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Transexual Raphaella Lopes: "A prostituição não é um destino"


Economia aquecida é sinônimo de vagas abertas para o mercado de trabalho, entretanto, para mulheres transexuais e travestis, a possibilidade de conseguir um emprego formal esbarra no preconceito e discriminação. Para a transexual Raphaella Lopes, 21, isso não foi o suficiente para barrar a sua vontade de realização profissional e, desde fevereiro deste ano, conseguiu um emprego de carteira assinada como promotora de vendas.
A primeira conquista de Rapahella - sugerida através da ferramente VC repórter - foi a consagração do esforço para ser reconhecida pela sociedade. "É ótimo saber que estou em um ambiente em que as pessoas me aceitam e não tiram chacota pelo que sou", comemora.
Raphaella, que oficialmente ainda é Felipe Lopes, foi chamada para a entrevista de emprego e logo os empregadores perceberam o gênero dela. "Minha supervisora me disse que não ia perder uma boa profissional com um bom currículo só pelo gênero ser diferente", explica. Apesar do reconhecimento e do respeito dos colegas de trabalho, a promotora de vendas não poderia utilizar sua identidade social no crachá devido a burocracias. "Me autorizaram, então, a colocar um tarja em cima do crachá e usar a minha identidade social", explica.
A aceitação também veio por parte dos clientes, que diversas vezes nem percebem que ela é uma mulher transexual. "Minha condição nunca atrapalhou meu trabalho", afirma.
"A prostituição não é um destino"
Transexuais e travestis enfrentam ainda estigmas ligados à violência e à prostituição que parecem não se dissociar do gênero, mesmo com o esforço dos indivíduos para serem reconhecidos por diversos segmentos da sociedade. Só recentemente, por exemplo, alguns Estados reconheceram o uso do nome social sem que tenham feito a mudança de redesignação sexual.
"Muitos dos transexuais não querem passar pelo processo cirúrgico por ser difícil e doloroso", detalha o professor e pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC), Alexandre Fleming.
Para o professor, o mercado de trabalho em Fortaleza ainda precisa se abrir mais para pessoas de outros gêneros. "Não é só aceitá-las no emprego, é preciso aceitar a identidade social delas", afirma Alexandre Fleming. "Às vezes um empregador associa aos candidatos de empregos estigmas e não leva em conta outras trajetórias que não remetem aos preconceitos atribuídos ao gênero", completa.
O pesquisador ressalta que a abertura do mercado de emprego ajuda a própria sociedade a compreender as transexuais e os travestis, evitando a estigmatização dos indivíduos. "A prostituição não é um destino, é uma circunstância da discriminação e da violência. Para se ter uma ideia de como a sociedade, em geral, ainda é fechada, a transexualidade é tratada pelo Código Internacional de Doenças como uma patologia", explica.
Formação profissional
Apesar dos casos de transexuais no mercado de trabalho formal, as ocorrências ainda são isoladas. Para evitar a escassez dos exemplos, a Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos de Fortaleza (SDH), através da Coordenadoria Municipal de Diversidade Sexual, está aproveitando os grandes eventos que a cidade vai receber nos próximos anos para realizar a capacitação profissional de pessoas desses gêneros.
"A SDH está realizando, neste momento, um mapeamento das principais necessidades das mulheres transexuais e dos travestis, avaliando sempre as possibilidades do mercado de trabalho", afirma Andrea Rossati, titular da Coordenadoria. O intuito é que sejam ofertados cursos na área do turismo, principalmente em hotelaria e recepção, para atender à demanda que vai surgir nas Copas das Confederações e do Mundo de 2014.
Para Andrea Rossati, o esforço não se limita apenas à abertura das oportunidades para as transexuais e travestis, mas na conscientização de que elas busquem por melhores possibilidades de vida. "Sabemos que tudo não vai acontecer da noite para o dia, mas temos que colocar na cabeça diversas meninas que existem muitos caminhos que não a prostituição", ressalta a coordenadora.

NOTA: Raphaella Lopes foi a vencedora do concurso Miss Ceará 2013 e vai representar o Ceará no concurso nacional que vai ocorrer em agosto deste ano.

Fonte: Diário do Nordeste - Via Canal 13

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