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Setecentos esperam na fila para a troca de sexo

“É uma sensação de inadequação com seu corpo 24 horas por dia”, diz o ator e iluminador Leo Moreira, de 53 anos (leia a história dele ao lado). Esse é o sentimento de um transexual, pessoa que tem a mente de um sexo mas o corpo de outro. É para pessoas com esta sensação de não pertencimento que, há dois anos, existe na capital o Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais. Fica na Rua Santa Cruz, na Vila Mariana, Zona Sul, e tem 700 inscritos para passar por cirurgia de redesignação sexual, ou seja, troca de sexo.

A maioria de frequentadores do ambulatório nasceu com o sexo masculino e deseja ter genitália feminina. Apenas 50 nasceram mulheres e querem ter características masculinas. “Para chegar à cirurgia, é preciso passar por pelo menos dois anos de acompanhamento médico e psicológico”, explica Maria Filomena Cernicchiaro, a Filó, diretora do ambulatório.

Segundo ela, a cirurgia para redesignação de sexo é uma necessidade de saúde em alguns casos. “É um transtorno de gravidade variável para o transexual. Alguns convivem bem com seu sexo biológico e não sentem necessidade de mudança”, diz a diretora. “Mas, em casos extremos, a pessoa não se identifica com a genitália que possui a ponto de nem sequer se masturbar”, afirma a especialista.

De acordo com a diretora, a primeira cirurgia encaminhada ao SUS (Sistema Único de Saúde) pelo ambulatório deverá ocorrer no início de 2012. “É uma senhora transexual (nascida homem) de 70 anos. Mais quatro pessoas estão em processo final para o encaminhamento à cirurgia”, diz Filó.

Aceitação/ Apesar de não desejar fazer a cirurgia de mudança de sexo, a travesti Janaína Lima, de 35 anos, compreende quem sente essa urgência.

“Na sociedade em que estamos, temos que nos adaptar a apenas dois modelos de comportamento: masculino e feminino. Se você não se adapta ao modelo em que nasceu, sofre preconceito”, diz Janaína, que é agente de desenvolvimento econômico do CRD (Centro de Referência de Diversidade) da Prefeitura, na Rua Major Sertório, 292, na República, Centro. “Não acho que é a genitália que me define como mulher”, afirma.

Do DSP

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