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Transexuais gaúchas falam sobre suas vidas, dificuldades e conquistas.

Matéria do jornal Diário Gaúcho do dia 22 de janeiro de 2010, veiculada somente na versão impressa, mostra imagens e depoimentos das transexuais Luciana Rodrigues, Luisa Helena Stern e Marina Reidel, ativistas e colaboradoras da ONG Igualdade RS - Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul.

A seguir, transcrevo o texto da matéria, acompanhado das imagens digitalizadas da publicação:
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Operada e feliz!

Luciana Rodrigues, 27 anos, esteticista, fez a cirurgia de mudança de sexo em 2004, no Hospital de Clínicas. Em seus documentos, aparece como do sexo feminino e com o nome que escolheu. Ela conta que sempre se achou diferente:

"-Tive uma infância distinta dos outros meninos. Preferia a companhia das meninas e as brincadeiras delas."

A adolescência foi complicada, pois Luciana não entendia a que turma pertencia.

"- Me achava gay, mas fui me entendendo como uma travesti. Porém, não me identificava com elas. Com o tempo, aprendi o que era o transexualismo. Fiquei sabendo do serviço do Hospital de Clínicas por uma reportagem de tevê e, imediatamente, me inscrevi" - lembra.

A cirurgia foi um marco para a esteticista, mas não mudou tanto assim a sua vida:

"- Eu já era uma mulher em meu cotidiano."


Vida de fachada

A advogada e funcionária pública Luísa Stern, 44 anos, admite que, por muitos anos, levou uma vida de fachada, como homem.

"- Nunca tive uma conduta viril, mas a transexualidade foi uma decisão recente. Comecei a tomar hormônios femininos aos 38 anos e, de dois anos para cá, a levar uma vida como mulher."

Luísa prepara-se para a cirurgia de mudança de sexo, enquanto é atendida pela equipe de profissionais do Programa de Transtorno de Identidade de Gênero do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. A operação só pode ser feita após, pelo menos, dois anos de participação no grupo.

Articulada, ela presta assessoria jurídica para a ONG Igualdade - Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul.



NOTAS DA AUTORA (Luisa Helena Stern):
1) Não sou exatamente advogada, sou Bacharel em Direito e nem posso exercer profissionalmente a advocacia devido ao meu emprego público. Na Igualdade-RS, eu colaboro com trabalho voluntário, de maneira informal. A assessoria jurídica é oficialmente prestada por outra ONG, especializada na área.
2) A transcrição do que falei ficou curta e confusa. A transexualidade não é uma decisão, é uma descoberta ou uma constatação. A decisão, nesse aspecto, foi de realizar a transição de gênero para viver definitivamente como mulher.



Professor virou professora


Em junho de 2006, o professor Mário tirou 20 dias de licença na Escola Estadual Rio de Janeiro, na Capital. Quando voltou, em julho, ele já era a professora Marina Reidel. Com muita orientação aos alunos e o apoio da diretoria da escola, a mudança foi bem aceita por todos, garante a transexual, que planeja uma cirurgia particular de mudança de sexo em São Paulo:

"- Não quero passar pelo acompanhamento de dois anos. Quando tomar a decisão, é porque estarei pronta. Quero deitar e acordar operada."

A coragem de Marina e a maneira como a situação foi conduzida levaram a professora a receber em 2010, em Brasília, um prêmio nacional de educação.

A bandeira da liberdade de expressão sexual ganhou uma forte aliada em rede nacional

Apoio na Capital

  • Igualdade-RS: Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul: Rua dos Andradas, 1560, sala 613, Galeria Malcon, fone 3029-7753.

Texto original e fotos publicados na edição impressa do Diário Gaúcho de 22 de janeiro de 2010, não estando disponíveis para acesso no site do jornal.

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