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A história do primeiro homossexual africano em terras portuguesas

Em 1556, foi preso pela inquisição portuguesa o travesti africano conhecido como "Vitória", sob a acusação de prostituição e sodomia. Ele teria sido denunciado pelas mulheres prostitutas da região portuária da Ribeira (Lisboa), alegando que a concorrência entre ambos era desleal. Para estas trabalhadoras, nenhuma delas concordava com as atitudes "daquela pessoa preta, vestida e tocada como negra, que cometia os moços, os mancebos e os ratinhos, trabalhadores que passavam, e os levava para detrás de umas casas derrubadas num lugar escuro, chamando-os com aceno e jeito como mulher que provocava para o pecarem". Embora Antônio (Vitória) fosse um africano muito grande e forte, detentor de um histórico de agressividade, visto que ele agredia, segundo os documentos, todos os que o chamassem de homem, ainda assim, seus trabalhos eram frequentemente, requisitados na Capital portuguesa.
E esta procura envolvia em indivíduos de diferentes idades, razão principal da antipatia de suas concorrentes. Vitória utilizava de alguns subterfúgios para conseguir conquistar a vasta clientela, ou seja, a oratória e as vestimentas.
Em seus documentos constava o fato de que quando foi capturado como escravo no Benin, ele havia se passado por mulher, fazendo com que os mercadores o colocassem num navio com os escravos. Ao ser preso na Ribeira, rapidamente, foi conduzido à prisão do Santo Ofício para um interrogatório, mas, no entanto, pelo fato de somente falar o dialeto de sua nação, houve a necessidade da utilização de um intérprete. Quando os inquisidores perguntaram-lhe se o mesmo era realmente, Antônio ou Vitória, ou seja, se era homem ou mulher, respondeu: "que era mulher e tinha um buraco na ilha".
Analisando as entrelinhas presume-se que o interrogatório foi cercado pelas indagações e a curiosidade tomou conta do ambiente. Isso porque, confusos com a resposta, os religiosos questionaram se o buraco existente nele, teria sido feito por ele próprio, se surgiu em função de alguma inferioridade, ou se era oriundo de nascimento. Como resposta, Vitória havia dito que em sua nação muitos conterrâneos teriam nascido com essa suposta cavidade. Na verdade, o travesti queria demonstrar para os religiosos que eles estariam diante de um sujeito hermafrodito. Porém, a história contada por ele não teve um desfecho positivo em seu favor.
Com o intuito de elucidar o enigma, Antônio foi amarrado com as mãos nas costas, "com as pernas numa escada, para melhor ser examinado, concluíram assim seu laudo pericial: damos fé que o dito Antônio tem natura de homem, sem ter buraco algum, nem modo algum de natura de mulher".
A tentativa de imbuir os inquisidores custou a Antônio a certeza de passar o resto de sua vida trancafiado em uma prisão lusitana, localizada na Região de Algarves, regada a pão, água e trabalhos forçados.

Fontes utilizadas:
1 - Rosa, Alexandre Valdemar da. O homossexualismo: da pré-história à escravidão do século XIX. 2011. Disponível em: Webartigos.com.
2 - Mott, Luíz. Raízes históricas da homossexualidade no atlântico lusófono negro. In: Revista Afro-Ásia, 33 ed., Bahia: Editora da o UFBA, 2005.


Do A tribuna.net - Foto ilustrativa

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