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Escravidão: Travestis mantidos em cárcere privado e ameaçados de morte


Um dos 11 travestis encontrados na noite de quarta-feira (19) pela Polícia Militar em situação análoga a cárcere privado dentro de uma casa na Zona Sul de São Paulo, que serviria para programas sexuais, afirmou que foi ameaçado de morte caso quisesse deixar o imóvel. O relato da vítima de 21 anos foi dado no 27º Distrito Policial, no Campo Belo.

Sendo impedida de sair, devendo realizar os ‘programas’ contratados, caso contrário o agenciador [...] iria ‘matá-la’", relatou o jovem, que não teve seu nome divulgado, no boletim de ocorrência registrado na delegacia.

Ele contou à polícia que havia conhecido Haroldo Cirilo, que é chamado por "Scarlet", de 26 anos, pela internet com a promessa de vir de Manaus para São Paulo para se prostituir. “Para tanto deveria apenas arcar com as despesas de passagens aéreas, esclarecendo que o indiciado efetuou o pagamento de R$ 600 referentes à passagem aérea, entretanto [...] não poderia deixar a ‘casa’, ou seja, deveria pagar a quantia de R$ 1.200 como pagamento das despesas de sua vinda”.Travestis foram levados para o 27º DP, no bairro do Campo Belo (Foto: Edison Temoteo/AE)

"Scarlet" foi preso em flagrante pela polícia por suspeita de favorecimento à prostituição e tráfico interno de pessoas para fim de exploração sexual.

Segundo o delegado Armando Roberto Bellio, titular do 27º DP, o suspeito aliciava os travestis, trazendo-os de outros estados com a promessa de que ganhariam dinheiro se prostituindo em São Paulo. O próximo passo da polícia é pedir à prefeitura de São Paulo o fechamento da casa.

“O agenciador, no entanto, mantinha os travestis em cárcere privado com o propósito de fazer programas no local. Cada programava custava em torno de R$ 100 e o agenciador ficava com a maior parte desse dinheiro. Prostituir-se não é crime. O que é crime é explorar a prostituição. E nesse caso específico, também há indícios de que o suspeito praticava tráfico de pessoas ao trazê-las de outros pontos do Brasil para cá”, afirmou Bellio ao G1 nesta quinta-feira (20).

A Polícia Militar chegou até a casa, na Avenida Miruna, no Planalto Paulista, após receber uma denúncia que havia sido feita à Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo de que o local funcionava como prostíbulo.

Casa que vinha sendo utilizada por um aliciador que mantinha 11 travestis em cárcere privado em SP - Bol

“Existem indícios do quadro de exploração sexual e de tráfico interno para fins de exploração sexual e que esses indícios se revelaram inclusive através da prisão em flagrante de uma das pessoas suspeitas de ser autora desses crimes”, disse Juliana Felicidade Armede, coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Secretaria da Justiça. Segundo ela, a pasta está dando apoio à vítima.

Os outros dez travestis não quiserem representar queixa contra ‘Scarlet’ no 27º DP. Segundo a PM, eles haviam dito que realizavam ‘programas’ na casa, mas não confirmaram isso em depoimento na delegacia para onde todos foram levados na madrugada desta quinta.

O que diz a defesa
Por meio de sua defesa, "Scarlet" negou os crimes. Mesmo assim, deverá ser transferido para uma unidade prisional da capital. Na delegacia, o travesti não quis falar sobre o caso com a equipe de reportagem do G1.

“A PM chegou a essa casa e entrou na residência sem nenhuma autorização. Prendeu em flagrante meu cliente sob a acusação de que ela aliciava essa pessoa. Mas todos residiam juntos e dividiam o aluguel. A defesa nega acusações de tráfico de pessoas e de prostituição na casa. Mas dez travestis confirmam isso, tanto que não testemunharam contra minha cliente”, disse o advogado Rodrigo Fonseca.

Do G1

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