Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

Patrícia Araújo: "Quero limpar a minha imagem"

Mesmo tendo contratado cerca de cem atores, sem ter conseguido trabalhar com todos eles. E mesmo que a novela Salve Jorge esteja praticamente no fim, a autora Gloria Perez vai incluir mais uma personagem na trama: a travesti Patrícia Araújo. A moça é estreante na TV Globo e se considera uma privilegiada por ter sido convidada para trabalhar no horário nobre logo de cara.
"Soube que eles procuravam uma travesti que fosse muito bonita e logo em seguida a Gloria falou no meu nome. Estou fazendo aulas para me preparar. No roteiro faço cenas dramáticas. Estou adorando tudo. Sou formada e tenho DRT, agora quero me dedicar a carreira de atriz. A Globo é um sonho, né? Acho que para qualquer um. ", contou em entrevista ao site Ego.
Segundo a atriz, a ideia é "limpar a minha imagem e mostrar muito além dos que as pessoas se limitam a pensar sobre travestis."
O coração da gata está vazio no momento, parece que ela teve que se separar do cara com quem estava há dois anos porque ele não aceitava a exposição da mídia. "Estou solteira há uma semana, espero voltar com meu namorado ou encontrar um novo e lindo amor", disse. Que seja bem-vinda!
- * Por Bárbara Nunes

Olha, acho curiosa essa vitrine que a Gloria Peres propõe em suas novelas. Acho legal todos terem espaço, homens, mulheres, gays, travestis... Mas com algum propósito, não? Ela chama as "meninas", elas fazem uma apresentação sofrida e, ao invés de respeito, acabam queimando legal seus filmes. Vamos ver qual vai ser dessa Patrícia Araújo. Linda ela é! Que tenha muita sorte! -
* Por Cris Cordioli

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Crossdresser - Um homem de alma feminina

 Gosto de homens, curto ser passivo e submisso e quando estou com alguém, de fato, sinto-me como uma pessoa feminina. Não me sinto uma mulher e sim simplesmente feminina.

Submissa que adora dar carinho ao seu homem. Aquela que sai com alguem porque viu algo nele antes do sexo, o sexo é consequencia. Me apaixono fácil, por isso sofro, mas estou calejada. Sempre cuidei de meus homens: café na cama, carinhos, presentes e tambem fui retribuida varias vezes.

Meu primeiro amor era casado. Ele me tirou a virgindade com 18 anos, ele me ensinou a usar roupas femininas no que eu sempre adorei. Ele chegava eu já estava de sandálias altas, saias ou vestidos, e sempre maquiada. Meu lado feminino aflora quando me produzo.

Fico fácil, só querendo namorar. Ele chegava eu sentava, e sensualmente cruzava as pernas toda oferecida. E dava certo. Ele sentava ao meu lado e me beijava, passava as mãos em minhas pernas e abaixava minha cabeça em direção ao que eu adorava: sentir o gosto do seu pau. Era o sabor dele, o cheiro dele. 

Eu chupava, lambia, e aos poucos me entregava e sentia meu cuzinho sendo molhado por uma lingua gostosa, dedos grossos e por fim seu pau que entrava devagar e firme me causando sensações indescritíveis. Aí eu ja era completamente a femea dele, eu gemia, dava gritinhos bem femininos e por algumas vezes cheguei até a chorar de emoção por ser feliz.

E ainda sou assim me entrego a quem acho que devo e faço tudo por ele. Gosto quando um macho me pega de jeito me dá tapas na cara e na bunda (devagar) cospe em minha boca e ao mesmo tempo tambem me dá carinhos e beijos.

Mas tambem gosto de ser possuida devagar e ficar de conchinha. Não curto ser ativo, fui poucas vezes, porque o que gosto mesmo é ser sensual, mostrar minhas coxas por saias e shortinhos e seduzir com minha bunda. 

Após essa introdução vou contar um pouco de minha vida à voces. Agradeço a leitura e sei que muitos de voces entenderam minha personalidade e até são assim também. beijos... Carlo Vera


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Você sabe o que é crossdresser?

HOMENS SE VESTIREM DE MULHER NÃO TEM RELAÇÃO DIRETA COM PRÁTICAS (HOMO)SEXUAIS; A QUEBRA DE BARREIRAS RELACIONADAS A CONVENÇÕES DE GÊNERO DIALOGA COM DIVERSAS INSTÂNCIAS DA VIDA SOCIAL E COMPREENDÊ-LAS É IMPORTANTE NA QUEBRA DOS PRECONCEITOS.
 
Homens vestidos de mulher estão presentes há bastante tempo na literatura, filmes, conversas, piadas e momentos da vida social, como as festas à fantasia ou o carnaval. De modo geral, essas pessoas são representadas nesses espaços através de uma certa veia cômica, através do prisma do risível. Ao longo de minha pesquisa de doutorado com homens que se vestem de mulher ou crossdressers, pude notar que esta prática, para eles, nada tem a ver com esta idéia de cômico. Pelo contrário, as pessoas com quem convivi ao longo de minha pesquisa levam bastante a sério a idéia de se montar. Uma crossdresser pode ser definida como alguém que eventualmente usa ou se produz com roupas e acessórios tidos como do "sexo oposto" ao seu "sexo biológico". 
 
Há diversas formas de praticar crossdressing, com graus variados tanto em termos de tornar a prática pública, quanto em graus de intervenção e mudança corporal. Algumas crossdressers se montam apenas para ficar em casa, algumas apenas usam um ou outro acessório ou roupa (um salto, uma calcinha, uma saia), outras se montam por completo (com roupas, acessórios, saltos, perucas e maquiagem). Algumas contam para famílias, cônjuges e amigos, outras mantêm este lado de sua vida em absoluto segredo.
 
Algumas depilam o corpo todo, algumas deixam o cabelo crescer, algumas fazem unhas e sobrancelhas, outras apenas mascaram os traços da masculinidade quando se montam, por meio de truques que vão aprendendo ao longo de suas vidas. A montagem das crossdressers é eventual e isso implica em entender que elas têm uma espécie de vida dupla: há a vida montada e a vida desmontada. Essas duas vidas, na maior parte dos casos, estão absolutamente dissociadas uma da outra.

Admiração pelo feminino
Para as crossdressers, o prazer de se vestir de mulher reside no ato de parecer feminina, o que explica, por exemplo, a preferência por serem chamadas por pronomes femininos quando montadas. Todas as crossdressers escolhem um nome feminino e um sobrenome, o qual usam nos momentos em que estão en femme. De modo geral, as crossdressers se inspiram e buscam realizar em suas montagens coisas que observam nas mulheres e que admiram ou em coisas que elas vêem nas mulheres e acham bonito ou interessante. Há um grande investimento emocional e também financeiro feito por essas pessoas para se montarem. Há várias crossdressers que, inclusive, investem mais em comprar roupas para o lado feminino que para o lado masculino. Algumas têm armários inteiros de roupas femininas caso morem sozinhas ou as pessoas com quem moram saibam do crossdressing. Outras guardam as coisas de se montar em uma mala ou mochila, que escondem em algum lugar da casa, do escritório ou do carro.

A produção da feminilidade - ou da "mulher" que se quer ser - aparece nos discursos como algo que tem impacto em suas vidas afetivas, tanto no que concerne a família e amigos, quanto no que concerne a seus relacionamentos amorosos. Evidentemente, os impactos são diferenciados para cada tipo de relação. Nas relações com família, de modo geral, há certa política "não pergunte, não fale" ou, mesmo, um segredo absoluto sobre a prática. Uma das pessoas com que conversei ao longo de minha pesquisa relata que, conforme as maquiagens que lhe eram favoritas e pertenciam à mãe e à irmã eram percebidas por estas como "mais usadas do que deveriam", as mesmas deixavam de ser compradas.

Internet

Muitas crossdressers relatam que só entenderam o que sentiam a partir de pesquisas realizadas na internet e que foi nestas pesquisas que encontraram um nome para aquilo que faziam ao longo de suas vidas. A internet é apontada como o meio que facilitou também o acesso e contato com outras pessoas que também compartilhavam desta prática. Ela aparece como o instrumento que torna factível que se constitua um grupo, independente de limites físicos ou relações que perpassem a necessidade de se encontrar pessoalmente. Há, inclusive, grupos de crossdressers dentro e fora do Brasil que se organizam basicamente pela internet. Esses grupos até podem se encontrar presencialmente em algum momento, mas é a internet que torna o encontro entre muitas dessas pessoas possível.


Desejo e preconceito
Um dos estereótipos mais comuns que cerca esta prática é o fato de que, em nossa sociedade, associa-se usar roupas do outro sexo à idéia de homossexualidade. O crossdressing não deve ser visto como algo relacionado a homo, hetero ou bissexualidade. É importante que se entenda que essas formas de expressão da sexualidade não influenciam e nem têm relação com o desejo de vestir-se com roupas socialmente atribuídas ao sexo oposto. São desejos de ordens diferentes e que não tem correspondência direta entre si.
As histórias sobre como e quando começaram a se montar são variadas. Algumas crossdressers contam que vestir roupas de mulher é algo que já lhes despertava interesse desde a infância, ao mesmo tempo em que, desde muito cedo, também sabiam que aquilo seria visto como algo "errado" e, nesse contexto, deveria permanecer oculto. Outras relatam que a adolescência foi o momento em que começaram a sentir vontade de se montar, e aproveitavam os momentos em que estavam sós em casa para brincar com os armários de suas mães, irmãs ou tias. Há também homens que só na vida adulta passam a se interessar pelo crossdressing, como o caso de uma das interlocutoras de minha pesquisa que descobriu que queria se montar bem depois dos filhos tornarem-se adultos e de ser avô.
O desejo de "montar-se" e a efetivação desse desejo constituem-se em uma experiência única e importante para suas auto-estimas, suas auto-imagens e para suas percepções enquanto "pessoas completas". Contudo, na hora de pesar para quem contar ou se vale a pena tornar pública a prática - uma vez que algumas saem para a rua quando estão "de meninas" -, elas lidam sempre com o fato de que há preconceitos relacionados ao que fazem. Assim, para além do desejo e dos prazeres que estão relacionados com o crossdressing, acabam negociando com dificuldades, entre elas tratá-lo como algo que deve/precisa permanecer apenas no privado e, preferencialmente, em segredo.

Algumas angústias relatadas pelas crossdressers em relação a se montar dizem respeito ao que fazer quando o desejo de vestir-se do "outro sexo" aparece, a como operacionalizar as coisas para tornar este desejo algo que possa ser efetivado, assim como decidir para quem se pode contar e como contar, os riscos da falta de aceitação e, também, às crises morais relacionadas ao fato de praticarem crossdressing. A exposição ou não do fato de se montarem é uma questão delicada, já que existe a possibilidade real de perdas de amizades, empregos e laços familiares quando se decide "sair do armário".


Os termos
- Crossdresser: pessoa que às vezes usa ou se produz com roupas e acessórios tidos como do "sexo oposto" ao seu "sexo biológico".

- Cd: diminutivo de crossdresser
- "Se montar"/ "se vestir de mulher": ato ou processo de travestir-se, (trans)vestir-se ou produzir-se com roupas "do outro sexo".
- Estar en femme: estar montada
- S/O (Supportive Opposite): pessoa do sexo oposto da cd que a aceita e apoia nesta prática. Pode ser uma amiga, namorada, esposa, irmã, etc. É comum que as S/O's sejam esposas ou namoradas. De qualquer modo, nem toda cd tem uma S/O.


Do CLIC - RBS - Por Anna Paula Vencato é professora do departamento de sociologia da UFSCar, doutoranda em antropologia pela UFRJ, mestre em antropologia social pela UFSC e licenciada em pedagogia pela Udesc, tendo como temas de pesquisa: gênero, sexualidade e crossdressing.





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De 21 para 18 anos: SUS reduz idade para troca de sexo

O Ministério da Saúde vai reduzir de 21 para 18 anos a idade mínima para que um transexual possa fazer cirurgia de mudança de sexo na rede pública e de 18 para 16 a idade para início do tratamento hormonal e psicológico. Também passará a pagar a operação de troca de sexo feminino para masculino - o que ainda não era contemplado. Antes mesmo de ser publicada, a nova norma já causa polêmica.

A portaria, que será publicada nesta semana no Diário Oficial da União, vai incluir o pagamento de cirurgias para retirada de mamas, útero e ovários, além da terapia hormonal para crescimento do clitóris. O investimento inicial será de R$ 390 mil por ano. A cirurgia para construção do pênis (neofaloplastia) não será paga, pois a técnica ainda é considerada experimental pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

“Desde 2008, somos um dos únicos países do mundo a ofertar o tratamento para transexuais de maneira universal e pública. O salto agora é aumentar o acesso e ampliar a oferta de serviços que fazem a cirurgia, além de autorizar o acompanhamento em unidades ambulatoriais”, diz José Eduardo Fogolin Passos, coordenador-geral de média a alta complexidade do Ministério da Saúde.

O grupo técnico que cuidou da revisão da portaria chegou à conclusão de que a idade mínima para a realização da cirurgia de mudança de sexo é de 18 anos. Como o pré-requisito é ter feito ao menos dois anos de acompanhamento psicológico, foi necessário diminuir para 16 a idade para início do processo. E é exatamente essa redução que dividiu opiniões.

Para a médica Elaine Costa, do Ambulatório de Transexualismo do Hospital das Clínicas de São Paulo, a medida é correta. “O paciente que é trans aos 18 anos vai continuar trans aos 21. Exigir que a cirurgia só possa ser feita aos 21 vai aumentar em três anos o sofrimento dele. É totalmente desnecessário.”

 
A pesquisadora Regina Facchini, do Núcleo de Estudos de Gênero da Unicamp, segue o mesmo raciocínio. “Quanto mais cedo esse paciente tiver acesso ao tratamento hormonal, melhor será para ele. A maioria se reconhece transexual muito cedo, ainda na adolescência. E, se ele não for acolhido e receber orientação e acompanhamento adequados, vai comprar hormônio clandestinamente.”

CAUTELA - Já Diaulas Ribeiro, promotor de Justiça de Defesa dos Usuários da Saúde do Distrito Federal e pioneiro na luta pelos direitos dos transexuais, critica a redução da idade para início do tratamento e da cirurgia. Para ele, o governo deveria ser mais prudente.

“O jovem de 16 anos pode ser emancipado para fins civis. Meu medo é o índice de arrependimento que pode surgir, já que o diagnóstico, em geral, é fechado com mais idade. Sou contra iniciar a terapia hormonal aos 16, pois se trata de um procedimento definitivo. Se a pessoa quiser desistir, não tem mais como voltar atrás”, avalia.

Da: Agência Estado - Via: UOL
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França aprova casamento homossexual

http://deluccamartinez.files.wordpress.com/2012/01/2047154435_f1dd6037cd_o.jpg?w=540O parlamento da França aprovou ontem (23) o projeto de lei que permite o casamento e a adoção de filhos entre os homossexuais. Com a aprovação, o país se torna o 14º do mundo que legaliza o casamento homossexual. Porém a controvérsia sobre o tema continua, mesmo com o término da votação.
Após um debate que durou 136 horas e 46 minutos no parlamento, o projeto foi submetido à votação. Por 331 votos a favor, 225 contra e dez abstenção, os deputados aprovaram o projeto de lei que tem grande significado para reforma social.
Porém, logo após a votação, os deputados da União por um Movimento Popular (UMP), de centro direita, pediram a suspensão do projeto junto à Comissão de Constituição. Dentro de um mês, a Comissão analisará e julgará o pedido.
Segundo a previsão, os casais homossexuais poderão fazer o registro de casamento a partir de meados de junho, depois que a lei entrar em vigor.
Do: CRI - Tradução: Li Jinchuan - Revisão: José Medeiros da Silva
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Homens transexuais falam de seus sonhos e pesadelos durante a infância e adolescência


Para a família, o universo cor-de-rosa estava traçado desde a maternidade. Mas nos primeiros anos de vida, um universo azul-claro desbotou as bonecas, os vestidos e trouxe uma afirmação inesperada na preparação do oitavo aniversário: Natália S. não queria uma festa com decoração de princesa. 

Lindo Sammy sofre preconceito para ser aceito como homem pela família
O motivo? Ela garantia ser um menino. De cabelos curtos e roupas folgadas, a garota não foi levada a sério pelos pais _ “era apenas uma menina que gostava de coisas de garotos” _ até que a afirmação começou a ser visível nas atitudes. Levada a uma psicoterapeuta, os pais se viram diante de um possível caso de transexualidade. Agora eles buscam a “cura”.
     UM A CADA 100 MIL

Menos visíveis que as mulheres trans, os homens transexuais muitas vezes estão escondidos na caixinha nomeada “lésbica” e vivem um sofrimento sem nomes. No ano passado, o militante Chaz Bono, o filho da cantora Cher, assumiu a transexualidade aos 41 anos. Antes ele era visto lésbica e garantia não ser completo.  . Em Campinas, interior de São Paulo, a história se repete. Até os 18 anos, o estudante Samy Samassa era visto apenas como uma mulher que gostava de mulheres. Após fugir de casa, voltar, ter crises e ir a uma psicóloga, ele teve a revelação iluminadora: “você é um homem transexual.” 
“Nesse momento foi tirado um peso das minhas costas”, recorda o jovem, que aos 19 obteve um laudo de transexualidade e começou a usar faixa para esconder os seios. Era o início de sua felicidade e o começo dos maiores problemas familiares.

Cher, Chaz e Bono

Há 20 anos trabalhando com pacientes transexuais, a psicóloga Angélica Soares, também especializada em violência contra crianças e adolescentes na USP, afirma que a reação dos pais nestes casos geralmente é a pior possível. . “A família busca o especialista para convencer a criança ou o adolescente de que isso é errado, que ele mude de ideia. Realmente é difícil aceitar que a menina não é mesmo uma menina. Mas tentar mudar isso a todo custo é uma luta insana”, frisa a psicóloga.  . Ela pondera ao informar que apenas 5% das crianças com disforia de gênero são de fato transexuais, mas alerta que isso nem sempre é uma fase. “Pesquisas apontam que existe um homem transexual a cada 100 mil mulheres”, argumenta. .
  NÃO LIGAVA EM GANHAR BARBIES. EU AS NAMORAVA 

De cabelo moicano e piercing no nariz, Samy emposta a voz, anda de pernas abertas e chama a atenção das mulheres. Poucos desconfiam de seu passado e dos documentos femininos. Às vezes é visto como um adolescente gay, jamais como mulher. Segundo ele, o pensamento e o comportamento masculinos são nítidos desde a fase escolar.  . “Eu sempre estava na fila de garotos, não me sentia bem por entrar em banheiro feminino, e adorava ficar sem camiseta. A direção falava para eu me comportar como menina, mas eu agia normalmente.” afirma. Nas brincadeiras, preferia as pipas e os carrinhos do irmão mais velho. Porém, esperto e com uma imaginação fértil, ele não encarava as Babies como rivais. Elas eram suas namoradas! Não era raro flagrá-lo beijando “suas esposas” pela casa. . “Tenho essa consciência desde os quatro anos”, garante ele, que prova com fotografias o desgosto pelo universo feminino. “Nesta foto, estou chorando porque minha mãe colocou um vestido”, aponta. Outro momento que destaca é quando fingia se barbear. “No banheiro, com 12 anos, eu passava o creme de barbear no rosto. Mesmo sem pêlo nenhum, eu sentia bem fazendo isso. Era como se fosse me tornar menino.”.

Regis Vascon acredita que não precisava passar por certas experiências na infância

  BATIA NOS MENINOS PARA ME SENTIR HOMEM 

“Minha infância foi traumática. Aos seis anos, eu sequer andava e raramente falava”, afirma o guarda municipal e estudante de direito Regis Vascon, homem transexual de 38 anos. “Se eu não passasse por tantas coisas, hoje eu poderia ser uma pessoa muito melhor”, reflete. 
Com uma estrutura familiar de pilares frágeis, Régis conviveu na infância com um avô agressor, uma mãe de pouco diálogo, ensino tardio e muito medo. “Eu me sentia diferente, pois sabia que não era igual às meninas. Mas não conversava a respeito por medo de as pessoas pensarem que eu era louco”, declara.  . Na escola, Regis virou motivo de chacota pela aparência masculina e tornou-se agressivo. “No 1º colegial, adorava bater nos meninos que faziam piadas sobre mim. Parecia que eu reafirmava que era homem quando eles apanhavam. Sentia que era mais homem que eles, entende?”
 .
 ADOLESCÊNCIA E HORMÔNIOS 

Adolescência. Flertes. Namoros. Explosão de hormônios... FEMININOS! Algo desesperador para qualquer homem transexual, que se vê diante de seios crescentes e questões extremamente femininas como a menstruação. 
“Passei os 14, 15 anos sofrendo. Quando tive minha primeira menstruação fiquei um ano e meio sem contar para ninguém. Eu morria de vergonha”, declara Samy. 

Regis só se descobriu trans aos 33 anos

Na adolescência de Regis, as amigas balançavam seu coração, mas... “se apaixonavam pelos nossos amigos, os homens.”  Com uma raiva impronunciável _ Regis também não tinha consciência de sua transexualidade, era definido como lésbica _ ele abandonou talvez o seu maior dom: a arte de desenhar.  . “Era um adolescente rebelde, mas tinha o dom de trabalhar com paisagismo. Cheguei até a ganhar uma bolsa e colocava tudo em um varal no meu quarto. Em um dos excessos de revolta, rasguei todos os desenhos. Isso me marcou muito e, daquele dia para cá, nunca mais desenhei na vida”, lamenta.. .
 É UM MENINO MESMO? 
“O principal tratamento familiar nos casos envolvendo transexualidade é o luto”, declara a psicóloga Angélica. “O pai deve, sim, encarar a perda de uma filha. Mas por outro lado, vai ganhar um filho”, argumenta. 
Ela não aconselha a incentivar na infância a mudança total de gênero, pois há a possibilidade de ser uma fase. “O que os pais podem oferecer são opções: colocar uma roupa de menina e uma roupa de menino, deixar que ela escolha. Também temos que ter em mente que existem mulheres masculinas e isso não faz delas transexuais.”
Assim como em muitos lares, a mãe de Regis fazia vistas grossas. Em alguns momentos, até reclamava – “Você só usa roupa de homem, só traz mulher para casa, tem alguma coisa errada” – mas saía de fininho todas as vezes que ele tentava conversar. 

Sammy já teve depressão e tentou se matar

Até que pegou o filho com uma namoradinha na cama e o obrigou a ir à Igreja Batista “expulsar o demônio”. Com tanta pressão, Regis fez as malas saiu de casa. Aos 33 anos descobriu-se transexual, casou-se e, hoje, planeja ser juiz.
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 NA LUTA 

Samy ainda peleja os dilemas familiares. “Com 16 anos, entrei em depressão e quis me matar. Já saí de casa, voltei e hoje, aos 20, como o pão que o diabo amassou”, revela.  . Na escola, porém, ele conseguiu o direito de ir ao banheiro masculino. Atualmente trabalha como atendente da Faculdade Anhanguera e faz faculdade para ser assistente social. Lá, depois de algumas brigas, ele finalmente conseguiu ser reconhecido como sempre sonhou: um homem
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“A maior alegria é ter o corpo acompanhando a mente. E, claro, ser reconhecido como tal”, finaliza.


 FILHA DE ANGELINA E BRAD AFIRMA SER MENINO 
Com quatro anos, a filha do casal Angeline Jolie e Brad Pitt, a pequena Shiloh, afirma ser um menino. “Ela gosta de se vestir como um garoto, quer ser um garoto. Nós temos que cortar o cabelo dela, pois ela pensa que é um dos irmãos”, disse Angelina. 



Angelina e Brad não se importam que a filha vista roupas consideradas masculinas
O pai Brad, em entrevista à Ophah Winfrey, concordou com a esposa e chegou a dizer que a filha só respondia quando a chamavam de John. “Se eu digo: Shi, você quer... ela me interrompe e diz “John. Sou John.” “Então eu digo: 'John,  você quer suco de laranja?' Aí ela responde: Não!
Por Neto Lucon / revista Junior (2010).
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Crossdressing não é travestismo

Literalmente, segundo José de Abreu, CROSSDRESSING, significa “trocando de roupa”, mas é bem mais do que isso. O cerne do crossdressing está na inversão de papéis, um jogo onde o homem se veste e se comporta como mulher e vice-versa. Estranho? Tem gente que adora por pura farra ou porque sente tesão. Mulher que gosta de ver seu homem de calcinha ou homem que curte uma gata de paletó e gravata.  Pode ser problema quando a coisa se transforma numa preferência quando, por exemplo, o homem só se excita realmente ao usar uma roupa feminina, íntima ou não. 

Não se deve, porém, confundir o crosdressing com o travestismo. Ao contrário deste, o crossdressing é um jogo a dois, geralmente praticado entre quatro paredes por pessoas declaradamente heterossexuais.

O crossdressing não é novo e já se manifestou inclusive nas artes. O teatro japonês é um exemplo, mas a razão era cultural e tradicional porque as mulheres não podiam participar de peças teatrais e os homens as substituíam. Houve época em que os nobres europeus vestiam roupas adornadas e saltos altos com os quais ficou famoso o Rei Luis XV da França.

Estima-se que somente nos USA oito em oito milhões e meio de homens adultos praticam o crossdressing. Este é um segredo que a sociedade nos obrigou a guardar, mas é muito mais comum do que a maioria imagina e está dentro das chamadas atividades normais.
Alguns casos:
Depois de usar calcinhas de sua mulher (a ex-Spice Girl Victoria), fazer balayagem e raspar as sobrancelhas, o astro do futebol inglês David Beckham andou aplicando esmalte cor-de-rosa nas unhas. Fotografado com esmalte nas unhas, o jogador lançou a moda entre os britânicos. “Muitos homens estavam entrando na loja e pedindo esmalte. Os funcionários estavam um pouco confusos no início até que ficaram sabendo que Beckham tinha sido o culpado de tudo, disse o porta-voz de uma rede de supermercados em Londres.”

Edward VIII entrou para a História por ter abdicado do trono inglês em 1936 em nome do amor. Se permanecesse no poder, não poderia casar-se com Wallis Simpson, com quem viveu até o final de seus dias. A sua personalidade romântica foi arranhada anos atrás quando se soube que ele nutria simpatia pelos nazistas. Agora uma nota curiosa foi acrescentada a sua biografia. Edward gostava de vestir-se de mulher nas festas à fantasia de que participava.


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"Heterossexualidade não é natural, é compulsória", afirma sociólogo

http://1.bp.blogspot.com/__eB7sE6V-pA/TAIimBn0EaI/AAAAAAAABN4/gFxDuWwTHfc/s400/Bi-4.jpgApesar das mudanças sociais e maior abertura com relação à discussão da sexualidade, os bissexuais ainda são vistos com desconfiança são e alvo de preconceito. Um exemplo é Daniela Mercury, que desde que assumiu seu relacionamento amoroso com uma mulher tem sofrido críticas. A declaração da cantora atingiu também seu ex-marido, Marco Scabia. Ter dito que aceitava com naturalidade a sexualidade da ex-mulher causou estranhamento e lhe rendeu ser ironizado até na imprensa. Para Richard Miskolci, professor do departamento de Sociologia da UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), a sociedade exerce forte influência para que os indivíduos se definam como heterossexuais. "Todos têm essa possibilidade de se relacionar com o mesmo sexo, mas, no processo de socialização, as pessoas podem perdê-la. Desde crianças somos adestrados. Heterossexualidade não é algo natural, hoje sabemos que ela e compulsória", declara Miskolci.
 
http://3.bp.blogspot.com/-q4ojkz774Y4/T3OC-2nzqHI/AAAAAAAADe0/hrR_Xr6Zn50/s1600/casal-gay.jpg"Nas ciências sociais, desde a década de 1960, começaram a surgir estudos que mostram que as pessoas são socialmente treinadas para gostar do sexo oposto", afirma o professor, que pesquisa o uso das mídias digitais voltadas para pessoas que buscam parceiros amorosos. "Muitos homens casados ou com noiva e namorada criam perfis buscando relacionamento com outro homem, a maioria em segredo" (veja no quadro dados de um site de encontros em relação a bissexuais). Preconceito A educadora Juliana Inez Luiz de Souza, 25 anos, que também é assessora em uma central sindical de Curitiba, no Paraná, conta que é muito comum sofrer preconceito quando está de mãos dadas com sua mulher. "Ouço frases do tipo: "Posso entrar no meio?" ou "Sapatão dos infernos". Já jogaram ovo na gente, levei cuspida junto com uma namorada", declara Juliana. "Mas não é porque sou casada com uma mulher e pretendo ficar muito tempo com ela que eu sou lésbica. E também não significa que quando estou com um homem sou heterossexual. Sou bissexual. E as pessoas precisam saber que isso existe". Além dos problemas enfrentados por Juliana, muitos outros podem aparecer no caminho de quem decide mostrar à sociedade que essa é sua orientação sexual. "O bissexual sofre muito preconceito. Já ouvi muitas vezes que não existe bissexual, mas homossexual que não quer se assumir. Isso não é verdade", afirma o psiquiatra, sexólogo e diretor do departamento de Sexualidade da Associação Paulista de Medicina Ronaldo Pamplona da Costa. Segundo a psicanalista Regina Navarro Lins, é comum a acusação de que os bissexuais ficam em cima do muro. "São tidos como gays enrustidos. Numa cultura de mentalidade patriarcal, se você diz que é bissexual, também informa que faz sexo com seu oposto, o que pode amenizar um pouco o preconceito", afirma Regina, que é autora de onze livros entre os quais "A Cama na Varanda" e "O Livro do Amor" (editora Best Seller), além de manter um blog no UOL Ideia equivocada Além de tachados como indefinidos sexualmente, os bissexuais também podem ser considerados promíscuos por alguns, como conta Juliana. "É outro clichê: bissexual é pervertido e topa tudo. As pessoas têm a visão que bissexual não se completa só com um na hora da transa, que precisa ter o outro", fala a assessora, que completa: "Eu me contento muito bem, seja com um ou com outro. Estou casada com uma mulher há três anos e minha relação é monogâmica, como a maioria dos casamentos, no estilo tradicional". A psicóloga Claudia Lordello explica que essa é uma ideia errada a respeito das pessoas com essa orientação. "O bissexual pode ter relacionamentos estáveis e duradouros", afirma ela, que também é sexóloga do projeto Afrodite, o ambulatório de sexualidade feminina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). "Há promíscuos e não promíscuos heterossexuais, bissexuais e homossexuais. O indivíduo que realiza sua bissexualidade não pode ser considerado promíscuo por esse comportamento exclusivamente", declara a psiquiatra Carmita Abdo, fundadora e coordenadora do ProSex (Programa de Estudos em Sexualidade da USP). "Promiscuidade é trocar ou acumular parcerias sem critério e sem limite. É fazer do sexo uma forma banal e irresponsável de relacionamento. E isso resulta de um perfil de personalidade independentemente da orientação sexual", diz a médica.
http://kencurte.files.wordpress.com/2011/04/bissexualidade-2011.jpg?w=400&h=300

Carmita explica que o bissexual tem como característica sentir-se atraído pelos dois sexos, mesmo que não exercite essa prática. "Essa pessoa pode decidir e se empenhar para restringir-se a um só tipo de relacionamento, porque fez um investimento emocional numa relação, constituiu família por exemplo. Mas, em essência, o bissexual continua atraído por homens e mulheres". Ou seja: há os que se definem por uma relação no concreto e sublimam o outro lado ou o vivem apenas na fantasia, por meio de filmes, internet. E há os que fazem sexo de forma concreta com homens e mulheres. Pesquisa Em 2008, para o estudo Mosaico Brasil, coordenado pela psiquiatra Carmita Abdo, foram entrevistados mais de 8.200 brasileiros entre 18 e 80 anos, em dez capitais, sendo 49% homens e 51% mulheres. Entre várias outras perguntas, os participantes responderam se faziam sexo habitualmente só com homens, apenas com mulheres ou com os dois. O resultado: 2,6% dos homens responderam que faziam sexo com ambos e 1,4% das mulheres deram a mesma resposta. "Ou seja, 4% das pessoas se identificaram como bissexuais, no Brasil. É um número que coincide com as estatísticas internacionais de pessoas adultas que já têm sua orientação sexual definida", conta Carmita. Fronteiras Para a historiadora Mary Del Priore, a noção de bissexualidade ganhou força a partir dos anos 1970, com as transformações sociais como a entrada das mulheres no mercado de trabalho, a liberdade sexual trazida pela pílula anticoncepcional e o movimento hippie. "Mulheres vestem calças compridas e se masculinizam para vencer profissionalmente. Rapazes deixam os cabelos compridos. Começam a se apagar as fronteiras entre o que é masculino e feminino, permitindo às pessoas transitarem de um papel para o outro. É o pano de fundo para o conceito da bissexualidade", fala Mary, que estuda a sexualidade no Brasil através dos séculos. "Caminhamos para um mundo onde os papéis sexuais vão ficar cada vez mais diluídos e as pessoas vão se permitir escolher e não ser necessariamente a mesma coisa a vida toda", afirma a pesquisadora, que finaliza: "A bissexualidade se abre hoje como uma possibilidade para todo mundo. Acho que a intolerância em relação ao bissexual vai decrescer". O pensamento da psicanalista Regina Navarro Lins segue essa linha de raciocínio. "É possível que haja mais bissexuais daqui a algum tempo por conta da dissolução das fronteiras entre masculino e feminino. Não existe mais nada que só interesse a mulher ou ao homem". Ela também explica os motivos que a levam a concordar que os bissexuais terão mais liberdade para assumirem sua orientação. "Acredito que, no futuro, muito mais gente poderá ser bissexual porque a escolha de objeto de amor provavelmente se dará pelas afinidades e não pelo fato de ser homem ou mulher", afirma. Tudo pode mudar O indivíduo pode descobrir ter atração pelos dois sexos em qualquer momento da vida. "Esse interesse pode ser pelo mesmo sexo ou o contrário: a pessoa vive uma relação homossexual e, descobre que tem desejo pelo sexo oposto", segundo a psicóloga Claudia Lordello. O psiquiatra Ronaldo Pamplona da Costa também acredita nesta possibilidade. "A orientação sexual pode ir mudando no decorrer da vida. Sei do caso de um homossexual assumido por 30 anos, casado com outro homem que, aos 60, casou com uma mulher por opção", fala o psiquiatra que também é autor do livro "Os Onze Sexos – As Múltiplas Faces da Sexualidade Humana" (Kondo Editora). Mas, segundo Fernando Seffner, professor da pós-graduação em Educação e coordenador da linha de pesquisa em Educação, Sexualidade e Relações de Gênero na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), não existe uma estrutura social que permita ao bissexual viver sua orientação tranquilamente. "O sujeito prefere manter compromisso estável com uma mulher, de quem gosta de verdade, e ter relações com homens em segredo", conta Seffner, cuja tese de doutorado abordou a bissexualidade masculina. Para ele, o movimento gay tem o grande mérito de ter construído a homossexualidade como vida viável, com possibilidade de adotar filho, ter um companheiro, estrutura social, mesmo com os preconceitos.
Fonte: BOL
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Projeto da prefeitura prepara travestis e transexuais para disputar emprego

Depois de três anos vivendo de trabalhos informais, como ficar horas em pé, debaixo de sol ou chuva, nos canteiros das ruas da Barra e do Recreio, segurando cartazes de lançamentos imobiliários da região, Carol Trajano não pensou duas vezes quando soube por um amigo que havia uma vaga de operadora de loja na Casa & Vídeo. Mandou o currículo e, no dia da entrevista, apareceu, como convém nesses casos, vestida e maquiada discretamente, com os longos cabelos louros presos. Aprovada pelo gerente, Carol hoje tem carteira assinada, fica na caixa e repõe mercadorias. Num país em que a taxa de desemprego não chega a 5,5%, o final feliz seria ordinariamente comum para qualquer jovem de 22 anos — mas não para ela. Carol não nasceu Carol. 

— Para uma travesti, conseguir emprego é igual a ganhar na Mega-Sena. É muito difícil — assegura.
Carol faz parte de uma força de trabalho numerosa e invisível, que não consta do Censo nem faz parte de qualquer estatística — a de travestis e transexuais. Ignoradas, as centenas de cariocas, talvez até alguns poucos milhares, que nasceram homens, mas hoje têm aparência e identidade — não a do RG, mas a subjetiva — femininas, enfrentam a rejeição do mercado de trabalho. Por mais qualificadas que sejam, por mais esforço que demonstrem e diplomas que exibam, as portas se fecham com estrondo. Para tentar mudar esse quadro, a Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual do Rio tem apostado no projeto Damas, que, junto com secretarias municipais, procura fazer a inclusão social e profissional de travestis e transexuais, como noticiou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO. 

As alunas têm, por cinco meses, aulas variadas, que vão de reforço escolar a palestras sobre hormônios e direitos civis. A teoria e a prática se alternam durante o curso: as alunas também aprendem como dar entrada no processo para mudar de nome na Justiça, procedimento que pode levar três anos. Atualmente, na Defensoria Pública, 35 pessoas aguardam sentença, e apenas cinco conseguiram efetuar a troca. As alunas são orientadas ainda sobre como fazer um currículo trans — o nome social deve sempre aparecer na frente, entre parênteses. Juntando experiências diferentes, travestis e transexuais que se prostituem com os que são sustentados pelos pais ou vivem de bicos, o Damas tem feito sucesso. Já atendeu cerca de 50 pessoas, deixou gente de fora por falta de vagas, mas as inscrições para uma nova turma de 20 alunas já estão abertas, pelo telefone 2976-9137.
— A ideia era atender apenas quem vivia da prostituição, mas nos surpreendemos com meninas que tinham formação em direito, psicologia pela PUC... Há pessoas qualificadas, mas uma dificuldade enorme dos empregadores. O projeto não tem como garantir emprego a ninguém, mas esperamos sensibilizar as empresas — diz Carlos Tufvesson, coordenador especial de Diversidade Sexual. 

Empresas ainda resistema contratar
Há pouco mais de um mês na Casa & Vídeo, Carol, que passou pelo Damas, sabe que seu caso é uma exceção:
— Pela primeira vez, posso trabalhar como sou. Uso o cabelo longo, passo sombra nos olhos. Trabalhei em lanchonete com meu nome de registro, masculino, no crachá. Os gerentes me mandavam cortar o cabelo, fingir que era homem. Agora, um cliente ou outro me olha torto, faz piada, mas eu sou muito bem tratada pela empresa.
A supervisora do Damas, Beatriz Cordeiro, ainda conta nos dedos das mãos quantas alunas conseguiram emprego.
— A história é sempre igual. As meninas participam de processos seletivos, fazem entrevista, treinamento. Mas, quando entregam os documentos para ser efetivadas e as empresas veem que o nome é masculino, é aquele choque. Os recrutadores dizem que foi um engano, que a vaga já havia sido preenchida — diz Beatriz, ela mesma uma transexual que já viveu na pele a experiência da rejeição diversas vezes. — Procurava empregos administrativos, sem contato com o público, mas nem assim conseguia. O empresariado é resistente.
Lara Lincoln foi uma das que conseguiram emprego através do Damas. Ela foi contratada como recepcionista pelo salão HBD Spa, em Ipanema. As clientes, diz, a aceitam. Já as senhoras da limpeza... 

— Algumas me chamavam de “ele”. Mas, com jeitinho, resolvi isso.
Para o pesquisador Guilherme Almeida, do Laboratório Integrado de Diversidade Sexual e de Gênero, Políticas e Direitos da Uerj, a situação só vai melhorar quando a mudança de nome (que, no Brasil, só é feita judicialmente) for menos burocrática:
— Na Argentina e em Portugal, basta procurar o cartório com laudo médico. Quando o empregador vir o nome feminino diante da figura feminina, terá mais facilidade para contratar.
Consultorias de RH evitam o tema
Não é difícil perceber que o assunto é tratado com muita reserva. Repórteres do GLOBO procuraram três consultorias de RH para que elas falassem sobre as dificuldades de contratação de travestis e transexuais. Duas disseram não ser possível marcar entrevistas, mesmo com mais de 48 horas de antecedência. Uma delas foi mais sincera: ninguém da empresa ia falar, porque o assunto era muito “espinhoso”.
Nesse universo que mistura preconceito e desinformação, muitos travestis e transexuais acabam no mercado do sexo. E quem disse que é fácil sair dele? Juliana Silva, de 31 anos, não esconde de ninguém que já vendeu o corpo na Zona Oeste, onde nasceu, e depois na Espanha e na Itália. Três anos de Europa bastaram para ela voltar com um pé de meia, investido num curso de técnica de enfermagem. Formada desde 2010, Juliana é a única da turma de 30 alunos que nunca conseguiu emprego. 

— Fiz inscrição em clínica particular, empresa de home care, mas ninguém me chama. Todos acham que o lugar da travesti e da transexual é só a prostituição. Ninguém dá chance. Você almoça fora todo dia? Tem alguma travesti no restaurante que você frequenta? Você conhece alguma jornalista transexual? — pergunta.
A dificuldade também foi sentida por Tatiana Crispim. Formada em direito, ela não conseguia vaga nem como atendente de telemarketing. Hoje, trabalha como assessora jurídica num escritório de advocacia, onde os cinco advogados sabem que ela é transexual. Ninguém mais:
— O transexual está no topo da pirâmide do preconceito. Como será a reação das pessoas aqui do prédio? Dos outros advogados que vêm aqui? Para todos, eu sou a doutora Tatiana, e pronto. E agora? — preocupa-se, escaldada pelos relacionamentos amorosos. — Quando eu conheço um cara, nunca passo da página 20. Para ir para a 21, tenho que contar quem eu sou. E aí a reação é sempre a mesma. Todos vão embora.
Bacharel, ela pretende fazer novamente a prova da Ordem dos Advogados do Brasil, na qual foi reprovada ano passado. A prova de fogo no emprego ela já venceu.
— Ela é ótima, muito competente — diz Sérgio Camargo, empregador de Tatiana. 

Do O Globo




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Primeira travesti a fazer novela, Claudia Celeste diz: “Não tenho saudades da tevê, gosto mesmo é dos palcos"



Foi em 1977 o ano em que a televisão brasileira trouxe pela primeira vez a presença de uma atriz travesti em novelas. Trata-se de Claudia Celeste, estrela do teatro que estrelou Espelho Mágico, da Globo, e causou um verdadeiro boom. A atriz esteve no núcleo de coristas da novela e, para o público, era vista apenas como mais uma mulher.

Porém, os holofotes em cima da atriz estiveram com os dias contados. Por conta do Regime Militar, que não permitia que travestis e transexuais aparecessem na tevê, ela teve que sair às pressas do folhetim. Claudia só voltou em outra telenovela dez anos depois, em Olho por Olho (1988), de José Louzeiro, na extinta TV Manchete.
Lá, fez sucesso na pele da travesti Dinorá, que cativou o público. Foi a única travesti a estrelar uma novela inteira até os dias de hoje. 
Aos 61 anos, a atriz tornou-se nome de prêmio sobre a diversidade sexual, continua vivendo de arte, se uniu a grandes talentos trans - tais como Rogéria, Divina Aloma, Suzy Parker e Marquesa - e desenvolve um belo trabalho para resgatar os antigos shows com vedetes travestis. 
Em entrevista ao NLucon, a atriz relembra seus momentos na TV, a atual presença do grupo na mídia e revela por que não voltou a aparecer em novelas. Parte da entrevista abaixo foi publicada no site de celebridades, O Fuxico.

Antes mesmo de Rogéria estrelar Tieta, em 1989, você esteve em uma telenovela nos anos 70. Como foi driblar a ditadura e fazer história na tevê?

Foi um momento importante, pois era impossível falar de travesti na televisão. Fui convidada pelo Daniel Filho quando fazia o papel de mulher no teatro Brigite Blair e ele nem sabia que eu era travesti. Mas como já era conhecida do meio (ela foi Miss Brasil Trans 1976) a mídia começou a noticiar sobre mim. Resultado: a Globo teve que me cortar. Mas não me abalei, nem fiquei triste, apesar de ser muito jovem. Encarei muito profissionalmente, sem estrelismos. Pensei: fiz uma ponta, gravei alguns dias, ganhei meu cachê e está tudo certo.
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"Nos bastidores, diziam que eu parecia com a Sônia Braga"

Como foi contracenar com a Sônia Braga?

Foi maravilhoso, ela é uma pessoa muito gracinha e este foi um dos primeiros papeis dela como estrela. Teve um fato curioso nos bastidores, pois diziam que nós éramos muito parecidas. Quando nos vimos, ela concordou e disse: “Nem minha irmã é tão parecida comigo” (risos). Também contracenei com Lima Duarte e ele também demonstrou ser um grande profissional.
Você sofreu com o Regime Militar?

(Respira fundo) Não posso dizer. Teve o problema da novela, mas fora isso não posso revelar...

Conta então alguma curiosidade daquela época...
Por causa da Coccinelle [transexual francesa dos anos 60 que se casou na igreja católica] fizeram um show chamado Internacional 7, anunciando para a imprensa um casamento gay. Foi um escândalo e parou o Rio de Janeiro. Para a noiva, chamaram a Marquesa, que parecia uma dona da alta sociedade... Estava tudo lindo, trouxeram até um bolo de noiva, mas desandou tudo, chamaram de casamento do diabo e ela foi presa. Em vez da coisa ir para o lado positivo, foi para o lado negativo. Isso foi em 63.
Por que demorou tanto tempo para estrelar outro folhetim?

Fui trabalhar com shows na Europa, me casei e vivi durante este tempo lá. Até que estive no Teatro Alaska, no Rio, e me disseram que abriram um teste para a TV Manchete. Procuravam um papel de travesti que fosse feito por uma atriz travesti e não por um homem. Fiz o teste com 150 artistas, fui uma das últimas chegar e me dei bem. Antes mesmo de voltar a minha casa tive a notícia que era para voltar para lá. Fiquei sabendo que, se eu não fosse fazer, era a Claudia Wonder que ficaria com o papel...
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"A Globo teve que cortar, mas não me abalei. Fiz a minha ponta, recebi e está tudo certo"

Em Olho por Olho conseguiu finalmente mostrar o seu talento? 

Foram 130 e poucos capítulos e fiz a novela praticamente de cabo a rabo. Todos os dias tinha uma cena comigo, com texto e até musical. Como o José sabia que eu tinha um trabalho nos palcos, aproveitou muito bem na novela. Aliás, ele sempre perguntava a opinião sobre o texto, se estava muito longe da realidade, se estava em disparate com a Dinorá. Muitas vezes estava e ele alterava. Trabalhei com Beth Goulart, Mario Gomes e todos foram legais. Nunca me fizeram nada parecido como este papel, travesti só faz ponta na tevê.

O que pensa sobre os novos personagens trans?
Não dizem muita coisa, tudo é feito pela metade e ainda estamos fadadas ao deboche. A Rogéria, por outro lado, teve um papel maravilhoso em Lado a Lado, interpretando uma senhora, avó. Ela é um ícone, fantástica. Hoje, temos a Lea T e ela está mostrando um lado positivo, de uma trans com profissão. Mas temos que lembrar que nem toda travesti é artista. 

Sente saudades das novelas?
Não sinto saudades, eu voltei para a Europa depois de Olho por Olho, fiquei morando 16 anos lá, trabalhando com meu marido fazendo espetáculos na Alemanha, França e Espanha. Quando voltei, há 10 anos, já havia perdido o contato com todo mundo, não voltei mais. Hoje, tenho vontade de trazer de volta os grandes espetáculos de travestis no teatro. Acho que essa é a minha praia, é o que eu sinto e gosto de fazer. .
"Hoje, tenho vontade de trazer os grandes espetáculos de travestis no teatro"

Você se descobriu trans no teatro?

Me descobri... Comecei a trabalhar com arte e me vestir como mulher em 1973. Saí do exército e peguei o emprego de maquiadora. Comecei a frequentar o universo do teatro e comecei a ter vontade de me vestir. Vi a Valéria [trans cantora brasileira] e achei demais. Em 1968, houve uma proibição e os espetáculos ficaram parados. Em 1973, o Américo Leal conseguiu uma concessão para o retorno. Eu estava com 21 anos e já estava trabalhando em uma boate como mulher, pois era muito feminina. Me apresentaram para ele, fiz um teste e entrei para o elenco do Teatro Rival.
Neste período, não existiam tantas referências como temos hoje. Em quem se inspirou?
Realmente era uma das poucas que tinha seios, que era trans mesmo. A maioria era transformista. A primeira que eu vi foi a Valéria, que foi capa da Manchete e assisti em um espetáculo. Fiquei doida! Eu já era maquiadora e disse: “É isso que eu quero fazer, me vestir de mulher, entrar em cena e ser artista". Me vesti de mulher por causa dos espetáculos e o resto foi consequência. Sabe, as coisas vão acontecendo de uma maneira tão rápida que a gente nem percebe os porquês e as referências.
Você sempre diz que neste período travesti não era sinônimo de prostituição...

E não era mesmo, não se falava disso, embora existisse. As artistas não tinham contato com o meio da prostituição, era outra coisa. O teatro de travesti era considerado uma especialidade da arte. Éramos artistas e é exatamente por causa dessa história que queremos uma ONG, que começou com a Welluma [Brown, a travesti chacrete], e que visa valorizar a cultura LGBT. 

Como é essa ONG?
Queremos capacitar esses novos jovens artistas, que perderam o profissionalismo, a direção. Está tudo jogado, as pessoas fazem o que querem no palco, sem direção, sem nada. É claro que pode bater cabelo, afinal é uma manifestação atual, mas são necessárias algumas referências e direção. Hoje,  por conta da falta de referência, ficou a imagem da prostituição, das travestis bagunceiras... Quero um espetáculo com algo bonito, de luxo, de categoria, nada que denigra a imagem da mulher. Quero que a travesti seja vista como algo bonito, como arte. .
"Falta direção nos shows de travestis atualmente"

Atualmente, você continua trabalhando como artista?

Claro! Estou escrevendo um livro chamado o Glamour das Divas, ao lado de um professor de história e da Suzy Parker. Vamos contar as histórias das grandes figuras que representaram os espetáculos de travestis no Brasil dos anos 60 até os 80 - que foi até quando realmente houve uma valorização. Pretendo lançar em 2014. Também estou com esta ONG que visa resgatar a história da arte LGBT . E dirijo o Miss T Brasil, que está em sua segunda edição. Além disso, faço parte do show Agora É Que São Elas, com Rogéria, Valéria, Aloma, todas as veteranas do show de travestis. E também escrevo outros textos para o palco... 

Que fôlego! E o que o palco representa para você? 

(Pensativa) É algo muito profundo. Chego a compará-lo com minha respiração...
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Claudia Celeste em Olho por Olho, com Mario Gomez
Claudia no filme Beijo na Boca
 
Do Nlucon
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Sobre este blog

Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

Me proponho aqui a falar um pouco de tudo, em especial das Crossdressers, dos transexuais, dos Travestis e da enorme comunidade
LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

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