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Obama declara apoio ao casamento gay


O presidente dos EUA, Barack Obama, defendeu nesta quarta-feira o direito de pessoas do mesmo sexo se casarem, revertendo sua posição sobre a questão e pondo fim a meses de ambiguidade sobre um tema potencialmente explosivo em ano eleitoral. "Afirmo que casais do mesmo sexo deveriam poder se casar", disse em uma entrevista ao "Good Morning America", da rede ABC News, tornando-se o primeiro presidente americano a assumir essa posição publicamente.
 
A declaração foi feita após o líder americano enfrentar crescente pressão sobre a questão depois de seu vice-presidente e seu secretário de Educação terem se declarado favoráveis às uniões entre pessoas do mesmo sexo. Na entrevista, Obama disse ter concluído que é importante para ele declarar essa convicção pessoal. 
Obama afirmou que alcançou essa conclusão depois de debater a questão com membros de sua equipe, com funcionários gays e lésbicas e com sua própria família durante anos. Segundo ele, os EUA estão cada vez mais confortáveis em relação ao casamento gay, citando como exemplo a opinião de suas próprias filhas sobre o assunto.

“É interessante, porque parte disso (dessa discussão) é também geracional", disse. “Malia e Sasha (filhas) têm amigos cujos pais são casais homossexuais. Houve momentos em que eu e Michelle conversamos com elas durante o jantar, e expressaram seu desconforto com a possibilidade de os pais de seus amigos serem tratados de forma diferente. Isso não faz sentido para elas e, francamente, esse é o tipo de coisa que estimula uma mudança de perspectiva.”
Ele também mencionou os militares homossexuais que, apesar do fim de uma lei que os obrigava a esconder sua orientação sexual sob pena de exclusão, sentem-se "limitados (...) porque não podem se unir em matrimônio".
Além disso, o presidente afirmou que havia conversado com estudantes republicanos que, mesmo manifestado suas divergências em relação à sua política econômica ou diplomática, "acreditavam na igualdade" em matéria de direitos dos homossexuais.
Seu provável rival nas eleições de 6 de novembro, o republicano Mitt Romney, reagiu às declarações do presidente americano reiterando que, para ele, o casamento deve se restringir a um homem e a uma mulher. Para ele, os Estados deveriam ser capazes de decidir conceder certos benefícios legais a casais do mesmo sexo. Pesquisas mostram que a população americana está dividida sobre o tema.

A questão do casamento gay fortaleceu-se como tema de campanha depois que o vice de Obama, Joe Biden, declarou-se no domingo a favor da medida, enquanto nesta terça-feira eleitores da Carolina do Norte aprovaram uma medida constitucional que proíbe o casamento gay no Estado.

A seis meses da votação, e com outros referendos sobre o tema agendados em outros Estados, críticos vinham acusando Obama de não se posicionar claramente para tentar conseguir o apoio de eleitores favoráveis e contra o casamento gay. Em 2008, ainda como o candidato democrata à presidência, Obama disse que apoiava a união civil entre pessoas do mesmo sexo, mas não o casamento. No entanto, no final de 2010 Obama comentou que sua postura sobre o tema "estava evoluindo", o que frustrou militantes gays.
No domingo, Biden afirmou estar “completamente confortável” em relação ao casamento gay. Depois, o secretário de Educação Arne Duncan também se posicionou a favor, tornando-se a terceira autoridade do governo Obama a tomar tal atitude – antes de Biden, o secretário de Habitação Shaun Donovan já tinha feito um comentário similar. Desde então, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, desviou de uma série de perguntas de jornalistas sobre a opinião de Obama.

A proibição do casamento gay na Carolina do Norte, aprovada por 58% dos votos contra 42% contra, deu novo fôlego ao debate. Após a votação, o porta-voz da campanha de Obama, Cameron French, disse que o presidente ficou “desapontado” com a decisão e taxou a proibição de "divisiva e discriminatória".

Seus assessores também buscam lembram que o presidente derrubou a regra do "Não pergunte, não conte" (Don’t ask, don’t tell), que requeria que militares gays servindo nas Forças Armadas mantivessem o silêncio sobre suas preferências sexuais.

Do IG

 

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