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Conhecer um fetichista...


Definir um fetichista é complicado.
Pessoas com fetiches sexuais têm suas preferências particulares. Isto se chama essência.
É legal esclarecer que uma fantasia só se torna um fetiche quando repetida várias vezes, passando a significar uma necessidade básica para que a relação sexual tenha sentido.
Portanto, como um bom vinho ou um velho whisky o fetiche tem seu sabor.
Então, pra conhecer um fetichista é preciso saber o que o faz andar na Lua.
Daí eu me lembro de uma história marcante: a estrela do mar e o rei de copas.
Ela costumava dizer que escolheu esse Nick por pertencer a um mar de submissão plena. Entretanto, jamais havia compreendido a até onde iria se comprometer ao assumir essa tendência.
A grande vantagem de pertencer apenas ao mundo virtual é a não necessidade de assumir na plenitude o traço fetichista. Enquanto internauta apenas, os sonhos são possíveis. Porém, quando tudo se torna real é preciso ter consciência exata dos caminhos que o personagem vai trilhar em sua existência no universo fetichista.
Foi quando a estrela do mar precisou se materializar naquilo que tanto propagou atrás de um monitor. O personagem ganhou vida e com essa existência, essa materialização, todos os medos e angustias brotaram. Porque por mais que seja permissivo estabelecer uma distância entre fantasia e realidade, o ser humano sempre traz pra suas fantasias muito de sua vida real.
A submissa mais doce carrega suas características, assim como o carrasco mais sádico.
E o rei de copas seduziu a estrela do mar por encantos que ultrapassavam os limites do planeta fetiche. O dominador camuflava um sujeito bonachão, um verdadeiro exemplar do quarentão simpático. Aquele cara que vinha de longe e trazia na bagagem muita coisa além do sonho de uma relação entre fetichistas que sonhavam com entrega e poder.
As melhores lembranças que trago daqueles dias dá conta desse envolvimento particular.
Por morarmos na mesma cidade conhecia um pouco dos segredos que a estrela escondia. Foram algumas viagens juntos e muita conversa que delimitou fronteiras. Muita gente pensou que estivéssemos caminhando para uma negociação direta, mas nossas preferências eram claras e objetivas. Assim como ela deixava estabelecidos seus critérios de submissão eu não daria um passo fora do que havia direcionado como meta.
Às vezes a submissão está aquém do que um bondagista pode proporcionar a quem está à procura de um envolvimento. Ao fetichista não é permitido por herança genética brincar com sentimentos de parceiros ou parceiras. Minha meta era translúcida naqueles dias e continua impávida e devidamente preservada até os dias de hoje.
Por isso, e por estar completamente ciente daquilo que estava prestes a ser um fato real, acompanhei os passos que os levaram a se relacionar. Em pouco tempo ela não estava mais por perto. Havia partido com ele de mala e cuia pra viver uma vida nova. Casaram-se.
É incrível como este tipo de relação pode chegar a lugares imprevistos.
Tempos depois a encontrei num restaurante pelos lados do Jardim Botânico, onde por acaso resido aqui no Rio de Janeiro. Ela hesitou num momento, estava entre amigos e me viu acompanhado, mas veio falar comigo mesmo assim.

Contou que aquela relação durou apenas um ano e pouco e que havia abandonado de vez qualquer relação com o fetiche, com o BDSM, por achar que tudo não passou de impulsos insólitos de uma fase conturbada que vivia. Agradeceu a pouca conversa, a atenção devida e se foi pra sempre e nunca mais tive qualquer noticia.
Mais não soube, e os detalhes que a fizeram desistir nunca chegaram ao meu conhecimento.
As suposições são várias, motivos podem chegar a mil, mas fico com o que ela me disse e me arrisco a dizer que alguma coisa de sua vida pessoal a levou a tomar tal atitude. Pode ser...
As mulheres são muito estranhas...


A foto acima vem do meu amigo “dansbondagebabes”.

Do Bondage & Fetiches

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