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Roberta Gambine Moreira - Roberta Close


Roberta Close, nome artístico de Roberta Gambine Moreira, (Rio de Janeiro, 7 de dezembro de 1964) é uma atriz brasileira.

Nascida Luís Roberto Gambine Moreira, teve seu nome, bem como gênero, alterados em 10 de março de 2005 pela 9ª Vara de Família do estado do Rio de Janeiro, sendo uma das mais conhecidas transexuais do Brasil.

Em 1984, Roberta Close foi a vedete do carnaval carioca. Foi a partir dessa época que se sucederam as inúmeras aparições na imprensa, pode-se dizer que o auge do sucesso aconteceu quando a revista Playboy estampou-a na capa da edição de maio de 1984. Pela primeira vez na história do periódico, a principal atração não era uma belíssima mulher, mas um "homem".

 A chamada da capa da revista era: "Incrível. As fotos revelam por que Roberta Close confunde tanta gente". Entretanto, conforme cita o jornal virtual Último Segundo, "esse homem era na verdade uma belíssima mulher transexual, e a revista obviamente não mostrou fotografias da sua genitália"[carece de fontes]. Foi também capa das revistas Ele & Ela, na edição 184 (setembro de 1984), Manchete, Sexy, Amiga e Contigo e da própria revista "CLOSE" de onde sai seu nome artístico.


O sucesso que Roberta fez foi tal que chegou a inspirar uma revista de quadrinhos eróticos, na qual a personagem principal era uma travesti muito bonita. Nas décadas de 1980 e 1990, Roberta apareceu nos maiores programas de entrevista da mídia brasileira: Fantástico, Faustão, Hebe Camargo, Gugu, Goulart de Andrade, entre outros.

Em 1989, na Inglaterra, fez uma cirurgia de redesignação sexual. Logo após a intervenção, começou sua luta pelo direito de trocar de nome. Em 1992, conseguiu na 8ª Vara de Família do Rio autorização para trocar de documentos, mas foi negada em 2ª instância pelo (tribunal de justiça) em 1997.

A defesa então entrou com outra ação, pedindo o reconhecimento de suas características físicas femininas. Roberta então passou por nove especialistas médicos e os laudos mostraram que ela possuía aspectos hormonais femininos. A defesa também argumentou que Roberta não poderia viver psicologicamente bem com um nome que não desejasse e que a levasse a ser vítima de gozações e preconceito, além de que era direito íntimo dela mudar de nome. Sua defesa também mostrou cópias de casos de transexuais que conseguiram mudar de nome na justiça. Ao todo eram 37 casos até então no país, sendo que 36 eram do estado de São Paulo.

Em 10 de março de 2005, quinze anos depois de sua primeira tentativa legal, Roberta Close conseguiu, finalmente, ter garantido o direito da mudar o nome de Luís Roberto Gambine Moreira para Roberta Gambine Moreira. 

Uma nova certidão foi então emitida pelo cartório da 4ª Circunscrição do Rio de Janeiro. Nela, lavrou-se: "em 7 de dezembro de 1964, que uma criança do sexo feminino, nascida na Beneficência Portuguesa, recebeu o nome de Roberta Gambine Moreira." Essa certidão garante a modelo a retirada no Brasil de documentos, como carteira de identidade, CPF e passaporte, como sendo do sexo feminino.

Na sentença da 9ª Vara de Família, baseada nos pareceres de especialistas médicos, a juíza escreveu que “o progresso da ciência deve ser acompanhado pelo direito, pois o homem cria, aplica e se sujeita à norma jurídica, da mais antiquada e obsoleta à mais avançada e visionária.” 

Apesar de tal decisão representar uma mudança significativa para a vida da modelo, o jornal Último Segundo revelou logo após o julgamento que Roberta Close, embora feliz, ainda receava em uma nova mudança na decisão judicial futuramente.

Roberta Close atualmente mora em Zurique, na Suíça, mas vem ao Brasil constantemente para visitar a família e os amigos. É cidadã binacional (suíço-brasileira)

Do Wikipédia - Fotos internet

Em 1998 Roberta esteve em fortaleza por ocasião do lançamento de sua biografia - Leia a entrevista publicada no Jornal O Povo:

Roberta Close lança hoje em Fortaleza a sua biografia, resultado de mais de três meses de entrevistas com a jornalista Lucia Rito. Antes, conversou com o Vida & Arte sobre mudança de sexo, preconceito e outras querelas.
 
Aeroporto de Zurique, Suíça. Luiz Roberto Gambine Moreira é detido por agentes. Motivo: o nome áspero do passaporte em nada combinava com o portador - uma morena, alta, de longas madeixas e riso rasgado. Os federais acharam que a moça, conhecida no Brasil e em boa parte do mundo por Roberta Close, era na verdade um terrorista do IRA disfarçado de um tremendo mulherão. De onde saiu essa, outras. Tudo lá, numa biografia intitulada Muito Prazer, Roberta Close, assinada pela jornalista Lucia Rito, que vai ser lançada logo mais, às 22 horas, na boate Broadway, com a presença da biografada. Aos 33 anos, passados mais de sete da famosa cirurgia que lhe mudou o sexo, um casamento com um suíço e muita briga com a justiça brasileira para alterar também o seu registro civil, Roberta Close resolve abrir a bocarra. Nascida hermafrodita como ela agora afirma - embora nem todo mundo acredite -, há muito tempo se considera mulher. E, se toda mulher é meio Leila Diniz, Roberta Close não se sente menos. Foi o que disse ontem, em entrevista por telefone ao Vida & Arte. Dê um close nela, como diria Erasmo.

 
   Vida & Arte - Você está vindo a Fortaleza para lançar Muito Prazer, Roberta Close, onde faz um corajoso depoimento sobre a luta em busca de uma identidade sexual. Por que agora você resolveu contar a sua vida em livro?

    Roberta Close - Foi um convite que tive da editora Record e achei interessante, afinal não é todo mundo que consegue escrever uma biografia e eu tinha uma história de vida muito boa. Acho que as pessoas deviam ler o livro porque ele mostra pras pessoas que elas podem lutar e têm que ter coragem dentro de si para encontrar seu caminho. É um livro de leitura fácil, não é complicado, nem medicinal, nem científico, principalmente porque hoje em dia as pessoas ficam muito na Internet, não tem tempo pra dedicar a livros. Depois do microondas houve muitas mudanças nos valores do mundo, a vida anda muito mais agitada.

    V&A - No livro você se expõe completamente e narra sem meias palavras as agressões que sofria quando criança, a operação para mudar de sexo e todos os episódios preconceituosos por que passou. Em algum momento, você se arrependeu de sua opção sexual?

    Roberta - Não é uma opção porque ninguém é burra de optar pelo lado mais difícil da vida. É a natureza da pessoa que faz ela seguir os caminhos. Não é uma questão de arrependimento. A natureza me fez assim.

    V&A - Mas embora você hoje se autodefina como hermafrodita, durante muito tempo ficou conhecida mesmo foi como "o travesti mais famoso do Brasil" ou ainda como transexual. Há uma diferença entre os três conceitos. Por que antes da operação ninguém sabia que você era hermafrodita?

 


    Roberta - Justamente por falta de conhecimento. No Brasil, as pessoas não têm esclarecimento suficiente pra saber o que é um travesti, um transexual, um hermafrodita. Então, elas ficam muito perdidas. Não conhecem a sexualidade. Nós temos uma sexualidade muito grande. Têm até alguns livros que falam que existem oito sexos. Não só o macho e a fêmea.

    V&A - Mas, de certa forma, você permitiu ficar conhecida como travesti.

     Roberta - Não, não, eu sempre soube bem o que era. O problema é que as pessoas não sabiam, então me confundiam com o que eu não era.

    V&A - E o que mudou depois da operação?

    Roberta - A vida nunca tá completa porque eu tô sempre em busca de alguma coisa. Mas foi bem legal. Acho que sou uma pessoa bem feliz e estou bastante satisfeita. A minha trajetória de vida é que não é muito igual a das outras pessoas.

    V&A - Pois é. De alguma maneira a Roberta Close virou um personagem e talvez essa seja a grande diferença entre a sua história e a da maioria das pessoas. Você não ajuda a alimentar esse personagem? 

    Roberta - Acho que hoje em dia a Roberta Close é mais ainda que um personagem, é um mito. Pra muita gente a Roberta Close teve uma importância muito grande na história do Brasil, fez uma revolução sexual. Assim como a Leila Diniz. Quer dizer, foram pessoas que mudaram o Brasil. Acho que, da mesma forma que dizem que as mulheres existem antes e depois da Leila Diniz, podem dizer também antes e depois da Roberta Close. São dois valores muito grandes. O mito não me incomoda de forma alguma.

   

 V&A - Uma vez o Eduardo Mascarenhas escreveu sobre você: "A Roberta foi a primeira pessoa a transmitir um sentimento de sensibilidade e ternura e não o clima habitual de agressividade e ódio pelo que é diferente". Você acha que o Brasil lhe respeita?



    Roberta - Acho que tem que respeitar. Pelo seguinte: na hora dos impostos todo mundo paga igual. E porque na vida você vai sempre precisar ou de um cabeleireiro ou de um costureiro amigo seu ou um rapaz que vai te deixar mais bonito num cabeleireiro. Não é pelo fato dessa pessoa ter feito uma opção sexual diferente que ela tem que ser menos ou mais. Tem que ter um respeito mútuo.

    V&A - Agora, enquanto na Suíça você já assina como Luíza Roberta, no Brasil, sua última tentativa de mudar de sexo também no documento não foi muito bem sucedida. O Brasil ainda não aprendeu a conviver com o diferente?

    Roberta - Não é bem assim, porque, olha, vou te explicar: fui a primeira a abrir um processo e por isso foi mais difícil. Mas as outras, que vieram depois, conseguiram. Não tive a sorte porque fui a primeira. Sofri muito, tive grandes problemas com a negativa, aquilo tudo me deixou muito ansiosa e me perturbou psicologicamente. Mas pode ser que futuramente eu reabra o processo.


    V&A - A imprensa andou divulgando que você está pensando em ter um filho, que teria coletado sêmen horas antes da operação para troca de sexo e agora o bebê seria concebido com a ajuda de uma amiga sua. Até onde é verdade?

    Roberta - Olha, nunca pensei nisso, nunca tive vontade de ser mãe. As pessoas confundem e usam isso pra vender jornais e revistas. Respeito muito as crianças. E acho que seria uma barra muito difícil ser filho da Roberta Close. Não por mim nem pelo meu marido, mas pela criança que poderia sofrer preconceito dos coleguinhas.
 

2 comentários

Cláudia disse...

Como a Roberta Close está linda na foto com o vestido branco e as luvas também brancas! Até hoje lembro da 1a. vez que a vi numa revista, com a chamada "Desisti de ser homem aos 14 anos". Aquela chamada martelou minha cabeça a vida toda, ai se eu tivesse seguido os passos dela, tudo que eu sempre quis era ser uma linda garota, morro de inveja dela.

Katia Steelman Walker disse...

Agradeço pelo comentário...