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'Sangue Bom': Luiz Andre Alvim é a Mulher Pau de Jacú

“Você tem de transformar esse crocodilo em uma pombinha?” Foi com essa pergunta que Luiz André Alvim – a Mulher Pau de Jacú de “Sangue Bom” – foi recebido pela equipe de caracterização da novela das sete.
Unha postiça, aplique nos cabelos, maquiagem, enchimento de seios e bumbum, depilação... Todo esse processo de transformação de Luiz na mulher-fruta travesti leva duas horas e meia. A produção, porém, vale a pena , já que, muitas vezes, Luiz sequer é reconhecido. “Chego para gravar, dou bom-dia e nada. Só quando estou caracterizado que o pessoal fala ‘e aí, Mulher Pau de Jacú, já chegou?’”, conta o ator, que aproveita para elogiar a equipe. “Fico admirado com o trabalho. Quando estou pronto e me olho no espelho, vejo outra pessoa. Acho que 50% do personagem existe graças ao pessoal da caracterização.”
Mesmo sendo experiente em interpretar mulheres – em 2009, Luiz fez uma senhora francesa na peça “Ensaios de Mulheres”–, o ator fala de alguns incômodos. “Travesti é diferente de mulher. Mas tem muita coisa que estou aproveitando, como andar de salto alto. Só que dançar funk de salto é mil vezes mais difícil”, confessa Luiz. “E tem de ter atenção o tempo inteiro. O ombro na posição certa, a voz vem no tom ideal para mulher. Mas, o tanto de coisa que uso por baixo – a base para o bumbum e peito, o corpete – me incomoda muito. Ainda não me acostumei”, revela o ator.
laboratório/ Para viver a mulher-fruta, além de desvendar o universo feminino, Luiz mergulhou no mundo do funk. “Fui em um baile funk e vi muita coisa pela internet. Mas como não achei nada parecido com travesti no baile, fiz uma mistura”, afirma o ator, que destaca a importância de representar os travestis. “É uma honra. O travesti de ‘Sangue Bom’ está em uma posição de destaque, como uma mulher-fruta, sem preconceitos. Esse é o grande ouro dos autores e um presente que eu ganhei.
Bom humor e cumplicidade nos bastidores da novela
Em “Sangue Bom”, a Mulher Pau de Jacú  tem a companhia de quatro belas frutas: Mulher Mangaba (Ellen Roche), Mulher Saputá (Vânia Love), Mulher Pupunha (Dani Vieira) e Mulher Jambolão (Fernanda Abraão).Luiz, o único homem entre as atrizes, falou sobre o clima nos bastidores.
“Sou uma piada ambulante. Sou muito grande e, de salto, fico com dois metros de altura. É uma diversão só”, diz ele, que também dá o mérito às colegas de elenco. “As meninas são muito divertidas. Tanto as mulheres-fruta, quanto a Marisa Orth, que também contracena com a gente. Todas me ajudam muito. Ajeitam meu peito quando está fora do lugar, arrumam meu cabelo, me ajudam com a coreografia”, conta Luiz, que fala com bom humor das dificuldades da dança.
“Tem uma coisa que as meninas fazem com o quadril que eu nunca vou conseguir repetir. Estou sempre atrasado na coreografia, elas vão para um lado e eu para outro. A Mulher Pau de Jacú não é uma boa dançarina. Mas se esforça e, pela cara que faz, quem vê acha que ela dança demais (risos).”
MAIS:
Ator concilia ‘Sangue Bom’ com teatro
Além da novela, Luiz – que faz parte da companhia teatral Atores de Laura há 21 anos – está em cartaz com dois espetáculos diferentes: “Absurdo” e “O Enxoval”, ambos em cartaz no Teatro Laura Alvim, no Rio de Janeiro.
Companheirismo na vida real
Apesar dos quase dois metros de altura e os olhos claros, Luiz dispensa a fama de galã. O ator é casado com uma atriz, mas garante que ela não tem ciúme e diz que ela palpita em seu trabalho. 




Luis André Alvim, a mulher Pau de Jacu, ao lado de suas colegas popozudas
 
Ele tem uma extensa carreira no teatro, como ator, diretor e iluminador. E foi na preparação para uma peça que Luiz André Alvim, um homem de 1,90m e 94 quilos, fez desabrochar o seu lado feminino, que agora exercita como a Mulher Pau de Jacú, travesti que é uma das frutas do pomar da funkeira Mulher Mangaba (Ellen Roche) em “Sangue bom”. Casado com uma atriz, ele está gostando do resultado da transformação.
Como descobriu a mulher que existia em você?
Interpretei uma senhora francesa em um espetáculo em 2009 e, para compor essa personagem, ficava em casa vestido de mulher, fazia xixi sentado, atendia o telefone com voz feminina... E tinha que depilar a coxa e o peito.
A “tortura” continua...
É, e agora em maior grau. Tenho que depilar até a virilha, por causa das roupas curtas. A depiladora pergunta se está doendo, e, enquanto eu digo que não, uma lágrima chega a correr do meu olho.
Você é casado com uma atriz (Diana Herzog). O que ela tem achado da sua performance como a Mulher Pau de Jacú?
Ela está se divertindo. Me dá dicas, conselhos... E implica com uma tensão que eu tenho no nariz.
Seus trabalhos em televisão são menos numerosos, mas você tem uma extensa carreira no teatro...
É. Fui um dos fundadores, em 1992, da Companhia Atores de Laura, da qual até hoje participo como ator, diretor e iluminador. Faço parte ainda do grupo Pedras de Teatro desde 2001. Mas em TV eu só tinha feito participações no seriado “Confissões de Adolescente“, em “Malhação”, na minissérie “JK” e na novela “Ti ti ti”.
Tem sentido muita diferença entre as linguagens?
Bastante. No teatro, você tem que se preocupar com o público da vigésima fileira. Na televisão, tudo é muito menor. Tem sido um aprendizado gratificante e estimulante e um desafio divertido.
E já dá para ser reconhecido na rua?
Ainda não. Até no estúdio da novela as pessoas da equipe não me reconhecem quando passo com roupas de homem; elas só cumprimentam a Mulher Pau de Jacú.

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