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Estrelas no Céu


A vantagem da maturidade é poder perceber nossas próprias mutações.
Existir é um desafio. É como se fosse uma estante de livros que vez por outra necessita de organização e cuidados.
Então olhando pra trás é possível perceber as voltas que precisamos dar até chegar aqui.
Tudo muda. A cor do cabelo, a responsabilidade que cresce, e o entendimento. Pois se existir é um desafio, entender é uma arte, principalmente quando é necessário compreender a nós mesmos, exorcizar medos, derrubar barreiras e resistir.
O fetichista quando se descobre diferente dos demais a sua volta busca o recolhimento, mas quando encontra abrigo, tenta de todas as formas uma intensa compensação de perdas. A fronteira entre o antes e o agora parece um precipício.
E eu gosto de olhar pro passado pra entender o presente. Acho um exercício de reflexão e sabedoria. Claro que não me recolho como um monge budista de Sera Monastery, no Tibet, e tão pouco passo a habitar o mundo da Lua, entretanto, analiso como mais um passo em busca da minha própria evolução.
Não me refiro à evolução do meu fetiche. A idéia é refletir sobre minha relação com o que sinto, o que acredito e o que faço. Ser convicto é estar feliz consigo mesmo, por isso, é preciso ter plena consciência de um detalhe chamado desejo.
O que gosto é mono, não é estéreo. Não demorei tanto tempo pra perceber isso e tão pouco critico quem gasta tempo até se encontrar, porque se há uma estrada logo ali a frente é necessário conhecer os atalhos para chegar ao destino.
Deve ser essa a razão que tanto me aproxima das opiniões alheias, porque se alguém posta um artigo num blog de opinião interessante eu leio, se há uma fotografia que me salta os olhos eu admiro. A curiosidade não pode e não deve ser encarada como defeito e sim como virtude. Ser curioso é estar atento, conservando a chama acesa que ilumina o mundo em que vivo.
Houve um tempo em que a literatura e o conhecimento me fizeram falta e foi preciso escalar uma colina pra encontrar uma fonte confiável onde a água fosse transparente. Hoje, os fetichistas têm o mundo diante dos olhos e num simples toque numa tecla de computador tudo se revela em instantes, segundos.
Quem vem de longe traz consigo na bagagem o peso da dificuldade.
Porque quando me vi diante do que mais desejava pela primeira vez, passei a acreditar que seria possível materializar os sonhos. De que forma? Pouco importa, desde que não haja vergonha de admitir o que gosto diante do meu próprio espelho.
Passo a passo conquistei a mim mesmo.
Sou bondagista sim. Abuso do direito de gostar de ser o que sou e me orgulho de não deixar meu desejo trancado num armário qualquer. O convívio nesse universo paralelo, nessa babel de desejos e planos, me fez aprender a respeitar o que os outros sentem, mas me fez entender também que não abrir mão do que penso e do que sou foi à melhor das escolhas.
Hoje, prestes a realizar um destes sonhos que até pouco tempo era considerado por mim mesmo como impossível, mais do que nunca é o momento certo pra declarar meu amor incondicional ao que, pelo menos por momentos, me faz muito feliz. Minha segunda grande produção está no forno, meu segundo longa metragem está alinhavado e tem data marcada pra acontecer.

Diante disso, volto no tempo e recordo como tudo isso parecia tão distante e, agora, está diante dos olhos e perto do coração. Se aqui ao lado este esforço não vale nada e ninguém sabe da minha existência, pior pra eles, pois fico com os mais de dois mil loucos por bondage como eu que me deram a honra de assistir meu primeiro trabalho.
E no pouco que me sobra de tempo pra dedicar ao que tanto gosto, só me resta fazer o que sei de melhor. Porque quando me vi fetichista na certa havia estrelas no meu céu.


Na foto acima, Jordana e a estreante Isadora numa linda tomada do vídeo Two Girls que o Bound Brazil exibe hoje aos seus assinantes.
Um ótimo final de semana a todos!

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