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Suspeito de atirar contra 4 travestis é preso

 Ex-policial expulso do 14º Batalhão de Osasco em 1985 por homicídio, passagem por hospital psiquiátrico, portador ilegal de arma e de documentos falsos e homofóbico confesso. Este é o perfil de Benedito de Jesus Carvalho (foto a esquerda), de 50 anos, natural de Neves Paulista, que  confessou ter assassinado duas travestis e atirado em outras duas, na madrugada de quarta-feira, em Rio Preto. Com ele, a polícia encontrou a arma e a moto utilizadas na noite do crime. 

Ao chegar à DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Rio Preto, Benedito se deparou com um grupo de travestis amigas das vítimas, que protestavam pedido justiça e a condenação severa para ele.

No momento da prisão, próximo ao aeroporto, Benedito apresentou  uma identidade  com o nome de Paulo Roberto de Castro Silva, de 51 anos, que logo foi descoberto pelos policiais como sendo falsa. De acordo com a polícia, o agora réu confesso estava foragido da Justiça desde agosto do ano passado por ter cometido dois roubos e dois homicídios em  São Paulo.

De acordo com o delegado Fernando Augusto Nunes Tedde, da DIG, Benedito confessou informalmente  o crime e levou os policiais até uma pensão, na rua Pascua Vale, na Vila Maceno. Lá, foram apreendidas a arma e também a moto utilizada. No local, o acusado também escondia medicamentos para impotência sexual.

Policiais chegaram até ele graças a descrição fornecida pelas duas sobreviventes e testemunhas. Para a polícia, Benedito disse que o assassinato foi de natureza homofóbica, porque tem “ódio” de travestis.

Segundo o suspeito, na noite do crime ele bebeu e saiu atirando pela rua. 

O delegado disse que vai pedir a prisão temporária de Benedito e que vai continuar investigando o caso. Tedde afirmou que o assassino vai responder pelos crimes de homicídio, dupla tentativa de homicídio, lesão corporal e porte ilegal de arma. Além disso, se comprovada a hipótese de crime encomendado, ele responderá também por formação de quadrilha (leia ao lado). “Vamos verificar outras atividades dele e é quase certo que tenhamos novidades”, disse o delegado.

O crime/ A chacina de travestis teve início na madrugada de quinta-feira e terminou com a morte de duas profissionais do sexo. Outras duas só não morreram porque falavam ao celular no momento do disparo e foram protegidos pelo aparelho. Em uma moto vermelha, o assassino se aproximou de duas travestis que faziam ponto no cruzamento da avenida Cenobelino Barros Serra com a rua São João.


De acordo com testemunhas, o assassino combinou um programa com Rafaela (Carlos Eduardo Vasconcelos) - (foto a esquerda), de 30 anos. Ela desceu a pé por uma estrada de terra que dá acesso à Fonte Santa Terezinha, seguindo o caminho que o assassino fez de moto. No local, a travesti foi morta com um tiro à queima roupa.

Em seguida, o atirador voltou para a avenida Cenobelino, parou em um  bar e bebeu algumas doses. No próprio bar ele já teria escolhido a sua próxima vítima: Isabelly (Abelardo dos Santos Freier), de 24 anos - (foto a direita), que comia um lanche junto com a amiga Camila.

Isabelly voltou para o ponto, na calçada, e o assassino passou de moto. Cerca de 30 metros à frente, fez sinal chamando a travesti. Ela foi até onde ele estava, no meio da rua São João, e ele mandou que ela fosse para a entrada de uma empresa transportadora. Foi o segundo disparo certeiro do assassino.

O assassino voltou à avenida Cenobelino e atirou contra Jully  (Júlio César Bercelini), 21 anos. “Foi para matar, mas eu coloquei a mão na frente e estava segurando o celular. A bala partiu meu celular, atravessou a minha mão e passou de raspão pelo ombro”, disse Jully. A travesti ficou internada no Hospital de Base e recebeu alta anteontem depois de passar por um cirurgia na mão.

Na sequência, o atirador seguiu para o centro de Rio Preto. Na esquina da rua Prudente de Morais com a rua General Glicério, ele efetuou mais dois disparos contra Renata (Gledston Quintino Zequini), 25 anos (foto a esquerda), atingindo-a também na mão. O celular da vítima evitou que a bala  pegasse no rosto.

Renata ficou internada na Santa Casa de Rio Preto e passou por uma cirurgia na mão direita e foi liberada.

Investigação paralela tenta descobrir se assassinatos foram encomendados
Mesmo com a confissão de Benedito de Jesus Carvalho, que afirmou que matou por “ódio de travestis”, a polícia não descarta a hipótese de o crime ter sido encomendado. O 4º DP de Rio Preto prendeu ontem a travesti Taila (Fabrício Silva),  que pode ter sido o mandante dos assassinatos. 

O delegado Fernando Augusto Nunes Tedde disse que ainda não tinha informações sobre a investigação, que está com outra delegacia. De acordo com ele, Tayla (foto a esquerda), que foi presa por receptação, seria responsável pelo controle de atividades sexuais nas ruas e que por isso poderia ter motivos para matar as travestis.

Benedito negou qualquer envolvimento de Taila com o  crime, mas a policia vai continuar investigando uma possível ligação entre os dois.




Fim da linha para acusados de matar travestis

Sessenta horas ou exatos dois dias e meio. Foi esse o tempo que a Polícia Militar levou para prender o suposto atirador que implantou clima de terror entre os homossexuais de Rio Preto ao matar dois travestis e ferir outros dois por volta da meia-noite da última quinta-feira. O ex-policial militar Benedito de Jesus Carvalho, 50 anos, foi preso acusado de ter cometido o duplo homicídio por encomenda do travesti Fabrício Domingues da Silva, 31 anos, a Tayla. De acordo com a polícia, Carlos Eduardo Vasconcelos, a Eduarda, e Abelardo dos Santos Freier, a Izabeli, teriam sido mortas porque não admitiam ser extorquidas por Tayla.

Testemunhas informaram à polícia que o suposto mandante cobrava R$ 10 por noite de cada um dos travestis que fazem ponto na avenida Cenobelino de Barros Serra e no Centro da cidade. A prisão dos dois acusados pôs fim à suspeita de que o crime tivesse sido cometido por intolerância sexual (homofobia), como teria sido afirmado pelo ex-PM em depoimento informal à polícia.  

Acusado de assassinatos foi expulso da PM

O ex-policial militar Benedito de Jesus Carvalho, 50 anos e Fabrício Domingues Silva, 31 anos, a Tayla, presos na tarde de ontem acusados da morte de dois travestis na madrugada de quarta-feira, são apontados pela polícia como contratado e contratante. Tayla é acusado de ter encomendado o assassinato de Carlos Eduardo Vasconcelos, a Eduarda, 30 anos, e Aberlardo dos Santos Freires, 24 anos, a Isabeli, porque eles se recusavam a pagar uma taxa de R$ 10 por noite para fazer ponto na avenida Cenobelino de Barros Serra e Centro da cidade.

O delegado Fernando Augusto Nunes Tedde, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), não soube dizer quando ou o que o ex-policial teria recebido para praticar o crime. Benedito foi PM entre os anos de 82 e 85, quando foi expulso do 14º Batalahão da PM de Osasco, acusado de homicídio. O ex policial estava foragido da penitenciária de Iaras, desde agosto de 2011, onde cumpria pena por dois homicídio e dois roubos.

Tedde afirma apenas as duas travestis mortas eram o alvo do atirador, já que não se submetiam à extorsão. “Apesar de os dois acusados negarem que agiram em conjunto, o depoimento da testemunha é bastante conciso”, afirma Tedde.Segundo o delegado, Carvalho é um homem muito perigoso. “Ele age friamente”, diz.

Prisão

Carvalho foi o primeiro a ser preso por volta das 13h, na avenida Clóvis Ogger, próximo ao aeroporto de Rio Preto. Com características semelhantes às descritas por testemunhas e sobreviventes da tentativa de chacina - olhos verdes, cabelos grisalhos e com barriga saliente -, Silva foi abordado quando estava parado na direção de uma motocicleta vermelha conversando com outros dois rapazes. No momento da abordagem, por apresentarem sinais de nervosismo, os policiais decidiram investigá-los. Os policiais foram então à pensão do acusado, no bairro Vila Maceno, onde encontraram um revólver 38 e roupas parecidas com a que usava no dia do crime.

Diante das evidências, os policiais chamaram umas das sobreviventes do crime que o reconheceu sem qualquer sombra de dúvida como o atirador. “Ele confessou o crime e disse que fez isso porque tinha bebido e ‘não gostava da raça’.”, afirmou o major Luiz Roberto Vicente da Silva.

No quarto do acusado, os policiais também apreenderam um capuz preto, remédios para impotência sexual e documentos falsos, com o nome “Paulo Roberto de Castro Silva”. Levado à DIG, o ex-PM foi reconhecido por mais duas testemunhas, apesar de depoimento formal, negar o crime. “Sou inocente. Não matei ninguém. Estão me confundindo”, disse o acusado aos jornalistas. Tayla foi presa logo em seguida por policiais do 4º DP acusada de receptação de uma motocicleta roubada.

Tayla e Carvalho responderão a processo pelos crimes de duplo homicídio e duas tentativas de homicídios. O travesti já tem passagens na polícia por tráfico e furto. O delegado pediu a prisão preventiva dos dois na tarde de ontem.

Tayla: ‘violenta e ladra’

Testemunhas ouvidas pelo Diário informaram que Fabrício Domingues da Silva, a Tayla, é uma pessoa extremamente violenta e viciada em drogas. “Se as meninas não pagavam, ela roubava tudo, até o sapato, para sustentar o vício do crack”, afirma o travesti Roxana, 20 anos.

Roxana diz que não sofria extorsão de Tayla porque se prostitui na zona do meretrício. Segundo ele, Carlos Eduardo Vasconcelpos, a Eduarda, foi obrigado a passar 15 dias em Piracicaba para escapar das ameaças de morte de Tayla.

Dias antes do crime, Tayla também teria agredido o travesti Izabely porque ele era novo na cidade - veio do Piauí - e não pagava as taxas exigidas pelo acusado. “Os travesti têm muito medo de Tayla porque andava sempre acompanhada de vários homens, que agiam agredindo os outros a mando dela.”
 



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