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Crise de financiamento ameaça avanços no combate à Aids, diz ONG


A crise de financiamento ao Fundo Global de combate à Aids, à malária e à tuberculose ameaça os recentes avanços obtidos no tratamento de pacientes com HIV, afirmou nesta terça-feira o presidente internacional da ONG Médicos Sem Fronteiras, Unni Karunakara, que está em visita ao Brasil.

"Pela primeira vez, vemos redução no número de infecções (por HIV), e, mantendo o trabalho atual, poderíamos controlar (o avanço da doença). Mas tudo isso está a perigo", afirmou em entrevista coletiva o indiano Karunakara, que é médico infectologista.

A situação do Fundo Global de Combate à Aids, TB e Malária despertou atenção internacional na semana passada, quando o organismo anunciou que não financiará novos projetos até 2014, por falta de verbas, e que até mesmo os projetos em andamento correm risco.

O Fundo pediu US$ 20 bilhões a doadores internacionais, mas recebeu US$ 11,5 bilhões – menos do que o mínimo esperado, US$ 13 bilhões, que é o quanto o organismo diz precisar para manter seus programas até 2014.

A falta de dinheiro é atribuída principalmente à crise internacional – alguns dos principais doadores são países desenvolvidos enfrentando altos deficits –, mas muitos doadores cortaram seus financiamentos temporariamente por conta de acusações de mau uso do dinheiro por parte do fundo.

A falta de dinheiro agora ameaça projetos em andamento principalmente na África Subsaariana, onde está a maior parte dos 34 milhões de portadores de HIV no mundo.

Para Karunakara, países emergentes como o Brasil têm "um papel importante em mostrar liderança" e garantir que o financiamento seja mantido. "Se os países não lidarem com isso agora, terão de lidar depois."
Perigo de retrocesso

Segundo Karunakara, os avanços no combate à Aids foram substanciais na última década, e a manutenção do fluxo de dinheiro é necessária para manter esses progressos.

"Em 2000, o preço anual para tratar uma pessoa infectada era de US$ 10 mil. Hoje é de US$ 70. Ainda assim, o dinheiro precisa vir."

A preocupação é que haja um retrocesso no tratamento de HIV nos países mais pobres.

O Fundo Global tem financiamento público e privado e provê a maior parte da verba usada por países em desenvolvimento para a compra de medicamentos antirretrovirais.

A agência Reuters relata que a situação é especialmente dramática na Suazilândia, sul da África, onde 26% da população tem HIV e onde os estoques de antirretrovirais já estão diminuindo.

A crise do fundo chama a atenção poucos dias antes da celebração do Dia Mundial de Combate à Aids, em 1º de dezembro, e em meio a boas notícias relacionadas ao controle da doença.

No dia 21, a ONU informou que as infecções pelo vírus HIV no mundo alcançaram seu nível mais baixo dos últimos 14 anos e caíram 21% em relação ao pico registrado em 1997.

Para a entidade, as causas da queda foram a resposta da comunidade internacional à epidemia da doença e a melhora do acesso ao tratamento na última década.

Da BBC

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