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Transerviços: Novo site conecta transexuais e travestis a empresas

 Vítimas do preconceito e da exclusão, transexuais e travestis vivem à margem do mercado de trabalho formal, situação que coloca este grupo em situação ainda mais vulnerável. Para amenizar esse quadro de falta de oportunidades, foi lançada, no início deste mês, a plataforma online Transerviços (http://www.transervicos.com.br/), que funciona como uma espécie de catálogo, onde travestis e transgêneros podem oferecer trabalhos autônomos em diversas áreas.

— É muito difícil conscientizar empresas inteiras, especialmente as maiores, sobre a necessidade de inclusão desse público. Por isso, a plataforma foi pensada como uma maneira de dar publicidade à força de trabalhos de travestis e transexuais. Assim, no site, eles conseguem oferecer seu trabalho e, quem precisa do serviço, pode contratá-los — explica Daniela Andrade, cocriadora do site.
Para ter acesso ao serviço, basta que a pessoa se cadastre no site com informações pessoais e o detalhamento do serviço que deseja oferecer.
Atualmente, segundo estimativa da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 90% das mulheres transexuais conseguem trabalhar apenas com a prostituição, e os homens estão sujeitos ao subemprego. Dessa maneira, de acordo com a entidade, quase a totalidade das pessoas sob essas condições, no Brasil, nunca consegue acessar o mercado de trabalho formal, com carteira assinada.
— Não é uma questão de formação ou qualificação profissional que, na maioria das vezes, nós temos. É questão de inclusão e falta de políticas públicas específicas — destacou a travesti e presidente da Antra, Keila Simpson.
Nascida no Rio Grande do Norte e moradora do Rio há oito anos, a transexual Biancka Fernandes, de 28 anos, é exceção à regra de exclusão no mercado de trabalho. Após passar por dificuldades, como a maioria das pessoas trans, hoje ela faz parte do setor administrativo do Instituto Nacional de Infectologia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
— Estou há mais de um ano no emprego e fui muito bem recebida. Passei por muito preconceito para chegar até aqui, mas poder trabalhar é uma questão de cidadania — contou Biancka que, nas horas vagas, é atriz no Instituto do Ator.
Diversidade no Teatro Rival
Tradicional casa de espetáculos do Rio, o Teatro Rival, no Centro, se orgulha de ter em seus quadros funcionários transexuais. Três dos postos mais importantes para o funcionamento da casa, segundo a administração, são comandados por pessoas trans. Da recepção ao bar, o espaço cultural optou pela inclusão.
— O Rival é precursor da inclusão há 70 anos, e fazemos questão de continuar assim. Então, quando reinauguramos a casa, resolvemos buscar mão de obra na diversidade, e deu muito certo — disse Bianca Barbosa, sócia do teatro.
A contratação de pessoas trans, porém, ainda passa pela burocracia. Segundo Bianca, questões como o nome social, aquele que é usado pela travesti ou transexual, diferente daquele da identidade, ainda não é respeitado, o que causa constrangimento.
— Todos eles trabalham com carteira assinada e, no momento da contratação, enfrentamos dificuldades burocráticas em relação a isso. É preciso mudar, para que o processo de inclusão seja mais efetivo — ressaltou.



Entre as funcionárias estão a caixa Danny Santos, de 29 anos, e a recepcionista Selena dos Santos Benício, de 21. Ambas se orgulham de poder, hoje, usufruir dos benefícios trabalhistas, como qualquer profissional.
— É ótimo poder trabalhar com carteira assinada, especialmente num lugar onde nos respeitam — afirmou Danny.
Selena disse não sentir saudade da prostituição:
— Sempre estive na informalidade, e esta tem sido a melhor chance da minha vida.
Projeto Prepara Nem investe na formação de travestis e transexuais
Para além das cores rosa, azul e branco, da bandeira que representa o orgulho trans, a Casa Nem, que funciona na Lapa, na região central do Rio, trabalha para dar formação profissional e tentar ampliar o horizonte de travestis e transexuais. No local, a população marginalizada tem acesso a cursos de modelagem, corte e costura e até a um pré-vestibular, o Prepara Nem.
— Aqui é um lugar de passagem. Recebemos travestis e transexuais, abrigamos todo mundo, mas queremos emponderar e dar educação para que as pessoas consigam se incluir na sociedade — disse a idealizadora e coordenadora da Casa Nem, Indianara Siqueira.
Além do pré-vestibular no Rio, que oferece 20 vagas, o projeto também tem curso preparatório na Maré, em Niterói e na Zona Oeste do Rio.




“O mercado não está preparado para nós”, diz Halux Maranhão
— A questão central em torno do debate sobre nossa exclusão do mercado de trabalho passa, antes de tudo, pelo preconceito. Tiram nossas oportunidades sem que analisem nossas qualificações para o trabalho. Eu, como homem trans e indígena, enfrento mais dificuldade. Sou técnico de enfermagem por formação, mas nunca consegui emprego. O motivo? Preconceito. O mercado não está preparado para nós.

Do Extra
 
 

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