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23 de ago de 2011

"Se eu fosse gay, seria travesti", diz Carioca do 'Pânico'

Na pele de Jô Suado, Márvio Lúcio, mais conhecido como Carioca, vive seu auge no Pânico na TV e ainda encarna Amaury Dumbo e Amin Raben. Com dom para imitação, ele conta que começou a ganhar dinheiro com isso desde criança.

O Dia - O que explica o sucesso de Jô Suado e os seus quase dez minutos semanais no ar?
Carioca - Eles estão esticando legal o quadro, né? O que acho bacana é fazer o humor não clássico. O brasileiro gosta de muita ação, da sátira, da charge. As pessoas gostam de ver o Jô em outra situação, na sacanagem do Pânico.

O Dia - Como descobriu o talento para interpretar o Jô?
Carioca - Eu comecei a imitar por causa da minha mulher. Uma vez, enquanto assistíamos ao programa dele, ela me pediu água. Eu levantei e respondi como ele, com o mesmo timbre. Ali eu achei o personagem. Nunca tinha imitado e nem imaginava imitar o Jô.

O Dia - Depois de descobrir o timbre, como se preparou para levá-lo para a TV?
Carioca - Desde que descobri que dava para fazer o Jô até o quadro ir ao ar foram seis meses. Comecei a brincar no programa na rádio e, no começo do ano, na reunião, o Alan Rapp (diretor do programa) perguntou: "e aí, qual a coisa nova para esse ano?". Disse que queria fazer o Jô. Depois, entrou o maquiador, fez a caracterização da barba na mão, fio a fio, veio toda a produção e a nossa liberdade para o improviso.

O Dia - Quais os principais trejeitos do Jô que você notou e quis levar para o personagem?
Carioca - Eu não sei os trejeitos, não. É automático. Acho que baixa o espírito do cara na hora. Eu me sinto ele quando gravo. Tento raciocinar como ele. Isso é para não viajar e ficar muito dentro do personagem. Mas me atento ao olhar, à fala e ao gestual. Se conseguir marcar bem isso, consigo convencer.

O Dia - Qual é a maior dificuldade em interpretar o quadro?
Carioca - O quadro se chama Jô Suado de tão suado que saio depois da gravação dentro daquela roupa. Acabo exausto porque tenho que ficar agachado e dá muita dor nas costas. Tenho que projetar o corpo para frente, ficar com os joelhos flexionados e encurtar o pescoço. É uma manobra. Parece a posição do nadador antes de mergulhar. Isso é porque tenho 1,82m e o Jô é muito baixinho.


Márvio Lúcio, ou melhor, o "Carioca" vive seu melhor momento no “Pânico na TV”.

O Dia - O que achou de o Jô não dar a bênção ao Jô Suado?
Carioca - Ele não deu muita bola. Mas disse que gosta do Edu (Eduardo Sterblitch, o Cesar Polvilho). Mas não deu a bênção, né?

O Dia - Acha que vai rolar?
Carioca - Eu gostaria. Seria muito divertido. As pessoas iriam curtir. Imagino as pessoas rindo da gente conversando, falando igual. O encontro seria o auge. Entraria para a história. Várias situações foram históricas para mim, como quando encontrei o Lulu Santos e o Cauby Peixoto. Eu jamais vou esquecer. Mas essa seria histórica para o Pânico e para a TV.

O Dia - O Jô Suado é o hit do momento. Mas qual personagem você mais gostou de interpretar?
Carioca - Eu não tenho apego ao personagem. E não acho que deva ter. Se eu tivesse, não conseguiria fazer o Jô, por exemplo. Para fazer uma coisa nova, é preciso arriscar e tem que ter desapego. Mas, pensando, o Amaury Dumbo é o que mais gosto e o que mais me diverte.

O Dia - Como você descobriu o talento para imitação?
Carioca - Desde pequeno, com uns cinco anos. Descobri que isso dava dinheiro e já passava o chapéu para ganhar uma grana e poder lanchar na cantina da escola. Meu pai ficava p... Todo aniversário de velho era uma beleza. Pegava as primas da minha avó e já passava a peruca. Minha irmã me fantasiava, colocava peruca, maquiava, botava brinco e os velhos amavam. Sempre gostei dessa coisa de me travestir. Acho que se eu fosse gay, seria travesti.

O Dia - Muito se fala que o Pânico passa dos limites e invade a vida das pessoas. Você concorda?
Carioca - Tem muita gente falando sobre o limite do humor. Mas, como aprendi com meu guru, o limite do humor vai até aonde o bolso do patrocinador permitir. O resto não tem que ter limite. Está cheio de cara pançudo dizendo que faz e acontece e agora fica cagando regra. Quero só ver se ele não vai até o limite do patrocinador dele.

O Dia - Mas o Pânico costuma invadir até a vida pessoal de vocês. Não se incomoda?
Carioca - Acho engraçado. Quando é para o programa, é válido. Não sou de dar muita entrevista, de marcar fotos e de dar pinta. Não gosto de falar do pessoal, acho babaca. Mas, no meu trabalho, eu acho maneiro e tenho que mandar bem. Além disso, conto a história do jeito que eu quiser.

O Dia - Em uma dessas invasões, sua mulher confessou que você tem hemorróidas. Se incomodou com isso?
Carioca - É tudo brincadeira. Quem sabe se eu tenho hemorróidas ou não sou eu. Eu conto a história que eu quiser. Ainda vamos desvendar isso ao longo do programa.

O Dia - Mas você tem hemorróidas ou não, afinal?
Carioca - Quem não tem isso, irmão? É a lei da força da gravidade. É a lei da natureza. Não podemos brigar com isso. Tem gente que esconde ruga. Eu sou muito jovem ainda e não preciso fazer um botox no meu traseiro por enquanto.

Do O DIA - Via: Terra

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