Header Ads

Organização mapeia casos de violência contra transexuais no País

A luta por ser reconhecida pelo gênero ao qual se identifica vai além da vida de uma pessoa transexual. Mesmo após a morte, as informações se misturam e muitos crimes cometidos contra transexuais são registrados de forma errada, fazendo com que as estatísticas sobre a violência contra as pessoas trans não reflitam a realidade.
O assassinato de travestis, por exemplo, pode ser registrado como a morte de um homem tido como gay, excluindo a possibilidade de que a morte possa ter sido causada por transfobia,desvirtuando os números da violência contra a pessoa trans.
Para registrar e divulgar assassinato, suicídio, tentativa de homicídio e violação de direitos humanos de transexuais, foi criada, em 2015, a Rede Trans Brasil, uma organização não governamental que se empenha em registrar e mapear esses casos pelo Brasil.
A professora Sayonara Nogueira é uma das responsáveis pelo projeto e conta que a ideia surgiu a partir de um trabalho acadêmico, que tomou corpo e passou a ser uma ferramenta de luta e visibilidade da causa trans.
— A ideia foi construir um site com notificação de violência somente contra pessoas travestis e transexuais, para expor casos dessa parcela da população que sofre constantemente com a violação dos seus Direitos Humanos. Centenas de travestis morrem por ano vítimas do uso de silicone industrial ou por problemas causados pelo uso indiscriminado de hormônios, inúmeras tentativas de homicídio, além do suicídio.
A professora conta que as informações repassadas pelo site são encontradas em ferramentas de buscas, usando termos como: travesti, transexual, morte, assassinato e agressão. Porém, Sayonara conta a dificuldade de encontrar registros nos quais as travestis e transexuais são tratadas conforme o gênero em que se apresentam.
— No início, percebi que se colocasse a busca no gênero feminino, não encontrava notícias. Mas, quando eu buscava pelo artigo masculino “o” as notícias apareciam, além de termos como "traveco" e "homem encontrado com vestimentas de mulher", o que demonstra o total desrespeito da mídia com esse segmento. Percebi ainda que, quando digitava o termo transexual, sempre surgia notícias relacionadas às pessoas transexuais que terminaram algum curso acadêmico, constituíram família ou assuntos relacionados à cirurgias e moda. Mas, quando se digita o termo travesti, as notícias estão sempre relacionadas a prostituição, vídeos pornográficos, agressões e morte.
A rede ainda é composta por mais dois pesquisadores,que ajudam a selecionar notícias e denúncias que chegam de todo o País. Os dados coletados são enviados mensalmente para o Transgender Europe, entidade com a qual a Rede Trans Brasil firmou, em junho deste ano, uma parceria na cidade de Bologna, na Itália, para que os números de violência contra a pessoa trans no Brasil ganhem visibilidade mundial.
— Sempre expomos fotos das vítimas para chamar a atenção da sociedade em relação à crueldade a que somos submetidas. Nenhum grupo social no Brasil sofre mais discriminação do que o das travestis. Os assassinatos costumam ser muito cruéis. É um nível de violência elevadíssimo. A expectativa de vida dessa população não ultrapassa os 37 anos de idade, são excluídas da escola, da família, do trabalho.

Do R7

Nenhum comentário