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Portugal: Há cada vez mais jovens transexuais no Porto

Aumentou o número de jovens transexuais nas consultas de Sexologia do Hospital Magalhães de Lemos, no Porto, desde que entrou em vigor a Lei da Identidade de Género, em 2011. Um crescimento acompanhado por um maior número de famílias que os acompanham àquele serviço.

As conclusões constam de um estudo realizado pela médica psiquiátrica Zélia Figueiredo, uma das duas profissionais daquela especialidade com que esta unidade portuense passou a contar desde 2008, e que serão apresentadas, esta sexta-feira, no encontro "'Defina família', (des) encontros sobre famílias e normatividades", que decorre até dia 18 de Maio, na Universidade Lusíada do Porto.
Segundo o estudo "O papel da família durante o processo de transição", após um cenário em que a maioria dos transexuais que se dirigiam às consultas eram adultos e muitos deles sem qualquer retaguarda familiar, hoje a maioria está ou na fase final da adolescência ou é jovem adulta.
"Os mais novos estão a ser trazidos pelos pais, porque, com um aumento da informação sobre o assunto, há um maior conhecimento do que se trata", adiantou, ao JN, Zélia Figueiredo, salientado que "as mães continuam a lidar melhor com este assunto do que os pais, por norma os últimos a saberem".
"Já os adultos deparam-se com famílias que, quando percebem que têm transtorno de identidade de género, entram em fase de negação. A maioria tem de sair de casa. Mas o transexual depois faz o processo mais rápido quando está fora da família", referiu a psiquiatra, frisando que ainda existe um enorme trabalho a realizar junto das famílias de pessoas trans.
'Defina família' arranca esta sexta-feira com um conjunto de palestras, workshops e performances. Refere a organização que o evento pretende "contribuir para a visibilidade e o (re) conhecimento de configurações familiares que, habitualmente, são tidas como inexistentes ou socialmente desviantes".
Ao JN, Filipe Couto Gomes, da organização e médico do Centro Hospitalar de São João, no Porto, adiantou que 'Defina família' começou a ser preparado "em Novembro, quando os temas como a homoparentalidade, adopção, regulação da procriação medicamente assistida estavam em debate". "Acreditámos que poderíamos contribuir para essa discussão, com partilha de conhecimentos e experiência de profissionais e investigadores destas áreas", disse.

Do JN - Imagem ilustrativa

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