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'Beijaço' selou a paz contra preconceito sexual

Para combater a violência, nada melhor que o amor e o pedido de paz.

Foi essa a mensagem passada na tarde de ontem por cerca de 100 manifestantes que se uniram no chamado “beijaço gay”, em frente ao supermercado Paulistão da rua 13 de Maio, no centro de Bauru.

Formada por pessoas de todas as orientações sexuais, a manifestação teve início por volta das 16h, na praça Rui Barbosa, também no Centro.

Com bandeiras, bexigas, apitos, buzinas e cartazes, os manifestantes desceram em passeata pelo calçadão da rua Batista de Carvalho.

A frase “Somo, estamos, acostume-se” dava o tom da marcha.

Um ato de homofobia que teria ocorrido no mês passado, dentro do supermercado, foi o principal motivo da passeata, que tinha também o objetivo de chamar atenção para outros casos ocorridos na cidade, como o da travesti Evelyn Über, que foi espancada e jogada em um matagal próximo ao motel ros, em Bauru.

“Queremos celebrar a cultura da paz e exercer a nossa cidadania”, disse Rick Ferreira, empresário e membro da ABD (Associação Bauru pela Diversidade), entidade que organizou o protesto.

o ato/ No calçadão, logistas, vendedores e consumidores pararam nas portas das lojas para ver o grupo passar.

Alguns tiravam fotos e filmavam, outros se mostravam animados e sorriam e acenavam para os manifestantes. Teve gente - pouca - que tapou os ouvidos.

No supermercado, curiosos encheram o estacionamento para assistir à cena.

Os manifestantes então se abraçaram. Alguns trocaram beijos na boca. Outros, no rosto. Os mais tímidos, apenas observavam a cena.

Depois do “beijaço”, todos soltaram as bexigas brancas, que tomaram o céu bauruense. O vento ajudou levando-as na direção do supermercado, alvo do protesto.

respeito/ O motorista Michel Romero, 27 anos, que carregava uma das faixas de protesto, é heterossexual.

Ele é vizinhos de Carlos Augusto Jeronymo Pinto, 31, homem acusado de agredir a travesti Evelyn, no último dia 9.

“Eu trabalhei na Labirinthus [casa noturna bastante frequentada pelo público homessexual]. Quando fiquei sabendo do que aconteceu, fiquei indignado. Eu sou hétero, ele é gay, cada um tem que respeitar o espaço do outro”, ensinou.

A travesti Evelyn também estava lá, animada, mostrando que as marcas das agressões já estão cicatrizando.

“Duro é o que fica na alma, né? Não vou falar que estou 100%”, lamentou.

Agressão verbal e física
C. H. M., 28, foi agredido física e verbalmente por um senhor enquanto passava suas compras no caixa no supermercado Paulistão. Ele disse que o agressor o mandou ”procurar um marido”. Quando C.H.M. respondeu, dizendo que não precisava disso, levou um tapa na boca.

25
de janeiro é a data da suposta agressão

Vítima colocada para fora da loja
Depois de levar um tapa na boca, a vítima teria sido retirada da loja por um segurança. O agressor permaneceu lá e já não estava mais no local quando a polícia chegou. A vítima registrou boletim de ocorrência.

Testemunha de agressão participa do manifesto

Entre os curiosos que, da calçada do supermercado, assistiam ao “beijaço”, estava uma testemunha do que aconteceu dentro do estabelecimento no dia 25 de janeiro.

A pessoa, que preferiu não se identificar, trabalha no local e disse que o agressor de C.H.M. é cliente do supermercado e tem contato com o gerente.

“Vim para apoiar os manifestantes. Eles estão certos. Foi o homem que agrediu, é isso mesmo”, disse a testemunha, reforçando a versão da vítima.

A testemunha falou ainda que é heterossexual, mas tem homossexuais na família, e isso é mais um motivo para que apoie a luta pelo respeito e aceitação.

Rick, da ABD, frisou a questão da igualdade de direitos, independente da orientação sexual do cidadão.

“Nosso dinheiro é bem-vindo, mas nosso amor, não”, reclamou.

Do Diario de SP


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