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Carnaval e homem vestido de mulher

Talvez as mulheres podem estranhar quando o parceiro quer ser como elas. Mas entre os homens, se vestir de mulher pode ser muito mais do que uma tradicional fantasia de carnaval. De acordo com a terapeuta sexual Sylvia Maria Marzano, o que eles querem mesmo é colocar o lado feminino para fora, com o uso de lingerie ou roupas femininas. Mas, com exceção do Carnaval, onde é óbvio a busca em fazer piada com as coisas, qual seria os outros motivos de um homem se vestir de mulher, a quatro paredes, por exemplo? Segundo Sylvia, “travestismo” e “cross dresser”, nem sempre quer dizer homossexualidade: “Há uma grande discussão a esse respeito e ainda não temos uma certeza”. Para ela, se o casal não sofre com a atitude, se ela faz parte do processo de erotização do casal, não há necessidade de procurarem ajuda profissional.

O famoso cartunista paulista Laerte Coutinho, considerado pela crítica um gênio pelo alto nível de humor nos seus quadrinhos, tirinhas e cartuns, foi casado, teve três filhos, e hoje, após seus 50 anos de idade, pratica publicamente o Crossdressing. Este termo se refere a pessoas que vestem roupa ou usam objetos associados ao sexo oposto. Esta prática pode ser motivada por diversas razões, como se sentir e vivenciar uma mulher, no caso dos homens, ou até para cumprir com as exigências do cliente, no caso dos profissionais do sexo. A partir de 2010, Laerte  passou a aparecer nos programas de TV vestido de mulher (Sônia), rendendo com isso várias matérias na mídia impressa e eletrônica. Em 2012, virou co-fundador de uma instituição voltada a pessoas do gênero, a ABRAT (Associação Brasileira de Transgêner@s). Nas entrevistas, o artista revela que a vontade de se vestir de mulher vem desde a sua infância, assim como acontece com os travestis e muitos gays. Ele ressalta também que isso não tem nada a ver com sexo: "...quando o sujeito resolve o sexo apenas no ato de se vestir diferente, isso é fetiche... A orientação sexual e a identidade de gênero são coisas independentes, mesmo se flexionando ou se relacionando de alguma forma, mas são absolutamente individuais" - respondendo que pode haver crossdresser gay, heterossexual ou bi.
Uma jornalista, ao descobrir que seu ex-marido se travestia, passou a considera-lo um pervertido e chegou a despejar um monte de roupas velhas dela (que ele usava) na porta da casa da mãe dele, para torná-la ciente do fato. Este hobby ainda é tabu para a sociedade que, não entendendo direito o porquê, preferem ter 'raiva de quem sabe'. Contudo, uma trégua é dada nas festas carnavalescas, bailes à fantasia, e até em jogos de futebol de várzea com a antiga tradição em se vestir ou se fantasiar de mulher. Em qualquer Carnaval de rua, seja em um bloco específico ou não, sempre tem homem vestido de mulher. Aliás é uma fantasia barata ou totalmente grátis, se o cara usar as roupas da esposa, da namorada, da mãe, da irmã, da filha, da tia, da avó ou da amiga. Elas também se encarregam da produção, maquiando, e emprestando acessórios como bolsas, arquinho de cabelo, etc.

Um hetero vestido de mulher é diferente de um gay vestido de mulher. Geralmente os homens vão de qualquer jeito, vestem qualquer coisa que dão a eles, quase sempre horrenda, botam uma sainha, um tope, passam batom e pronto! Sem peruca, de cueca, tênis ou sandálias, não importa. Para eles, a brincadeira já está de bom tamanho. Assim eles farreiam, fazem caras e bocas, mostram a bunda, rebolam, falam fino, assediam de brincadeira os 'homens vestidos de homens', pegam nos peitinhos, passam a língua, beijam... Rola muita mão boba, sem falar daqueles que além de tudo ficam bêbados, lembrando todo mundo que 'cu de bêbado não tem dono'. Outros disparam que 'são mulheres, mas são lésbicas', para fugirem do assédio dos homens que não podem ver uma saia com perna cabeluda. Um dos objetos de desejo de muitos homens é mesmo 'enfiar a mão' por debaixo da saia e encontrar a 'surpresinha' apertada numa tanga atochada. A mesma fantasia que alguns tem com traveco. As taras sexuais de 'uma noite' também são oportunas nestas festas, fazendo homens quererem 'virar mulher', vestidos de mulher - 'Quero ser sua mulherzinha hoje'; 'Deixa eu te fazer de puta!'... No Carnaval, fica difícil saber se aquela mancha de batom foi de mulher ou de homem (vestido de mulher). Para os amigos que tomam chá de sumiço no meio da farra e depois voltam com a boca toda vermelha de batom, fica o mistério... - 'Estava ficando com uma gata safada...', e pensa: 'e greluda!'. Sem falar da pegação nos banheiros do salão e até nos banheiros químicos instalados nos carnavais de rua.

Por outro lado, os gays são mais preocupados com o lado fashion da coisa, se vai ficar bem ou 'uó'. Ao invés de tênis, vão de salto alto, treinam andar com ele para desfilar feito Gisele (Bundchen), calçam meias finas para disfarçar os pêlos das pernas, usam calcinha com a 'mala encubada', usam perucas lindas e aquela maquiagem de no mínimo duas horas, com cílios postiços e glitter. Para estes homens, a estratégia é diferente, mais próxima de um travesti, com mais atenção para a produção do que para a diversão. Até porque deve ser muito difícil manter-se 'montada' no meio da muvuca.

No cinema, no teatro e na TV, personagens travestidos são cada vez mais recorrentes. No caso da televisão, com interesse principal na audiência, vários atores já tiveram que atuar vestidos com roupas de mulher, salto alto, peruca e maquiagem pesada. Seja 'o papel do ator', a característica da personagem, que é um 'travesti', ou por outro motivo, como um disfarce de um personagem mentiroso, por exemplo, o fascínio que estas imagens causam nos homens vai além do 'engraçado'. Para citar alguns destes personagens em novelas tem o Fabiano (Fábio Lago) em Caras e Bocas, o Darkson (José Loreto) vendendo roupa e vestindo um conjuntinho de legging em Avenida Brasil e, recentemente, na participação de Reginaldo Faria na série Louco por Elas, onde faz o papel de Dona Veruska, pai travesti do protagonista Léo (Eduardo Moscovis).  Fred G.


Veja o vídeo com a festa dos foliões de Jaquitinhonha MG no Bloco Banda Mole do Carnaval Jequitinhonha 2010:
 
 
 
 
 
Do Homem RG

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