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Conheça Renata Montezine, a modelo transex plus size

Mulher, transgênero, gorda. Essas três palavras, alinhadas numa frase, remete às minorias. No entanto, essas características, numa pessoa, remete à resistência. É o caso de Renata Montezine, a modelo plus size de 24 anos que acaba de fazer a sua estreia nas passarelas no Fashion Weekend Plus Size. Ela conversou conosco sobre a sua trajetória na moda e na vida.

Y! Br: Quando foi que você percebeu que era uma pessoa diferente?
RM: Desde criança, quando eu não entendia muito bem o que era nada. Eu brincava de boneca e gostava daquelas brincadeiras mais voltadas para o feminino. Eu só fui me entender mesmo com uns 11, 12 anos, na pré adolescência. As minhas amigas da escola começava a ter seios, aquele corpo, e eu me perguntava por que eu também não era daquele jeito. Foi aí que eu comecei a me julgar.
Y! Br: Que tipo de julgamento você fazia de você mesma?
RM
: Eu não entendia como uma menina queria ser um menino e sempre soube que eu era uma menina. Foi aí que começaram alguns apelidinhos, me chamavam de “viado” e aquelas coisas rotineiras. Mas o gênero não tem nada a ver com sexualidade. Não é o meu caso, mas eu poderia ter o gênero feminino e gostar de mulheres do mesmo jeito.
Y! Br: Quando você iniciou a sua transição?
RM:
A minha mudança começou por volta dos 13 anos, quando os meus pais me levaram ao psicólogo e eu comecei os tratamentos hormonais para ser essa bonita que eu sou hoje (risos).

Y! Br: E como foi para você se aceitar como uma trans?RM: Conforme eu via meu corpo ganhando formas femininas, eu ia me sentindo bonita, feminina. Eu ficava muito feliz em me olhar no espelho e ver uma mulher. Eu olhava e pensava: “essa é a pessoa que eu quero ser”.
Y! Br: Seus pais lidaram bem com esta situação?RM: No começo é sempre um pouco de baque. Porque você tem um filho e pensa: “Ah, ele vai nascer um menininho, vai crescer, vai para a faculdade, vai casar e ter filinhos”. Quando você nasce um menininho e se torna uma menina, é um pouco complicado. É um baque. Só que a aceitação deles foi bem bacana. Eles viram que eu estava feliz fazendo aquelas mudanças.
Y! Br: Você acabou de fazer a sua estreia como modelo plus size. Seu corpo sempre foi assim?
RM
: Na verdade, não. Até os meus 15, 16 anos, uma calça 38 entrava. Mas depois, com o passar do tempo, eu comecei a dar uma encorpada. Justamente por conta do uso do hormônio. Foi aí que eu comecei a engordar. Quando eu percebi, já estava no manequim 46.

Y! Br: A sociedade cobra muito um padrão de beleza das mulheres. Você sente isso com você também?RM: Eu tenho muitas amigas – tanto trans quanto cisgênero [indivíduo que possui uma identidade de gênero igual ao seu sexo designado]   – que falaram, no começo, que eu estava ficando bonita, encorpada. Mas quando eu comecei a ter uma barriguinha e um corpo mais avantajado começaram a falar “Nossa, você tá engordando”, “você é muito linda, vai malhar”. Então eu fui um pouco cobrada, sim. Cheguei até a fazer aquelas dietas radicais. Depois eu falei: “Quer saber de uma coisa? Eu preciso me amar do jeito que eu sou”. Então eu acabei me aceitando gordinha, plus.
Y! Br: E quando foi que você percebeu que poderia seguir carreira de modelo?RM: Algumas amigas me falavam que eu tinha engordado, mas que eu tinha o rosto muito bonito. Então eu pensava: “será?” Eu não sabia se encarava o desafio. Eu tinha o receio pelo fato de ser trans. Eu comecei a pesquisar sobre o mundo plus size e assisti um vídeo da Renata Poskus, diretora do FWPS e do blog Mulherão, e achei muito interessante. Mas até aí eu não sabia que ela era diretora. Procurei por ela no Facebook e mandei convite pra ela ser a minha amiga.

Y! Br: No blog dela, ela chega a comentar o fato de você ser um espécie de Lea T plus size. O que você acha dessa comparação?
RM: A Lea T para mim é uma pessoa super batalhadora, que lutou e, querendo ou não, ainda está lutando para que mostrar que nós podemos ser tudo. Podemos ser modelos, policiais, bombeiras. Podemos estar nos escritórios como advogadas. Ela é um ícone e eu acho que eu vim para mostrar que as trans podem mesmo fazer tudo: quebrar um preconceito não só como trans, mas mostrar que nós também somos mulheres reais. Como eu, que sou uma mulher real que tem uma barriguinha, que tem celulite.

Y! Br: E como foi a sua estreia nas passarelas, você gostou?
RM:
Olha, eu não tive nenhum tipo de rejeição no evento. A recepção de todas as meninas foi bem legal. Eu senti como se eu as conhecesse de longa data. Eu achei bacana a reaceção d público. Quando eu fiz a minha primeira entrada o povo começou a aplaudir. Eu estava me sentindo uma celebridade (risos).

Y! Br: Você já passou por algum constrangimento?
RM
: Eu tenho a impressão que o preconceito é maior na hora que de procurar um emprego. Eu sou vendedora e quando entrego meu currículo numa loja,  coloco meu nome social, mas quando vou fazer a entrevista e eu explico a situação a pessoa acha estranho. Normalmente não agem com aquela rejeição no momento, mas eles sempre dizem que vão analisar o meu currículo e depois retornar. Mas eles nunca fazem isso.

Y! Br: Você pode dar um conselho para quem tem algum problema de aceitação? Já que você teve que se aceitar por não se encaixar no corpo que nasceu, teve que se aceitar uma mulher fora do padrão de beleza…
RM:
O que eu sempre digo é que somos seres únicos. A gente tem que se aceitar, sejamos magros, gordinhos. E mostrar que podemos tudo, basta correr atrás.


Do Yahoo

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