Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

Como o segmento plus size vem ganhando destaque no mundo da moda e na mídia

 Pense rápido: quantas vezes nos últimos meses você deparou com o termo plus size? Seja você gordinha ou não, é fato que, cada vez mais, fala-se sobre moda GG, empoderamento, autoestima e aceitação. O movimento não tem nada de novo, mas vem ganhando cada vez mais espaço. Prova disso é esta revista que você tem em mãos: é a segunda vez que Donna dedica a capa de uma edição ao segmento (relembre a matéria aqui!). A primeira foi lançada há exatamente um ano, em maio de 2015 – e, de lá para cá, as plus size não pararam de virar notícia.

Ainda no início daquele ano, a top Candice Huffine , manequim 46, dividiu espaço no Calendário Pirelli, tradicional reduto de corpos sarados, com as modelos Adriana Lima e Joan Smalls. No clique, assinado pelo renomado fotógrafo Steven Meisel, Candice aparece com seios à mostra e corpete, em clima fetichista – poucas vezes associado a mulheres curvilíneas, aliás.

— Amo meu corpo e sou feliz comigo mesma. Me mostrando para o mundo eu posso ajudar a outras mulheres – declarou a modelo, que viraria um dos principais nomes do segmento plus size no mundo.

Em fevereiro, o grande público seria apresentado a uma das gurias plus que mais gerariam burburinho em 2015: Ashley Graham. Em meio às modelos magras, a icônica edição anual de moda praia da revista norte-americana Sports Illustrated apresentou, em página dupla, a musa em um anúncio de biquíni da grife SwimsuitsForAll, especializada em tamanhos maiores.

— Sei que minhas curvas são sexy e quero que todas saibam que as delas também são. Não há motivo para se esconder — declarou a modelo em comunicado. — O mundo está pronto para mais curvas em biquínis.

E parece que estava mesmo. Na edição seguinte, publicada no início deste ano, a própria Ashley foi a estrela da edição de biquínis da Sports Illustrated – desta vez, na capa . Em entrevista à revista People, a top model não escondeu a emoção.

— Achei que a revista estava assumindo um risco ao colocar uma garota do meu tamanho nas páginas. Mas me colocar na capa? Isso sim é épico — surpreendeu-se.

Também igualmente histórico é uma revista especializada em corridas aderir ao movimento. A publicação Women’s Running de março deste ano colocou a blogueira (e corredora!) Nadia Aboulhosn na capa. A chamada dizia: “A melhor razão para ser positiva com o seu corpo: a ciência diz que o amor próprio faz você correr mais rápido”.

Desde então, o termo plus size cada vez mais fica em evidência. E não só para a mulherada: em março, a IMG Models, a agência da über model Gisele Bündchen, anunciou uma divisão dedicada somente aos modelos plus. Sim, os rapazes!

A proposta do setor, chamado de Brawn, é aumentar a representatividade de diferentes tipos de corpos na indústria da moda, principalmente no que se refere aos meninos. O primeiro nome a integrar o casting da IMG é Zach Miko , conhecido como a versão masculina de Ashley Graham. Quem explica é o vice-presidente da agência, Ivan Bart, em entrevista ao portal de moda WWD:

— Brawn tem uma mensagem positiva do corpo. Brawn é força física. É horrível ir a certas lojas e não ter peças do meu tamanho. Estamos em 2016 e todo mundo tem algum tipo de vaidade. Todos querem vestir roupas bonitas e seguir a moda. Precisamos de mais opções.

Para completar, há poucas semanas, uma candidata plus size chegou à final do concurso de beleza Miss Peru, o mais tradicional do país. Quando Mirella Paz Baylón cruzou a passarela, o que se viu foi uma garota linda, confiante, sorridente – mas que, ao contrário das demais candidatas, tinha um pouquinho de barriga e coxas grossas. Nos bastidores do concurso, a candidata contou um episódio de gordofobia que talvez lembre ocasiões que muitas gordinhas conhecem bem.
— As pessoas me chamavam de gorda e diziam que eu era uma “porca” na universidade — revelou a garota. — Toda vez que eu via modelos na TV, eu queria estar lá, dentro da tela. Mas eu me sentia intimidada devido ao tamanho do meu corpo e porque eu sofri muito bullying por conta do meu peso — afirmou ao site Fusion.net.


Por que, afinal, todas essas pequenas conquistas são importantes? A resposta é simples: representatividade. Pode parecer pouco, mas faz toda a diferença para uma mulher de manequim 48 se identificar com quem ela vê na novela, nas revistas e nos outdoors nas ruas. Embora não carreguem o mesmo apelo que antes, os concursos de miss, por exemplo, ainda ajudam a reforçar a imagem de mulher considerada bela pela sociedade – assim como na publicidade e na TV. Gera identificação e, se não acaba, pelo menos diminui a ideia de que é só o corpo magro que é belo e merece faixas e coroas. Ajuda a reforçar que beleza não tem manequim único.
Ainda estamos longe do ideal – que seria não precisarmos sequer do termo plus size –, mas é fato que essas pequenas novidades, somadas a abertura de mais e mais lojas com numeração grande, têm contribuído para diminuir o abismo que existe em áreas como a moda e, claro, tornar mais “normal” aos olhos do mundo um manequim tamanho 50.

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Transexual torna-se primeira soldado britânica de combate

Uma transexual de 24 anos tornou-se a primeira soldado com um posto de combate em primeira linha na infantaria das Forças Armadas britânicas, informou neste sábado a rede de televisão “BBC”.
Em julho, o então primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, suspendeu o veto que impedia as mulheres participar de missões na frente de batalha.

Chloe Allen, que se uniu à guarda escocesa em 2012, mudou de forma oficial seu nome – antes Ben – e iniciou um tratamento hormonal.
Apesar de o processo oficial para recrutar mulheres para postos de infantaria não começar neste ano, a Marinha britânica decidiu manter Allen em seu posto de combate após ser registrada como mulher.
“Estou encantado de contar com nossa primeira mulher servindo em uma unidade de combate em campo. A Marinha britânica está realmente se provando como uma organização inclusiva, onde todo mundo é bem-vindo e pode prosperar”, afirmou o general James Everard.
Allen, fuzileira e motorista de blindados, afirmou ao tabloide “The Sun” que espera que seu exemplo sirva para “inspirar as pessoas a serem elas mesmas”.
“Não é tão ruim como as pessoas acreditam. Fica muito mais fácil quando se tem os companheiros e chefes do seu lado”, afirmou a soldado.
Um ano após explicar sua condição a seus familiares e amigos, Allen comunicou a seus superiores que tinha a intenção de se transformar em mulher.
“Não foi nada fora do comum. Foi como falar com meu chefe sobre uma questão de trabalho. É uma pessoa muito aberta”, relatou a soldado. 

Da Exame
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Boate Banana República de Campinas (SP) terá que indenizar transexual Branca Brunelli obrigada a pagar ingresso masculino

A Justiça determinou que a boate Banana República de Campinas (SP) pague uma indenização por danos morais a uma transexual que foi obrigada a comprar ingresso masculino para entrar no estabelecimento. A sentença do juiz Fabricio Reali Zia, da 2ª Vara Cível, foi publicada na semana passada, um ano após Branca Bacci Brunelli ter entrado com a ação. No entanto, a decisão ainda cabe recurso.
"O que me motivou a processar a boate não foi o dinheiro, foi porque eu não quero que isso aconteça com mais nenhuma pessoa trans [...] isso mostrou o quanto nós ainda somos desreipeitadas e o quanto a nossa identidade de gênero feminino é desreipeitada porque muita gente ainda nós vê como homens. Eu fui vista como um homem folgado, que tava querendo só me dar bem e ainda tive a audácia de querer processar", disse a jovem.

Constrangimento
Em novembro de 2015, a jovem transexual entrou com um processo civil contra a casa noturna Banana República após se sentir constrangida na entrada da boate.
Mesmo com a apresentação de um laudo psicológico que aponta sua identidade feminina, Branca conta que foi obrigada a comprar o ingresso masculino para entrar. No processo, ela exigia uma indenização de R$ 15.575 por danos morais à dignidade humana, no entanto, o valor concedido pelo juiz foi R$ 2,5 mil.

"Porém, não existem dúvidas acerca do sofrimento íntimo causado pela ré por meio de sua abordagem desarrazoada, sobretudo por se tratar de estabelecimento noturno, de diversão [...] não se pode desconsiderar, ademais, que os transexuais já figuram entre as minorias mais estigmatizadas da sociedade brasileira, suportando, diariamente, o preço de não assimilarem os padrões culturais dominantes", diz o juiz na sentença.
Reparação
O advogado de Branca, Filippe Martin Del Campo Furlan, disse que apesar da decisão do juiz ser favorável, o valor da indenização não serve para reparar uma situação de constrangimento.
"O juiz reconheceu que ela passou por uma situação discriminatória. [...] a questão que o valor de R$ 2,5 mil é baixo, valor que não serve nem para reparação e nem como forma de desistimular que quem causou volte a causar. Então, por mais que a sentença tenha sido muito boa no sentido de reconhecer a identidade de gênero, que é essa discussão nova. Então, a gente pretende recorrer", afirma.

Branca disse também que considera a decisão do juiz uma vitória e que vê como um primeiro passo para que as identidades femininas sejam respeitadas.
"Eu me sinto na obrigação de fazer alguma coisa pelas minhas iguais. Quero reverter essa situação [...] Eu acredito que a minha vitória seja um passo para que nós sejamos respeitadas. A minha família me reconhece como mulher, a universidade, que é católica, me reconhece como mulher, aceitaram minha mudança de nome. E estou com um processo legal para mudar nome e gênero e daí vem uma boate cobrar ingresso masculino para desreipeitar tudo isso", conclui.
A boata Banana República foi procurada pela reportagem, mas até a publicação da reportagem, ninguém foi encontrado para comentar o caso.

Ingresso masculino
Em 2015, Branca disse ao G1 que na entrada do estabelecimento teve que apresentar o RG, documento ainda com o nome masculino de registro. O processo para a troca definitiva do nome e sexo no documento, e inclusive na certidão de nascimento, está em andamento.
Branca disse também que já tinha frequentado a casa noturna outras vezes e que ainda não havia passado por esse tipo de situação.

Na época, a direção da boate informou que, independentemente do processo, iria adotar mudanças na cobrança dos ingressos para que transexuais paguem segundo o gênero.
Problema ao registrar ocorrência
Após o ocorrido na casa noturna, na época, o estudante também teve problema para registrar boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher de Campinas. O caso precisou ser encaminhado para outro distrito policial por conta do "sexo masculino" oficial.
O "gênero feminino" da jovem só foi inserido no boletim porque ela insistiu para as funcionárias, conforme a foto do registro. [abaixo]

 



Mudanças no registro de B.O.
Em novembro de 2015, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) anunciou uma mudança no registro dos boletins de ocorrência nas delegacias do estado. A alteração prevê, além do campo específico para o nome social, espaços pré-definidos para preencher o gênero e a motivação do crime por orientação sexual.
Direitos
A lei estadual 10948 de 2001 protege os cidadãos homossexuais, bissexuais ou transgêneros de discriminações sofridas em razão da orientação sexual, mas a discriminação contra eles ainda não é considerada crime. O ato discriminatório é apurado a partir de um processo administrativo.
Atos como frequentar o banheiro de acordo com o gênero ou outros ambientes segmentados são garantidos pela constituição federal.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a transexualidade como um transtorno de identidade de gênero, que acontece quando a pessoa se enxerga no sexo oposto ao qual nasce. Não necessariamente a pessoa precisa operar para se encaixar como tal.

Do G1




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Parnaibano é eleito a transformista mais bonita do Piauí





O transformista parnaibano Ígor Loshayder, de codinome Louise Vasconcelos, foi eleito Miss Beleza Gay Piauí 2016, em evento realizado no dia 23 de novembro no Teatro 4 de Setembro, em Teresina. O concurso foi disputado entre atores transformistas de várias cidades do Estado.
                       
Louise é primeira transformista a trazer o título para Parnaíba e será uma das primeiras conterrâneas a representar o Piauí no concurso nacional que elegerá a transformista mais bela do País.
 
“Consegui colocar nossa cidade no topo, e través desse título, quero atrair os olhos pra arte em minha querida Parnaíba”, disse.
Estando logado no Facebook, clique AQUI para conferir a página pessoal de Ígor Loshayder.

O concurso acontece anualmente elegendo o ator transformista que represente a beleza gay do Estado do Piauí. 
 
A vencedora do concurso recebe a franquia para participar de concursos anuais de nível nacional, como Miss Brasil Gay Juiz de fora, Miss Brazil Gay Versão Bahia, Miss Brasil Universe São Paulo e o Miss Universe Gay que acontece em Salvador.

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Duplo Espírito ou Transgênero?

Senso comum sobre Transgêneros (sexo masculino, gênero feminino) no Brasil atual:
- Violência, prostituição, pobreza e ignorância cultural;
- Empregos em salões de cabeleireiros (fofoca e futilidade a granel), shows em casas noturnas gays + participações em programas televisivos popularescos com as previsíveis e chatíssimas dublagens;
- Exibicionismos patéticos e ignorantes na mídia, frutos da miséria cultural dos quais muitos são oriundos;
- Estranhamente não são laicos. Clamam e invocam seitas e religiões puritanas que os reprimem há séculos;
- São desrespeitados ao máximo e tolerados apenas quando possuem certo destaque sócio cultural.



Foto 1: We'wha (1849-1896) com roupas tradicionais do povo Zuni. Era biologicamente masculino com espírito feminino. Muito inteligente, se tornou o embaixador Zuni em Washington DC e foi conhecido pela elite da capital como "o Zuni homem-mulher".

Foto 2: Squaw Jim (esquerda), macho biológico vestido de mulher com sua esposa (direita). Tinha status social e cerimonial em sua tribo Crow. Serviu como espião no Forte Keogh e ganhou reputação de bravura ao salvar a vida de um companheiro tribal na Batalha de Rosebud (1876).

Mas nem sempre foi assim no continente americano. No hemisfério norte, europeus colonizadores encontraram entre os nativos alguns homens e mulheres que os perturbaram... eram conhecidos poeticamente como Dois Espíritos. Quando crianças, não foram reprimidos e eram livres para escolherem seu gênero quando adultos. Casavam-se e procriavam se quisessem. Alguns homens e mulheres eram valentes guerreiros ou pessoas comuns, líderes tribais ou religiosos. Homens vestiam-se de mulher e vice-versa, sem os dramas e preconceitos impostos cruelmente pelos colonizadores aos indígenas das 3 Américas. Os últimos nativos de Duplo Espírito desapareceram formalmente no final do século XIX.

Recomendo uma leitura atenta do artigo:
“Two Spirits, One Heart, Five Genders” - Duane Brayboy - 23/01/16
http://indiancountrytodaymedianetwork.com/2016/01/23/two-spirits-one-heart-five-genders
 
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Ciência comprova que igualdade de gênero existiu na pré-história

m estudo científico publicado na prestigiada revista Nature mostra que o homem das cavernas não era tão primitivo assim. No começo da civilização humana (mais conhecida como pré-história), existia igualdade de gênero.
Durante o período paleolítico, as pessoas se organizavam em tribos de coletores e caçadores e homens e mulheres tinham a mesma influência sobre as decisões dos grupos. “Existe uma percepção geral de que os coletores e caçadores eram mais machos ou dominados por machos. Nós afirmamos que foi apenas com o advento da agricultura, quando as pessoas puderam começar a acumular recursos, que surgiu a desigualdade”, disse ao jornal britânico The Guardian Mark Dyble, antropólogo que liderou o estudo na University College London. Segundo o especialista, a igualdade entre os sexos pode ser um dos importantes fatores que nos diferencia dos nossos parentes primatas. “Chipanzés vivem em sociedades bastante agressivas, dominadas por homens e com hierarquias claras”.
Os cientistas analisaram dados de duas populações de caçadores e coletores, um no Congo e outro nas Filipinas, que viviam em grupos de 20 pessoas, mudavam de lugar a cada dez dias e viviam de caça, peixe e frutas, vegetais e mel. Nas Filipinas, por exemplo, as mulheres caçavam e eram responsáveis por coletar o mel, e os homens atuavam significativamente no cuidado das crianças.
Parece uma grande descoberta, mas na verdade é apenas uma prova científica do que teóricos falam há bastante tempo. O filósofo Jean Jacques Rousseau (1712-1778) refletia sobre a oposição entre natureza e sociedade e o possível equilíbrio entre as necessidades básicas do ser humano com as do meio físico. Para ele, a origem dos males da civilização, como a desigualdade, estava no aparecimento da propriedade privada, que produzia uma forma de conduta moral degenerada das pessoas, com sentimentos como o egoísmo e o desejo de posse.
Já a escritora e filósofa Simone de Beauvoir defendeu em seu livro O Segundo Sexo que a hierarquização dos sexos é uma construção social, não uma questão de biologia. Para ela, a condição da mulher na sociedade é uma construção da sociedade patriarcal, que teve início com o surgimento da propriedade privada. Ou seja, quando alguém lhe falar que as mulheres são biologicamente diferentes dos homens e por isso recebem salários menores ou estão em desvantagem em qualquer área, você pode desmentir a informação com pesquisas científicas. De nada!


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Sofia Fávero: "Sou travesti e ativista, são bandeiras indissociáveis"

Cada vez mais os ativistas negros, mulheres, gays e trans, além dos militantes de direita e de esquerda (os famosos coxinhas e petralhas), estão migrando suas atividades para as redes sociais. Na reportagem “Somos Todos Ativistas”, discutimos porque até os “textões” podem fortalecer a democracia.
"Apesar de ouvir que o ativismo deixa a vida mais chata, acredito que o saldo é sempre positivo", afirma Sofia Fávero, criadora da página Travesti Reflexiva. "As antigas piadas deixam de ser engraçadas, os filmes que gostávamos são analisados a partir de outra lente, nosso círculo de amizades é revisado, até mesmo as nossas relações familiares são afetadas por essa ótica." Conversamos com ela sobre ativismo digital:

Por que você entrou para o ativismo?

Sou travesti e ativista, são bandeiras indissociáveis. A travesti é uma pessoa que subverteu as normas que são empurradas antes mesmo do nascimento, com a atribuição de um gênero. Recusar ser homem e ser mulher não é um mero conflito, é perder a própria condição de sujeito e ser considerado antinatural. Dizer que não há certeza alguma dada pelo corpo faz com que toda travesti, ainda que não se reconheça dessa forma, seja uma ativista.
Quando deparam-se comigo e perguntam o que sou, é porque não há reconhecimento de humanidade em mim. A travesti traz uma nova forma de enxergar o ser humano e as contribuições sociais que nos modelam. Dizer que não há certeza alguma dada pelo corpo faz com que toda travesti, ainda que não se reconheça dessa forma, seja uma ativista.

Por que decidiu criar a página?

Cerca de 50 milhões de brasileiros acessam diariamente a mesma ferramenta que uso, o Facebook. Esse é o mesmo Brasil que mais mata travestis e transsexuais do mundo, foram mais de 600 assassinatos entre os anos de 2008 e 2014. O que faz desse canal um emergente veículo de encontro, de troca, de conscientização. O foco do ativismo virtual que exerço é despertar a empatia no outro e torná-lo protagonista de uma luta que não deveria ser só minha.

Você percebe uma diferença expressiva entre o ativismo online e o ativismo offline? Em que sentido?

A internet tem essa característica de pasteurizar a comunicação, de torná-la trivial. O diálogo acaba ficando abstrato, não sabemos mais o tom que foi usado, o que a pessoa realmente quis dizer com aquilo — algo que seria facilmente resolvido com uma leitura mais generosa. Além do poder que a máquina transfere, é como se o computador fosse convertido em um inibidor da moral. Aqui o certo e o errado às vezes se confundem. Não é que esses problemas não surjam pessoalmente, no ativismo offline, mas me parece que virtualmente são mais saturados.



'Se as pessoas parassem para refletir, elas saberiam que elas são muito mais do que seus órgãos genitais'. - Sofia Favero (Travesti Reflexiva) 

  Nesse semestre, eu estudei Filosofia Feminista lá no Espaço Cult com a filósofa Marcia Tiburi. No decorrer das aulas, ganhei inúmeros presentes: estudei a história do pensamento através da produção textual feita por mulheres - de Mary Wollstonecraft a Simone de Beuavoir, de Judith Butler a Beatriz Preciado.

Uma das páginas mais comentadas sobre pessoas trans* no Facebook é a Travesti Reflexiva. Sofia Favero tem 20 anos e mora em Aracaju, é ela por trás da 'personagem' que cativa diariamente milhares de pessoas interessadas em expandir sua mente quando o tema é gênero.

Sofia, assim como a maioria das pessoas queer, já sofreu e continua sofrendo preconceito: foi vítima de violência física num ônibus em Aracaju. Estudante de Psicologia, recentemente Sofia lançou o site O Estigma Trans, onde ela esclarece e ilumina questões sobre trans*, gênero e sexualidade.
Na entrevista concedida ao Disco Punisher, feita no final da noite, ela falou sobre feminismo, transfobia, o sucesso de sua página e revelou até um pouco sobre seu gosto musical.

DP - Qual a exigência e a pauta que os ativistas trans* deveriam ter nesse momento? SF: Então, no Brasil?
DP - Pode ser! SF: Eu acho que a maior pauta seria a do nome social mesmo. Não só a do nome social primeiro, essa é um paliativo, uma redução de danos. E depois do nome civil. Já existe até a lei João Nery.  Eu acho que a questão do nome civil é o básico, é por onde começa. Se você não tem nenhum nome, como é que vai poder fazer um cadastro, como você vai se matricular, como vai poder estudar, por exemplo? Se você já tem o nome, pelo menos você já tem a "faca" na mão.
DP - Essa seria a política mais importante que vocês têm em pauta atualmente? SF: As políticas públicas LGBT são muito voltadas para doenças sexualmente transmissíveis e AIDS. Você só vê o público LGBT relacionado a isso. Não é a toa que em São Paulo, o único centro com ambulatório para transexuais e travestis, é o mesmo local que cuida das doenças sexualmente transmissíveis.
Vivemos em uma cruzada para existir. Essa não pode ser a única pauta do LGBT. Não é só disso que precisamos.

O grupo mais contaminado é o de mulheres casadas com heterossexuais, não é mais o dos gays, lésbicas ou travestis. Então, temos de parar de achar que o Governo só tem de distribuir camisinha e gel - isso eu compro na farmácia. Eu quero meus direitos!

DP - Eu também acho que esse é um problema sério da nossa cultura. Precisávamos pautar-nos em mais direitos políticos sólidos... SF: Sim, também. A gente tem uma imagem muito ligada à sexualidade, muito sexual, então as pessoas pensam que é só isso que tem em relação ao movimento LGBT. A pessoa que é trans* e nasceu desalinhada de seu gênero também tem sua privacidade, e geralmente as pessoas não respeitam, acham que podem perguntar o que quer. As mulheres são sexualizadas em filmes, novelas. Os homens adoram duas mulheres se beijando. Os gays são sexualizados e as travestis mais ainda, muitos caem até na prostituição...
DP - Esse eu também acho que é um dos nossos maiores problemas. No meu curso de Filosofia Feminista, por exemplo, não havia ali nenhuma representatividade de uma mulher negra ou trans*. Temos de levar em consideração que cultura no nosso país é um bem bastante caro. SF: E isso é bem triste também na verdade, não é? Porque na minha sala também só existe uma mulher negra, e na faculdade inteira, apenas uma mulher trans*, que sou eu, então acaba que a nossa vida se torna bastante solitária. Academicamente nem se fala.
DP - Vejo o mundo como um inferno, e fui socialmente construído como gay. Agora me encontro num momento 'contra sexual'. SF: Como assim?
DP - Acredito que a sexualidade é uma armadilha, e que devemos escapar dela. Você acredita que o pink money engoliu o movimento gay? SF: Francamente, acho que sim! Pegue a Parada Gay como exemplo: é sobre casamento 'gay', união afetiva 'gay'. As travestis e transexuais não entram na conta. Houve uma agora aonde o nome social não chegou nem a ser tema, foi só um subtema. O que dá dinheiro mesmo é o pink money. Por mais que o gay seja discriminado, ele ainda é aceito na sociedade. O gay é a primeira pessoa depois de ninguém, e a travesti é a quinta pessoa depois de ninguém. Não existe nenhuma empresa querendo se ligar com travestis e transexuais, mas existem empresas que se associam a homens cis-homossexuais.
DP - De que forma você enfrenta o preconceito no seu dia a dia? SF: De todas as formas (Sofia suspira). A partir do momento em que eu saio pela porta de casa, eu já sei que vou sentir preconceito. Não existe um dia em que eu não sinta preconceito por ser quem eu sou.
DP - Sempre fico pensando, quanto mais 'queer', quanto mais 'marginal', mais complicada a aceitação da família. Como foi a aceitação dos seus pais?
SF: Eu acho bastante complicada a assistência para uma pessoa transexual, porque essa assistência tem de vir de várias formas: jurídica, saúde, dinheiro para comprar os remédios, hormônios... Então é muito difícil existir uma família que aceite.
Com a minha mãe, foi mais tranquilo. Ela sempre soube. Com minha irmã, minha avó também. Meu pai não mora em minha casa, e é separado da minha mãe. Ele não fala comigo até hoje.

DP - Você acha que a sexualidade é uma escolha? SF: Não! A escolha é externalizar isso, gritar para o mundo, mas você não pode escolher uma emoção, por exemplo, você não pode escolher não sentir medo ou alegria. Para mim, a sexualidade funciona desse mesmo jeito. Não consigo ver a sexualidade como uma escolha, a escolha fica em bater no peito...
DP - Se tem algo que você faz muito é bater no peito. Seu ativismo colabora ou atrapalha na sua vida afetiva? SF: Eu não tenho vida afetiva (risos). Sério... Não sei o que é vida afetiva. Não tenho. As pessoas me perguntam muito isso, e é um tabu bem grande, as pessoas até pedem na página 'Sofia, vire lésbica!', mas elas não sabem da metade...
DP - Mas é uma escolha não ter vida afetiva? SF: Também! Como eu tomo muitos hormônios e inibidores de testosterona, acaba que eu não tenho muita libido...
DP - A sua página do Facebook é um sucesso. O que você pretende fazer com ela? SF: Depois da página do Facebook, vou construir o site - mas tudo é bem complicado, minha sobrinha nasceu hoje, não tenho tempo. Mas fico feliz, abro o site, e fico olhando ali! Faço o título e fico meia hora, olhando ali... Acho que eu tenho TOC ou algum transtorno de atenção. O site ainda está em construção, mas a página continua ativa, e sempre que existe alguma pergunta que eu acho válida, eu posto lá.
  DP - Seu site vai ser fenomenal! Se a página já é genial, imagine o site...
SF: Eu sou sozinha, eu não paguei nada pelo domínio, não paguei layout. Eu alimento a pagina sozinha, faço todo o conteúdo (Sofia suspira). E ainda tenho que escrever meu livro...
DP - Como vai ser esse livro? SF: Eu não sei... Acho que vai ser em terceira pessoa. Não quero que seja em primeira pessoa, porque acho muito cansativo biografias que sejam assim. Queria que contar a minha estória.
DP - Você quer fazer literatura também? SF: Não tenho vontade nenhuma de criar estórias, a minha própria estória já é muito extrema. Uma hora eu estou lá em cima, e outra lá embaixo. Se eu for criar, seria baseado em estórias que eu já vivi, então vou me preocupar em fazer isso primeiro mesmo.
DP - O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre você que elas ainda não sabem? SF: Não sei (risos). Bom, gostaria que as pessoas soubessem que eu sou bem chata, na realidade. Esses dias estava conversando com uma amiga e ela disse 'Nossa, como as pessoas gostam de você, né? Deve ser porque elas não te conhecem de verdade... ' e eu disse 'Não é, menina? Ninguém sabe a peça!' (risos). É, na verdade, eu sou bastante chata!
DP - Eu te acho incrível! (risos). O que você acha da produção de subjetividades desse feminismo que tem surgido nas redes sociais? SF: Tudo isso é produção humana, certo? Não deixa de ser um conteúdo válido... Eu não sei se entendi o foco da pergunta, você quer falar sobre o movimento que exclui a transexual ou do movimento atual feminista que exclui o homem?
DP - Eu entendo o feminismo como uma corrente social e filosófica que precisa trabalhar a opressão produzida pelo machismo e fazer uma interseccionalidade política, que dê assistência a pessoas gays, travestis, ou de qualquer sexualidade que não seja vigente. SF: Eu também penso pelo lado das meninas que constroem o feminismo, porque deve ser muito chato que a sociedade deposite todas as expectativas em um movimento só. Eu concordo que o feminismo tenha de combater o racismo, o machismo, a homofobia, a lesbofobia. Existem outras questões também: elitismo, classicismo. Até o capitalismo... As pessoas esperam que o feminismo junte tudo isso e lute contra, mas não dá pra lutar contra tudo isso em um movimento só, acho que acaba perdendo o foco.
Existem várias vertentes do feminismo - mesmo você sendo homem, sendo gay, você pode se declarar feminista. Existem outras vertentes do feminismo que não vão te acolher nessas condições de forma alguma.

DP - Então, e esse é o 'feminismo ruim'. É o 'feminismo' que não entende que a real revolução é a travesti, a real revolução é a pessoa trans*... SF: Eu não encaro como um 'feminismo ruim'. Eu encaro como um feminismo que demonstra o que pensa a sociedade. O que a gente vê hoje é que essas pessoas sejam excluídas, que estejam à margem... Por que seria diferente com esses movimentos? Até mesmo o movimento que exclua a travesti e o transexual, eu compreendo. Só não compreendo a transfobia, mas compreendo quando dizem 'Olha, Sofia... Eu não vou lutar a sua luta e juntá-la com a minha'.
DP - Você realmente consegue compreender isso? Eu, de verdade, não conseguiria! SF: Ah eu compreendo, acho legal quando deixam as coisas claras assim, pra mim, fica perfeito. Mas o que acontece geralmente são falas assim 'Sofia, você é um homem, você tem piroca, você tem cromossomo XY, você nunca vai ser mulher, você não tem útero, você não tem ovário'. As pessoas acham que saúde é só física, mas não, a saúde também é mental. Isso me agride, é uma forma de desrespeito. Existe essa diferença entre esse feminismo que não se importa, e esse feminismo que não machuca. E esse feminismo é o mais ferrado, pela atitude transfóbica. A mulher tem a luta dela.
DP - Um dos ativistas trans* mais célebres do Brasil é o Laerte, e ele bate muito na questão do uso de pessoas trans* em banheiros públicos. Você sofre também com a questão do banheiro público? SF: Depende. Na realidade, pra não sofrer esse tipo de situação, eu nem entro no banheiro, não uso banheiros públicos. Agora na minha faculdade, me conhecem, então, sabem que sou travesti, agora é que eu não entro no banheiro mais mesmo.
DP - Você acha que sua vida seria mais fácil se você morasse em outro lugar, isto é, você acredita que o machismo que é produzido no Nordeste é diferente do machismo do Sul, do Sudeste? SF: Não sei... Não acho que seja assim tão diferente. Eu tenho amigas do Norte, do Sul, de todos os cantos, e todas elas sofrem pela transfobia. A base é a cultura machista, e o Brasil todo é um país muito machista. Todas elas são vistas como 'homens de saia'. Tem a Daniela Andrade que é de São Paulo e eu sempre a vejo postando esse tipo de coisa, do quanto ela sofre na cidade dela.
DP - Como você acha que podemos combater a crença de que só depois da cirurgia o homem ou mulher trans* se torna seu sexo referido? SF: Rapaz! Existe essa noção entre algumas pessoas, assim como existe a noção de que mesmo com a cirurgia não vai mudar nada. Pegue como exemplo a Ariadna, ela tem cirurgia e ainda passa por esse estigma. É um beco sem saída. Mas acho que se as pessoas parassem para refletir, elas saberiam que elas são muito mais do que seus órgãos genitais. Quem garante que mulher que 'nasce' mulher é mulher de verdade? Ninguém sabe o que se passa dentro das pessoas. Nem o rosto deveria ser o meio de se julgar uma pessoa - porque nem todo mundo consegue transitar o corpo inteiro para o outro gênero.
DP - Você consegue ou você não consegue? SF: Depende da roupa, do dia, da iluminação (risos)...
DP - Você acha que dá para ser o que se é sem passar por esse tipo de 'mutilação'? SF: Acho que dá para ser sim! Eu tenho amigas que me acham uma menina comum! Esses dias uma mulher veio me perguntar qual absorvente eu usava e fiquei pasma (risos). 'Como assim, mulher? Eu não uso isso não!”“. E só depois que ela se tocou...
DP - Sofia! O que você tem ouvido no seu iPod? SF: Kylie Minogue! Muita Kylie Minogue! Escuto várias coisas... É que eu gosto de muita coisa 'poc poc' (risos). No meu celular só tem Britney! (risos). Gosto de Björk, MPB. Só não gosto de arrocha, pagode e axé.
DP - Deve ser muito difícil fugir de axé no Nordeste? SF: Nossa muito! Meus vizinhos só escutam isso... Você não tem ideia!
DP - AWN, muito obrigado pelo papo, Sofia! SF: Cheeeeeeiro, meu bem! <3 br="">
Por: Alisson Prando
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Mandy Candy: Sucesso no Youtube, garota transexual lança livro sobre mudar sexo

Amanda - Mandy Candy acredita que sua vida teria sido bem diferente se, quando era adolescente, tivesse alguém transexual que conversasse com ela da mesma forma que ela dialoga com seu público.
Certa vez, quando Amanda caminhava para empresa de telemarketing onde trabalhava, quatro ou cinco rapazes em um carro passaram ao seu lado e imediatamente começaram as provocações: “Oi, gatinha, quer carona?”, “Gostosinha você, hein?”, diziam. A garota, com medo, apertou o passo. Quando Amanda já estava quase que correndo, um dos garotos gritou “Ih, rapaz, não é gatinha, não! É um traveco”. Aceleraram, então, mas antes de irem embora um deles arremessou uma lata de cerveja contra as costas da menina.
Esse é um dos episódios de violência e preconceito que Amanda Rodrigues, transexual de 27 anos, já passou e que revela em “Meu Nome é Amanda”, livro autobiográfico recém-lançado pela Fábrica 231. A garota é mais uma das web celebridades que aproveitam a popularidade alcançada na internet para estrearem no mercado editorial. No caso dela, o canal Mandy Candy, no Youtube, onde fala sobre temas que interessam aos jovens e, claro, sobre questões de gênero, já alcançou quase 300 mil assinantes e alguns dos seus vídeos rompem a marca de um milhão de espectadores.

“Sempre quis ter um livro, acho que esse item consta na lista de muitas pessoas para coisas que pretendem fazer antes de morrer, né? Mas o mais importante foi atingir gente de fora da internet para que entendam e vejam que nós, mulheres e homens transexuais, somos iguais a qualquer um”, diz ela ao blog sobre sua nova empreitada, na qual contou com a parceria de Lielson Zeni, escritor que a ajudou a organizar as ideias e a construir o texto.


Dessa forma, temos um relato onde Amanda relata como nunca se identificou com o corpo outrora masculino (desde criança dizia que o que mais queria era “ser menina”), lembra do bullying que sofria na escola – o medo dos colegas fazia com que faltasse às aulas, o que prejudicou seu desempenho escolar a ponto de repetir dois anos –, narra como foi fazer a cirurgia de redesignação sexual na Tailândia, em 2012, e também como é sua vida hoje, em Hong Kong, para onde mudou por conta do trabalho e onde conheceu o parceiro com quem se casou.
Amanda acredita que sua vida teria sido bem diferente se, quando era adolescente, tivesse alguém transexual que conversasse com ela da mesma forma que ela dialoga com seu público. “Teria começado a transição mais cedo e não teria tido toda angústia por não saber quem eu realmente era durante a infância e adolescência”. E para quem hoje tem dúvidas sobre a real identidade de gênero, aconselha: “Procure ajuda de alguém capacitado, existem diversos psicólogos pelo Brasil que podem te ajudar a entender tudo que está acontecendo. Você não está sozinha! O início da transição é difícil, parece que nunca vamos conseguir ser quem realmente somos, mas tenha paciência! Não tem nada melhor do que olhar no espelho e se enxergar”.
Enxergando-se plenamente no espelho, relata que continua sofrendo preconceito, mas que isso se limita basicamente ao mundo virtual. “Já mudei de sexo há bastante tempo e quem não me conhece e sabe da minha história não tem ideia que sou uma mulher trans. Mas é complicado, todo dia recebo mensagens de pessoas falando que vou para o inferno e que deveria morrer, ou que se me vissem na rua iriam me bater. Denuncio todos! Fica a dica para quem sofre preconceito dentro ou fora da internet, denunciem! Não ignorem pois essas pessoas estão cometendo um crime”. Além de denunciar, a garota também conta com ajuda de seus seguidores. “Meus inscritos que se encarregam de colocar o preconceituoso no lugar dele. Acho bacana ver que tanta gente me defende e está ao meu lado”.
E sobre viver tão longe dessa gente, seus conterrâneos, o principal público de seu canal, a moça diz que sente falta principalmente da proximidade física com os fãs. “Essa troca de energia é maravilhosa, nunca tinha me sentido tão querida e amada como me sinto hoje em dia”. E esse contato deverá ser intenso pelos próximos dias, já que Amanda está em turnê de divulgação do livro pelo Brasil: entre os dias 18 de agosto e 10 de setembro, passará por Salvador, Fortaleza, Brasília, Manaus, São Paulo, onde participará da Bienal, e Rio de Janeiro.

Do  Uol - Rondônia Dinâmica

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Transexual denuncia faculdade Anhanguera Cuiabá por ser impedida de usar banheiro feminino

http://1.bp.blogspot.com/-b-5Wr4mTK8w/VkSNGEkEF2I/AAAAAAAAFlw/GlMjNn36yU8/s1600/feminino.jpgUma aluna transexual denunciou ao Ministério Público Estadual (MPE) a faculdade Anhanguera Cuiabá, na capital, por ser impedida de usar o banheiro feminino dentro da instituição. O MPE instaurou um procedimento preparatório de inquérito civil para investigar a denúncia. A portaria, do promotor Henrique Schneider Neto, da 8ª Promotoria de Justiça Cível, foi assinada no dia 30 de agosto.

A Anhanguera Cuiabá informou que foi notificada sobre o procedimento e que deve protocolar uma reposta à denúncia feita pela aluna.

Segundo a denúncia, feita através da Ouvidoria do MPE, a aluna transexual foi impedida pela direção da faculdade de usar o banheiro feminino. A instituição alegou à estudante que havia recebido reclamação de outros alunos.

Além disso, a aluna diz que foi submetida a situação constrangedora pela direção da unidade ao ser questionada, dentro da sala de aula, sobre seu nome de batismo.

A diretora do movimento LGBT da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniella Veyga, incentivou que a estudante denunciasse o caso à Justiça. “É muito importante que todos saibam que devem ter seus direitos garantidos. A impunidade vem com uma avalanche de impunidade e temos que acabar com isso”, declarou.

Daniella contou ainda, que após ser abordada pela direção da escola, a aluna transexual “ficou sem chão e até pensou em desistir do curso”, disse.

Na portaria, o promotor reforça que o Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT), por meio da Resolução nº 12 de 2015, garante o uso de banheiros, vestiários e outros espaços separados por gênero, de acordo com a identidade de gênero de cada pessoa.

Conforme o documento, devem ser colhidas informações, depoimentos e, se for necessário, instaurar um inquérito civil e uma ação pública.
 
Do G1
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Organização mapeia casos de violência contra transexuais no País

A luta por ser reconhecida pelo gênero ao qual se identifica vai além da vida de uma pessoa transexual. Mesmo após a morte, as informações se misturam e muitos crimes cometidos contra transexuais são registrados de forma errada, fazendo com que as estatísticas sobre a violência contra as pessoas trans não reflitam a realidade.
O assassinato de travestis, por exemplo, pode ser registrado como a morte de um homem tido como gay, excluindo a possibilidade de que a morte possa ter sido causada por transfobia,desvirtuando os números da violência contra a pessoa trans.
Para registrar e divulgar assassinato, suicídio, tentativa de homicídio e violação de direitos humanos de transexuais, foi criada, em 2015, a Rede Trans Brasil, uma organização não governamental que se empenha em registrar e mapear esses casos pelo Brasil.
A professora Sayonara Nogueira é uma das responsáveis pelo projeto e conta que a ideia surgiu a partir de um trabalho acadêmico, que tomou corpo e passou a ser uma ferramenta de luta e visibilidade da causa trans.
— A ideia foi construir um site com notificação de violência somente contra pessoas travestis e transexuais, para expor casos dessa parcela da população que sofre constantemente com a violação dos seus Direitos Humanos. Centenas de travestis morrem por ano vítimas do uso de silicone industrial ou por problemas causados pelo uso indiscriminado de hormônios, inúmeras tentativas de homicídio, além do suicídio.
A professora conta que as informações repassadas pelo site são encontradas em ferramentas de buscas, usando termos como: travesti, transexual, morte, assassinato e agressão. Porém, Sayonara conta a dificuldade de encontrar registros nos quais as travestis e transexuais são tratadas conforme o gênero em que se apresentam.
— No início, percebi que se colocasse a busca no gênero feminino, não encontrava notícias. Mas, quando eu buscava pelo artigo masculino “o” as notícias apareciam, além de termos como "traveco" e "homem encontrado com vestimentas de mulher", o que demonstra o total desrespeito da mídia com esse segmento. Percebi ainda que, quando digitava o termo transexual, sempre surgia notícias relacionadas às pessoas transexuais que terminaram algum curso acadêmico, constituíram família ou assuntos relacionados à cirurgias e moda. Mas, quando se digita o termo travesti, as notícias estão sempre relacionadas a prostituição, vídeos pornográficos, agressões e morte.
A rede ainda é composta por mais dois pesquisadores,que ajudam a selecionar notícias e denúncias que chegam de todo o País. Os dados coletados são enviados mensalmente para o Transgender Europe, entidade com a qual a Rede Trans Brasil firmou, em junho deste ano, uma parceria na cidade de Bologna, na Itália, para que os números de violência contra a pessoa trans no Brasil ganhem visibilidade mundial.
— Sempre expomos fotos das vítimas para chamar a atenção da sociedade em relação à crueldade a que somos submetidas. Nenhum grupo social no Brasil sofre mais discriminação do que o das travestis. Os assassinatos costumam ser muito cruéis. É um nível de violência elevadíssimo. A expectativa de vida dessa população não ultrapassa os 37 anos de idade, são excluídas da escola, da família, do trabalho.

Do R7
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Transerviços: Novo site conecta transexuais e travestis a empresas

 Vítimas do preconceito e da exclusão, transexuais e travestis vivem à margem do mercado de trabalho formal, situação que coloca este grupo em situação ainda mais vulnerável. Para amenizar esse quadro de falta de oportunidades, foi lançada, no início deste mês, a plataforma online Transerviços (http://www.transervicos.com.br/), que funciona como uma espécie de catálogo, onde travestis e transgêneros podem oferecer trabalhos autônomos em diversas áreas.

— É muito difícil conscientizar empresas inteiras, especialmente as maiores, sobre a necessidade de inclusão desse público. Por isso, a plataforma foi pensada como uma maneira de dar publicidade à força de trabalhos de travestis e transexuais. Assim, no site, eles conseguem oferecer seu trabalho e, quem precisa do serviço, pode contratá-los — explica Daniela Andrade, cocriadora do site.
Para ter acesso ao serviço, basta que a pessoa se cadastre no site com informações pessoais e o detalhamento do serviço que deseja oferecer.
Atualmente, segundo estimativa da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 90% das mulheres transexuais conseguem trabalhar apenas com a prostituição, e os homens estão sujeitos ao subemprego. Dessa maneira, de acordo com a entidade, quase a totalidade das pessoas sob essas condições, no Brasil, nunca consegue acessar o mercado de trabalho formal, com carteira assinada.
— Não é uma questão de formação ou qualificação profissional que, na maioria das vezes, nós temos. É questão de inclusão e falta de políticas públicas específicas — destacou a travesti e presidente da Antra, Keila Simpson.
Nascida no Rio Grande do Norte e moradora do Rio há oito anos, a transexual Biancka Fernandes, de 28 anos, é exceção à regra de exclusão no mercado de trabalho. Após passar por dificuldades, como a maioria das pessoas trans, hoje ela faz parte do setor administrativo do Instituto Nacional de Infectologia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
— Estou há mais de um ano no emprego e fui muito bem recebida. Passei por muito preconceito para chegar até aqui, mas poder trabalhar é uma questão de cidadania — contou Biancka que, nas horas vagas, é atriz no Instituto do Ator.
Diversidade no Teatro Rival
Tradicional casa de espetáculos do Rio, o Teatro Rival, no Centro, se orgulha de ter em seus quadros funcionários transexuais. Três dos postos mais importantes para o funcionamento da casa, segundo a administração, são comandados por pessoas trans. Da recepção ao bar, o espaço cultural optou pela inclusão.
— O Rival é precursor da inclusão há 70 anos, e fazemos questão de continuar assim. Então, quando reinauguramos a casa, resolvemos buscar mão de obra na diversidade, e deu muito certo — disse Bianca Barbosa, sócia do teatro.
A contratação de pessoas trans, porém, ainda passa pela burocracia. Segundo Bianca, questões como o nome social, aquele que é usado pela travesti ou transexual, diferente daquele da identidade, ainda não é respeitado, o que causa constrangimento.
— Todos eles trabalham com carteira assinada e, no momento da contratação, enfrentamos dificuldades burocráticas em relação a isso. É preciso mudar, para que o processo de inclusão seja mais efetivo — ressaltou.



Entre as funcionárias estão a caixa Danny Santos, de 29 anos, e a recepcionista Selena dos Santos Benício, de 21. Ambas se orgulham de poder, hoje, usufruir dos benefícios trabalhistas, como qualquer profissional.
— É ótimo poder trabalhar com carteira assinada, especialmente num lugar onde nos respeitam — afirmou Danny.
Selena disse não sentir saudade da prostituição:
— Sempre estive na informalidade, e esta tem sido a melhor chance da minha vida.
Projeto Prepara Nem investe na formação de travestis e transexuais
Para além das cores rosa, azul e branco, da bandeira que representa o orgulho trans, a Casa Nem, que funciona na Lapa, na região central do Rio, trabalha para dar formação profissional e tentar ampliar o horizonte de travestis e transexuais. No local, a população marginalizada tem acesso a cursos de modelagem, corte e costura e até a um pré-vestibular, o Prepara Nem.
— Aqui é um lugar de passagem. Recebemos travestis e transexuais, abrigamos todo mundo, mas queremos emponderar e dar educação para que as pessoas consigam se incluir na sociedade — disse a idealizadora e coordenadora da Casa Nem, Indianara Siqueira.
Além do pré-vestibular no Rio, que oferece 20 vagas, o projeto também tem curso preparatório na Maré, em Niterói e na Zona Oeste do Rio.




“O mercado não está preparado para nós”, diz Halux Maranhão
— A questão central em torno do debate sobre nossa exclusão do mercado de trabalho passa, antes de tudo, pelo preconceito. Tiram nossas oportunidades sem que analisem nossas qualificações para o trabalho. Eu, como homem trans e indígena, enfrento mais dificuldade. Sou técnico de enfermagem por formação, mas nunca consegui emprego. O motivo? Preconceito. O mercado não está preparado para nós.

Do Extra
 
 
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Umuarama Paraná terá primeira transexual candidata à vereadora

A Estudante Nicole Vieira Fernandes, de 20 anos, conseguiu oficializar candidatura pelo PRP. Movimentação, segundo ela, representa a ruptura de paradigma preconceituoso.
A estudante Nicole Vieira Fernandes, 20, é a primeira transexual a conseguir oficializar sua candidatura à Câmara Municipal de Umuarama dentro da cota de 30% de candidaturas femininas estabelecida pela legislação eleitoral.
A candidatura da transexual pelo Partido Republicano Progressista (PRP) é a ruptura de um paradigma preconceituoso. “Participei das últimas reuniões decisivas do partido, gostei, e resolvi aceitar o convite”, disse.
Para a candidata houve um grande avanço na militância de travestis e transexuais que antes eram “vítimas” das pautas relacionadas à saúde em consequência da padronização do gênero apenas com relação ao sexo.
Na concepção de Nicole, a sua comunidade está ocupando espaços importantes na sociedade e em outras produtoras e difusoras de conhecimento, e se fazendo presentes em movimentos defensores das minorias negra, lésbica, gay, bissexual, travesti e transgênera.
“Ainda está muito recente a ideia do desafio que teve total apoio da minha mãe, que de início até achou estranho, imaginando que os amigos iriam debochar, mas agora, ela viu que a responsabilidade é real e importante”, revelou a estudante.
Com base na coligação que seu partido está incluído, a transexual imagina que será preciso a obtenção de aproximadamente 1,5 mil votos para a sua eleição à Câmara Municipal de Umuarama.
Informações do portal OBemdito.
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Texto: Eu poderia... By Isa


Eu poderia beijar outras bocas que o prazer não seria o mesmo.

Eu poderia sentir outros abraços que o prazer não seria o mesmo.
Eu poderia olhar em outros olhos e não seria o seu.

Eu poderia buscar outros sons de voz para sentir o seu e ao ouvir sentiria a dor da saudade, pois nenhum outro conseguiria fazer comigo o que faz com o som da sua voz.

Eu poderia buscar outro corpo para dominar e sentiria que a textura da pele não era a mesma.

Eu me sentiria perdida em outra mulher, pois você que me trás felicidade plena.

Eu não poderia  desejar outra boca, não poderia desejar outros abraços, não poderia desejar outros olhos, não poderia desejar outra voz e outro corpo e o mais importante não poderia desejar outro amor, eu quero somente o dela e se eu tenho dela já me basta. 

By Isa Costa

Nota da Kátia: Recebi essa linda mensagem agora pela manhã da pessoa que tem me feito muito bem por existir. Isa... depois que você me tocou e me teve saiba que desde aquele dia em cada pedaço de mim, sempre haverá um pedaço de você. A dois, fazemos uma tempestade maravilhosa!
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Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

Me proponho aqui a falar um pouco de tudo, em especial das Crossdressers, dos transexuais, dos Travestis e da enorme comunidade
LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

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