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Delegada transexual participa de ação contra preconceito no trabalho

A delegada transexual Laura de Castro Teixeira, de 34 anos, é uma das estrelas da campanha “Iguais como você e eu", criada pelo Ministério Público do Trabalho em Goiás (MPT-GO) contra o preconceito no mercado de trabalho. A investigadora, que se chamava Thiago de Castro Teixeira, fez a cirurgia de mudança de sexo em setembro de 2013, na Tailândia. Um vídeo com o depoimento dela na peça já foi liberado (assista abaixo).
Bastante reservada, a delegada, que é plantonista na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), diz que quando recebeu o convite ficou em dúvida se aceitaria. Laura evita, a todo custo, expor sua vida pessoal. Porém, ela viu na peça publicitária uma forma de se desvincular somente da "pecha de transexual".
"Geralmente, não gosto de aparecer, não quero fama e tenho uma imagem a zelar como delegada. Mas é um trabalho social bacana, a ideia é profunda. Acho que você negar trabalho a alguém por conta de alguma característica pessoal, nega também, a possibilidade de sobrevivência digna", diz ao G1.
Além do setor LGBT, ao qual Laura pertence, também são representadas na campanha outras classes menos favorecidas, como negros, pessoas com algum tipo de deficiência, de baixa renda e ex-usuários de drogas. Inciada dia 8 de setembro, a campanha deve durar quatro meses e ser divulgadas em vídeos na TV, outdoors e busdoors. A ideia, segundo Laura, é mostrar a "visibilidade das diversidades".
"O mote é mostrar que o preconceito não deve ser um fator de seleção, mas sim o mérito de cada um, independentemente da sua condição. Tem espaço para todos desde que ele se sobressaia", pondera.
Respeito na polícia
Tomando o exemplo para si, a delegada afirma que após ter feito a cirurgia, nunca foi desrespeitada na delegacia. Há quase dois anos na Deam, ela revela que chegou a temer pela reação dos colegas.
"Sempre imaginei que alguém na polícia poderia ter alguma resistência, mas aqui foi tudo tranquilo. Ninguém nunca tocou no assunto, foram todos profissionais", explica.
Ela conta que fez questão de completar os três anos de estágio probatório no serviço público para informar a direção da Polícia Civil sobre a decisão de mudar de sexo. As palavras de alívio vieram do então delegado geral adjunto da Polícia Civil de Goiás, Daniel Adorni.
Na ocasião, ele disse que a operação não era problema, mas sim policiais corruptos e omissos. "Eu me preparava para o pior, tinha medo de represálias. Mas as palavras, fazendo um paralelo, refletiram a ideia da campanha: avaliar pela conduta e não pelo segmento ao qual pertence", salienta.
Na equipe de seis pessoas com quem atua diretamente, Laura é vista como uma pessoa sistemática, mas muito educada. "Ela não desce do salto. Tenho extremo respeito, não só por ela ser delegada, mas pela decisão difícil que ela tomou", diz a escrivã Lara Morais Lobo Carvalho.
Sonhos e família
Antes da operação, Laura foi casada com uma mulher por 13 anos. Quando questionada sobre sua vida pessoal, ela, educadamente, diz que não gosta de tocar no assunto publicamente. A delegada se limitou a dizer que sua família - incluindo seus dois filhos - a apoiam.
Estudiosa, a agente usa o pouco tempo livre que tem nos plantões de 24 horas para se atualizar. A tiracolo está sempre o Código de Processo Penal. Daqui a alguns anos, ela já vislumbra trabalhar em uma área da qual se diz encantada.
"Atualmente, estou muito bem aqui na Deam. Mas lá para frente, gostaria de atuar na Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública [Dercap] Sou apaixonada por política e gestão do estado. Acredito que boa parte dos crimes são reflexo da má gestão da máquina pública", esclarece.
Do G1




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