Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

Travesti ganha prêmio nacional por ações de saúde desenvolvidas no RN

A ativista em defesa dos direitos travestis, Jaqueline Brasil, receberá o Prêmio Dr. Eduardo Barbosa pelo trabalho desenvolvido no Rio Grande do Norte através da ONG Atrevida. A homenagem será no próximo sábado (28), no Teatro Alberto Martins, em Camaçari, na Bahia.
Realizado pelo Grupo Gay de Camaçari (GGC), a premiação tem o objetivo de reconhecer o trabalho de pessoas e atuação de órgãos públicos e entidades da sociedade civil no combate às expressões da homofobia, promoção da saúde e criação de climas favoráveis de paz para LGBT da Bahia e do Brasil.
A ONG Atrevida foi fundada em 2008, em Natal, e atua na promoção da saúde de travestis, além da inclusão no mercado de trabalho, combate à violência, inclusão nas escolas e na defesa da 'cidadania trans'. “Nós atuamos em várias frentes em defesa dos direitos dos travestis e temos um trabalho diferenciado na inclusão de travestis com o viuris HIV em políticas públicas de saúde", disse Jaqueline Brasil.
Jaqueline Brasil  também trabalhou pela homologação do decreto Eestadual nº 22.331 de 2011, que tornou lei o direito das travestis e transexuais de serem identificadas pelo correspondente nome social em todos os atos e procedimentos realizados no âmbito do Poder Executivo Estadual.

Do G1

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Aleika Barros: 'Respeito de Silvio Santos ao nome social é exemplo de cidadania às trans'



Desde os anos 80, Silvio Santos recebe artistas transgêneros no palco de seu programa. Embora respeite principalmente o lado artístico e ressalte a beleza trans, o Rei da Televisão Brasileira insistia na pergunta envolvendo o nome que está no RG ou na "carteira profissional", um verdadeiro desconforto para as travestis e transexuais, que sempre lutaram pelo respeito à identidade feminina. 

Na última exibição do programa, para a surpresa de quem assistia ao dominical, o apresentador simplesmente passou batido pela temerosa pergunta. E, mais, tratou todas as candidatas pelo nome social, com artigos femininos, dando um verdadeiro exemplo para todos os apresentadores e comunicadores do Brasil. Sinal de que, mesmo aos 82 anos, nunca é tarde para aprender. 

Entre as artistas presentes, estava a belíssima pernambucana Aleika Barros, 33, trans conhecida nacionalmente pelos concursos de Miss, por ter estreado a bandeira brasileira no TOP 3 do tradicionalíssimo Miss International Queen, na Tailândia, e pelo trabalho como militante. Em entrevista exclusiva ao NLucon, ela fala sobre o nome social, concursos de beleza, preconceito, velhice e militância trans. Confira: 

- Como foi fazer parte dessa cultura de show de 'transformistas'?

Foi algo bem especial, pois em minha adolescência eu acompanhava sempre o show de calouros e observava bastante atenta as apresentações de Michelly X, Natasha Dumont, Marcinha do Corinto, Juliana Di Primo, entre outras. É importante essa oportunidade pela postura, talento e beleza, que levamos aos palcos e para o público, essa ligação das trans com o mundo artístico, que deixa o nosso coletivo em evidência. Em minha opinião, é esse tipo de exposição que deveria ser mais explorado pela mídia, ao contrário das tantas manchetes policiais que vemos pelo país diariamente.
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- Acredita que o Silvio Santos é um dos poucos comunicadores de TV que observa as trans como artistas – apesar de até pouco tempo ele ainda perguntar o nome do RG? 

O Silvio sempre abriu portas para as artistas da noite e deixou claro essa admiração pelo nosso trabalho. A repercussão é bastante positiva até hoje. Programas como o dele, como o do Ratinho, do Leão e até mesmo do majestoso Bolinha nos trouxeram oportunidades, abriram as portas para mostrar o trabalho artístico. Em relação ao respeito de gênero, foi uma das primeiras perguntas que fiz quando recebi o convite para participar. Notei que durante o programa, apesar de alguns tropeços, ele fez questão de chamar todas as trans pelo nome social e isso é extremamente justo. Afinal, é constrangedor chamar o tempo todo “Maria” de “João”. O fato de o Silvio passar a chamar trans pelo nome social é sinal de que estamos resgatando a cidadania, dignidade e respeito pela população. 

- Em sua infância, existia alguma referência, como Roberta Close, Thelma Lipp, que sempre estavam nestes programas, que você olhava e dizia: “É assim que quero ser”?

As duas têm um lugar muito especial em nossas lembranças. Mas não admiramos apenas pela evidente beleza. Roberta é um dos maiores símbolos de elegância, simpatia e educação. Poucas transexuais femininas e belas conseguiram repassar para a imprensa essa imagem de que, além de beleza, existe um grande conteúdo interior. A Thelma também colaborou dando visibilidade ao coletivo com suas apresentações. Mas, hoje, aqui no Brasil, são raríssimos os casos em que conseguimos visualizar uma linda trans na mídia fazendo, por exemplo, um comercial de perfume ou de cosméticos, como aconteceu com a Lea T. Pois a imagem das trans não é repassada de maneira justa e correta. Hoje, é difícil a nova geração conseguir bons exemplos, pois é só observar o grande número de transexuais em reportagens sensacionalistas. 

- Quando você se descobriu artista? 

Comecei fazer apresentações em casas noturnas e boates GLS de Recife aos 19 anos. Gosto de cantoras como Monica Naranjo, Lara Fabian, Lâam, e falo cinco idiomas, que ajudam na dublagem. Mas, hoje, faço menos apresentações nos palcos, por motivos particulares, entre os quais, a desvalorização das artistas trans e os baixos cachês que não compensam os gastos. Hoje, seleciono mais os locais onde vou me apresentar, visando principalmente a valorização do nosso trabalho. Um dos motivos mais gratificantes que ainda me fazem voltar é o carinho que recebo do público presente. 

- Calma aí, cinco idiomas?!?

Sim – francês, espanhol, inglês, português e italiano – e escrevo alguns mais fluentemente como Francês e Espanhol. Ultimamente, me dedico aos estudos da língua inglesa. É importante porque, quando consegui me comunicar e me expressar da maneira que desejei, dentro desses idiomas, passei a me considerar uma cidadã do mundo. É bacana repassar o que pensamos por meio de nossas próprias palavras. 
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Você já participou de inúmeros concursos de Miss. Conta alguns bastidores mais marcantes de um deles...

Depois de ganhar concursos no Recife a nível estadual e regional, participei do Miss Brasil Transex 2002, em São Paulo, e causei polêmica. Eu tinha seios muito pequenos e de hormônio e não havia feito nenhuma cirurgia plástica, mas chamei atenção pela feminilidade natural. Lembro que cheguei num domingo e recebi a premiação no dia seguinte. Fui a primeira pernambucana a receber o título neste concurso da Rosana Star, que era dos pioneiros do seguimento e já tinha elegido ícones como a Natasha, a Marcinha, a Fabíola Nogueira e a Patricia Araújo. Ou seja, ela teve um trabalho que deu boa visibilidade ao coletivo trans por meio desse evento a nível nacional.

- O ápice foi o Miss Internacional Queen, na Tailândia, em que ficou em segundo lugar? 

Com certeza, pois fui a primeira transexual brasileira a ficar no TOP 3, como vice-campeã mundial. Mais tarde, veio fazer parte dessa galeria a brasileira Daniela Marques, que ficou em terceiro, e a Jessica Simões, em segundo. Esses concursos são realizados para dar mais visibilidade ao coletivo, numa tentativa de levantar a alto estima das mulheres trans e mostra-las de maneira mais justa à sociedade. Na Tailândia, o concurso bate recorde de audiência, é transmitido em rede nacional e as misses são aplaudidas pelo público, que mostra tolerância à diversidade. Aqui, por outro lado, as misses trans pagam um preço alto por terem modificado os seus corpos, serem prisioneiras deles e da discriminação que é jogada sobre a população. 

- O que diria para a candidata brasileira neste ano, a  Miss T Brasil, Marcela Ohio, que vai participar do concurso na Tailândia? 

Ela tem acertado na postura e principalmente na elegância. Noto que ela sempre usa vestidos discretos e isso conta a favor, uma vez que um dos grandes erros cometidos por misses é sensualizar demais com as roupas, decotes e transparências. Um ponto significativo para qualquer pessoa que deseja representar um grupo é ter poder de comunicação em cena. Às vezes, a beleza associada a uma resposta eficaz nas perguntas pode ser a chave do sucesso. Precisamos de representantes que possam dar voz ao coletivo, nos representar em cena, que saibam falar dos problemas diários e que não vejam a vida como um conto de fadas. Isso sem contar que qualquer miss deve se incluir dentro das causas sociais que protegem e buscam garantir dias melhores ao coletivo...
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Aleika em um de seus primeiros concursos de Miss
Aqui, como segundo lugar do Miss Internacional Queen, em 2007
- A beleza abre portas... Acredita que tenha sofrido mais ou menos preconceito por ser bela?

A beleza abre porta, desde que você saiba aproveitar as oportunidades e conseguir mostrar que tem algo que vai além do físico, como exemplo, a inteligência, a sensatez, o equilíbrio e a gentileza. E engana-se quem pensa que a discriminação é somente para pessoas feias ou fora dos padrões, pois as belas também são alvos da mesma discriminação, com olhares tortos e de chacota na rua. Mas algo importante para qualquer pessoa é se sentir bem com quem você é. Neste sentido, a autoestima e a auto aceitação é uma arma importante para enfrentar os olhares estranhos e o preconceito. É preciso trabalhar o lado interior, pois muitas vezes uma conversa sadia e equilibrada poder render mais frutos que apenas ter um corpo lindo na multidão. 

- Vejo que você sempre escreve, participa de debates... Sempre foi politizada? Em qual momento viu que a beleza precisava ser acompanhada de um discurso firme? 

Sempre busquei estudar um pouco e fazer cursos para que pudesse ter opções de trabalho e capacitação, mas a minha história é semelhante à de muitas transexuais brasileiras – tenho que reconhecer que muitas pessoas já me ajudaram e que não cheguei até aqui sozinha. Mas faço parte, por exemplo, dos 10% das trans que chegaram ao ensino médio. Percebi, então, a necessidade do debate e a importância de as pessoas conhecerem o outro lado da nossa história, pois muitas coisas que são faladas não correspondem à nossa realidade. As pessoas reclamam que a prostituição é uma escolha das transexuais, mas é só conhecer algumas para ver que a busca por um mercado formal de trabalho é marcada por rejeição e escassas oportunidades. Mas não se trata de vitimização, pois muitas trans que já trabalham no ramo da beleza e da moda encontram dificuldades de se inserirem em outras empresas. Acredito ainda que, hoje, precisamos de mais ações e menos discursos. 

- Como foi a criação da AMOTRANS em Pernambuco? Você foi uma das que apoiaram há cinco anos, certo?

Sim, fui uma das trans que apoiou a fundação, mas estávamos apenas engatinhando e tivemos grandes parcerias como a Gleiciane Andrade, o Leões do Norte, GTP, porque não havia nenhuma ONG que pudesse trabalhar especificamente com essa população. Hoje, ela é formada pela Choppelly e a diretoria tem ajudado a criar novos trabalhos e metas. Participo de quase todas as reuniões do grupo trans da GESTOS e, para mim, continua sendo importante quando posso dar assistência para alguma trans na cidade que precisa de apoio moral ou até mesmo de socorro em hospitais. É triste perceber o abandono familiar em que muitas são submetidas diariamente, então também faço visitas a hospitais e reivindico para que sejam tratadas pelo nome social. Envelhecer com dignidade é uma questão que hoje se faz fundamental para todas nós.
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- Em sua opinião, qual é o principal direito que as trans deveriam reivindicar? Acredita que há uma união no grupo? 

Sempre vejo trans comentando que querem o nome social reconhecido, independente da cirurgia ou não, do uso ao banheiro feminino, problema de discriminação nas ruas, mas tudo isso fica somente na teoria. Na prática, muitas são convidadas e nem aparecem para discutirem o assunto nas Ongs. O que se pode perceber é que muitas só procuram as associações quando são violentadas ou vítimas de algum tipo de discriminação na rua, daí buscam soluções aos seus problemas pessoais e não pensam no bem comum. Por outro lado, o movimento das transexuais do Brasil ganha força com pessoas guerreiras, como a Cris Stefany, Keila Simpson, Adriana Sales, Andrea Lais Cantelli, Sissy Kelly e tantas outras que eu admiro pela luta.

- Aliás, enfrentou algum tipo de preconceito por ser pernambucana? 

Sempre existem algumas brincadeirinhas com as pessoas do nordeste, mas sempre encarei isso de maneira natural, pois gosto bastante da região onde vivo e admiro bastante as pessoas daqui. Nunca tive nenhum problema por ser pernambucana. Acho que quem faz o lugar são as pessoas que aqui vivem: grandes poetas, jornalistas, músicos, artistas e pessoas que engrandecem a nossa terra. 

- Agora, como você teve a consciência de que era uma trans? E como foi o processo inicial dentro de casa, já que sua família é evangélica? 

Meus pais me levavam ao psicólogo desde os quatro anos. Minha mãe notava que meu comportamento era diferente, que eu sentia grande dificuldade de fazer amizades com meninos, que não me identificava com futebol, que não queria brincar de carrinho... Ainda mais aqui em Pernambuco! Fui dando sinais de que era uma criança trans e que me sentia mais feliz dentro do universo feminino. Por minha família ser evangélica, já me senti rejeitada ou não tão bem acolhida como deveria. Afinal, se hoje temos tantos tabus quando falamos de transexualidade, imagine há quase 20 anos?

- E como a família reagiu?

No início da minha transformação corporal foi conturbado e difícil, pois as pessoas não tinham informação clara sobre o assunto e tudo o que é passado para as famílias é que ter um filho gay ou trans não é algo divino e nem saudável. Mas, graças a Deus, nunca fui expulsa de casa, pois minha família percebeu que havia em mim uma pessoa esclarecida sobre a minha condição e os meus deveres, como qualquer pessoa. A questão de gênero é importante para quem pretende ter um filho, pois as crianças não são acompanhadas de manual de instruções, não sabemos como elas vão funcionar durante a vida e se estarão dentro das normas impostas pela sociedade. 
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- Hoje, como é a sua relação com os evangélicos?

Minha família segue evangélica, vivemos juntos e todos me respeitam. Existem horas de conturbação, como em toda família, mas até nesses momentos existe o respeito entre nós. Nossa relação é bastante aberta e nos entendemos muito. Um dos maiores pecados de alguns grupos evangélicos é julgar as pessoas e se colocarem no papel de Deus. Certa vez, faleceu uma trans da cidade e um grupo de colegas foram ao sepultamento. Quando saímos, um evangélico veio em nossa frente e começou a falar coisas horríveis do tipo: “Vocês não vão para o céu”. Ficamos chocadas pela religião influenciar muitas vezes o julgamento de forma injusta, sendo que está escrito: “Não Julgais para que não sejas julgado” e “Amai-vos uns aos outros”. Penso que Deus é uma porta aberta para todos que desejam o conhecer. A minha última preocupação é quando, por puro fanatismo, religiosos começam a misturar políticas públicas com religião, quando não agilizam leis que precisam ser votadas e aprovadas com o argumento de que a religião não aceita ou que querem ‘proteger a família’. Esquecem que as leis devem beneficiar todas as famílias. 

- E como a sociedade recebe uma trans no início das transformações?

Me senti no limite do suportável no convívio, apesar de ainda passar por algumas situações constrangedoras, como na hora em que apresento o meu documento de identidade, já que todos me conhecem como Aleika Barros. O choque das pessoas é inevitável e acho, inclusive, que o governo deveria estar mais adiantado nessas questões de identificação de gênero, por meio da nossa documentação. Passando ou não por alguma cirurgia de redesignação sexual, a documentação deveria ser reavaliada de acordo com o gênero que identificamos. É para facilitar a nossa rotina e livrar as pessoas trans de possíveis situações de vexame, pois tem causado sérios transtornos quando precisamos nos integrar nas escolas e no mercado formal de trabalho.

 - Aos 30 anos, o que mudou? 

Mudou quase tudo, principalmente sobre o que é prioridade e o que já não é mais. As futilidades da beleza ainda tomam tempo, mas bem menos que antes. Tenho dedicado meu tempo aos estudos, a ficar com a família... Sinceramente, é um privilégio chegar aos 33 e poder nutrir, além da beleza, muito mais conteúdo e amadurecimento das ideias. A velhice é algo real, pois chega para todos, e a vaidade é boa quando se sabe mantê-la dentro do limite aceitável. Vaidade em excesso empobrece a nossa alma. Minha terapia tem sido escrever em meu blog. 

- Para finalizar, qual é o seu maior sonho?

Gostaria que as próximas gerações de transexuais brasileiras passassem por menos problemas,  tivessem maior apoio por parte do Governo e também encontrassem esse mesmo apoio a partir de pessoas que estão integradas dentro do nosso coletivo. Sonho que haja maior acesso e sensibilização das escolas e universidades e do mercado de trabalho. É isso, o nosso maior sonho basicamente se resumi em viver dias de menos transfobia e maior tolerância à nossa identidade de gênero, em que possamos, enfim, ser mais respeitadas.
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Após a entrevista, Aleika aceitou o convite para integrar o Trans em Debate. Aguardem...
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‘Privilégio de ser homem’: A história de um transexual paquistanês em Londres

Crescer como uma menina que se sente como um menino é algo desafiador para qualquer um, em qualquer lugar do mundo. Mas diferentes culturas podem responder de maneiras surpreendentes.
Sabah Choudrey, de 23 anos, ganhou destaque recentemente por organizar uma das primeiras paradas da Grã-Bretanha exclusivamente para transexuais, a Trans Pride, na cidade de Brighton, no sul do país.
O jovem britânico, que nasceu biologicamente como uma menina, no oeste de Londres, tem avós paquistaneses. Os pais nasceram no Reino Unido, mas mantêm os valores de origem.
Em entrevista à BBC Brasil, ele conta que após a adolescência se identificou como lésbica, e viveu três anos assim, e que ao "sair do armário" encontrou bastante resistência da família, que teve dificuldades em lidar com sua orientação sexual.


Sabah Choudrey (à dir.) iniciou tratamento para mudança do gênero feminino para o masculino há três anos

"As lembranças da época em que saí do armário são nebulosas e distantes. Foi difícil, mas eu tento esquecer as primeiras conversas, os sentimentos iniciais, as coisas que foram ditas. Nem gosto de lembrar", diz.
Sabah, que tem uma irmã gêmea, era uma menina introspectiva e gordinha. Nunca foi alvo de bullying, mas também não estava entre as crianças mais populares da escola. Passou a maior parte da infância lendo livros e lidando com a vontade de ser um menino. Muitas vezes chegou a pensar que não haveria solução, mas manteve o dilema para si, por temer a reação da família.
"Eu acho que a maneira com a qual meus pais foram criados definitivamente impactou suas visões sobre gênero e sexualidade, simplesmente porque era um assunto que jamais foi explorado em sua educação e criação. A cultura do sul da Ásia é assim", explica.
Três anos atrás, após tomar a decisão de começar o tratamento para a mudança de sexo, no entanto, teve que enfrentar uma segunda "saída do armário", mas desta vez a notícia foi recebida com muito mais tranquilidade.

'Privilégio de ser homem'

Sabah conta que ao contrário do que ocorreu com sua primeira revelação, quando disse que passaria a se relacionar com outras mulheres, ao explicar aos pais que tinha decidido mudar de sexo a reação foi positiva.
"Na cultura paquistanesa há muito preconceito contra os transexuais que mudam do gênero masculino para o feminino, já que ser homem é visto como um grande privilégio. Na verdade para eles ser homem é a melhor coisa que pode acontecer na vida de uma pessoa, então abrir mão disso para se tornar uma mulher simplesmente não faz sentido. Eu acho que é por isso que não senti preconceito da minha família quanto à essa decisão", diz.
Mesmo assim, Sabah também teve que lidar com a reação das amigas lésbicas. Algumas viram sua decisão de tornar-se um homem como uma espécie de traição, mas aos poucos aprenderam a aceitar a novidade. Morando em Brighton desde que saiu da casa dos pais, ele diz que não foi fácil enfrentar a comunidade local.
"Para mim, pessoalmente, foi mais difícil pelo fato de eu ser do sul da Ásia e nunca ter conhecido outra pessoa transexual do sul da Ásia em Brighton. Eu acho que também não há muitas lésbicas do sul da Ásia na região. É uma área predominantemente ocidental, e eu tive que enfrentar, superar mesmo, os dois estereótipos".

Trans Pride

Sabah acredita que a comunidade transexual ainda lida com muitas das questões e preconceitos que os gays tiveram que enfrentar nos anos 1970, sobretudo os estereótipos negativos e a rejeição da sociedade, que nega sua entrada no mercado de trabalho e outras áreas onde os homossexuais já trafegam com mais liberdade.
"Eu espero que este evento aumente nossa visibilidade, mostrando às pessoas que somos uma comunidade, e não um fetiche, um caso médico, ou algum tipo de aberração. A história dos transexuais é bastante obscura, e não vem tendo tantos progressos como a história dos gays", diz.
Stephanie Scott, que também participou da organização do evento, explica que os transexuais sofrem preconceito e são vítimas de ataques não só da sociedade em geral, mas até mesmo por parte de homossexuais.
"Eu mesma já sofri ataques em locais supostamente LGBT e em eventos de orgulho gay, e achei que já era hora de os transexuais terem um espaço para celebrar suas vidas com seus amigos, parceiros e companheiros", conta.
Para Sabah, o evento também é uma comemoração de uma intensa trajetória pessoal, permeada de traumas e dificuldades - sobretudo com relação à família.
"Agora eles veem que eu estou feliz e que na verdade podem até ter orgulho de mim", diz.

 


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Descubra quem são as candidatas do Miss T Brasil 2013



A segunda edição do Miss T Brasil 2013, concurso que visa eleger a mais bela travesti ou transexual do país, promete repetir o sucesso da primeira edição, que coroou a trans Marcela Ohio. Ao todo, serão 31 candidatas que serão avaliadas desde o dia 17 de outubro e se enfrentarão na grande final, que ocorre no dia 21 de outubro, às 20h30, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro.  

Desta vez, diferente da primeira edição, cada Estado terá mais que uma representante e a premiação é de um contrato com a MMarchi Produções por um ano, um voucher da Kamol Cosmetcs Hospital [para as três primeiras colocadas], na Tailândia, viagem para a primeira colocada ao Miss Internacional Queen 2014 e produção de guarda-roupa para o concurso internacional.

De acordo com a organizadora Majorie Marchi, com o prêmio é possível até mesmo fazer a cirurgia de redesignação sexual, popularmente conhecida como mudança de sexo. "O voucher é um ticket para qualquer procedimento estético, dentário ou cirúrgico da Kamol. Pode ser [a cirurgia de redesignação], mas fica a critério da candidata e do valor do voucher", explica. 

Os critérios para vencer o concurso são: beleza facial e corporal, educação, desenvoltura, inteligência e comunicação, simpatia, disciplina, comprometimento, garra, humildade, preparação de miss [com maquiagem, vestimentas, penteados e passarela]. Caso vença, a miss deve representar as trans brasileiras na mídia, assumir papel na luta pela promoção da cidadania trans, na luta contra a transfobia e na luta contra a aids.

Entre as novas candidatas - todas belíssimas e com possibilidade de vencer a disputa - chamam a atenção as histórias de Dávila Medeiros, que mora no interior do Rio Grande do Norte, Nathalie Oliveira, que tem 19 anos e passou em 1º lugar em um concurso público, e Felipa Tavares, a modelo que já foi ao programa do Jô Soares e revelou detalhes de sua vida ao NLucon. 

CONCURSO GANHA MÍDIA INTERNACIONAL 

Majorie revela que o objetivo do concurso é vencer o preconceito por meio da beleza e do discurso de cada trans. "Foi com este objetivo que criamos este projeto e adotamos a metodologia: cidadania, orgulho, afirmação da identidade e resgate da auto estima coletiva", diz ela, destacando que o segundo lugar de Jessika Simões no Miss Internacional Queen ajudou a popularizar o título brasileiro. 

No último ano, a organizadora se surpreendeu ao ver que mais de 20 países divulgaram as candidatas e o evento. "Quando traduzia para o português via que até a mídia internacional linkava a beleza com a luta por direitos. A cobertura do G1 foi igual ao do Miss Brasil, com fotos individuais e o título. Foi muito bacana ver as meninas parando o arpoador de biquini e perceber que as candidatas ficaram muito amigas". 

Ela agradece aos patrocinadores e aos apoiadores do concurso deste ano e avisa que ainda está em busca de patrocinadores para a caravana do Brasil que vai à Tailândia no dia 25 de outubro, com Marcela Ohio e a Roberta Holanda. Confira abaixo as novas misses e responda: Qual é a sua preferida? 
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Do Nlucon
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Transexual diz que faltam políticas públicas para o gênero no DF

O transexual Marcelo Caetano, de 23 anos, diz que faltam políticas públicas específicas para travestis e transexuais no DF. Ele valoriza a existência do Nudin (Núcleo de Atendimento Especializado às Pessoas em Situação de Discriminação Sexual, Religiosa e Racial), mas afirma que o serviço ainda é precário.  
— Faltam recursos e há poucos profissionais. Eles lidam com uma série de temáticas muito grande, trabalham com povos indígenas, população negra, com pobres. Muita coisa junto e não dão conta de lidar com as especificidades das pessoas.   
Segundo ele, é necessário investir em políticas públicas de saúde e educação.   
— Educação é uma questão muito importante para as pessoas trans: como permanecer no espaço altamente violento e preconceituoso que é o escolar? Então hoje no DF a gente tem algumas iniciativas, mas que não são satisfatórias porque a situação é muito precarizada.  

De acordo com o coordenador da diversidade sexual da Sejus (Secretaria de Justiça), Sérgio Nascimento, o Nudin, que fica no antigo Touring Club, perto da Rodoviária do Plano Piloto, faz o atendimento psicossocial das pessoas que são vítimas de preconceito e que possam ser enquadradas dentro de algum programa social do governo de modo geral.  
Outra iniciativa do GDF (Governo do Distrito Federal) citada por ele é Pró-vítima (Subsecretaria de Proteção às Vítimas de Violência), da Sejus, que também é um programa aberto a população.   
Segundo ele, algumas secretarias do GDF têm portarias que regulamentam o uso do nome social de travestis de transexuais.   
— Nas escolas públicas, existe uma portaria que permite que travestis e transexuais, com mais de 18 anos, usem seus nomes sociais.  
Nascimento afirmou ainda que dentro da Secretaria de Educação existem resoluções para que travestis e mulheres transexuais usem o banheiro feminino nas escolas públicas.   
— Há todo um debate realizado na escola, um trabalho desenvolvido contra o preconceito. Para que a escola adote a utilização do nome social e o uso do banheiro específico.   
Ele disse ainda que na Sejus, Sedest (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda) e Secretaria da Mulher, travestis e transexuais também podem usar os nomes sociais. Mas reconhece que faltam ações específicas para essa população.  
— Nós ainda não temos políticas públicas voltadas especificamente para travestis e transexuais. Nossa coordenação é nova e trabalha com as outras subsecretarias.

Do R7

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Estados Unidos: Gays fazem aula de autodefesa com medo de ataques em Nova York

Aulas já atraíram 200 pessoas; violência contra LGBT dobrou na cidade em relação ao mesmo período em 2012
gays autodefesaCom um aumento considerável de ataques homofóbicos em Nova York, moradores LGBT da cidade estão precisando tomar precauções.
Uma delas é praticar autodefesa. As aulas são patrocinadas por Christine Quinn, presidente do Conselho Municipal, e que disputa a prefeitura da cidade nas eleições em novembro. Ela pode se tornar a primeira homossexual assumida a ocupar o cargo.
Os workshops são organizados pelo Centro de Educação Antiviolência e já atraíram cerca de 200 pessoas.
Segundo reportagem de “O Globo”, só neste ano 70 crimes homofóbicos foram registrados em Nova York, o dobro do ano passado (foram 34 no mesmo período).
A onda de violência pode ter ganhado força por causa das conquistas que LGBT têm conseguido (como o casamento gay, por exemplo, que é autorizado na cidade desde junho de 2011).
De todos os ataques, o mais grave foi o assassinato de Mark Carson, que levou um tiro no rosto após sair de um restaurante com um amigo, em maio. Ele foi atacado, assim como muitos outros LGBT, numa das áreas mais gay friendly da cidade, o Greenwich Village.
Do ParouTudo - Via Mundo Alternativo
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PM faz postagem homofóbica em rede social defendendo a 'cura gay'

pernambuco pm cura gay
Uma foto incentivando o preconceito sexual e a homofobia, postada por um PM, fez com que a Polícia Militar de Pernambuco se manifestasse, na tarde desta terça-feira (27). A corporação confirmou que o autor da publicação, feita na rede social Facebook, realmente faz parte da corporação. Em nota oficial, a PM-PE informou que é contrária "a toda e qualquer forma de discriminação e preconceito". 

Na postagem, datada do dia 9 de agosto, o policial militar divulgou a foto de um amigo que segurava um porrete de madeira, onde se leem as palavras "cura gay". O perfil do PM continua disponível, sem fotografia que identifique o seu rosto, e a imagem em questão foi retirada da postagem.
Em outro trecho da nota, a PM informa que "não coaduna com nenhuma forma de comportamento homofóbico e repudia veementemente qualquer manifestação contrária à harmonia social e às suas formas de diversidades".
Por fim, a Polícia Militar esclarece que a postagem representa a opinião pessoal do policial e não os valores institucionais da corporação. "Portanto, a PM aproveita a oportunidade para esclarecer que as doutrinas de formação policiais militares priorizam o respeito e a defesa dos direitos humanos", encerra o documento.
Do: G1 - Via Mundo Alternativo
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Ricky Martin admite que tinha ‘homofobia internalizada’ e que praticava bullying com gays


Ricky Martin assumiu publicamente que é homossexual em 2010. No entanto, o cantor admitiu que teve de lutar com a sexualidade enquanto crescia em Porto Rico. "Eu olho para trás e percebo que intimidava as pessoas que eu sabia que eram gays. Tinha homofobia internalizada. Percebi que estava enfrentando isso em mim mesmo. Queria ficar longe.", disse o porto-riquenho em entrevista para uma revista australiana.
Ricky Martin 06Também na entrevista, Martin afirma que após ser pai – através de barriga de aluguel – dos gêmeos Matteo e Valentino ao lado do seu companheiro, Carlos Gonzalez, tudo mudou. "Eu não queria que eles (seus filhos) crescessem em uma casa de mentiras. Ou pensassem que havia algo de errado em ser gay”.
O cantor assumiu sua homossexualidade após anos de especulação da mídia, através de comunicado oficial em seu site: "Tenho orgulho de dizer que sou um homem homossexual afortunado. E sou muito abençoado por ser quem eu sou.". No final do mesmo ano, em entrevista ao apresentador Larry King, Martin mostrou-se tranquilo com a decisão. "Hoje, eu assumo que sou gay. E tudo aquilo que dizem sobre sentir-se bem...se eu soubesse quanto ia me sentir bem, teria assumido há dez anos".
De Época - Via Mundo Alternativo
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KAROL STEFFANY: POR UM AMOR VERDADEIRO!

A bela e apaixonante Karol esta em um processo evolutivo da sua independência! Seus sonhos, lutas e ambições, se voltam para o campo das disputas por espaço em seu direito a dignidade sentimental; a garota esta respondendo em seu processo de libertação e entretenimento com seu verdadeiro eu: - SIM, eu quero viver. E a vida é aproveitar àquilo que é capaz de saciar a sede e se embriagar prazeirosamente; ou não!  A vida é o mar, o sol e o calor do verão; mas, não deixa de ser o friozinho aconchegante, que aproxima e apaixona mais as pessoas no inverno! A vida são as flores da primavera que se tornarão frutos no verão... A vida para Karol é o amor!
E amor apaixonado é racional, é o amor consciente e disposto a crescer com ela em entendimento e enfrentamento aos preconceitos
e discriminações que por ventura venham atravessar ao caminho do casal! É isto que Karol, com sua vida estabilizada e organizada procura! Não se trata de procurar aventureiros ou pessoas que só conseguem conversar na cama, no ato sexual e pronto; não, é um companheiro que seja capaz de ajudá-la a evoluir em seu processo de redefinição e reencontro com o seu verdadeiro Eu que havia sido exilado por conta das pressões e imposições sociais em sua mais tenra infância. Se você é capaz de entender o amor a dois como um processo em que dois seres humanos se encontram para melhor enfrentarem as
dificuldades da vida e crescerem juntos a partir desses enfrentamentos, se você acredita que é capaz de dar as mãos a pessoa que você ama e ir ao parque, a praça, ao cinema e passear na praia recebendo a brisa mar chutando marolas, Karol pode estar nesse momento sonhando com você!!! Alguém especial, disposto a um relacionamento sério como todas as pessoas que desejam merecem sonhar; ser especial é saber que o amor é um dom humano e que ele
é possível desde que qualquer um coloque suas faculdades mentais, àquilo que lhes separa de qualquer outro animal, para funcionar e ver que a vida é curta e muito bela para limitarmos e nos prendermos com o que A, B ou C pensa, se na hora da dor só contamos com as pessoas que verdadeiramente gostam de nós... 
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Sobre este blog

Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

Me proponho aqui a falar um pouco de tudo, em especial das Crossdressers, dos transexuais, dos Travestis e da enorme comunidade
LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

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