o desejo de viver como o sexo oposto, há uma necessidade de ser aceito como tal. Mesmo que pra isso sejam necessáriom tratamentos hormonais por toda a vida ou cirurgias mutiladoras que, para o próprio, não é um sofrimento, mas sim uma necessidade de adequar seu corpo físico à sua alma.

É preciso entender que antes de tudo, o transsexual não é um Crossdresser um fetichista, ele (homem ou mulher) não se traveste (de mulher ou de homem) apenas e sacia ali o seu prazer. Não é um fetiche é algo íntimo e pessoal, um sentimento no melhor sentido de “ser” e não “estar”. Muito pelo contrário, para o transsexual ele realmente “está” em uma condição que não “é” realmente. Apesar de nada ser tão simples assim.

Redesignação Sexual no Brasil

A precisão diagnóstica é fundamental para a definição exata de um transtorno de identidade sexual ou de gênero, e mais especificamente para a transsexualidade. Candidatos a uma cirurgia de redesignação sexual nem sempre são transsexuais e podem não apresentar melhora na qualidade de vida com a cirurgia, além de ser irreversível em muitos casos e em outros, de difícil reversão.

No Brasil, desde 1997 o Conselho Federal de Medicina regulamentou a realização de cirurgias experimentais de mudança de sexo em hospitais universitários no Brasil. Apesar da primeira operação só ter acontecido dois anos depois, por ser o tempo exigido para acompanhamento médico e psicológico ao paciente. No entanto, só muito recentemente, em 2008, o Governo decidiu finalmente oficializar as cirurgias de redesignação sexuais, implantando o “Processo Transexualizador” através do SUS.

CRS – Cirurgia de Redesignação Sexual

A Cirurgia de Redesignação Sexual (CRS) é o termo para os procedimentos cirúrgicos pelos quais a aparência física de uma pessoa e a função de suas características sexuais são mudadas para aquelas do sexo oposto. Tanto para MtF quanto para FtM. A cirurgia é parte do tratamento para a desordem do transtorno de identidade de gênero.

MtF — Male to Female, de homem para mulher:

Para as mulheres transexuais a cirurgia de redesignação sexual envolve essencialmente a reconstrução dos genitais (embora outros procedimentos possam ocorrer; em muitos casos, algumas mulheres transexuais decidem não se submeter à cirurgia de redesignação genital).

Durante a vaginoplastia, construção da neovagina, em algumas técnicas cirúrgicas de redesignação sexual em transexuais MtF, a glândula bulbouretral, bem como a próstata, são mantidas para possibilitar que a neovagina tenha alguma lubrificação natural.

A cirurgia de feminilização facial e o aumento de seios são passos do processo de redesignação.

* Além dos exemplos já citados, um caso muito comentado foi o da adolescente Kim Petras, que à partir dos 12 começou o tratamento hormonal e operou aos 16

FtM — Female to Male, de Mulher para Homem:

No caso de homens transexuais a redesignação compreende um conjunto de cirurgias, incluindo remoção dos seios, reconstrução dos genitais e lipoaspiração.

A retirada dos seios é freqüentemente o único procedimento que eles se submentem, além da histerectomia, principalmente porque as técnicas atuais de reconstrução genital para homens transexuais ainda não criam genitais com uma qualidade estética e funcional satisfatória.

Muitos optam por fazer uma faloplastia (ou mais precisamente uma metoidioplastia) com médicos renomados do exterior.

* Um exemplo que teve bastante repercussão foi o de Chaz Bono, filho da cantora Cher, que está, inclusive, fazendo um documentário sobre.

A Transsexualidade e a Orientação Sexual

Um fato bastante interessante a ser comentado é que, independente do sexo físico, o que vai ditar se um transsexual é homo ou hetero é a sua orientação sexual que esteja relacionada ao gênero final. Por exemplo:

Alguém designado como do gênero masculino no nascimento, mas que se identifica a si como uma mulher (MtF – Male to Female – de Homem para Mulher), e que é atraída tão somente por homens, irá identificar-se como heterossexual, não como gay; da mesma forma, se esta mesma pessoa tivesse desejos sexuais por mulheres seria lésbica e não heterossexual.

O mesmo ocorre com alguém que foi designado como do sexo feminino no nascimento e se identifica como homem (FtM – Female to Male – de Mulher para Homem) se prefere parceiros homens irá se identificar como gay, não como heterossexual. Se preferir parceiras mulheres irá se identificar como hetero e não como lésbica.

O ator pornô Buck Angel, transsexual FtM, apesar de casado com uma tatuadora, em seus filmes faz sexo tanto com mulheres quanto com homens, ou seja, é bissexual.

Seu slogan: “Um homem com uma vagina“. Uma frase: “Não é o que você tem entre as pernas que define o seu gênero“.

Sem dúvida, o cara é macho pra caramba…

maiteschneidertransexual

A transsexualidade pelo ponto de vista de uma transsexual

Eu poderia fazer uma enorme pesquisa (e pesquisei, viu?!), escrever páginas e páginas sobre o assunto, sobre os aspectos psicológicos do transsexual, mas acho que jamais seria tão clara e objetiva quanto foi Maitê Schneider (foto acima) nos links que seguem abaixo.

Para entender melhor este processo, indico o belíssimo depoimento dela à novela Viver a Vida e também sua ótima entrevista no Programa do Jô. Onde os dramas, os conflitos e as alegrias, as conquistas, são relatadas de maneira extremamente bem humorada e nem por isso menos emocionante.

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