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Travesti denuncia motel ao MP por impedir sua entrada

O impedimento de casais gays em estabelecimentos comerciais acaba sendo comum e se torna um caso de homofobia. O promotor Flávio Gomes da Costa, da 61ª Promotoria de Justiça da capital recebeu, na manhã desta quinta-feira (13), a travesti Cindy Belucci, de 33 anos, que acusa um motel no bairro de Santa Amélia de ter impedido a entrada no local.
De acordo com a travesti, o estabelecimento se negou a oferecer o serviço durante a madrugada do sábado (8), após perceber que Cindy era homossexual e estava acompanhada de outro homem. “Eles não me aceitaram após notarem algo de estranho. Isso está errado, eles não aceitaram claramente”, diz Cindy.
Para fortalecer a denúncia, Cindy entregou na manhã de hoje ao promotor Flávio Costa uma gravação feita pelo celular da conversa com uma das atendentes do estabelecimento. Na gravação pode se ouvir claramente uma voz que diz: “São normas da casa impedir homossexuais”.
A declaração revoltou a travesti, que é alagoana e disse nunca ter passado por um constrangimento similar. “E olhe que vivo na Europa também e nunca passei por nada parecido nem aqui nem lá”, diz ela.

 
Cindy fez um boletim de ocorrência na polícia e foi encaminhada também dar entrada em um processo na Justiça Comum para conseguir uma possível indenização. “Nós recebemos a denúncia e vamos acionar os órgãos competentes como a Superintendência Municipal de Controle e Convívio Urbano (SMCCU) e Procon para dar segmento a um inquérito policial”, diz o promotor Flávio Gomes.
Segundo o promotor, o Ministério Público de Alagoas (MPE/AL) não compactua com nenhuma forma de preconceito, como ainda não existe nenhuma lei tipificando esse tipo de crime, o promotor espera buscar do município e do Procon quais outros crimes podem estar enquadrados na ação.

Do Alagoas 24hs

 
A travesti Cindy Bellucci compareceu à sede do Ministério Público Estadual (MP) de Alagoas, na manhã desta quinta-feira (13), para denunciar o que ela caracteriza como crime de homofobia. De acordo com Cindy, que é cabeleireira, ela e o companheiro foram barrados de entrar em um motel de Maceió por serem homossexuais.
Segundo a denúncia, o casal foi impedido de entrar no Amores Motel, localizado no bairro de Santa Amélia, na madrugada do último domingo (9), por volta de 3h, quando a funcionária que estava na recepção falou que o casal não poderia entrar e que é uma norma do estabelecimento proibir a entrada de dois homens no local. "Foi uma situação humilhante que eu nunca tinha passado. Mesmo com aparência de mulher ainda fui abordada e expulsa do local", disse Cindy.
A reportagem do G1 esteve no estabelecimento, mas os responsáveis não estavam no local. Por telefone, a proprietária do motel, Fabiana Limeira, confirmou que o casal foi impedido de entrar, mas disse que não foi por preconceito. Segundo ela, por motivo de segurança, "pessoas suspeitas" são impedidas de entrar no motel após meia-noite.
"Um outro motel nosso foi assaltado e fazemos isso por medida de segurança. Mas a determinação não é só para homens. Neste caso, aconteceu porque não eram pessoas conhecidas e já chegaram tarde da noite", alegou Fabiana, ao afirmar que a funcionária não será penalizada pela atitude.
Indignada com a situação, Cindy registrou queixa em uma delegacia da capital e, nesta manhã, entregou ao promotor titular da 61ª Promotoria de Justiça, Flávio Costa, a cópia do boletim de ocorrência onde ela acusou o motel de crime de constrangimento ilegal e preconceito.
A cabeleireira entregou à promotoria a cópia do áudio gravado na recepção do motel em que é possível ouvir a conversa entre ela e a suposta funcionária do estabelecimento. (Ouça ao lado).
Na gravação, Cindy pergunta o motivo pelo qual ela e o companheiro não poderiam entrar no motel. E a resposta dada pela mulher que seria a funcionária do motel é que "a casa não atende a dois homens. É norma". A travesti pergunta ainda se a funcionária sabe que ela é homossexual e se foi o patrão dela que teria implantando essa regra. Na gravação, Cindy ainda alerta o estabelcimento: "Isso é crime. Homofobia dá cadeia".
O promotor informou que a denúncia será apurada e que irá acompanhar a investigação da polícia. Costa disse ainda que além da homofibia, se for confirmada a proibição da entrada, também se configura um desrespeito à relação de consumo. "Se for configurado que houve homofobia, o caso será oficializado no Procon e na Secretaria Municipal de Controle e Convívio Urbano (SMCCU). Existe uma lei municipal que pune qualquer preconceito por parte de estabelecimentos comerciais", disse.
"Este é o segundo caso que recebemos de denúncia de homofobia. É um absurdo que em pleno século XXI as pessoas sejam mensuradas por causa da orientação sexual. O Ministério Público repudia essa atitude e acredita que deve haver punição porque as pessoas merecem respeito", falou.

Do G1



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