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Andréia Amado: ONG adverte que medo de represália impede que Polícia esclareça morte de transexual

A presidente da ONG Igualdade RS e vice-presidente da Rede Trans do Brasil, Marcelly Malta, declarou em entrevista à Rádio Guaíba considerar “toda morte um crime de ódio”, em referência ao assassinato da transexual Andréia Amado, morta em 3 de junho, no bairro Floresta, na Capital. Andréia foi alvejada com quatro disparos de arma de fogo em um ponto de prostituição. Os dois suspeitos do crime fugiram em um táxi. Até agora, ninguém foi preso.
Marcelly ressaltou estar em contato com o delegado Felipe Bringhenti, responsável pela 2ª Delegacia de Homicídios da Capital, que trabalha no caso. De acordo com a ativista, o delegado revelou que a autoria do crime já está identificada, mas que o temor das testemunhas em identificar os suspeitos protela o andamento das investigações. “Na hora do crime, havia outras pessoas lá. Uma estava do lado, mas elas têm medo”, lamentou Marcelly. “Naquele lugar tem tráfico de drogas, tem até uma espécie de pedágio pra entrar; se elas denunciam, elas acabam sendo as próximas”.
A Polícia não caracteriza o crime como de homofobia. Pelo que se apurou até agora, os disparos que atingiram Andréia tinham outra pessoa como alvo. A justificativa para os disparos pode ter sido uma discussão de outra transexual com um grupo de usuários de drogas na rua onde o crime foi cometido. “O delegado disse que ela (Andréia) estava no lugar errado e na hora errada. Mas isso não existe. Nós acreditamos que toda morte de transexual é um crime de ódio, e nós vamos seguir defendendo esta teoria”. Além disso, Marcelly garante que o delegado relatou que a região é repleta de crimes relacionados a roubo, tráfico e disputa de espaço, o que pode ter motivado a morte.
Apoio da mídia é crucial
A ativista ainda salienta que a morte de Andréia apenas está tendo repercussão em virtude do acompanhamento do caso por parte da mídia: “há alguns anos outra transexual, do mesmo jeito, levou várias facadas. Até agora não tem o autor”. Ela se refere a um crime ocorrido ainda em 2012, em plena luz do dia, no Centro de Porto Alegre quando uma transexual foi morta a facadas dentro de uma pensão na rua Marechal Floriano. “Esses crimes acabam ficando impunes, porque elas têm medo de denunciar e serem as próximas. Deveria haver um serviço de proteção à testemunha”, sugere Marcelly.
“Em 95% dos casos elas se prostituem”
Além disso, Marcelly sustenta que os crimes cometidos contra transexuais normalmente decorrem  de prostituição devido ao elevado número de profissionais do sexo que o grupo comporta. “Em 95% dos casos, elas se prostituem. O mercado é preconceituoso, as pessoas ainda não se acostumaram a ver transexuais em postos formais de trabalho. Algumas conseguem trabalho em salões de beleza, farmácias, mas são poucas”. Marcelly fala, ainda, que o retorno financeiro da prostituição é muito maior do que os salários que os empregos oferecidos às transexuais conseguem pagar: “Elas tiram o valor do salário em dois, três dias. Não tem como pedir para elas não fazerem isso”. A ativista relembra que o direito de se prostituir não pode ser retirado: “elas tem o direito de fazer o que quiserem com o próprio corpo”.
A reportagem tenta contato desde o início da semana com o delegado do caso. O policial não atende às ligações no celular e, na 2ª Delegacia de Homicídios da Capital, os policiais dizem que Bringhenti está ausente e cumprindo diligência externa. As últimas informações dão conta de que as investigações descartaram, de fato, a suspeita de homofobia.

Do Radio Guaiba

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