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Transexual do ES comemora uso de nome social em prova do Enem

Mesmo muito antes de sequer fazer a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Deborah Sabará, de 35 anos, já tem um grande motivo para comemorar. Ela está entre os 95 candidatos e candidatas transexuais que tiveram autorização do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para usarem nome social durante a prova.
A medida, inédita em 15 anos de Enem, dá aos transexuais o direito de serem tratados pelos gêneros e nomes que escolheram ter. A mudança na política do exame aconteceu depois que diversos candidatos e candidatas 'trans' reclamaram de episódios de constrangimento por não se parecerem mais com a foto no documento de identidade.
Para poderem garantir esse direito, os candidatos e candidatas precisaram ligar para um telefone de atendimento e solicitar um formulário específico. Entre as opções, estavam a designação em sala de aula conforme a ordem alfabética do nome social, o tratamento dado pelos fiscais e se iriam querer usar o banheiro masculino ou feminino.
Esse ano, Deborah vai fazer o Enem para tentar uma vaga no curso de serviço social da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Animada com o fato de poder utilizar o nome social, ela comemorou a decisão. "É um avanço, uma garantia de direitos, porque  a gente passa por uma violação de direitos o tempo todo. Espero que isso ajude centenas de outros transexuais", falou.
Deborah também contou que está feliz com o resultado do processo porque, segundo ela, fez parte dessa conquista. "Estou muito feliz porque de certa forma participei desse processo. Quando me ligaram para conferir alguns dados, a pessoa cometeu alguns equívocos. Então eu mandei um e-mail para o Ministério da Educação alertando sobre isso. Depois, esses profissionais responsáveis por ligar para a gente passaram por uma espécie de treinamento para lidar com a gente e não cometer nenhum erro", disse.
Militante das causas LGBTs, Deborah ela acredita que esse é um primeiro passo, e contou que já entrou com uma ação para ter o nome social nos documentos. "Uso meu nome social desde os 14 anos. Sou reconhecida pela minha família, meus amigos, na minha rua como Deborah. Por que na Justiça não posso ser?", disse.
Preconceito
Para Deborah, poder usufruir do direito concedido pelo Ministério da Educação é muito mais que uma vaidade, já que situações constrangedoras envolvendo o nome social acontecem a todo momento. “As pessoas deixam de fazer uma prova, de ir em uma unidade de saúde, num clínico geral porque sentem medo de os profissionais chamarem ‘João’ e levantar uma ‘Maria’. Eu mesma já deixei de fazer várias coisas porque tinha vergonha e medo das pessoas me chamarem pelo nome de registro”, disse.
Preparação
Sobre a prova, ela disse que conta com a ajuda de amigos para se preparar. “Eu tenho dificuldade com redação, com colocação de vírgulas, pontos, então tenho vários amigos que me ajudam a estudar. Faço redações pelo computador e eles corrigem para mim”, contou.
Sem muito tempo para estudar, ela confessou que torce para que caiam assuntos sobre atualidade. "Espero que caia muita pergunta da atualidade, porque assisto aos jornais. Mas não tenho tempo de estudar em casa. Vou na cara e na coragem mesmo", brincou.
Segurança
O Inep afirmou que o nome social desses 95 candidatos e candidatas constará no cartão de confirmação de inscrição que será enviado pelo correio, mas que, "por uma questão de segurança, a identificação dos candidatos será feita pelo CPF, informado no formulário de inscrição (junto com o nome que consta no documento de identidade) preenchido no site do Enem".

Do G1

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