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Carnaval: Especialistas elogiam inclusão de travestis na campanha nacional de prevenção

A iniciativa é louvável, ousada e traz um público renegado socialmente. Estes foram alguns elogios de especialistas e ativistas do movimento social de luta contra a aids sobre a inclusão de travestis na campanha do Ministério da Saúde de prevenção às DST/aids no Carnaval 2012. No entanto, há discordâncias sobre o conteúdo abordado nos cartazes e críticas em relação à sazonalidade da campanha e ao incentivo do teste de HIV nas festas.

Para estimular o sexo seguro durante o período de festas de Carnaval, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde lançou na tarde desta quinta-feira, no Rio de Janeiro, uma campanha voltada para jovens de 15 a 24 anos, principalmente gays.

Pela primeira vez, as travestis receberam atenção especial. Em um dos cartazes, um rapaz e uma travesti aparecem juntos, como um casal. A ideia é mostrar que esse tipo de situação é “normal” e que o único problema em qualquer relação de Carnaval é se esquecer do uso da camisinha.

Eduardo Soares, articulador de Educomunicação da Pastoral da Juventude de uma arquidiocese no Pará, avaliou que a inclusão de travestis pode aumentar a visibilidade do público LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros) em outros ministérios. Mas, ele tece algumas críticas. “O material resume o carnaval somente a sexo. A frase ´isso rola muito´ poderia ser trocada por outra expressão de cuidado com a saúde”.

Kleber Mendes, ativista no Paraná integrante da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids, disse que a forma como os cartazes foram contextualizados contribui para o estigma. “Mostram a travesti em um beco, os gays em uma balada e um casal heterossexual na praia, com uma ambientação romantizada”. Segundo ele, a campanha deixa de contemplar o olhar do movimento social.

Marta McBritton, coordenadora do Instituto Cultural Barong, de São Paulo, gostou da forma como os diferentes públicos foram apresentados no material gráfico. “Os casais receberam o mesmo tratamento de imagem e cenário semelhante, traduzindo a `normalidade` das relações héteros, homossexuais e com travestis”.

Marta acredita que é fundamental haver uma avaliação do impacto das ações feitas durante o Carnaval.

Já William Amaral, presidente da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids no núcleo Rio de Janeiro, considerou a campanha fraca. "O filme voltado para o público gay é uma caricatura. Diferente da encenação voltada para os heterossexuais, o casal gay mal se toca", avaliou.

Amaral criticou ainda o filme que será veiculado na mídia depois do Carnaval. O vídeo incentiva os foliões que transaram sem camisinha a procurarem um serviço de saúde para fazer o exame de teste rápido. "A mensagem é para que as pessoas façam o exame nas unidades básicas de saúde, e não nos serviços especializados em DST/aids", disse.

Segundo o Ministério da Saúde, assim como nos anos anteriores, serão veiculadas mensagens incentivando a realização do teste de HIV depois do período de folia. As ações incluem cartazes, anúncios na televisão, no rádio, bonés, entre outros materiais.

Ações pontuais e de pouco alcance

Alguns ativistas criticaram a maneira como usualmente é feita a distribuição dos materiais. “Nunca vi um cartaz em Porto Alegre numa escola de samba, por exemplo, onde os grupos fazem festa e ensaios para se preparar para o Carnaval”, disse Alexandre Böer, jornalista especializado em comunicação em saúde e integrante do grupo SOMOS - Comunicação, Saúde e Sexualidade, do Rio Grande do Sul.

De Pernambuco, a coordenadora da ONG Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero defendeu mais ações de prevenção ao longo do ano. “Falta política estratégica. Não adianta ter campanha de Carnaval e ao longo do ano não fornecer preservativo feminino e os recursos destinados às ONGs não chegarem às entidades.”

Hugo Hagström, integrante da ONG paulistana Grupo de Incentivo à Vida (GIV) e técnico em publicidade, se disse preocupado com o incentivo ao teste de HIV no período pós-festa. Hugo questionou se a estrutura de saúde do País tem condições de receber um grande número de pessoas que se descubram com o vírus da aids. “Se em São Paulo há unidades especializadas que estão cheias e deixando de atender novos usuários, como será a situação no restante do País?”.

Importância da publicidade governamental

A publicitária Josi Paz, autora do livro ‘Aids anunciada: a publicidade e o sexo seguro’ (Editora Unb), declarou que a campanha de prevenção ao HIV tem uma importância que extrapola o público-alvo das peças publicitárias. Segundo Josi, a publicidade do governo federal é uma fala que ‘costura’ as ações locais nos dias de Carnaval e aponta o que é necessário dizer na perspectiva da política pública de saúde do País.

“Certamente há o risco do estereótipo, pois a linguagem publicitária é feita de estereótipos. Mas isso é do processo de produção de uma campanha como essa, ousada”, avaliou.

Josi defendeu que a campanha deveria ter veiculação gratuita, a exemplo do que ocorre, segundo ela, com as ações do Ministério da Educação (MEC) em parceria com a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert).

Fábio Serrato



Dicas de Entrevista:

Eduardo Soares
Pastoral da Juventude no Pará
Tel.: (91) 8154-9648

Kleber Mendes
Ativista no Paraná
E-mail: kfabinho@gmail.com

Marta McBritton
Instituto Cultural Barong
Tels: (11) 3063 0330 / 3081 8406 / 7694 1329

Alexandre Böer
Grupo SOMOS
Tel.: (51) 8125.7536

Alessandra Nilo
ONG Gestos
Tel.: (81) 3421-7670
Hugo Hagström GIV
Tels: (11) 5084-0255 / 5084-7465

Josi Paz
Publicitária
E-mail: josi.ppaz@gmail.com

Da Agencia DST AIDS

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