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Estrela do rock nacional, cantora baiana Pitty lança DVD gravado no Rio de Janeiro


Aos 33 anos, a baiana Priscilla Novaes Leone, ou Pitty, como se tornou nacionalmente conhecida, é a roqueira mais bem-sucedida da música brasileira atual. Com a tranquilidade de quem sabe o quer, ela lança o DVD (e CD) A Trupe Delirante no Circo Voador (Deck), gravado no famoso palco carioca, em 18 de dezembro, sem muita firula, mas com energia de sobra.

O DVD ao vivo da cantora traz um apanhado de canções dos trabalhos anteriores, principalmente de Chiaroscuro (2009), além da inédita Comum de Dois. Tem ainda Senhor das Moscas, de Fábio Cascadura, que participa da gravação, e Se Você Pensa, clássico de Roberto & Erasmo Carlos.

Nas imagens do show, dirigidas pelo também baiano e amigo da cantora Ricardo Spencer, fãs enlouquecidos, cartazes, confetes... Muitas vezes, são imagens feitas do meio da galera, o que ressalta a empolgação. Um poderoso circo rock’n’roll.

Em entrevista feita por telefone, Pitty fala de suas letras, sobre mulheres fortes e modernas; da dificuldade de cantar em Salvador, mesmo lotando shows em todo o Brasil; e de Agridoce, seu projeto paralelo com o guitarrista Martin.

Em canções como Desconstruindo Amélia e Trapézio, você fala de mulheres independentes e modernas. Você é essa nova mulher?
Esse tema acabou ficando mais evidente no último disco, o Chiaroscuro (2009). Não sei se eu me sinto assim, se represento essa mulher moderna. Eu falo das mulheres do meu tempo, que vejo no dia a dia. Muita coisa mudou da geração da minha mãe até hoje, mas ainda existe muita repressão. A gente está vivendo esse processo.

Comum de Dois é sobre um cara que se assume crossdresser, que gosta de se vestir de mulher. É inspirada no cartunista Laerte, que recentemente se assumiu crossdresser?

Na verdade, o Laerte, tudo o que aconteceu com ele, foi a mola propulsora, o ponta-pé inicial para eu criar essa história. Mas a história que eu descrevo é outra, de um cara que decide se vestir numa noite. Não deixo claro se ele vai continuar, se é hétero, gay, bi. Ao contrário de Laerte, que é bissexual assumido. Na verdade, é uma mensagem sobre preconceito, algo que eu já tinha falado na letra de Máscara, só que numa outra perspectiva.

Você gosta de criar personagens nas suas letras, como Chico Buarque e Bob Dylan fazem?
Essa foi a primeira vez que isso aconteceu, porque tinha essa inspiração de fora. Há pouco tempo eu estava pensando sobre isso e reparei que todas as minhas músicas são em primeira pessoa, porque vem de sentimentos e questões muito pessoais. Mas já tinha pensado em escrever assim, só que não rolava. E agora aconteceu naturalmente. Esses dois nomes são exatamente os que eu pensava. Principalmente Chico, que consegue escrever tão bem mesmo com um eu-lírico feminino.

Quando vem o próximo disco de inéditas? Já tem novas composições?
Tenho alguns retalhos. Escrevo sempre, o tempo todo, mas para agrupar isso em músicas demora mais. E agora começa a turnê do DVD, que leva mais uns meses também. Então só para o final do ano ou ano que vem.

E o Agridoce, seu projeto paralelo com o Martin (guitarrista da banda), como é e como surgiu?

A gente começou meio de bobeira, em casa mesmo. Tiramos uns meses de férias, e nesse tempo eu e o Martin acabamos ficando aqui em São Paulo, sem ter o que fazer. E pensamos: “Vamos tocar!”. Agridoce é uma coisa mais melancólica, mais parecida com Elliott Smith, Velvet Underground, Iron & Wine, Leonard Cohen... Colocamos as músicas no MySpace, nem chegamos a divulgar, e as pessoas descobriram e gostaram. É uma coisa mais intimista, low profile. É legal para dar vazão a esse outro lado.

O diretor do DVD e de muitos de seus clipes, Ricardo Spencer, é seu amigo e também baiano. Como as parcerias surgem e se mantêm?
Eu escolho pela capacidade das pessoas. Não adiantaria nada sermos amigos se ele não tivesse talento. A amizade só ajuda a gente a discutir os assuntos de trabalho com mais intimidade, de forma mais tranquila. Mas se ele não fosse o cara talentoso que é, a gente só ia sair para beber, como se faz com qualquer amigo, não teria uma relação de trabalho.

E sairá um documentário sobre a vida do guitarrista Jimi Hendrix (1942-1970) do qual você faz parte. Como foi a sua participação no filme?
Pô, foi ótimo. Recebi o convite super de surpresa. E eu falei, “tô dentro!”, aceitei na hora. Viajar para Londres, conhecer mais da história de Hendrix e dos lugares que fizeram parte da história do rock foi especial. Não vi todo o filme ainda depois de pronto. Mas tem vários depoimentos de pessoas ligadas à guitarra, e eu conto algumas histórias e visito uns lugares importantes na vida dele.

Em entrevista à revista Rolling Stone brasileira, você disse que gostava de se aventurar, de pensar que um projeto podia dar errado. Quais foram suas maiores aventuras na carreira?
Basicamente tudo! (risos) Todas as coisas foram meio nesse espírito, de fazer apostas que vão meio na contramão, que não sejam o esperado. Desde a escolha do primeiro single de todos, Máscara, que era uma música muito pesada, e deu certo. Essas escolhas são as mais corretas. Envolvem mais risco, mas se dão certo trazem uma recompensa maior. Acho que é legal ter coragem de fazer o oposto da expectativa das pessoas, surpreender. Eu gosto dessa brincadeira.

Você vai fazer show no Rock in Rio 2011, em setembro. Como é pensar em se apresentar para um público tão grande, cerca de 100 mil pessoas?
É um festival gigante, muito grande mesmo. Mas não pensei direito ainda, não sei se vamos fazer um show especial ou alguma coisa diferente, tô muito focada no DVD ainda. Não sei, cara... é um show enorme, mas eu procuro equilibrar as expectativas, para não ficar muito nervosa. Fazer um show legal, verdadeiro.

Por que você faz poucos shows em Salvador?
Cara, a gente sempre conversa sobre isso aqui, porque recebemos muitos recados de fãs reclamando que a gente não toca em Salvador, que abandonamos a Bahia. É foda, porque não depende só da gente. Tocamos em tudo que é canto do Brasil, cidades grandes, pequenas, sempre com shows lotados, e simplesmente não rola convite para tocar aí, que é a nossa terra. Da última vez, a gente teve que pagar para tocar, mas, poxa, já fiz muito isso, já fiz muito pela cena local de Salvador. Não quero mais se for assim. É muito triste. A gente é daí, conseguiu um destaque nacional. Era pra ter aquele orgulho, como rola com as bandas de outros lugares, mas não sei o que acontece. Tem todo esse papo de diversidade na música na Bahia, mas na prática não é assim. Se pudéssemos, tocaríamos umas quatro vezes por ano em Salvador.

Fonte: Correio da Bahia

Em Pitty em Video:


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