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Travestis: A Classe Invisível

Elas estão nas esquinas, imponentes em cima de um salto 15, de decotes oferecidos e micro saias. Às vezes, se o movimento cai, elas apelam e tiram resto de roupas que cobriam o corpo forte e, ao mesmo tempo feminino, atraindo uma diversidade de olhares de todos os tipos – os curiosos, os inconformados, os cheios de desejo. Em meio as esquinas escuras da cidade, desde os becos sujos do centro até ruas de classe alta – para o desespero de seus ricos moradores - elas param o trânsito. E aí, ficam duas perguntas – Quem são essas pessoas que, mesmo tendo nascido com corpo de homem, passam a vida tentando assumir outra identidade? E quem são essas pessoas que, escondidas atrás de vidros escuros no breu da noite procuram essas profissionais do sexo?

Os travestis formam um grupo na escala da sexualidade que gera dúvida até nos especialistas. Os menos informados, atiram pedras, dizendo que é uma pouca vergonha ou uma afronta à sociedade. Outros, dizem que se trata de uma patologia, de doença, ou de algum tipo de falha macabra nos genes. O fato é que, no meio desse universo de desinformação, os travestis sofrem – desde o início. Primeiro, nascem em um corpo com o qual não se identificam. Gostam de agir e se comportar como mulheres. Os casos mais extremos, os chamados transexuais, se sentem mulheres aprisionadas em um corpo masculino e chegam ao extremo que ter que recorrer à cirurgias de troca de sexo em nome de uma identidade. Agora, mais difícil do que entender o que que se passa na mente dos travestis e transexuais, é entender a mente das pessoas que vêem a situação como “falta de vergonha na cara”. Me desculpe, mas não consigo imaginar como somente uma “falta de vergonha” pode levar alguém a se submeter a uma cirurgia complicadíssima ou ter que se ver condenado a passar seus dias se prostituindo na noite. É claro que essa não é a explicação. Dizer que ser travesti ou transexual é uma “opção” é a mesma coisa que dizer que o homossexualidade ou o heterossexualidade é uma “opção”. Isso é o tipo de coisa que ninguém escolhe.

Além de terem nascido em um corpo que não corresponde com sua mente, os travestis são, talvez, os maiores representantes da classe dos invisíveis existentes na sociedade – o que chega a ser irônico, dada a aparência excêntrica deles. Ninguém fala sobre a situação de discriminação que eles vivem. Travesti já nasce sem oportunidade – ou vai trabalhar em salão de cabeleireiro ou vai pra ruas. Nem casas noturnas costumam os aceitar, quem dirá os outros estabelecimentos. Pense bem, quantos travestis você conhece que trabalham em lugares que não sejam esses dois citados? E não venha me dizer que não conhece porque provavelmente existem poucos travestis no mundo – basta dar uma voltinha pelos seus pontos de encontro que com certeza irá mudar de opinião. E aí, como fica? O que acontece com os travestis que não querem ser prostitutas e nem cabeleireiros? Essa situação deveria ser caso de cotas, como as de deficientes – todo estabelecimento responsável deveria ser obrigado a contratar uma porcentagem de funcionários travestis. Seria um tapa lindo na cara dos preconceituosos e traria de volta a dignidade dessas pessoas.

Do Casal sem Vergonha

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