Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

Sobre “virar trans”

As pessoas não “viram” trans.
Elas se reconhecem trans, elas resgatam a própria identidade escondida, invisibilizada e negada pela sociedade em grande parte das vezes.
Elas encontram no fundo algo que muitas vezes é preciso uma vasta pesquisa arqueológica e sociológica, afinal, quantas pessoas, em quantos lugares falam das identidades trans? E de que forma se fala? E aí, ou elas externam o que são, ou escondem.
Tanto para externar quanto para esconder, há um preço a ser pago, e um grande preço em ambos os casos.
É preciso pesar na balança aquele que vai te fazer sofrer menos, ou sorrir mais.
Eu preferi romper com a expectativa da sociedade para fazer jus à minha consciência, que romper com a expectativa da minha consciência para fazer jus à sociedade.
Share:

GVT: Casal gay pede reparo e técnico troca nome de rede de wi-fi para "viadão"

 O casal de empresários Rodrigo Vilar, 38, e Giorgio da Silva, 35, foi vítima de uma piada pejorativa feita por um técnico da GVT que fez reparo no telefone da empresa de sua propriedade, localizada em Recife (PE), nesta sexta-feira (18). Segundo Vilar, o técnico mudou o nome da rede de internet sem fio para "viadao". Antes do atendimento, a rede estava com o nome da loja de chás do casal.

"Quando o técnico saiu fomos conectar os aparelhos à internet e procurei o nome da loja, mas não aparecia. Até brinquei com uma cliente 'tem uma rede aqui viadao que está bem forte'. Na mesma hora tive um estalo, pedi para que a cliente colocasse a senha do nosso WiFi, que é a data que conheci meu marido, e para nosso constrangimento, a rede conectou", contou Vilar.

Os empresários, juntos há três anos, disseram que em nenhum momento o técnico esboçou ação discriminatória sobre a orientação sexual deles durante o serviço. "Ele estava o tempo todo no celular com alguém e não falou nada. Só ao sair disse que estava tudo ok, foi quando descobrimos essa brincadeira totalmente pejorativa. A gente se trata por amor e ele pode ter ouvido isso", contou Vilar. O sistema de segurança da loja registrou todo o serviço do técnico.

 Os empresários destacaram que a sexta à tarde é o período de maior movimento na loja. Tanto o casal quanto os clientes se sentiram constrangidos com a atitude. "A loja é um lugar que família, casais e muitos trazem as mães para mostrar nossa história. Esta foi a primeira situação transparente, declarada, que passamos. Mas, preferimos que isso acontecesse com a gente porque se fosse um casal mais novo poderia não ter maturidade de como agir. Hoje a gente se aborrece, mas quando você se posiciona, tem sua vida definida, fica mais fácil cobrar respeito", disse o empresário.

Na noite desta sexta-feira, quando a loja fechou, o casal tentou registrar Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia do bairro de Boa Viagem, localizada na zona Sul de Recife, mas o expediente havia encerrado. Neste sábado (19), o casal deverá voltar à delegacia.

Eles contaram que na próxima segunda-feira (21) estarão constituindo advogado para ingressar com ação na Justiça. Vilar e Silva registraram o ocorrido na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) na noite desta sexta-feira.

Em nota, a Telefônica Vivo, que é detentora da GVT, disse que repudia atitude descrita pelo casal e informou que vai apurar o caso com rigor. "Se constatada a conduta incorreta, totalmente conflitante com a orientação da companhia, tomará medidas administrativas rigorosas e reforçará ações de orientação para evitar que situações desse tipo voltem a ocorrer", disse
Do UOL

Share:

Homossexualidade e discriminação

Eu creio que os gays são punidos por que supostamente ESCOLHEM (sic) se colocar em papeis e comportamentos que a sociedade elencou como femininos – logo, inferiores: é romper com o mito da masculinidade que diz que o homem deve fugir como o diabo da cruz de tudo que seja feminino.

Mulher mesmo é só para usar, e não fique muito tempo com elas para não “pegar” essa tal feminilidade [vemos bastante isso acontecer na educação de filhos homens] – a masculinidade está 24 horas por dia sendo vigiada, ela não pode ultrapassar um milímetro que seja para o campo considerado feminino, para que esse homem não perca seu status de homem dentro da sociedade.

Veja todas as “brincadeiras” homofóbicas que os homens fazem quando estão em grupo com os demais homens: se respirou assim: é “viado”; se cruzou as pernas: é “bicha”; se deu uma entonação daquele jeito pra voz: é “baitola”; se gosta de tal time de futebol: é “bambi”; se encostou em outro homem: é gay; e seguem as excrescências, que inclusive partem de um pressuposto que o homem gay não seria homem.

Quantas vezes não ouvimos as perguntas/afirmações: “Mas ele é homem ou é gay?”, “Ele é homem né [não é gay não]?”, “Meu filho não é gay, ele é homem!” E as lésbicas são punidas à medida que supostamente ESCOLHEM (sic) abandonar o papel de mulher clássico e enveredar por caminhos dito masculinos: onde já se viu uma mulher QUERER (sic) ser um homem? Será punida duplamente: por ser mulher e por querer ousar interpretar o papel que só deve pertencer ao homem, ousar se comportar como só a um homem é permitido e só ele pode deter esse “privilégio”.

Quantas vezes não ouvimos ser dito para mulheres lésbicas: “Não quer ser homem? Aguente!”, inclusive já soube de lésbicas que apanhavam de homens enquanto lhes diziam: “Não quer ser homem? Vai apanhar como homem!”.

Em ambos o caso, a gênese do ódio é a misoginia, o desprezo pelas mulheres, consideradas inferiores na sociedade machista e patriarcal. Na nossa cultura cristã se diz que Deus criou a mulher e essa levou Adão a pecar – veja, todos sofremos por conta da atitude de uma mulher, traidora por excelência. Também lembrando que essa mesma mitologia atesta que a mulher é subproduto do homem (saiu da costela de Adão).


Adão, coitado, o pobre homem bom e puro, que foi levado à maldição por… uma mulher.

Aí como castigo, inclusive o homem sofreria por ter de trabalhar e a mulher sofreria com dores de parto, além do castigo à mortalidade – função do homem é trabalhar, da mulher é ter filhos.

Afinal de contas, mulher não trabalha né? Não deve.

E percebemos que o trabalho que a sociedade elenca como feminino vai sendo desvalorizado ao longo dos séculos: o serviço doméstico além de subvalorizado, não é contado como trabalho por grande parte dos homens. E assim, profissões/cargos que se dizem tipicamente femininos, são as que pagam os mais baixos salários.

A mulher é vista como alguém naturalmente errada, inclusive pelas religiões que em grande parte são misóginas.

Quando digo que o homem gay estaria entrando no terreno considerado feminino, por essa sociedade fortemente pautada em papeis de gênero: em que define-se e obriga-se papeis e comportamentos que só à mulher seriam permitidos e outros só aos homens, o feminino não significa necessariamente ser “afeminado”, mas o simples fato de um homem dizer que sente atração por outro homem, já invoca para a sociedade (heteronormativa) que ele quer se colocar no papel feminino – e praticar esse atentado violento à honradez masculina que se exige na posição hierárquica superior.

Ademais, para a grande massa, gay não come, gay só dá.

Veja que socialmente, assim que alguém é apontado como gay, por mais masculino que seja [e portanto, teoricamente preencheria muito bem o que a sociedade define como enquadrado dentro do que é homem], as pessoas começam com as perguntas de sempre e a fazer piadinhas homofóbicas: “e pra quem ele tá dando?”, “quem tá comendo ele?”, “acho que é fulano que tá comendo ele”, “esse gosta de dar marcha ré no quibe”, “esse gosta de dar o furico”, “esse queima rosca”.

Aliás, tomam o homem gay como alguém que está constantemente querendo dar, logo, seria um perigo para os demais homens que sentem-se ameaçados na plenitude e onipotência de suas masculinidades, que não permite em hipótese alguma qualquer mimetização com o que supostamente seja feminino.

Eu sempre perguntava para essas pessoas que de antemão tomam que o homem gay só gosta de dar: se os gays só dão, quem come os gays? Pois bem, há inclusive um sem número de pessoas que acha que alguém só é de fato gay se for passivo sexualmente, se o cara só for ativo, então ele não é gay, pois ser gay é ser mulher e mulheres não comem, mulheres só dão: lógica misógina e machista, fortemente pautada na construção de gêneros inteligíveis.

No caso das mulheres lésbicas, o mesmo – se forem mais masculinizadas, serão repudiadas com todo o fervor por que está ainda mais visível que querem tomar o papel e o lugar do homem, um verdadeiro acinte para essa masculinidade controlada e ditada de forma "falocêntrica": ser homem para essas pessoas, é ter pênis; não tem pênis, não é homem, e se tentar sê-lo, sofrerá coação – e tomam sempre que a mulher lésbica quer ser homem, quer ocupar o lugar do homem, daí o “estupro corretivo” que muitas sofrem para “se tornarem mulheres”.

E se a mulher lésbica for considerada feminina, aí cai como a mão e a luva dentro da fantasia mais recorrente entre os homens, que é ter duas mulheres na cama.

Imaginam sempre que lésbicas femininas não existem, o que existe são duas mulheres esquentando lugar para um homem chegar – pois claro que prazer mesmo elas só podem ter é com um homem, e quando juntas, estão juntas para deleite de um homem – e não qualquer homem, esse homem precisa ter um pênis, pois inclusive reduzem o ser homem a ter pênis: “lésbica não existe, o que existe é falta de pau” [no caso, o pau do sujeito que emite a frase].

Veja que é muito comum casal de lésbicas ser abordado por homens que se acham no direito de intrometer-se no meio das duas e ali se instalar.

Para eles, mulher que diz que não gosta de homem, é por que não achou um homem que “não a comeu de jeito”: pois tomam que o pênis resolveria todos os problemas de todas as mulheres.

Mulher que reclama, reclama por que é “mal comida”, seja por qual motivo for – e as feministas, que por natureza estão reclamando direitos das mulheres, são tomadas como naturalmente movidas pela falta de um pênis.

Afinal, pênis resolve tudo né?!

Share:

Martin Shkreli compra patente de remédio contra HIV e sobe preço em 5000%

A pirimetamina existe no mercado farmacêutico a cerca de 62 anos. Ela é utilizada como tratamento padrão para recém-nascidos que sofrem de toxoplasmose, uma doença que, quando contraída durante a gestação da mãe é extremamente perigosa ao bebê. Além disso, é bastante importante para pessoas que tem qualquer tipo de doença que ataca fortemente o sistema imunológico, como o HIV, por exemplo.

Nos últimos dias, Martin Shkreli tem ganhado notoriedade nos jornais norte-americanos após registrar um aumento de 5000% no valor do medicamento, recentemente adquirido pela empresa em que ele é CEO, a 'Turning Pharmaceuticals'.

A empresa obteve o direito de comercializar o Daraprim (remédio que possui a pirimetamina como princípio ativo), nos EUA e, a partir do momento que monopolizou a venda, aumentou o valor de US$ 13 para US$ 750 por cada pílula É definitivamente um aumento bastante absurdo, não?

A candidata democrata à presidência, Hillary Clinton, classificou a ação como algo "revoltante" e, junto à Associação Médica de HIV e à IDSA (Sociedade de Doenças Infecciosas da América) fez pressão para que houvesse reajuste de valores.

"Nós concordamos em diminuir o valor do Daraprim a um ponto que seja mais acessível às pessoas e também permita a companhia a lucrar, apesar de ser um lucro bem pequeno", disse Shkreli à ABC News.

Apesar disso, ele reconheceu que o custo de produção do medicamento é baixo, mas mesmo assim disse que o aumento leva em conta "o controle de qualidade, os custos regulatórios e todas as outras coisas que uma empresa farmacêutica possui".

Do Yahoo

Share:

Obama nomeia gay para comandar o Exército dos Estados Unidos

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou na última sexta-feira a nomeação para secretário do Exército de Eric Fanning, que, se for confirmado pelo Senado, vai ser o primeiro dirigente reconhecidamente homossexual a ocupar o cargo.
O secretário do Exército é o chefe civil da força, que dirige em conjunto com o chefe de Estado-Maior. A função atualmente é exercida pelo general Mark Milley. Diplomado pela Universidade de Dartmouth, no Estado do New Hampshire, especialista em questões de defesa e segurança nacional, Fanning ocupou nos últimos 25 anos diversos cargos com responsabilidade no Congresso e no Pentágono.
"Eric vai trazer anos de experiência e as suas qualidades excepcionais de líder para este posto", sublinhou Obama, em comunicado.
No fim dos anos 2000, Fanning integrou a administração do Gay & Lesbian Victory Fund, uma organização que luta pelo aumento do número de pessoas LGBT "em todos os níveis do governo".

Share:

A Linha que separa o Crossdressing da Transexualidade

Sempre que se fala sobre o crossdressing, os autores das reportagens fazem questão de ressaltar que esta pratica independe da orientação sexual do indivíduo, que ela em si não é indicação de que o mesmo seja hétero, bissexual ou gay. E isto realmente é verdade.
Acredito que seja muito mais provável que o crossdressing indique algum conflito em relação à identidade de gênero da pessoa, ou seja, se ela se identifica como homem ou como mulher, do que na orientação sexual da pessoa.
E é aqui onde quero chegar: a linha que separa o crossdressing da transexualidade muitas vezes é tênue. Penso que o que começou como crossdressing pode acabar evoluindo para algo maior, ou talvez melhor dizendo, o crossdressing pode ser o sintoma de uma questão maior e mais profunda, tal como um conflito de identidade de gênero.
De maneira geral, crossdressers não se identificam como mulheres, eles são homens que apenas gostam de se vestir como mulher, e de parecer mulher com a ajuda de acessórios, tais como peruca, maquiagem, etc. Tudo isso durante um determinado período do tempo.

Acredito que o que diferencia o crossdressing da transexualidade é uma questão de frequência, de como você vive sua vida:

Você é um homem que trabalha de segunda e sexta e nos finais de semana é uma mulher? Ou você é uma mulher que de segunda a sexta trabalha vestida de homem?

Um indivíduo que sente a necessidade de praticar crossdressing (se travestir) apenas nos finais de semana, tem menos chances de vir a ser no fundo um transexual do que um indivíduo que pratica crossdressing o tempo todo, que vive 24 horas usando roupas femininas. E por sua vez um indivíduo que além de se travestir o tempo todo, ainda modifica o corpo com cirurgias e hormônios, tem mais chance ainda de vir a ser um transexual do que o exemplo anterior.

A questão é basicamente simples: um indivíduo que pratica crossdressing, ele quer ter o corpo de uma mulher, pelo menos por um determinado período de tempo. Ele quer usar aquelas roupas femininas, ele quer ter seios, ele quer ter um corpo o mais próximo possível de o de uma mulher, por um determinado período de tempo.
Se fosse possível e prático alguém, por exemplo, controlar um avatar de uma mulher (de modo igual ao que acontece no filme Avatar), boa parte dos crossdressers iriam querer esta experiência, pois seria uma forma muito mais realista de sentir o que é ser mulher.
 Imagens do filme Os Substitutos - The Surrogates

Porém, na vida real modificar seu corpo para ser mulher é um processo extremamente difícil, em todas as vertentes possíveis. Então, acredito que acaba sendo uma questão de “o quanto eu quero isso?” e de “o quanto me faz falta o fato de eu não estar possuindo um visual feminino, e nem estar vestindo roupas femininas?”.

Embora, acho justo lembrarmos aqui também que a própria linha que separa o crossdresser/travestismo da transexualidade é uma linha tão obscura e tênue quanto a linha que separa “o que é ser homem?” do “o que é ser mulher?”.



Um crossdresser que discordasse de mim, poderia muito bem contra argumentar alegando que o fato de alguém querer se vestir como mulher o tempo todo e ter atributos físicos femininos, não necessariamente o faria mulher, desde de que ele não se identificasse como tal, nem se visse como tal. Ele poderia alegar que se identifica como um homem que apenas gosta de usar roupas de mulher e de ter um corpo de mulher, porém que gosta de todas as outras atividades historicamente associadas ao gênero masculino. Ele poderia argumentar que apenas fazia parte de um conceito de homem que não se encaixava nos padrões de gênero que a sociedade tem acerca do gênero masculino atualmente. Ele poderia argumentar que hoje em dia uma mulher pode, por exemplo, se vestir com “roupas de homem”, e possuir certos atributos físicos historicamente associados ao homem, como ter cabelo curto, por exemplo, e ainda assim se identificar como mulher, e ser considerada mulher pela sociedade.

Para encerrar, concordo com a afirmação da autora deste texto “TRANSGENDER VS. CROSSDRESSER”, de que a linha que separa o crossdressing/travestismo da transexualidade é quando se travestir e agir como mulher deixam de ser um evento especial, deixam de ser algo que você só faz nos fins de semana, e passam a ser algo normal, algo corriqueiro, algo intrínseco a você.

Do Estranhosidade - Por
Share:

João Nery: “As travestis são tratadas como o resto do resto do lixo”

“Era como se eu quisesse dizer a todas as pessoas que o meu físico não era aquele, ou melhor, fazê-las entender que meu corpo mentia contra mim”. Reflexões como estas estão no livro “Viagem Solitária – Memórias de um transexual trinta anos depois”, de João Nery, primeiro transexual masculino a ser operado no Brasil. O autor participou da abertura do 1º. Encontro de Diversidade Sexual promovido pelo curso de Teatro da Universidade Federal de São João del-Rei. João Nery, de 65 anos, falou sobre seu processo de autoafirmação, desde a infância à paternidade.

Brasil de Fato - O senhor afirmou que há algumas décadas havia duas formas de um transexual sair da marginalidade: ser rico ou virar intelectual. O que mudou?

João Nery - Eu ainda acho que é por aí. Porque se você é rico, tudo é excêntrico, e você pode calar a boca de quem quiser com dinheiro, em termos. E se você é intelectual você tem um cabedal de informações e um discurso que também facilitam o entendimento. É claro que existem outras formas, esta é uma maneira simplória de dizer.

Estimativas mostram que 90% das travestis e transexuais brasileiras se prostituem, e que sua expectativa média de vida é de 30 anos, em contraste com a expectativa de 74 anos para o brasileiro. Os transexuais ainda vivem na marginalidade?
Completamente. As travestis são tratadas como o resto do resto do lixo. Há uma hierarquização, sim, até dentro do movimento. Até o nome transexual é um termo médico mais higiênico, mais sofisticado, enquanto travesti é normalmente sinônimo de prostituta. Isso não quer dizer que muitas não se prostituem. Mas por que acontece isso? A maioria das travestis e transexuais são expulsas de casa menores de idade, vão morar debaixo de uma ponte porque não existem abrigos, só abrigo masculino ou feminino, e elas não querem ir para nenhum dos dois. Então elas acabam se drogando, pra ter coragem inclusive de se prostituir e não morrer de fome. Atualmente existe um site chamado transempregos.com.br, no qual os trans podem se inscrever, e há 92 empresas multinacionais abertas à diversidade sexual. Mas é muito sofrimento, se mata uma a cada dia, na verdade.

Há demandas diferentes para as trans mulheres e os trans homens?

Existem pequenas diferenças, mas a pauta principal é única: a aprovação da Lei de Identidade de Gênero. Outra pauta é o aumento do número de unidades do SUS e ambulatórios para atender as filas vergonhosamente enormes. As trans mulheres precisam de prótese de mama, por exemplo, que o SUS não fornece. O que acontece com as travestis que precisam se feminizar para trabalhar, é que elas usam um silicone usado em máquinas, que é baratíssimo. Muitas morrem porque esse silicone adere aos músculos, é um auto envenenamento. Já os homens trans não temos ginecologistas para nos atender, pois a maioria não está preparada.

E quais são as pautas em comum com o feminismo?

As trans mulheres reivindicam o direito de fazer parte do movimento feminista, e muitos movimentos mais radicais não aceitam, às vezes mesmo tendo feito a cirurgia. Então se criou o trans feminismo para dar visibilidade não só às mulheres trans, mas também aos homens trans que querem participar do movimento feminista.

Do Brasil de Fato - Por Dania da Gama - De São João del-Rei (MG)
Share:

Você provavelmente é Gay e não sabe, diz estudo


Provocações do título à parte, rótulos cada vez mais estão sendo questionados. Ainda bem.
Para quem ainda tinha dúvidas, um estudo recente mostrou que a sexualidade das pessoas é mais complexa e diversa do que se pode imaginar. E se você acha que preferência sexual se resume a heterossexual, homossexual e bissexual, é melhor ficar ligado…

O estudo em questão foi publicado pelo site britânico You Gov. Nele foram entrevistadas mais de 1600 pessoas, concluindo que cerca de metade da população jovem não se define como 100% heterossexual.
Para entender melhor como essas pessoas se viam, os pesquisadores usaram a escala Kinsley (maneira de descrever o comportamento sexual).

 0 – Exclusivamente heterossexual 1 – Predominantemente heterossexual, ocasionalmente homossexual 2 – Predominantemente heterossexual, mais do que ocasionalmente homossexual 3 – Igualmente heterossexual e homossexual 4 – Predominantemente homossexual, mais do que ocasionalmente heterossexual 5 – Predominantemente homossexual, ocasionalmente heterossexual 6 – Exclusivamente homossexual


Enquanto 72% do grupo de adultos se definia como completamente heterossexual, 49% dos jovens com idade entre 18 e 24 eram menos binários, não se vendo como completamente hétero. Quando perguntados sobre a possibilidade de se sentirem atraídos, fazerem sexo ou terem um relacionamento com alguém do mesmo sexo, 22% dos jovens apontaram o número 1 da tabela, ao invés do 0.
Esse estudo demonstra o quanto a percepção da sexualidade mudou em apenas uma geração, e como ela é mais complexa que imaginávamos, já que cada pessoa demonstra possuir graus diferentes para a homossexualidade, heterossexualidade e a bissexualidade.

Em comparação com pessoas mais velhas, os números são ainda mais distantes.

Dos jovens entre 18 e 24 anos, 43% consideraram a possibilidade de fluidez na sua sexualidade, apenas 7% dos entrevistados com mais de 60 anos apontaram o mesmo. Dos adultos, entre 25 e 39 anos, 29% ponderaram que sua sexualidade poderia ser mais fluída, em algum grau.

É importante entender também que apenas 23% das pessoas que se localizaram no número 1 da Escala Kinsley tiveram alguma experiência com pessoas do mesmo sexo.
De modo geral, 89% da população britânica se descreve como heterossexual. Porém, quando as opção se tornam mais abrangentes, muitos se colocaram no nível 1, aceitando a possibilidade de sentimentos e experiências homossexuais.

 

Os pesquisadores consideram que a maior descoberta desse estudo é o fato das pessoas estarem com a mente cada vez mais aberta.

E parece que esse isso não reflete somente uma mudança de pensamento da Inglaterra. Institutos de pesquisas como o americano Pew Research Center, também contam com estudos com resultados parecidos: enquanto apenas 55% da população americana em geral apoia o casamento gay, 70% dos jovens da geração Y (jovens nascidos nas décadas de 80 e 90) são à favor.
Um estudo da University of Chicago, de 1973, apontou que 70% das pessoas considerava os relacionamentos homossexuais como “sempre errados”. O fato de agora, o mesmo número ser o de pessoas da nova geração, que apoiam o casamento gay, indica uma mudança radical.
Num mundo onde vemos tantos casos de intolerância e preconceito, podemos ver que ainda há uma luz no fim do túnel, e muito amor no coração. Mas será que no Brasil tendemos ao mesmo pensamento?
Fonte: BOL - Imagem de capa: reprodução – Segundas Intenções
Fonte: Mic




Share:

‘Escola não é um espaço seguro para transexuais’, critica ativista em encontro na PUCRS


A ativista e transfeminista Maria Clara Araújo, que ficou conhecida nacionalmente após aparecer na mídia como uma das transexuais que poderiam utilizar seu nome social – nome que escolheram para si – ao realizar o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), esteve em Porto Alegre durante esta semana para participar de atividades promovidas pelos Diretórios Centrais de Estudantes da PUCRS e da UFRGS.
Ela alcançou ainda mais visibilidade ao ser aprovada no curso de Pedagogia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e lançar um manifesto, em seu Facebook, em que conta um pouco de sua história e sua trajetória enquanto mulher transexual, negra e de periferia.
“Quando uma mulher LBT (lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis) avança, nenhuma outra retrocede”, começou ela, diante de uma plateia de mais de 150 estudantes na PUCRS na última quarta-feira (13). Aplaudida de pé pelo público, a jovem de 19 anos provocou a plateia a refletir sobre a participação de transexuais na escola e no mundo do trabalho. “Quantas mulheres trans foram suas colegas? A escola não é um espaço seguro, tem um local predestinado para elas na sociedade. A maioria larga a escola pois não aguenta as violências que sofre”, lamentou.
Maria Clara contou que ela própria apanhou muito de colegas e, ao procurar a direção do colégio municipal onde estudava, ouviu do diretor: “Mas por que você não muda esse seu jeito? Por que se veste assim, usa lenço no cabelo, rebola?”. Ao continuar na escola, mesmo com essas dificuldades, ela percebeu que muitas transexuais e travestis seguiam caminhos diferentes. “Eu passei por um grupo de meninas um dia, a caminho do curso pré-vestibular. Como era de manhã cedo, elas estavam voltando para casa após se prostituírem durante a noite. E uma delas era minha amiga e me perguntou ‘por que você continua indo para a escola, o que faz num lugar daqueles?'”, narrou.
A necessidade de que os estudantes sejam tratados pelo seu nome social e possam utilizar o banheiro que desejarem também foi defendida por ela, que apontou que isso deve ser regulamentado e levado a sério. A estudante ainda mencionou o argumento utilizado por algumas pessoas de que, se as mulheres trans puderem usar o banheiro feminino, homens poderiam se vestir com roupas femininas para estuprar outras mulheres. “Estupro é dominação masculina, homem não precisa e não vai se vestir de mulher, fazer tratamento hormonal, trocar de nome para entrar no banheiro feminino e estuprar”, apontou.
 
Maria Clara contou que, ao se descobrir mulher trans, aos 16 anos, começou a usar roupas muito femininas e muita maquiagem, além de alisar o cabelo, para “suprir uma expectativa de como ser mulher”. “Eu pensava que não estava ‘sendo mulher suficiente’. Mas hoje eu sei que não preciso me construir em cima de estereótipo nenhum”, acredita.
Ela é contra a definição de pessoas trans como “alguém que nasceu no corpo errado”, assim como critica essas definições de como transexuais e travestis devem parecer e se portar, impostas principalmente pelo judiciário e pela medicina. Maria Clara ainda critica o fato da transexualidade ser considerada um distúrbio, afirmando que o que acontece é apenas “um corpo que foi lido da maneira errada”.
A jovem contou que foi acolhida principalmente pelo feminismo negro, após “despertar e construir sua identidade” enquanto negra. “Esse é o espaço que eu mais vi acolhimento e onde vi recorte de raça e classe. O transfeminismo ainda é muito acadêmico”, ponderou.
Questionada pelo público, ela explicou que a diferença entre travestis e transexuais é a autodeclaração, mas o primeiro é um termo que só existe no Brasil. “É uma palavra que era usada de forma pejorativa e as pessoas começaram a se apropriar. Em geral, são fatores socioeconômicos, a identidade transexual se tornou higienizadora, porque soa mais médico, mais chique, mais europeu, menos ligado à prostituição”, apontou ela.

O jornalismo, que para a jovem poderia cumprir um papel importante de trazer informação, opta por não fazê-lo quando se trata de pessoas travestis e transexuais. “A mídia pauta uma naturalização de que este é um ser de que nós vamos rir, mas sem visibilizar. Somos invisibilizadas e quando morremos, nos deslegitimam, então somos mortas duas vezes, pois o jornalismo nos mata também”, critica, lembrando que muitas vezes o nome social não é respeitado.
UFPE
Quando entrou na universidade, Maria Clara encontrou outras pessoas transexuais lá, mas não havia uma portaria voltada a elas. O reitor da UFPE afirmou, inclusive, que isso não acontecia pois “não havia demanda”. “Mas uma política pública não precisa acontecer só por demanda. Com o respeito à identidade, mais pessoas vão ser atraídas à universidade”, defende.
Após a atenção que seu caso recebeu, as próprias pessoas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) da universidade elaboraram uma portaria voltada para seus direitos, que inclui o respeito ao nome social e uma diretoria para suas demandas. “A UFPE vai dar bolsa-auxílio para estudantes trans, está sendo pioneira nisso. Fiquei muito feliz de ver se tornar uma universidade plural”, contou.
Ela espera que casos como o seu ajudem outras pessoas a procurarem a universidade. “Falar sobre privilégios é reconhecer que tenho possibilidade e buscar ajudar, ir até elas e dizer ‘esse lugar é para você também, eu estou lá e se acontecer algo a gente se apóia’. Até porque por nós mulheres só nós mesmas, isso vale para todas”, colocou.

Do Sul21


Share:

Delegada transexual participa de ação contra preconceito no trabalho

A delegada transexual Laura de Castro Teixeira, de 34 anos, é uma das estrelas da campanha “Iguais como você e eu", criada pelo Ministério Público do Trabalho em Goiás (MPT-GO) contra o preconceito no mercado de trabalho. A investigadora, que se chamava Thiago de Castro Teixeira, fez a cirurgia de mudança de sexo em setembro de 2013, na Tailândia. Um vídeo com o depoimento dela na peça já foi liberado (assista abaixo).
Bastante reservada, a delegada, que é plantonista na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), diz que quando recebeu o convite ficou em dúvida se aceitaria. Laura evita, a todo custo, expor sua vida pessoal. Porém, ela viu na peça publicitária uma forma de se desvincular somente da "pecha de transexual".
"Geralmente, não gosto de aparecer, não quero fama e tenho uma imagem a zelar como delegada. Mas é um trabalho social bacana, a ideia é profunda. Acho que você negar trabalho a alguém por conta de alguma característica pessoal, nega também, a possibilidade de sobrevivência digna", diz ao G1.
Além do setor LGBT, ao qual Laura pertence, também são representadas na campanha outras classes menos favorecidas, como negros, pessoas com algum tipo de deficiência, de baixa renda e ex-usuários de drogas. Inciada dia 8 de setembro, a campanha deve durar quatro meses e ser divulgadas em vídeos na TV, outdoors e busdoors. A ideia, segundo Laura, é mostrar a "visibilidade das diversidades".
"O mote é mostrar que o preconceito não deve ser um fator de seleção, mas sim o mérito de cada um, independentemente da sua condição. Tem espaço para todos desde que ele se sobressaia", pondera.
Respeito na polícia
Tomando o exemplo para si, a delegada afirma que após ter feito a cirurgia, nunca foi desrespeitada na delegacia. Há quase dois anos na Deam, ela revela que chegou a temer pela reação dos colegas.
"Sempre imaginei que alguém na polícia poderia ter alguma resistência, mas aqui foi tudo tranquilo. Ninguém nunca tocou no assunto, foram todos profissionais", explica.
Ela conta que fez questão de completar os três anos de estágio probatório no serviço público para informar a direção da Polícia Civil sobre a decisão de mudar de sexo. As palavras de alívio vieram do então delegado geral adjunto da Polícia Civil de Goiás, Daniel Adorni.
Na ocasião, ele disse que a operação não era problema, mas sim policiais corruptos e omissos. "Eu me preparava para o pior, tinha medo de represálias. Mas as palavras, fazendo um paralelo, refletiram a ideia da campanha: avaliar pela conduta e não pelo segmento ao qual pertence", salienta.
Na equipe de seis pessoas com quem atua diretamente, Laura é vista como uma pessoa sistemática, mas muito educada. "Ela não desce do salto. Tenho extremo respeito, não só por ela ser delegada, mas pela decisão difícil que ela tomou", diz a escrivã Lara Morais Lobo Carvalho.
Sonhos e família
Antes da operação, Laura foi casada com uma mulher por 13 anos. Quando questionada sobre sua vida pessoal, ela, educadamente, diz que não gosta de tocar no assunto publicamente. A delegada se limitou a dizer que sua família - incluindo seus dois filhos - a apoiam.
Estudiosa, a agente usa o pouco tempo livre que tem nos plantões de 24 horas para se atualizar. A tiracolo está sempre o Código de Processo Penal. Daqui a alguns anos, ela já vislumbra trabalhar em uma área da qual se diz encantada.
"Atualmente, estou muito bem aqui na Deam. Mas lá para frente, gostaria de atuar na Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública [Dercap] Sou apaixonada por política e gestão do estado. Acredito que boa parte dos crimes são reflexo da má gestão da máquina pública", esclarece.
Do G1




Share:

Ashley Graham: Modelo plus size chama atenção ao desfilar de lingerie na NYFW

A modelo norte-americana Ashley Graham, de 28 anos, considerada pelo mercado da moda como "plus size", chamou a atenção do público ao desfilar com sua própria linha de lingerie na última terça-feira, 16, durante a Semana de Moda de Nova York (NYFW), nos Estados Unidos.

O desfile celebrou a diversidade do corpo feminino e valorizou as curvas das mulheres. A top foi a primeira a desfilar e usou uma lingerie preta com transparências, o que ressaltou sua beleza e tipo físico.

"Que experiência incrível. Todas as meninas estavam demais", escreveu Ashley sobre o desfile em sua página no Instagram. A modelo também escreveu uma mensagem a quem assistiu ao NYFW para usar uma hashtag que valoriza a diversidade do corpo feminino.
Assista ao vídeo:


Do Catraca Livre
Share:

Defensoria quer que plano autorize plástica em mulher transexual

A Defensoria Pública do Rio, através do Núcleo de Defesa da Diversidade Sexual e Direitos Homoafetivos (Nudiversis), ingressou com ação na Justiça para que a Golden Cross autorize a realização de cirurgia plástica mamária, com inclusão de próteses de silicone, em uma mulher transexual. Mesmo com o pagamento das mensalidades em dia, a beneficiária do plano de saúde teve o procedimento negado sob a alegação de que o serviço em questão possui "claro caráter estético".
Com genética masculina, mas identidade de gênero feminina, a autora da ação chegou a conseguir na Justiça a alteração do nome no Registro Civil e até mesmo do sexo constante na certidão de nascimento. Apesar das conquistas, a consumidora da empresa sofre de depressão em razão de situações ofensivas e, como ainda está em processo de modificação corporal, tenta, agora, a antecipação de tutela do pedido, sob pena de multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento.
 Ela até tentou resolver o caso extrajudicialmente, mas disse que, segundo a Golden Cross, a Agência Nacional de Saúde (ANS) estabelece a cobertura obrigatória de situações como essa apenas para tumores e lesões traumáticas. Alegações que a coordenadora do Nudiversis, defensora pública Lívia Casseres, questiona nos autos ao apresentar a legislação pertinente e autorizadora da cirurgia, como a resolução 1.955/2010, do Conselho Federal de Medicina.
“Também se coloca a necessidade de amparo da modificação corporal como medida de preservação da saúde mental da pessoa transexual, eis que a sua rejeição ao corpo adquirido no nascimento pode acarretar severo sofrimento psíquico e até mesmo episódios de suicídio ou automutilação”, argumenta Lívia Casseres.
A defensora pública do caso também listou nos autos a portaria 2.836/2011, do Ministério da Saúde, e a portaria 2.803/2013, que regulamenta o processo transexualizador no Sistema Único de Saúde (SUS).
“ Se o próprio Estado obrigou-se a assegurar, com os recursos públicos, o serviço médico de modificação corporal assistida à pessoa transexual, é evidente que tais procedimentos não podem ser categorizados como puramente estéticos”,  concluiu.

Do JB
Share:

Como um homem trata uma mulher transexual

Nunca conto para os homens que conheço, logo de cara, que sou trans. Até porque não acho que eu deva andar com um outdoor na testa piscando: sou trans. Ao contrário de grande parte deles, não entro em contato com quem seja com o pensamento de “será que conseguirei levar esse fulano pra cama?”. Aí, quando eu conto, eles se sentem super ofendidos e enganados – é como se eu contasse que sou um animal extinto, que agora, em pé e falante, atravessei as fronteiras da ciência e da realidade para atormentá-los.

E, sempre perguntam após: mas você é operada?

Conto toda a epopeia de Camões para explicar o que é ser transexual (pois pensam que é ser travesti, drag, gay – enfim, qualquer coisa serve, até por que não sabem o que significa nenhuma dessas identidades, todas convergem para o mesmo ponto focal: a repugnância que a sociedade (incluso eles) sente por todas elas). Sempre com aquele discurso cheio de lógica: “não tenho nada contra gays, mas não os quero na minha frente”, ou pior, o discurso religioso: “não somos contra os gays mas contra o homossexualismo (sic)” – é como dizer não ser contra os homens, mas sim, contra a humanidade.

Conto de toda a burocracia do governo pra se realizar a cirurgia corretiva, pois acham que é como uma cirurgia plástica qualquer: um belo dia você acorda, olha no espelho e se diz: vou lá ganhar uma vagina e já volto.

Aí ficam receosos e perguntam depois de tudo isso: “Mas assim, você transa como?” -o medo é você dizer que gosta de penetrar.

Aí você diz que dentro do seu prazer sexual não inclui você penetrando (ainda que já tenha explicado que ser transexual é, no meu caso – para aqueles que vão dizer que não podemos fazer generalizações – ter repulsa à sua própria genitália), em seguida querem saber se você consegue ter ereção – o medo é você dizer que sim, e que o seu ereto é maior que o deles – pois como sabemos, homem, de um modo geral, não quer ter pênis menor que o de ninguém, já pensou a humilhação? Esclarece-se ao sujeito que a ereção não é possível.

Ele emite um interior sinal de alívio, que é sentido pelo fato dele continuar o assunto e então, a conversa descamba para a putaria (confessam até, às vezes, estarem excitados devido a esse papo de cunho tão sexual) ou para o ostracismo.

Até você contar que é trans, tratam você como uma deusa: a princesinha que apresentarão como a nora da mãe, e lhe cobrem de elogios, mimos e agrados, palavras gentis e convites mil. Depois que você conta que é trans, é como se você contasse que é garota de programa e ele vai tentar fechar negócio. E, por fim, quando veem que seu negócio não é esse, evaporam instantaneamente ou, evaporam, no caso do descambamento para o ostracismo, homeopaticamente.

É como se a partir do momento que você dissesse que é trans, todos elogios feitos à sua inteligência, ao seu bom papo, à sua simpatia e caráter tornassem-se vazios. Você deixa de ser tudo isso e passa a ser esse “problema” que você tem. Como Freud bem nos explicou em “Totem e Tabu”, tabu é tudo aquilo que é sagrado e profano, portanto, deve ser evitado – todos os que ousarem quebrar o tabu, imediatamente se tornam o próprio tabu e, se até então era o tabu que deveria ser evitado, a pessoa que o quebrou é que passa a ser evitada.

Como ousamos dizer que somos um tabu dentro da sociedade, esses homens se afastam e nos isolam, com medo de que eles próprios venham a se transformar no tabu.

Por um lado eu acho bom, pois isso mostra o quanto há homens que mentem para as mulheres com o único propósito de lhe conseguir favores sexuais ou convencê-las de suas capacidades para um relacionamento futuro, quando o que ele pensa mesmo é um modo mais rápido e menos desgastante de se satisfazer momentaneamente, por outro vejo o quão triste é essa sociedade, totalmente cissexista e falocêntrica.

Claro que, estou falando em linhas gerais, não sei quanto às demais, mas é o que acontece comigo, em 99% das vezes.

Share:

Depois de um ano de burocracia, transexual adota novo gênero e nome no RG

Depois de mais de um ano de burocracia, Cibely Christina Batista Ferreira, 30, conseguiu tirar uma nova carteira de identidade. Não se trata apenas de uma segunda via, mas de uma atualização com novo nome e gênero. "Agora sou uma mulher de verdade", disse Cibely, ao retirar o novo documento no Poupatempo Sé, em São Paulo.
Desde a infância, vivida em Barro, município do Ceará, Cibely se sentia mulher. Ela não revela o nome antigo "nem morta". "É um passado que prefiro esquecer, pois sofri muito sem poder ser eu mesma, enfrentando situações de imenso constrangimento."
Após assumir a nova identidade, na idade adulta, continuou a enfrentar preconceito quando precisava mostrar o RG com o nome masculino. Com a ajuda de advogados voluntários do Centro de Referência Trans, da Secretaria de Saúde de São Paulo, Cibely trilhou um longo caminho até conseguir um documento com a identidade que sempre sonhou.
"Agora posso voltar a estudar, sem o risco de sofrer bullying na hora da chamada. Vou tirar uma nova carteira de trabalho e voltar ao mercado", falou Cibely, que trabalhou até recentemente como monitora de qualidade de uma empresa de call center.
Aos que também querem mudar o nome no registro civil, ela recomenda coragem e disposição para vencer a luta. "São inúmeras certidões para pedir em cartórios, muitos documentos e taxas, mas vale a pena para quem quer se sentir verdadeiramente feliz com a própria identidade."
"Recebi o apoio total da minha família, que me ajudou a conseguir os documentos. O apoio dos familiares e dos amigos é importante, mas, acima de tudo, o que conta é o sentimento e a liberdade de escolha do ser humano. Agora ajudo uma amiga que também sonha em oficializar sua nova identidade. O documento deve se adequar à pessoa, e não o contrário."

Do UOL
Share:

São Paulo terá hormonioterapia gratis para transexuais na rede básica de saúde

A prefeitura de São Paulo vai lançar amanhã (1º) o serviço de hormonioterapia gratuita para população transexual na rede básica de saúde da capital paulista. O atendimento será iniciado pelas nove Unidades Básicas de Saúde (UBS) da região central, que, segundo a prefeitura, concentra 70% das pessoas transexuais da cidade. E vai contar com acompanhamento de psicólogo e endocrinologista, além da criação de um protocolo de atendimento aos usuários interessados em iniciar a hormonioterapia. O lançamento será às 10h, na UBS Sé.
“Primeiramente, o paciente precisa procurar uma dessas UBSs onde passará por sessões com um psicólogo que irá elaborar um laudo analisando se ele está convicto que é aquilo que quer e vai encaminhar o paciente para consulta com o endocrinologista que vai solicitar exames e avaliar se vai prescrever o tratamento”, destacou o secretário municipal da Saúde, Alexandre Padilha.
Mecanismo de ação da hormonioterapia. Note que há dois mecanismos: pode-se reduzir o hormônio que alimenta o crescimento do tumor através da supressão, ou da retirada do órgão que produz o hormônio, ou bloquear a ligação dos hormônios nos receptores das células tumorais. Como exemplo, mostramos uma mulher com câncer de mama na pré-menopausa e um homem com câncer de próstata.
Mecanismo de ação da hormonioterapia. Note que há dois mecanismos: pode-se reduzir o hormônio que alimenta o crescimento do tumor através da supressão, ou da retirada do órgão que produz o hormônio, ou bloquear a ligação dos hormônios nos receptores das células tumorais. Como exemplo, mostramos uma mulher com câncer de mama na 
pré menopausa e um homem com câncer de próstata.

Ao procurar uma UBS buscando a hormonioterapia, a pessoa será encaminhada para uma unidade que tenha atendimento psicológico. Já o médico endocrinologista fará atendimento somente na UBS Santa Cecília. “A ideia é que possamos levar essa discussão e a capacitação dos profissionais para as outras regiões da cidade, já que na maioria delas já há atendimento ao público LGBT”, disse Padilha.
Nesta primeira fase, o cuidado será iniciado com as beneficiárias do Projeto Transcidadania – política de fortalecimento da recolocação profissional, reintegração social e resgate da cidadania –, pois a maioria delas já faz uso de hormônio.
“Essa é a primeira ação de outras que foram definidas e serão implementadas de forma gradativa seguindo as diretrizes da linha de cuidados para poder atender às necessidades desta população. A hormonioterapia precisa ser acompanhada por um profissional qualificado, com prescrição médica, para que a população trans não coloque a saúde em risco”, afirmou Padilha.
O tratamento com hormônios busca induzir o desenvolvimento de características sexuais secundárias compatíveis com a identidade de gênero da pessoa. De forma geral, a hormonioterapia deve ser continuada pela vida toda, sendo interrompida somente para a realização de cirurgias.
Por falta de atendimento na rede pública, muitas pessoas transexuais acabam recorrendo à automedicação. Porém, o ideal é ter o acompanhamento com o endocrinologista para estabelecer a dose ideal do medicamento para cada pessoa e evitar problemas relacionados ao uso inadequado de hormônios.
Hoje a população transexual de São Paulo conta com atendimento de hormonioterapia apenas no Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids do governo paulista, que presta atendimento à população transgênero desde 2010, no bairro Santa Cruz, zona sul da capital paulista.

Da Rede Brasil
Share:

Comece a falar “a travesti”, por favor!

No começo de 2010 fui recebido por Claudia Wonder em seu simpático apartamento no bairro paulistano dos Jardins para uma longa e agradável entrevista. A multiartista não escapava do mesmo tipo de desinformação que rotula como homens as mulheres transexuais. Um dos maiores ícones trans do Brasil, Claudia morreria poucos meses depois, em 26 de novembro de 2010, aos 55 anos, vítima de uma infecção.
Aquela conversa ficou gravada em minha cabeça.
Jornalistas são procurados por suas fontes após a publicação de uma reportagem pelos mais variados motivos. Comigo não é diferente. Fui procurado, em 2011, por uma artista plástica carioca citada em uma reportagem que fiz para a revista Trip especial Diversidade Sexual – aquela famosa pela capa com dois surfistas se beijando. Travesti, ela me agradeceu imensamente pelo fato de eu ter usado o artigo feminino a cada vez que me referia a uma mulher transexual, ela incluída. “Você não sabe como isso é importante para nós”, enfatizou.
Essa conversa também me marcou e, desde então, estou “devendo” este texto.
Mulheres transexuais compõem o extrato da população que mais sofre com o ódio e o preconceito da sociedade. Mais do que os negros, mais do que os gays ou as lésbicas, mais do que os presidiários. São a Geni máxima do mundo. Para o cidadão comum, mesmo um dependente químico de crack que more na rua e pratique roubos para manter seu vício “merece” mais respeito ou piedade. Muitos reconhecem o “craqueiro”, no fundo, como uma vítima. A travesti não. Essa é uma “sem-vergonha”, e leva essa vida “porque quer”.
Esse tipo de julgamento é deplorável, mas gostaria de me solidarizar com o leitor não militante.

Faço reportagens sobre o universo transexual desde a faculdade, e mesmo assim não sou o melhor exemplo. Correto seria nem sequer usarmos a palavra “travesti”, afinal estamos falando de mulheres. Num grau ainda mais elevado de correção política, a divisão se dá entre homens e mulheres cisgênero e trans. Sendo “cis”, as pessoas nascidas com um corpo masculino ou feminino e que se reconhecem como tal. Pelo senso comum um tanto preconceituoso, são os homens e mulheres “convencionais”.
E o artigo feminino com isso?
Só nos últimos anos comecei a usar exclusivamente o artigo feminino para referir-me às mulheres trans. E faço aqui um mea culpa: várias vezes oscilei entre o uso do artigo masculino e o feminino, como em uma outra matéria para a revista Trip, da qual fui redator-chefe por 4 anos. Era um perfil de Andreia de Maio, travesti mítica, ao mesmo tempo cafetina e mãezona das travestis da região da rua Amaral Gurgel. Carismática, inteligente e poderosa, Andreia, falecida em 2000, foi a última “xerife” desta tradicional área de prostituição de travestis no centro de São Paulo.
Quando a conheci, nos meados dos anos 90, ela andava “menos arrumada” que nos anos 70 ou 80, e seu rosto “descuidado” enganou minha inexperiência. Acabei usando algumas vezes o artigo masculino no texto, desconsiderando que Andreia, como toda travesti, “desarrumada” ou não, nasceu e sempre foi Andreia.
Confesso que algumas vezes ainda me vejo obrigado a um pequeno esforço mental para evitar usar “o travesti”.
E termino convidando o leitor não militante para este exercício simples e saudável de usar sempre o artigo feminino para elas. A cada vez que você conseguir, terá pensado na questão trans por uma fração de segundo. Já ajuda. E pode ter certeza de que elas agradecem.


Share:

Exército vai apurar discriminação de jovem transgênera

Marianna Lively, de 17 anos, teve suas fotos divulgadas por um soldado que a atendeu no quartel, onde resolvia pendências.

Um caso de discriminação de uma menor de idade transexual dentro de um quartel de São Paulo será investigado pelo Exército. Na última quarta-feira (23), Marianna Lively, de 17 anos, foi a um quartel para resolver pendências referentes ao alistamento militar obrigatório. Um soldado fotografou a jovem nas dependências do Exército e divulgou suas fotos em redes sociais. 

Por meio de nota, o Exército admitiu ter conhecimento do caso, "que envolveu a divulgação, sem autorização, das informações da pessoa em questão" e diz já ter tomado "as medidas administrativas necessárias para o esclarecimento do ocorrido e os envolvidos serão responsabilizados por suas ações."

Embora Marianna seja uma jovem transgênera, isso não a exclui do processo de alistamento militar.
A jovem diz que foi tratada com respeito e educação enquanto esteve no quartel, conforme relato publicado em seu perfil no Facebook. No entanto, a partir das 14h do mesmo dia teria começado a receber telefonemas, procurando-a pelo seu nome de registro, David.

Alguns faziam piadas inapropriadas, enquanto outros diziam ter gostado dela, deixando o número para que Marianna entrasse em contato.

Foi somente mais tarde, por volta das 22h, quando uma amiga de Marianna a avisou que fotos suas dentro das dependências do quartel circulavam pelo Facebook e WhatsApp, que a jovem relacionou os fatos. As fotos haviam sido tiradas pelo soldado que a atendeu no quartel.

No dia seguinte (24), a jovem voltou ao quartel a fim de buscar esclarecimentos com o capitão da base. Embora ele tenha pedido desculpas e dito a ela que o soldado seria responsabilizado, ele também "aconselhou" que ela se acalmasse e trocasse de número de celular, segundo o relato no Facebook.

Em nota, a assessoria do Exército Brasileiro declarou que "o Exército Brasileiro não discrimina qualquer pessoa, em razão da raça, credo, orientação sexual ou outro parâmetro."

Do IG
Share:

-

BANNER 728X90

Video Recomendado

-

AD BANNER

Visualizações

About & Social

Sobre este blog

Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

Me proponho aqui a falar um pouco de tudo, em especial das Crossdressers, dos transexuais, dos Travestis e da enorme comunidade
LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

Entre em contato comigo!

Nome

E-mail *

Mensagem *

busque no blog

Arquivo do blog

TROCA DE LINKS

Apoio ao Crossdresser
Universo Crossdress
Márcia Tirésias
Club Cross
Fórum Crossdressing Place
Jornalismo Trans - Neto Lucon
Kannel Art
Noite Rainha Cross
Diário de uma Crossdresser

Gospel LGBT
Dom Monteiro - Contos do Dom
La nueva chica del bairro
Ravens Ladies
Travestismo Heterosexual

CROSSDRESSER
Nathasha b'Fly
Veronica Mendes
Camilinha Lafert
Kamila Cross BH
Sophia Mel Cdzinha

DANYELA CROSSDRESSER
Duda CD
Bruninha Loira sapeka
Cross Gatas
Klesia cd
Renata Loren
Coroa CD
Suzan Crossdresser
Érika Diniz
CDZINHA EXIBICIONISTA
Aninha CDzinha
Camila Praz
CD VALDETTY
CD Paty
Cdzinha Moranguinho
Jaqueline CD
Paty Cdzinha

Contos Eróticos da Casa da Maitê
Elite Transex

Mais

Mais vistos na ultima semana

Tags

Postagens mais visitadas há um ano

Postagem em destaque

Renata Montezine arrasando como sempre

Renata Albuquerque Montezine é atualmente uma das mulheres trans, de maior sucesso no país. Já foi modelo plus size, sendo a primeira...

Pages